A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Capítulo 299

A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força

Após o nosso treinamento intensivo com Khyrmin, nos reunimos novamente com Kasner e Halette. Como eles não encontraram pistas sobre Lionel Tenford, fizemos mais uma viagem em direção a Khyrmin – desta vez com suprimentos para uma jornada mais longa e terrenos para os quais não estávamos necessariamente preparados.

Quando nos encontramos novamente com Khyrmin, ela estava pronta para partir imediatamente, sem que precisássemos passar a noite em sua casa.

“Todos prontos? Ótimo. Vamos.”

Khyrmin carregava apenas uma pequena mochila, mas eu senti um traço de magia nela, então provavelmente havia mais do que aparentava.

O destino não ficava longe da fronteira de Fepresil, onde chegamos na tarde seguinte. Khyrmin se apresentou aos guardas do portão, e logo fomos autorizados a passar. Agora havia memórias mais recentes dela no local, e ninguém ousaria negar passagem a ela ou a quem ela escolhesse levar.

O fato de ela ser amiga pessoal da mestra da guilda de Fepresil ajudava, além de que aqueles que tinham rixas com Khyrmin haviam encontrado seu fim tentando matá-la. Eles haviam tentado nos matar também, mas não parecia que tínhamos contribuído muito com a situação. Ainda assim, ninguém é invencível, então aliados sempre eram úteis.

As florestas de Fepresil eram incríveis. As árvores iam das habituais sequoias gigantescas – que já eram ridiculamente grandes – para algo ainda maior. Enquanto viajávamos pelas estradas, parecia estranho termos trazido equipamentos extras… Até que a estrada virou a noroeste, e seguimos quase diretamente ao norte pela floresta, deixando as vias.

A vegetação rasteira era tão abundante quanto o tamanho das árvores, mas felizmente havia caminhos abertos por onde podíamos passar. Eu não conseguia identificá-los sozinho, mas Khyrmin e Halette os encontravam facilmente, nunca precisando parar ou voltar.

Khyrmin era capaz de dizer qualquer coisa de forma casual, mesmo quando o conteúdo não deveria ser falado casualmente. Enquanto avançávamos pela floresta, ela comentou:

“Alguns animais daqui podem considerá-los alvos de caça, então não pareçam fracos. Fiquem juntos.”

No geral, tivemos poucos problemas com animais selvagens, principalmente porque tínhamos Meias conosco. Apesar disso, o fato de alguns animais se interessarem por Meias era um incômodo.

No entanto, no fim todos ficamos próximos, e nada chegou perto do grupo. Eu de fato vi alguns lobos do tamanho de Meias, mas com aparência mais desgastada. O pelo de Meias era prateado e brilhante, embora antes ele fosse um cinza opaco. Claro, as patas dela eram de um branco vivo – as meias que lhe deram o nome.

“Eu sabia que as florestas élficas eram perigosas…” disse Halette, “Mas esperava ver mais… Elfos. Eu perdi algo? Não vi sinais de estradas.”

“Se houvesse elfos suficientes para preencher Fepresil, eles seriam muito mais comuns fora do pais.”

Khyrmin apontou para as enormes árvores – algumas que eram menores do que as sequoias, mas ainda assim muito grandes para o tipo delas

“Os elfos gostam de dizer que as árvores crescem fortes por causa de sua magia, mas, na verdade, são os elfos que crescem fortes por causa da magia da floresta. Pelo menos, tanto quanto realmente crescem.”

“Com a quantidade de anos que eles podem viver, a maioria presume que não há problema em aprender as coisas devagar. Eles nunca se tornam os grandes artesãos ou caçadores… Ou duelistas pelos quais Fepresil é, de certa forma, famoso.”

Khyrmin deu de ombros.

“A floresta é mágica, e os elfos reivindicaram essas terras… Mas não tanto quanto gostariam que você acreditasse. Claro, isso não significa que mais alguém conseguiria habitá-las, caso tivesse a chance. Pelo menos, nós temos alguma experiência.”

À medida que avançávamos, com exceção das tendas, eu não vi muito motivo para o restante dos equipamentos que estávamos levando. Mesmo quando a floresta mudava para outros tipos, ela permanecia sombria, com temperaturas moderadas e um clima relativamente estável, com chuvas ocasionais. Kasner conseguia afastar a chuva de si com magia, mas isso exigia um esforço significativo, e eu e os outros não tínhamos o treinamento necessário para esse tipo de magia.

“Eu realmente não trouxe roupas para a chuva” suspirou Kantrilla.

Felizmente, não precisávamos caminhar na lama – tínhamos cavalos para isso. Meias certamente andava na lama… E corria também, mas, desde que ela não se aproximasse, conseguíamos evitar nos cobrir de lama dos pés à cabeça. O que significava, é claro, que sempre havia um incidente com pelo menos uma pessoa em cada período chuvoso.

