
Capítulo 5
MEU AMOR EM PARIS
Paris, 1984 — noite
O restaurante estava movimentado naquela noite.
As mesas estavam ocupadas por casais e grupos que conversavam enquanto garçons circulavam pelo salão carregando pratos e taças. A iluminação era suave, e através das grandes janelas era possível observar as luzes de Paris refletidas nas ruas úmidas pela chuva.
Em uma das mesas mais reservadas, Antonie estava sentado diante de Paula.
O jantar havia começado há alguns minutos, mas Antonie não estava completamente presente.
Ele segurava o cardápio aberto, embora seus olhos não estivessem realmente lendo.
A imagem de Flor continuava voltando à sua mente.
O jovem segurando um jornal.
O guarda-chuva que havia caído.
A maneira educada como havia conversado.
E, principalmente, aquele olhar tranquilo que Antonie não conseguia esquecer.
PAULA: — Antonie?
Ele levantou os olhos.
ANTONIE: — Sim?
PAULA: — Você está muito distraído.
Antonie fechou o cardápio.
ANTONIE: — Desculpe. Estou pensando nos negócios.
Paula observou-o por alguns segundos.
PAULA: — Você passou o dia inteiro pensando em negócios.
Antonie não respondeu imediatamente.
O garçom aproximou-se.
GARÇOM: — Já decidiram o que vão pedir?
Paula pegou o cardápio.
PAULA: — Eu vou querer o prato do dia.
O garçom anotou.
GARÇOM: — E o senhor?
Antonie finalmente olhou para o cardápio.
ANTONIE: — O mesmo.
GARÇOM: — Perfeito.
O garçom afastou-se.
Paula apoiou os braços sobre a mesa.
PAULA: — O que realmente está acontecendo?
Antonie respirou fundo.
ANTONIE: — Nada.
PAULA: — Você não parece estar bem.
ANTONIE: — Foi apenas um dia longo.
Paula continuou olhando para ele, mas decidiu não insistir.
🍷 Durante o jantar
Os pratos chegaram.
Antonie começou a comer, mas seu pensamento continuava longe.
Ele lembrava da conversa.
“Cheguei há poucos dias.”
“Estou procurando trabalho.”
Antonie tentou descobrir por que aquela conversa tão curta havia ficado em sua cabeça.
Ele encontrava diariamente centenas de pessoas.
Funcionários.
Empresários.
Clientes.
Investidores.
Mas nenhum deles havia despertado aquela curiosidade imediata.
PAULA: — Você nem está comendo direito.
Antonie percebeu que havia ficado alguns segundos olhando para o prato.
ANTONIE: — Estou sem muita fome.
PAULA: — Você quase nunca fica sem fome.
Antonie soltou uma pequena risada.
ANTONIE: — Hoje foi um dia diferente.
Paula pegou sua taça.
PAULA: — Então espero que amanhã seja melhor.
ANTONIE: — Também espero.
Mas, por dentro, Antonie sabia que o motivo de sua distração não tinha relação com seus negócios.
Era Flor.
🌃 O fim do jantar
Depois de algum tempo, os dois terminaram a refeição.
Paula colocou o casaco sobre os ombros.
PAULA: — Foi uma noite agradável.
Antonie levantou-se.
ANTONIE: — Foi.
Eles agradeceram ao garçom e deixaram o restaurante.
Do lado de fora, o frio havia aumentado.
Jacques já esperava próximo ao carro.
JACQUES: — Boa noite, senhor Antonie. Senhora Paula.
PAULA: — Boa noite, Jacques.
Antonie abriu a porta para Paula.
Ela entrou.
Depois ele entrou no carro.
🚘 De volta para casa
O carro atravessou as ruas iluminadas de Paris.
Paula observava as vitrines pela janela.
Antonie permanecia em silêncio.
A cidade passava diante dele, mas sua atenção estava presa a outro lugar.
Ele se lembrava de ter entregado o cartão.
Será que Flor ligaria?
Talvez.
Talvez não.
Antonie colocou a mão no bolso do sobretudo e percebeu que não havia nada ali.
Ele havia entregado seu último cartão.
ANTONIE: — Jacques.
O motorista olhou pelo retrovisor.
JACQUES: — Sim, senhor?
ANTONIE: — Você conhece aquela região perto da lanchonete onde estivemos hoje?
JACQUES: — Conheço.
Antonie ficou em silêncio por alguns segundos.
ANTONIE: — Preciso descobrir quem é aquele rapaz.
Paula virou o rosto.
PAULA: — Que rapaz?
Antonie percebeu que havia falado em voz alta.
ANTONIE: — O rapaz com quem conversei antes de você chegar.
Paula ficou em silêncio.
Jacques continuou dirigindo.
🏠 A despedida
Quando chegaram à residência de Paula, Antonie saiu do carro.
PAULA: — Obrigada pelo jantar.
ANTONIE: — Eu que agradeço.
Paula aproximou-se da porta.
Antes de entrar, olhou novamente para Antonie.
PAULA: — Tente descansar.
ANTONIE: — Vou tentar.
Paula entrou.
O carro voltou a seguir pela avenida.
🌙 A decisão de Antonie
Já sozinho no banco traseiro, Antonie olhava pela janela.
Paris estava silenciosa em alguns pontos, enquanto outros ainda permaneciam movimentados.
Ele fechou os olhos por alguns segundos.
Flor.
O nome havia ficado em sua memória.
Mas ele queria saber mais.
Quem era aquele jovem?
Onde morava?
Por que estava procurando emprego?
E, principalmente, por que aquele encontro tão breve havia despertado tanta curiosidade?
Antonie abriu os olhos.
ANTONIE: — Tenho que saber quem é ele.
Jacques ouviu a frase, mas não fez perguntas.
Antonie olhou novamente para as ruas.
ANTONIE: — Preciso descobrir onde ele trabalha… ou onde está procurando trabalho.
O carro continuou avançando.
Antonie ainda não sabia que a resposta estava muito mais perto do que imaginava.
O jovem que ele procurava havia deixado um currículo justamente em um dos hotéis que pertenciam a ele.