
Capítulo 151
A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força
Fiquei aliviado quando Khyrmin passou direto pelos andares décimo e décimo-primeiro. Apesar de algumas coisas serem úteis, eu realmente não queria receber peças de tralha aleatórias. Passamos pelo andar com armaduras, depois pelas lanças, depois pelas machadinhas. Passamos pelos martelos e maças e, em seguida, pelas espadas curvas.
Achei que talvez fosse ganhar outra rapieira, mas então Khyrmin parou no quarto andar e deu uma olhada ao redor. O quarto andar continha espadas curtas e adagas – muito mais do que se poderia contar. Perguntei-me quanto tempo Khyrmin levara para juntar tudo isso… Mas, no final, eu sabia que devia estar próximo de quinze ou vinte anos. A questão mais difícil era de onde a masmorra conseguia todas essas armas.
Khyrmin então pegou algo e jogou em minha direção. Na verdade, para mim, com a intenção de eu pegar. O objeto subiu alto no ar, mas sem muita força para a frente. Instintivamente, estendi a mão para pegar. Normalmente, eu teria ativado o Transe Marcial, mas a presença de Khyrmin me fez instintivamente evitar isso. Tive sorte de pegar o cabo da adaga… Ou talvez ela tivesse apenas facilitado para mim de propósito.
Olhei para a adaga. Ela não tinha um punho, e era feita de um tipo de metal escuro, mas ainda refletivo. Adamantino. Na verdade, era uma faca de arremesso. Só esse pedaço teria sido o meu orçamento inteiro quando estava no nível dezessete, no auge da minha riqueza. Isso incluía abrir mão da armadura.
“Uma lança seria muito para você” Afirmou Khyrmin “Nem sempre é preciso atravessar completamente um inimigo. Às vezes, atingir algo crítico é o suficiente. Essa adaga não ficará presa com facilidade nem quebrará.”
“Muito obrigado!”
Embora parecesse a menos impressionante, o custo daquela adaga ainda poderia ser maior do que o das outras coisas, mesmo que fossem mágicas. Por outro lado… Dependia da magia que possuíam. Khyrmin parecia ter acesso a itens com magia bastante poderosa – por exemplo, a espada que o pai de Alhorn possuía certamente era especial.
Eu não me importava tanto com o valor monetário, mas sim com a utilidade. A faca de arremesso era pequena e fácil de carregar. Eu poderia sacá-la rapidamente para um ataque. Não seria tão eficaz quanto uma lança ou um dardo de arremesso na maioria das vezes, mas tinha a vantagem de ser feita inteiramente de adamantino.
Embora fosse possível algo assim com uma lança ou um dardo, seria muito caro. Até mesmo uma lança feita inteiramente de aço custava tanto quanto uma arma mágica. Uma lança com ponta de adamantino seria útil, mas se o cabo quebrasse, ficaria inutilizável até que se conseguisse outro.
É claro que uma adaga de arremesso de adamantino não seria usada mais de uma vez por batalha, mas isso era sem a habilidade de Recuperar Arma. Uma adaga é mais leve, e com a lâmina afiada como estava – o que eu testei com muito cuidado – ela não ficaria realmente presa. Eu poderia usar a habilidade Recuperar Arma mais vezes. Mesmo se falhasse no ataque, perderia apenas um pequeno instante.
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A viagem de volta a Sradena foi um pouco mais rápida, o motivo provavelmente sendo que Khyrmin andava mais rápido do que nós normalmente fazíamos. Isso incluía nós a cavalo e ela caminhando.
Minha égua se chamava Amora, e ela era bem mansa. Tinha o mesmo porte dos outros cavalos, apesar do meu tamanho. Ela precisava carregar muito peso, afinal. Kasner, na verdade, estava montado num pônei – seria muito desconfortável para ele andar num cavalo normal sem uma sela especial, e ele não carregava armaduras pesadas ou algo assim.
“Nós podemos comprar um cavalo para você…” Alhorn ofereceu.
Khyrmin balançou a cabeça.
“Não há necessidade. Que valor eu teria se não conseguisse acompanhar um pouco de exercício?”
Khyrmin realmente tinha a vantagem de não estar cansada depois de um dia de caminhada. Ela usava apenas armaduras leves – o que era surpreendente, já que não usava nada protetivo durante o treinamento. Sua armadura atual parecia pouco mais que roupas encantadas, mas isso não significava nada, necessariamente. Ela tinha uma cabana cheia de equipamentos, afinal, e uma carreira como duelista antes disso.
Passamos a noite em Sradena, mesmo sendo apenas fim de tarde quando chegamos. Khyrmin queria aproveitar um dia inteiro de viagem até Fepresil.
De manhã, nos aproximamos da fronteira. Khyrmin estalou a língua ao ver os guardas.
“Ah, certo. Pode ser que haja algum problema na fronteira…”
“Por quê?” Perguntou Alhorn.
Khyrmin balançou a cabeça.
“Ah, não se preocupe com isso. Eu vou resolver de algum jeito. Só fiquem atentos.”
Ao nos aproximarmos da fronteira em si, havia duas torres de vigia diferentes. Khyrmin se dirigiu a uma com escrita élfica – eu não fazia ideia do que estava escrito. Minha habilidade de falar uma língua, por ser de outro mundo, se aplicava apenas a uma língua, conforme a mensagem do Grande Sábio tinha dito. Não que eu soubesse quem ele era quando li.
Os guardas humanos na outra torre acenaram para nós ao passarmos.
“Boa sorte tentando entrar. Eles são bem exigentes.”
“É o que dizem…” Alhorn assentiu.
“Bom, um elfo não deveria ter problemas… Ah, mas você é meio-elfo, imagino?”
Alhorn assentiu.
Um tempo depois, Khyrmin saiu com uma expressão de desagrado no rosto.
“O que foi?” Halette perguntou.
“Nada. Venham comigo.”
Khyrmin nos levou para dentro do prédio. Ela conversou com os guardas e então se virou para nós.
“Entreguem seus cartões da guilda para que possam registrar sua entrada.”
Fizemos isso, e depois seguimos Khyrmin para fora, após ela falar mais um pouco com os guardas. Depois, continuamos pela estrada para Fepresil.
“Tem algo errado?” Kantrilla perguntou com cautela “Parece que deu tudo certo, mas você parece estar descontente.”
“Não tenho certeza” Disse Khyrmin. “Não sei por que aceitaram meu cartão da guilda. Nem sequer tentaram me prender.”
“Hum…” Alhorn sorriu sem jeito “Você achava que iam fazer isso?”
“Ah… Bem, sim” Assentiu Khyrmin “Houve um probleminha com a guilda quando saí de Fepresil.”
“Que tipo de problema?”
“Não se preocupem com isso. Não será um problema até mais tarde.”
De alguma forma, isso não parecia encorajador.