As florestas de Fepresil eram bem vastas. Mesmo com nosso ritmo mais lento, eu esperava encontrar o que estávamos procurando em menos de algumas semanas. Ou, ao menos… Algo além de mais floresta. No entanto, mesmo com todos os suprimentos que havíamos trazido, Khyrmin insistia que coletássemos e caçássemos sempre que possível. Não que precisássemos disso com frequência, exceto no caso de Meias.

A floresta transicionava das sequoias para pinheiros e outras árvores variadas. Eu não era especialista em plantas, mas não achava que todas elas deveriam estar tão próximas umas das outras. Quando começamos a ver grandes quantidades de bambu, ficou claro que essa floresta não seguia as regras normais da Terra. Afinal, era uma floresta mágica.

Parecia que a magia estava certamente afetando significativamente o crescimento deles. Alguns caules de bambu eram mais grossos que troncos de carvalhos comuns, chegando a trinta ou sessenta centímetros de diâmetro. Também havia brotos jovens que eu achava poder ver crescendo a olho nu. Nunca tive certeza, mas era evidente que alguns bambus que eram pequenos à noite estavam mais altos que eu pela manhã.

Embora a maioria de nós permanecesse em grupo, conforme as instruções de Khyrmin, Meias vagava por conta própria. Geralmente, esperávamos que ela estivesse segura – afinal, ela era uma loba gigante de três metros de altura com uma Benção de Resistência. Contudo, uma tarde, ela voltou correndo até nós coberta de sangue.

Kantrilla começou imediatamente a curar seus ferimentos.

“Llyr! Kasner! Lavem isso. Não consigo ver as feridas…”

O desafio era criar água suficiente e controlá-la bem o bastante para lavar o sangue sem molhar as crostas que estavam se formando ou piorar os ferimentos. Kantrilla levou cerca de uma hora para cuidar de Meias. Os ferimentos eram profundos e numerosos, o que exigiu bastante tempo para fechá-los.

Levaria mais tempo para curar… Mas Meias não parecia nem um pouco interessada nisso. Ela parecia querer que nós continuássemos o caminho imediatamente. Halette foi firme ao dizer que descansaríamos pelo menos aquela noite para que as feridas tivessem a chance de começar a cicatrizar antes que ela as reabrisse correndo por aí.

Na manhã seguinte, continuamos pela floresta e chegamos a uma clareira estranha. Podíamos ver o sol através do bambu, mas havia uma diferença clara entre vê-lo filtrado por centenas de caules e vê-lo diretamente. Os sinais da clareira eram visíveis de longe, e, conforme nos aproximávamos, a estranheza se tornava mais evidente.

“Oho,” Khyrmin fez um som de apreciação. “Um tigre verde. Bastante raro.”

Particularmente, se eu tivesse tentando adivinhar eu teria chamado ele primeiro de tigre vermelho. Ele estava deitado no centro da ‘clareira’, que, ao se revelar totalmente, era um enorme campo de batalha com bambus quebrados e derrubados. Eu sabia que o bambu era resistente e podia se curvar sem quebrar, mas uma batalha entre um tigre verde gigante e Meias justificava uma área tão grande de bambus esmagados.

Ao olhar mais de perto, percebi que, sob o sangue, o tigre realmente tinha um tom esverdeado onde eu esperaria laranja. Pelos verdes não existiam na Terra – exceto em alguns animais cobertos por musgo –, mas, em uma floresta mágica, isso não parecia tão estranho.

A pelagem dele era de um verde claro, que certamente se misturava melhor à floresta do que o laranja. Apesar disso, na Terra, a maioria das presas dos tigres era daltônica, então eles não se destacavam realmente.

“Bem, não vamos desperdiçar isso,” disse Khyrmin. “Acho melhor esfolarmos essa coisa. Vamos precisar limpá-la e cuidar dela o máximo possível. Mesmo com tantas marcas de garras e mordidas, isso ainda vale algo.”

“Bom trabalho, Meias” Halette acariciou o flanco dela. “Mas, se puder evitar lutar com algo assim, prefiro que não o faça.” Meias assentiu.

Depois de todo o processo de esfolar a criatura – usando um toque mágico para limpar o couro e evitar que apodrecesse –, seguimos pela floresta mais uma vez. À frente, vi algo inesperado.

“Montanhas?” perguntei.

“Sim.” Khyrmin assentiu.

“Eu não sabia que havia montanhas em Fepresil.”

“Bem…” Khyrmin deu de ombros. “Talvez estejam em Fepresil, talvez não. Ninguém realmente reivindica o que está além delas.”

Isso explicava parte do equipamento que ela nos pediu para trazer… E talvez o resto também. Eu apenas esperava que um elfo morasse mais… Dentro de Fepresil. Ou, pelo menos, em uma floresta comum.

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