
Capítulo 150
A Única Coisa que Posso Melhorar é a Força
“Hmm…”
Khyrmin observou o progresso do nosso grupo depois de um mês intenso de trabalho.
“Bom o suficiente, suponho. Preciso de mais uma coisa do grupo de vocês antes de irmos.”
“Claro, o que seria?” Perguntou Alhorn.
Khyrmin jogou-lhe um machado. E para Halette e eu também. Ela quase jogou um para Meias.
“Quer que a gente derrube mais árvores?”
Khyrmin balançou a cabeça.
“Não desta vez. Vamos trabalhar com aquela que você já cortou.”
Khyrmin tinha seu próprio machado e nos levou até onde a árvore que eu tinha derrubado ainda estava. Então, ela fez um corte profundo, a cerca de dez metros da base.
“Precisamos cortar aqui. Dois de vocês, trabalhem do outro lado.”
Eu trabalhei do mesmo lado que Khyrmin, enquanto ambos cortávamos uma grande cunha na árvore. A grossura dela ainda era maior do que nossa altura, então dava muito trabalho. Mesmo com duas pessoas do outro lado e todos nós tendo Força acima dos limites humanos, era um trabalho pesado.
Isso me fez sentir falta dos vários pontos de Força que eu tinha perdido. Pelo menos os machados eram bem resistentes e afiados. Depois de cortar cerca de dois terços da árvore, Khyrmin trouxe uma serra grande. Ainda precisávamos cortar com a serra o restante da madeira, que tinha quase um metro de espessura, mas não nos preocupamos com a lâmina travando na madeira, pois o corte que já fizemos permitia que a madeira se afastasse naturalmente para os lados.
Quando terminamos, ficamos com dois troncos gigantescos – um deles era menor, com apenas cerca de dez metros de comprimento e talvez um terço disso em altura.
“Agora nós empurramos” Khyrmin apontou “Para a masmorra.”
E então, nós empurramos. Meias conseguiu ajudar com isso. Kantrilla havia fornecido uma Bênção de Força a todos, mas ela a renovou novamente. Kasner… Praticou um pouco de sua nova magia de vento para nos refrescar.
“Duvido que queiram que eu deixe o tronco escorregadio, então é o que temos.” Ele deu de ombros.
Como tentávamos rolar o tronco… Torná-lo escorregadio não ajudaria. A menos que estivéssemos em uma descida, mas não havia nenhuma. E, de qualquer forma, não queríamos que ele descesse. Era impressionante como trinta centímetros de terreno irregular pareciam enormes quando tínhamos que empurrar um tronco do tamanho de um prédio sobre eles. A distância era de apenas dois ou três quilômetros, mas levou o dia inteiro. Khyrmin deve ter recebido muita ajuda para construir sua cabana.
Finalmente, chegamos à masmorra e empurramos o tronco até a entrada. Então me ocorreu um pensamento.
“Bloquear uma masmorra não é perigoso?”
Khyrmin deu de ombros.
“A longo prazo? Sim. Para essa aqui… Estará tudo bem por muitos meses. Só teremos que lidar com mais espíritos de metal quando voltarmos. Amanhã… Podemos voltar e terminar isso.”
“Terminar isso?”
Então eu olhei para o tronco. Era enorme. A entrada da masmorra tinha mais de quatro metros de altura, mas o tronco, em cilindro, não bloqueava completamente. A extremidade não era larga o suficiente, e, de qualquer forma, não era plana. Eu ainda conseguia entrar em ambos os lados com ele colocado na horizontal, o mesmo para Alhorn e Meias, embora eles precisassem se inclinar um pouco mais.
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No dia seguinte, acordamos cedo e passamos toda a manhã moldando o tronco para realmente bloquear a masmorra.
“Bom o suficiente” Comentou Khyrmin.
Na verdade, eu não sabia o quanto precisava ser bloqueado para impedir que as coisas incorpóreas que habitavam armas e armaduras saíssem. Normalmente, elas não conseguiam deixar a masmorra de qualquer forma, mas talvez houvesse circunstâncias especiais. Ou talvez Khyrmin só não quisesse que ninguém entrasse na masmorra dela.
Empacotamos tudo e nos preparamos para ir, mas antes de partirmos, Khyrmin chamou Alhorn de lado.
