O Grande Sistema Demoníaco

Volume 2 - Capítulo 219

O Grande Sistema Demoníaco

O sorriso da Jayden se abriu ainda mais enquanto ela começava a rir baixinho de si mesma; só podia imaginar como a Emilia Reid havia reagido ao que tinha acabado de acontecer, e quanto mais ela pensava nisso, mais engraçado se tornava a raiva da outra. 

O plano de Jayden era relativamente simples e, embora o melhor resultado não tivesse sido alcançado, que era salvar a Abby, ele ainda sim havia cumprido bem o seu propósito. 

Através de treinamentos mais pessoais e intensos, Jayden se forçou a melhorar sua habilidade de criar clones, agora, ela conseguia invocar até 4 clones ao invés de 1. 

Normalmente, esses clones eram simples, permitindo ao usuário apenas infundir certas memórias em seus corpos, complexidade não fazia parte da natureza dos clones. Mesmo ao receberem o ferimento mais simples, eles desapareciam. 

Foi então que, durante o treinamento, em certo momento, Jayden descobriu uma nova utilidade a um novo e único tipo de clone, muito melhor que os anteriores, mas com suas próprias desvantagens. 

Ao infundir uma parte de sua alma e preenchê-la com uma emoção predominante, ela conseguia criar o clone. 

Um clone que possuia até mesmo a capacidade de gerar outros clones por conta própria, mas limitado ao mesmo número da usuária original que seria 4 no caso dela. 

Esse novo clone era muito mais forte do que os normais, capaz de suportar danos reais, ainda que pudessem permanecer frágil comparado ao corpo verdadeiro, sua mente também era bem mais complexa, embora sua forma emocional fosse limitado pela emoção que havia sido infundida. 

E, assim, quando o clone morria, não importava onde estivesse, a alma retornava para sua dona, trazendo de volta todas as memórias e emoções experimentadas. 

Jayden usou isso a seu favor quando se infiltrou na mansão dos Reid. 

Depois de se livrar de Preston, criou um clone infundido com todas as suas emoções atuais. A emoção escolhida para dar vida àquela parte da alma foi a bondade e a confiança voltadas às pessoas de quem ela gostava. 

Ela fez o clone acreditar que era o original, e não apenas uma marionete, para que a interação com a Abby fosse mais natural e orgânica. 

A escolha da confiança e da bondade tinha vários motivos. Ela sabia que caso algo desse errado, uma versão mais fria e racional teria recuado imediatamente, deduzindo que havia perigo sem saber exatamente qual. Já ao carregar a emoção da confiança, o clone ignoraria pistas sutis ou até óbvias, de que havia algo errado, seguindo em frente com o plano original, que era exatamente o que Jayden queria. 

Se os sinais fossem falsos, elas escapariam em segurança. Se fossem verdadeiros e fosse uma armadilha, isso ainda renderia informações valiosas, melhor do que simplesmente fugir. 

Um detalhe único desse tipo de clone era que Jayden podia se conectar a ele a qualquer momento, enxergando pelos olhos e sentidos sem que ele percebesse. Mas essa habilidade só funcionava quando não havia nada bloqueando a comunicação. Por isso, quando entraram no quarto da Abby, Jayden perdeu o contato. Ainda assim, pelas pistas anteriores, ela percebeu que algo estava errado. 

Assim, quando o clone tocou na porta da sacada, por algum motivo isso o tirou do efeito do cristal de comunicação. Nesse instante, ele pôde perceber a verdade: que era apenas um clone, que iria morrer, e que seu objetivo era reunir o máximo de informações possível, já que essa era sua razão de existir. A revelação o surpreendeu completamente, pois acreditava ser a verdadeira Jayden Griffith. 

Pelas memórias recebidas, a experiência foi aterrorizante. Jayden não conseguia imaginar como se sentiria se descobrisse que sua vida inteira era uma mentira e que havia sido criada apenas algumas horas antes como parte de um experimento. 

