
Capítulo 3
MEU AMOR EM PARIS
Paris, 1984 — 5h30 da manhã
Enquanto Flor ainda dormia na pequena pensão, em outro ponto de Paris o dia de Antonie começava muito antes da maioria das pessoas.
Antonie, aos 30 anos, era um dos homens mais ricos e influentes de Paris. Alfa, elegante e extremamente disciplinado, havia construído um enorme patrimônio através de empresas, hotéis e clubes.
Sua residência ficava em uma área nobre da cidade. O imóvel era espaçoso, silencioso e decorado com móveis sofisticados.
Mas, apesar de todo o luxo, Antonie tinha uma rotina rigorosa.
O despertador tocou.
Ele abriu os olhos e permaneceu alguns segundos em silêncio.
Então se levantou.
Vestiu uma roupa esportiva e foi até uma sala reservada para exercícios.
Durante quase uma hora, treinou sozinho.
Depois tomou banho e voltou para o quarto.
Sobre uma poltrona havia um terno cuidadosamente separado para aquele dia.
Antonie escolheu um terno escuro, camisa clara e gravata discreta.
Diante do espelho, ajeitou os cabelos.
Seu rosto transmitia segurança.
Ele estava acostumado a entrar em uma sala e imediatamente ser reconhecido como alguém importante.
☕ Café da manhã
Às 7h, Antonie desceu para a sala de refeições.
A mesa já estava preparada.
Café, pão, frutas e alguns pratos simples estavam organizados.
MARIE: — Bom dia, senhor Antonie.
Marie era uma das funcionárias responsáveis pela residência.
ANTONIE: — Bom dia, Marie.
Ele sentou-se e abriu o jornal.
As primeiras páginas traziam notícias sobre economia, negócios e acontecimentos de Paris.
Marie colocou uma xícara de café diante dele.
MARIE: — O senhor terá um dia bastante ocupado.
Antonie continuou lendo.
ANTONIE: — Imagino.
MARIE: — Seu motorista informou que o carro estará pronto às oito.
ANTONIE: — Perfeito.
Ele virou uma página do jornal.
MARIE: — E sua reunião no hotel começa às nove.
ANTONIE: — Não posso me atrasar.
Marie sorriu.
MARIE: — O senhor nunca se atrasa.
Antonie finalmente levantou os olhos do jornal.
ANTONIE: — Tento não dar esse prazer aos meus sócios.
Marie riu discretamente.
Era uma pequena brincadeira, mas mostrava que, apesar de sua postura séria, Antonie não era completamente distante.
📞 O telefone toca
O telefone fixo da residência tocou.
Marie atendeu.
MARIE: — Residência do senhor Antonie.
Ela ouviu por alguns segundos.
MARIE: — Sim. Um momento.
Cobriu o telefone com a mão.
MARIE: — Senhor Antonie, é seu escritório.
Antonie deixou o jornal de lado.
ANTONIE: — Pode passar.
Marie colocou o telefone sobre a mesa.
ANTONIE: — Alô?
BERNARD: — Bom dia, Antonie. Precisamos conversar sobre a reunião de hoje.
Bernard era um dos principais executivos que trabalhavam diretamente com Antonie.
ANTONIE: — O que aconteceu?
BERNARD: — O contrato do novo empreendimento ainda não foi finalizado.
Antonie ficou sério.
ANTONIE: — Quero os documentos sobre minha mesa antes da reunião.
BERNARD: — Estarão lá.
ANTONIE: — Ótimo. Até mais tarde.
Ele desligou.
Pegou novamente o jornal, mas agora sua atenção estava voltada para os negócios.
🚘 A caminho do trabalho
Às oito da manhã, Antonie saiu de casa.
Seu motorista já o esperava.
JACQUES: — Bom dia, senhor Antonie.
ANTONIE: — Bom dia, Jacques.
Antonie entrou no carro.
Paris passava diante da janela.
A cidade estava começando mais um dia.
Pessoas caminhavam para o trabalho, cafés recebiam os primeiros clientes e as bancas exibiam jornais e revistas.
Antonie observava tudo em silêncio.
Ele conhecia aquela cidade muito bem.
Seus negócios estavam espalhados por vários pontos de Paris.
