
Capítulo 182
A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força
Conseguir uma reunião com o mestre da guilda foi surpreendentemente fácil. Por outro lado, eu também conseguia me encontrar com o Sábio Norwood quase sempre que queria, e ele era, indiscutivelmente, mais importante – mas isso era por interesse pessoal dele. Eu não me dava mal com Timmy, mas havia toda a estranheza envolvendo o meio-irmão dele que eu não conseguia parar de pensar.
“Deixe-me ver se entendi sua proposta…”
Timmy uniu suas mãos enormes sobre a mesa igualmente enorme. Mais uma vez, me perguntei quão grandes seriam os gigantes, já que ele era apenas meio-gigante.
“Você quer que criemos uma escola para aventureiros onde os pagamos para treinar como aventureiros? Isso não parece tão vantajoso para a guilda.”
“Mas não é?” Eu tentei soar confiante. “Quero dizer, vocês já subsidiam bastante as estalagens e outras coisas para aventureiros iniciantes. Vocês querem mais aventureiros, e isso daria a pessoas que não têm oportunidade de treinar em outro lugar essa chance.”
Mantive as mãos ao lado do corpo para não gesticular de maneira insegura.
“Todo mundo tem algum potencial para se tornar um aventureiro com treinamento.”
Isso era algo que eu precisava discutir com o Sábio Norwood – embora pessoas diferentes ainda tivessem diferentes níveis de potencial, neste mundo todos tinham mais capacidade de crescer em qualquer área com o treinamento adequado do que na Terra, com algumas exceções.
Meu problema genético, por exemplo. Certamente não seria possível curar todo mundo com um curandeiro poderoso, mas a maioria das pessoas era funcional. A educação regular simplesmente não tentava aumentar os atributos das pessoas – tentar realizar magia e habilidades era muito mais eficaz para atributos mentais do que apenas aprender coisas básicas como matemática, por mais úteis que fossem.
Timmy assentiu lentamente.
“Sempre precisamos de aventureiros… Mas não podemos simplesmente pagar os custos de vida e o treinamento de qualquer um e depois torcer para que se tornem aventureiros.”
Eu tinha pensado nisso – talvez não muito, mas um pouco.
“Talvez começar com um período de teste. Um mês, talvez, para ver como eles progridem. Enviar grupos para missões simples, como lutar contra coelhos com chifres. Pode-se fingir que isso cobre os custos. Nem é preciso muito equipamento para lutar contra eles.”
Dei de ombros.
“É um pouco perigoso sem armadura, mas isso já filtra os que não estão dispostos a tentar crescer de verdade. Vocês também precisariam de pessoas para testar o crescimento dos atributos e avaliar o treinamento, mas não o tempo todo. Se não houver progresso depois de um mês ou dois…”
Balancei a cabeça.
“Não podem dizer que não tiveram uma chance.” Assenti confiante. “Poderia ser testado em um lugar – talvez aqui, na capital. Cerca de cem pessoas por um mês. Se pelo menos alguns potenciais bons surgirem disso, não valerá a pena?”
Timmy suspirou.
“Só se passarem dos primeiros níveis.”
“Certo, maaasss,” levantei um dedo “O treinamento adequado ajudaria as pessoas a passarem pelos primeiros níveis com sucesso. Há muitas coisas nos calabouços que ninguém comenta e que, só de saber, salvariam muitas vidas. Não é que as pessoas não possam descobrir, mas… Elas talvez nem saibam que precisam. É um conhecimento disperso – parte escrito, mas a maior parte só está na cabeça das pessoas. Eu fiz uma lista.” Tirei um papel do bolso. “E os custos potenciais.” Tirei outro papel. “Você sabe o quão valiosos os aventureiros são para a guilda.”
Ele segurou meus papéis entre o polegar e o indicador, finalmente os colocando na mesa para ler. Seus olhos podiam ver coisas daquele tamanho sem problemas, mas segurá-los era complicado. Ele analisou os números e, por fim, deu de ombros.
“E o equipamento?”
“A guilda deve ter algum equipamento básico sobrando, certo? Podem até usar coisas dos calabouços. A guilda manteria a posse, e os aprendizes seriam responsáveis por sua manutenção. Alguns deles podem aprender magia de reparo e habilidades de suporte normais. Assim, pagariam o próprio sustento. Se houver mais aventureiros, também serão necessárias mais pessoas nos bastidores. A guilda não trabalha diretamente com ferreiros e outros profissionais?”