No entanto, o clone parecia ter um instinto que suavizava o choque, como se no fundo sempre soubesse disso, escondido em sua mente artificial. Assim, a dor não foi tão severa quanto seria normalmente. 

Então, após implorar para saber a verdade antes de morrer, as duas irmãs desavisadas provavelmente revelaram informações importantes. Logo depois, o clone desapareceu, com corpo e alma sendo levados de volta para Jayden, que foi obrigada a processar tudo de uma vez — uma dor mental muito mais intensa do que se esperava. 

Inicialmente, o clone acreditou que a Abby era mesmo uma traidora, mas isso ocorreu por conta da sua mente confusa, já que pela perspectiva da Jayden original, era evidente que a Abby havia sido influenciada ou até mesmo controlada de alguma forma por sua irmã. Não havia como a Abby que ela conhecia ter se transformado naquela versão cruel. Emilia até chegou a dizer que apenas havia dado “um empurrãozinho”. 

Esse “empurrãozinho” transformou a Abby em um monstro irreconhecível, tomado pelo ódio, a ponto de insultar e rejeitar o Moby como seu senhor. Isso foi o que mais chocou Jayden, jamais teria imaginado ouvir tais palavras saindo da boca da Abby. A dor ainda era insuportável cada vez que pensava no que sua doce Abby havia se tornado. 

Mas a questão permanecia: como Abby tinha sido influenciada? Até onde Jayden sabia, não existiam itens de controle mental capazes de mudar tanto uma pessoa, nem de transformá-la em escrava de outra. As únicas habilidades que poderiam se aproximar disso eram de origem demoníaca, o que levantava dúvidas sobre os métodos usados. 

Emilia havia mencionado ter um “senhor”, o verdadeiro dono do universo, falando dele como um deus supremo e não como colega de escola, isso a fazia acreditar que havia algum poder externo, talvez até alienígena, por trás dela. Jayden teve a estranha sensação de que se tratava de algum tipo de senhor alienígena.. Mas sem provas, não poderia chegar a essa conclusão, nem imaginar como uma estudante teria contato com algo assim. 

Mais do que nunca, Jayden queria compartilhar o que descobriu com Moby, ver como ele iria reagir e o que iria fazer em seguida, já que salvar a Abby ainda continuava sendo sua prioridade máxima. 

Porém, ao tentar contatá-lo por meio de sua ligação mental, não obteve resposta, apenas um silêncio avassalador, mostrando que ele estava em um treinamento mental profundo. 

Ela respirou fundo outra vez, encostou na cadeira quebrada, estalou os ossos rígidos e se endireitou, voltando a focar na tela do computador para continuar as tarefas que Moby havia lhe dado. Nem sequer se importou em trocar a blusa rasgada, afinal não havia ninguém em seu quarto para ver seu corpo seminu. 

Por ora, tudo o que podia fazer era acalmar os nervos, refletir sobre as informações e prosseguir com o plano do Moby, focando no amanhã em vez do hoje, já que não havia muito mais a ser feito. 

Ela rolou a página do site para baixo, e apareceram diversos cristais variados que preenchiam sua visão, e ficaria ali até encontrar o que procurava na lista que Moby havia lhe dado. 

Por algum motivo ainda não explicado, Moby pediu para que ela comprasse outro cristal de habilidade, além de solicitar fundos extras aos pais, alegando ser uma emergência, apesar da vergonha de pedir isso, ele insistiu porque sabia que era necessário, e Jayden compreendeu suas intenções. 

O que ela não conseguia entender era para quê ele precisava de outro cristal de habilidade. A única conclusão lógica era que ele conhecia alguém na escola sem habilidades, mas com enorme potencial, que poderia ajudá-los a resgatar a Abby.  

Como Moby já tinha um poder próprio, Jayden descartou a ideia de que fosse para ele, confiando plenamente em seus planos, ela continuou navegando pelo mercado negro, com uma expressão séria e um leve sorriso. 

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