Hotéis.
Restaurantes.
Clubes.
Empresas.
Seu império havia crescido rapidamente durante os últimos anos.
Mas Antonie sabia que manter tudo funcionando exigia trabalho constante.
🏢 O escritório
Pouco depois das oito e meia, Antonie chegou ao escritório.
Funcionários imediatamente começaram a cumprimentá-lo.
FUNCIONÁRIA: — Bom dia, senhor Antonie.
ANTONIE: — Bom dia.
Ele caminhou pelos corredores sem diminuir o passo.
Ao chegar à sua sala, encontrou Bernard esperando.
BERNARD: — Aqui estão os documentos.
Antonie colocou a pasta sobre a mesa.
ANTONIE: — Vamos começar.
Os dois passaram a manhã analisando contratos, investimentos e relatórios.
Antonie fazia perguntas constantemente.
ANTONIE: — Quanto gastaremos nessa reforma?
BERNARD: — Aproximadamente dois milhões de francos.
Antonie franziu a testa.
ANTONIE: — É muito.
BERNARD: — O hotel precisa de uma modernização completa.
Antonie pensou por alguns segundos.
ANTONIE: — Então faça um novo orçamento. Quero reduzir os gastos sem prejudicar a qualidade.
BERNARD: — Entendido.
🏨 O hotel
Perto do meio-dia, Antonie decidiu visitar pessoalmente um de seus hotéis mais importantes.
O mesmo hotel onde Flor havia deixado seu currículo.
O prédio era imponente.
Grandes janelas, portas elegantes e um enorme salão de entrada recebiam hóspedes de diferentes lugares.
Funcionários circulavam pelo saguão.
GERENTE: — Senhor Antonie.
O gerente aproximou-se rapidamente.
ANTONIE: — Como estão as ocupações?
GERENTE: — Muito boas. Estamos quase completamente lotados esta semana.
ANTONIE: — E os funcionários?
GERENTE: — Temos algumas vagas abertas.
Antonie olhou para ele.
ANTONIE: — Alguma contratação nova?
GERENTE: — Recebemos alguns currículos esta semana.
O gerente entregou uma pequena pasta.
Antonie pegou os documentos.
Entre vários currículos havia um que havia sido deixado recentemente.
Flor.
Antonie ainda não conhecia aquele nome.
Seus olhos passaram rapidamente pelo papel.
Ele não deu muita importância.
Colocou o currículo de volta na pasta.
ANTONIE: — Escolha alguém competente. Não quero contratar apenas por preencher uma vaga.
GERENTE: — Sim, senhor.
Antonie continuou sua inspeção pelo hotel.
Sem saber, estava a poucos passos de cruzar o caminho daquele jovem que havia chegado do interior.
💼 Uma vida de luxo, mas cheia de responsabilidades
No final da tarde, Antonie voltou ao escritório.
Reuniões continuaram até depois das seis.
Quando finalmente terminou o último compromisso, ele ficou sozinho em sua sala.
A cidade podia ser vista através das grandes janelas.
Paris estava começando a se iluminar.
Antonie soltou o nó da gravata.
Por alguns segundos, simplesmente ficou olhando pela janela.
Tinha dinheiro.
Poder.
Empresas.
Uma residência luxuosa.
E uma mulher ômega ao seu lado.
Mesmo assim, sua vida estava longe de ser simples.
O telefone tocou novamente.
Antonie atendeu.
PAULA: — Antonie?
A voz de Paula veio do outro lado da linha.
ANTONIE: — Oi, Paula.
PAULA: — Você ainda está trabalhando?
ANTONIE: — Sim. Acabei agora.
PAULA: — Você prometeu que jantaríamos juntos hoje.
Antonie olhou para o relógio.
ANTONIE: — Eu não esqueci.
PAULA: — Então venha me buscar.
Antonie sorriu discretamente.
ANTONIE: — Estarei aí em pouco tempo.
Ele desligou.
Pegou o casaco e saiu do escritório.
Naquele momento, Antonie acreditava conhecer exatamente o rumo de sua vida.
Negócios.
Família.
Paula.
Responsabilidades.
Ele não imaginava que, no dia seguinte, um simples encontro nas ruas de Paris começaria a mudar tudo.