“Aqui” Ela entregou uma espada para ele “Seu pai vendeu seu equipamento para que sua família pudesse viver bem. Comprei a espada de volta sem contar a ele. É aço élfico, o que a torna flexível e durável.”
Khyrmin não estava exatamente falando com todos, mas também não estava sendo discreta, e estávamos todos na mesma sala. Vi que havia traços de ouro trabalhados na lâmina, e tanto o punho quanto a guarda eram bastante ornamentados.
“Ela vai te servir bem por um tempo. Se um dia ela não for mais suficiente para você, passe-a para alguém que saiba respeitá-la.”
Ficou claro que Alhorn não sabia o que dizer.
“… Obrigado” Foi tudo que conseguiu falar.
Khyrmin assentiu.
“Eu sabia que ele não queria criar os filhos para serem aventureiros… Mas está no nosso sangue… Mesmo que vocês dois tenham escolhido ser paladinos.”
Khyrmin se virou para o resto do grupo.
“Tenho algo para vocês também.”
Nós nos aproximamos, e Khyrmin começou com Halette.
“Eu não tenho nenhum arco. A masmorra não os produz.” Ela apontou para uma armadura ao lado de sua cama “Leve aquela armadura.”
Era uma armadura completa de couro flexível em verde e marrom, claramente feita para mobilidade e camuflagem.
Os olhos de Halette se arregalaram.
“Isso não é… Seu?”
Khyrmin deu de ombros.
“Eu a possuo, mas não uso. Só porque sou elfa, não significa que sou uma sentinela. Ela apenas fica bonita ali.”
Khyrmin olhou para Kantrilla a seguir.
“Você… Eu não te dei nada da última vez. Seria um desperdício te dar uma espada.”
Ela foi até uma pilha meio escondida atrás da cama e voltou com um escudo de madeira. No entanto, estava claro que não era apenas um escudo qualquer.
“Este é de madeira viva. Como o nome indica… Ela mantém sua natureza viva, mesmo quando transformada em outra coisa.” Khyrmin gesticulou para algumas raízes que pendiam da parte inferior. “Dê-lhe sol e água, e ela se reparará sozinha. Mesmo que essas raízes morram, ela pode reconstituí-las com um pouco de cuidado. Embora não seja tão pesado quanto um escudo de metal, ainda é bastante forte.”
“Obrigada” Kantrilla sorriu.
Eu adorava ver isso, especialmente quando era tão genuíno, ao contrário do que acontecia às vezes recentemente.
Khyrmin olhou para Kasner.
“Realmente não tenho muito o que te dar, mas…” Ela trouxe um cajado. “Se quiser praticar mais magia de vento, este cajado pode ajudar. Não é maior que o cajado comum que você carrega, de qualquer forma.” Khyrmin balançou o cajado sobre a cabeça de Kasner, criando uma brisa. “No entanto, ele não é particularmente para magia. É um cajado de combate.”
Khyrmin se voltou para mim… E seus olhos passaram por mim, indo para Meias.
“Provavelmente você já sente o cheiro do seu presente” Disse Khyrmin “Está lá fora. Os melhores cortes de um alce gigante.” Khyrmin deu um tapinha no focinho de Meias. “Pode ir buscar.”
Meias uivou e então disparou para fora da sala. Ainda bem que ela sabia abrir portas sozinha. Maçanetas eram difíceis, mas ainda possíveis.
Khyrmin finalmente olhou para mim.
“Você…” Khyrmin me olhou, depois fechou os olhos e balançou a cabeça. “Você perdeu minha espada.”
Eu suspirei.
“Foi roubada, tecnicamente… Mas eu sinto muito.”
Eu realmente sentia. Gostaria que tivéssemos tido tempo para procurar minhas coisas – e as de Kantrilla – mas não tínhamos certeza se alguém apareceria.
“Bem, tanto faz” Khyrmin suspirou “Era só uma espada. Tenho um monte delas.” Ela olhou ao redor. “Duvido que você sequer tenha usado. Nesse caso…” Khyrmin olhou para vários conjuntos de armadura ao redor. “Não, essas não serviriam. Ah, eu tenho algo que vai servir.”
Khyrmin desceu para um dos andares inferiores. Tomara que ela não estivesse indo para o décimo ou décimo primeiro andar, que geralmente tinham só tralha… Mas, se fosse isso, eu provavelmente mereceria mesmo assim.