
Capítulo 152
A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força
Eu pensei que as sequóias gigantes ao redor de Sradena eram imensas – e elas eram. Porém, à medida que avançávamos para dentro de Fepresil, vi árvores ainda maiores. Algumas eram menores também, mas o relevante era que eram diferentes tipos de árvores. Por exemplo, havia bétulas – ou algo muito parecido – que, em vez de terem cerca de 15 ou 30 centímetros de diâmetro, eram do mesmo tamanho das sequóias gigantes. Nem todas eram assim, mas todas eram muito maiores do que o normal.
Meias estava farejando tudo animadamente, e Halette também olhava ao redor atentamente.
“O solo é diferente, certo?”
Khyrmin assentiu.
“Claro. Vocês não acham que todas as terras élficas estão cheias de árvores mágicas, certo? Não há mana livre suficiente para tudo isso. Seria loucura.”
Nós continuamos percorrendo a floresta. As árvores bloqueavam a luz do sol o suficiente para que ficasse escuro, mesmo ao meio-dia. Não era uma escuridão desagradável, mas era difícil ver o que estava escondido atrás de alguns arbustos ao longo da estrada. Felizmente, estávamos seguindo o caminho – pelo menos o que restava dele. Era mais como uma trilha de terra – e uma não muito frequentada. A confirmação disso veio do fato de que não vimos mais ninguém no caminho.
Meias ocasionalmente choramingava ou rosnava para algo fora da estrada, mas eu nunca via o que era.
“Não há muitas coisas perigosas perto da fronteira” Comentou Khyrmin “Da mesma forma, as estradas mais profundas são protegidas. Isso não significa que estamos seguros em qualquer lugar, mas vocês devem ser capazes de lidar com o que aparecer. Só não sejam descuidados. Devemos chegar a Thilethas ainda hoje.”
Thilethas era a primeira cidade após a fronteira. Diferente de Othya, onde Sradena estava diretamente na fronteira, Thilethas ficava a um dia de viagem dela. No entanto, embora quase ninguém morasse entre as duas, os elfos ainda consideravam aquela área como seu território.
O dia se arrastou, e quando finalmente chegamos à cidade de Thilethas, quase não a percebi. Ela se misturava tão bem com a floresta que não notei até estarmos a uns trinta metros de distância. O fato que tínhamos acabado de fazer uma curva, e a estrada havia desaparecido de repente havia ajudado com isso também. No entanto, eu nem tinha notado a cidade através das árvores.
As paredes de madeira ainda estavam cobertas de casca e musgo, e se misturavam com o cenário. As torres onde havia arqueiros pareciam árvores – o que provavelmente eram, imaginei. Algumas das árvores eram largas o suficiente para isso. Uma vez que a vi, ficou óbvio. O portão não podia realmente ser disfarçado, e a muralha era bem visível depois que percebi – principalmente porque não dava para ver mais árvores através dela.
Khyrmin se virou para nós.
“Esperem aqui. Eu preciso entrar na cidade para resolver algumas coisas primeiro.”
Então, Khyrmin chamou as pessoas no portão. Em élfico, claro. Eles abriram os portões para deixar Khyrmin entrar, deixando-nos do lado de fora, onde aguardamos meio sem jeito por um tempo. Os guardas nos observavam atentamente, o que era bastante desconfortável… Mas eles também não tinham nada mais para fazer. Demorou provavelmente um quarto de hora até os portões se abrirem novamente e Khyrmin aparecer.
“Certo, podem entrar.”
Os guardas já tinham relaxado um pouco antes dela nos chamar, e não reagiram quando nos aproximamos.
“Houve algum problema?” Alhorn perguntou.
“Não,” Khyrmin franziu o cenho “O que é estranho. Já deveria ter tido problemas a essa altura.”
À medida que caminhávamos pelas ruas, recebíamos todo tipo de olhar curioso. Não era pelo fato de sermos aventureiros – passamos por algo que eu tinha certeza ser uma guilda de aventureiros, na verdade. Havia até mesmo um domador de bestas ou algo parecido junto com um urso. Meias e o urso se observavam cautelosamente enquanto passávamos.
Não, não era por sermos aventureiros ou termos um lobo gigante, mas por sermos humanos. Bem, três humanos, um halfling e um meio-elfo. Ouvi vários comentários, que provavelmente eram sobre nós, mas não entendi nada. Khyrmin finalmente nos levou a uma pousada, onde entregamos nossos animais a um tratador. Eles até tinham um lugar para Meias – embora não fosse especificamente para lobos gigantes, mas para qualquer animal grande que não fosse um cavalo.
Ao entrarmos, o dono da pousada realmente nos cumprimentou. Mais importante, em Othyano.
“Bem-vindos, forasteiros. Temos pouquíssimos de sua espécie por aqui.”
Diferente de Khyrmin, ele tinha um claro sotaque, embora fosse difícil de descrever. Talvez “rítmico” fosse correto. Cada sílaba era cuidadosa e precisa.
Antes de irmos para nossos quartos, nos sentamos para o jantar. Eles nos serviram um tipo de ensopado com vegetais e carne que eu não reconheci. Fiquei surpreso de haver carne, mas percebi que isso era bobo. Claro que havia carne. Elfos eram pessoas, afinal. A menos que tivessem sistemas digestivos muito diferentes, comeriam carne. Por que não o fariam? Eles eram excelentes arqueiros e caçadores, e viviam em uma área com vida selvagem perigosa.
Não que isso não fosse verdade em Othya também, mas Fepresil parecia um pouco mais selvagem. De qualquer forma, seria um desperdício matar animais e não comê-los. Imaginei que talvez houvesse alguns monstros que não seriam bons para comer, no entanto.
Até agora, Fepresil não tinha sido tão diferente. Claro, as muralhas eram de madeira em vez de pedra, mas as árvores eram grandes o suficiente para tornar isso mais prático. A cidade em si tinha construções normais – embora muitas delas fossem feitas de grandes toras ao invés de tábuas. Havia alguns edifícios semelhantes à cabana de toras de Khyrmin, mas nada tão grande. Aquilo era algo único dela, ao que parecia. Ela usava quase todo o espaço.
As camas eram feitas com penas, mas sem as pontas espetando como eu estava acostumado com esse tipo de coisa. Talvez cuidassem melhor delas, mas as camas também pareciam um pouco mais firmes do que o esperado. Mais tarde, descobri que eram feitas de penas de pássaros gigantes, com as hastes removidas, deixando apenas as partes mais macias. Com penas de quase um metro de comprimento, tornava-se prático arrancar as partes para o enchimento.
As camas não eram exatamente do meu gosto, mas também não eram as coisas mais desconfortáveis em que eu já tinha dormido desde que vim para este mundo. Só não eram do meu tipo preferido. Mesmo assim, consegui ter uma boa noite de sono, o que foi bom, porque eu precisava de toda a minha energia para o dia seguinte.