
Capítulo 300
A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força
Ao nos aproximarmos das montanhas à nossa frente, surgiu a dificuldade de escalar com os cavalos. Não estávamos falando de escalar penhascos verticais – as montanhas não eram tão íngremes a esse ponto – mas qualquer inclinação significativa rapidamente se mostrou um problema.
Nós não teríamos tentado se nossos cavalos não fossem um tanto excepcionais. Mesmo que a viagem pelas montanhas fosse reduzida, tê-los poderia ser muito útil do outro lado. Talvez camelos fossem melhores… Mas, teoricamente, não ficaríamos lá por muito tempo.
Eu tentava não pensar no fato de que haveria um deserto além das montanhas, apesar das florestas exuberantes que deixávamos para trás, e me concentrava em posicionar os meus pés cuidadosamente. As encostas eram íngremes o suficiente para não querermos incomodar os cavalos, fazendo-os carregar não apenas a bagagem, mas também a nós. Era melhor caminhar ao lado deles e ajudá-los.
Era uma sorte que Halette tivesse trabalhado para fortalecê-los – e que algumas características deste mundo se aplicassem a eles, como a capacidade de crescer em atributos com treinamento, mais do que na Terra. Claro, não era a mesma coisa sem um Domador de Bestas ou alguém com habilidades adequadas, mas ainda era possível. Provavelmente, havia alguma magia envolvida nisso, ou algo parecido com magia, pelo menos. Como experiência.
Encostas mais íngremes me fizeram perceber como meu cérebro era ruim para julgar o ângulo do terreno. Trinta graus às vezes pareciam sessenta. Nem sempre era tão exagerado, mas eu nunca sabia ao certo se algo era mais ou menos que metade de um declive. No entanto, ao discutir isso, me dei conta que qualquer terreno que não fosse rocha sólida nunca passaria dos quarenta e cinco graus.
Independente disso, nas encostas mais íngremes nós precisávamos de cordas para ajudar a puxar os cavalos. Isso significava, claro, chegar ao topo, amarrar a corda em algo ou segurá-la para puxar. Nós tínhamos equipamentos para diminuir o atrito e evitar que a corda se desgastasse ao mudar de ângulo. Halette gerenciava os cavalos para que entendessem ao menos parcialmente o que estávamos tentando fazer e quando, cooperando em vez de atrapalhar.
Grande parte do esforço físico recaía sobre mim, mas eu não me importava. Eu não era o único a trabalhar – minha posição apenas exigia mais força muscular. Era a opção lógica, e era meio legal usar minha Força para algo útil além de lutar.
Declives de terra e rocha eram administráveis, mas às vezes não havia como evitar encostas de cascalho ou outros materiais difíceis de atravessar. Isso tornava difícil até mesmo para mim e muito mais para os cavalos. Nesses pontos, usávamos magia para solidificar o chão ou reforçar a corda.
Embora eu não precisasse realmente levantar os cavalos do chão, o esforço não acabava rápido. Depois de terminar com um, já era hora de começar com o próximo.
“Carvalho… *uff* Não sei se você está comendo aveia extra *uff* ou o quê, mas parece que está ficando *uff* meio rechonchuda.”
Carvalho era forte, mas também muito mais pesada que os outros. Quando finalmente a puxei até o topo, Meias uivou para o céu. Halette reagiu incrédula:
“Um dragão? Não pode ser.”
Não sei como ela percebeu que era um dragão, mas ela parecia mais desejar que não fosse verdade do que duvidar de Meias.
“Droga. Todo mundo se prepare! Cavalos, atrás das rochas daquele lado! Todos os outros, se escondam!”
Puxei Carvalho os últimos passos, batendo em seu flanco.
“Vai!”
Eu não tive tempo de soltar a corda, e torci para que ela não ficasse presa nela. Porém, eu estava bastante ocupado correndo para me esconder atrás de uma rocha grande. O dragão se aproximava rapidamente e parecia inclinar-se levemente em minha direção.
No entanto, isso não importava; eu mergulhei atrás da rocha, me agachando e segurando o escudo sobre minha cabeça. O dragão rugiu enquanto mergulhava em nossa direção, pulverizando uma vasta área com um fluido cáustico esverdeado. Meu escudo ficou com algumas marcas, mas a maior parte do ataque atingiu as rochas ao redor.
Halette e Kasner lançaram ataques após sua passagem, enquanto Kantrilla corria, colocando barreiras em todos – elas duravam algum tempo, mas não o suficiente para serem mantidas o tempo todo enquanto viajávamos e não esperávamos uma luta.