O braço de Timmy repousou sobre a mesa à sua frente, cuidadosamente controlado para evitar um som alto, e ele se inclinou em minha direção. Poderia parecer intimidante, mas eu sabia que ele apenas gostava de ver as pessoas de perto.
“Vou te dizer uma coisa. Temos um prédio inutilizado. Vou te dar dois meses – um deles para organizar tudo. Se conseguir respeitar esse orçamento e encontrar candidatos realmente decentes… A escola é sua.”
“Minha escola?”
“Sua escola. Acha que eu vou dirigir isso?”
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Kantrilla ficou eufórica quando contei a ela. Eu não tinha conversado muito com o resto do grupo sobre minha ideia. Não achei que seria aprovada tão… Imediatamente. Também não pensei que eu seria o responsável. Era uma ótima ideia, mas, quando a responsabilidade foi colocada no meu colo… Eu conseguiria fazer isso? Não havia chance. Pelo menos, não sozinho.
“Então, preciso da ajuda de vocês todos,” expliquei ao grupo. “Não é um trabalho bem pago, mas também é seguro, e vocês estariam fazendo algo bom.” Suspirei. “Sei que era para voltarmos a fazer aventuras de verdade logo…”
Kasner deu de ombros, colocando conspicuamente sua perna sobre um banquinho para que fosse vista.
“Não precisamos voltar a explorar calabouços ou algo assim tão cedo.”
Alhorn foi o próximo a responder.
“Não me importo de tentar. Dois meses não são muito. Se der certo… Podemos ajudar as pessoas e a guilda. Isso é bom.” Então ele balançou a cabeça. “No entanto, me preocupo que as pessoas não nos levem a sério porque somos jovens.”
Cruzei os braços.
“É… Bem, vamos ter que mostrar o que podemos fazer. Somos aventureiros de rank D de verdade, afinal. Por exemplo, um grandalhão não vai reclamar de eu ensinar treino de Força se eu o levantar acima da minha cabeça.”
“Isso parece um pouco… Drástico” disse Kantrilla.
Dei de ombros.
“Quero dizer, é melhor do que quebrar alguma coisa. Não espero que venham pessoas perfeitamente normais desde o início. Pessoas desesperadas e até mais jovens que nós são mais prováveis. De qualquer forma, todos nós somos bons em alguma coisa, ou várias coisas, que as pessoas verão e respeitarão.”
“Além disso, se realmente não ouvirem, podemos simplesmente expulsá-los” mencionou Halette.
“Sobre isso… Se possível, eu preferiria evitar isso, especialmente com o primeiro grupo. Isso é, se quisermos um segundo.” Abri os braços. “Não sei se será possível, mas ter um bom começo é a melhor forma de algo assim funcionar.”
“Certo,” Alhorn assentiu. “Você será o responsável então?”
“Sobre isso…” Olhei ao redor. “Eu preferiria que fôssemos todos responsáveis igualmente. Kantrilla já me ajudou muito com o plano, embora eu não tenha pensado que seria eu quem teria que implementá-lo. De qualquer forma, todos nós temos coisas diferentes para oferecer. Além disso, somos cinco, então, se realmente precisarmos votar em algo, sempre haverá uma decisão.”
Meias choramingou.
“Ah, qual é, Meias, você sempre votaria do mesmo jeito que Halette.” Meias lambeu meu rosto. “Seria melhor se todos concordássemos. Em termos de aparência pública… Alhorn seria uma escolha melhor. Você é… Mais alto. Além disso, podemos realmente dizer qual é a sua classe, diferente de mim, que sou… Nada, atualmente. Se precisar tomar uma decisão sem nos consultar, ainda confio que fará uma boa escolha. Bem, isso vale para todos vocês.”
“Ótimo!” Kantrilla sorriu. “Tenho um bom pressentimento sobre isso!”
Se esse fosse um dos verdadeiros “bons pressentimentos” dela, eu também me sentia assim. Pelo menos, o exemplo mais marcante disso que me lembro resultou em coisas ótimas para mim pessoalmente.