Já havíamos enfrentado um dragão antes, de cor marrom-avermelhada. Este tinha escamas mais brilhantes e amareladas e era visivelmente maior, embora fosse difícil dizer exatamente o quanto sem ele parar. Este também não era restringido pela sua localização, tendo a vantagem do voo.
Khyrmin estalou a língua enquanto ele se afastava
“Nem tem a decência de lutar no chão.”
Eu nunca a tinha visto lutar com arco, mas ela puxou um de sua bolsa mágica, preparando-o rapidamente.
“Teremos que convencê-lo a descer.”
O dragão começou a circular à distância, preparando-se para outro ataque. Eu não tinha um arco comigo, mas podia lançar coisas – inclusive minha adaga de adamantina. Não era ideal para longo alcance, mas o dragão precisava se aproximar a cerca de quinze metros para usar seu sopro. Não era a melhor distância, especialmente para um ataque tentando ganhar altitude, mas era bom o suficiente.
Halette disparou uma série de flechas, mas mesmo com toda a força que sabia que ela colocava, elas ricochetearam no peito do dragão. Kasner, brilhantemente, usou sua magia para cobrir uma das asas com gelo e, embora fosse uma camada fina que se quebrou um momento depois com um estalo esmagador, o dragão perdeu um pouco de altura ao ganhar peso extra e perder aerodinâmica.
Alhorn também utilizou magia, disparando um laser no olho do dragão. Este rapidamente torceu o pescoço para evitar a luz que se aproximava, mas isso o trouxe ainda mais para baixo.
Eu arremessei a minha adaga de adamantina, usando Lançamento Perfurante e todas as minhas habilidades para prever seu movimento. No entanto, eu não consegui observar se acertei, pois precisei mergulhar atrás de uma rocha.
Cobri minha cabeça enquanto o dragão rugia, reforçando meu escudo com magia para que não se derretesse muito… Mas não ouvi nenhum som de impacto. A primeira coisa que notei foi que comecei a tossir, enquanto um gás quase invisível passava por mim – e por parte do grupo.
Kasner foi o primeiro a reagir, usando magia de vento para afastar o gás de nós, empurrando-o encosta abaixo. Foi uma reação excelente, mas muitos de nós já tínhamos inalado o gás tóxico.
Mesmo com minha Resistência a Veneno ajudando um pouco, comecei a me sentir tonto. Tudo à minha volta ficou embaçado, e as pessoas pareciam se mover como se estivessem nadando. Kantrilla correu em pânico, purificando o veneno de Kasner antes de se lembrar de si mesma. Quando ela chegou até mim, minha visão turva melhorou imediatamente. Não completamente, mas pelo menos uns oitenta ou noventa por cento.
Infelizmente, a essa altura o dragão já estava de volta. As flechas de Halette miraram nas asas do dragão. Algumas ricochetearam em suas escamas, mas outras conseguiram perfurá-las, criando pequenos buracos. Os disparos de Khyrmin eram precisos, mas ficou claro que ela não era tão experiente com arco quanto Halette. O bater das asas desviava algumas das flechas no meio do caminho.
Kasner tentou novamente sua estratégia com gelo na mesma asa, embora dessa vez tenha com um pouco menos efetivo. No entanto, ele parecia estar guardando energia para algo.
Eu tinha uma lança comigo novamente, e usei toda a minha Força para lançá-la contra o dragão. Ela raspou nas escamas e conseguiu causar algum dano, e eu pensei ter visto até um pouco de sangue, mas não se prendeu.
Observei cuidadosamente o que o dragão estava fazendo, tentando determinar se ele estava preparando outro ataque de sopro. Normalmente, esses ataques eram limitados, talvez pela quantidade de magia ou substâncias químicas que o dragão tinha, como o gás de antes.
O dragão cuspiu novamente o líquido verde cáustico, espalhando-o em nossa direção. Eu ergui o meu escudo enquanto sentia Kasner usar magia de vento para desviar o ataque. Ele não conseguiu redirecionar tudo, mas apenas pequenos respingos atingiram meu escudo e as rochas que me protegiam.
Eu não queria puxar minha lança de volta através de uma chuva de ácido, mas ela ainda estava amarrada a uma linha fina e eu me apressei para recuperá-la. Quem disse que dragões têm barrigas macias estava mentindo. Pensando bem, talvez isso fosse uma memória da Terra. Aqui, ninguém nunca disse tal coisa. Talvez as fraquezas deles estivessem em outro lugar.
Talvez eu devesse ter mirado nas asas. Embora um buraco do tamanho de uma lança não fosse suficiente para derrubá-lo em uma única investida, alguns deles poderiam fazer diferença. Ou talvez o dragão simplesmente fosse embora… Ou viesse para o chão. Qualquer uma dessas opções seria boa o bastante, desde que parasse de nos perturbar.