O Grande Sistema Demoníaco

Volume 2 - Capítulo 218

O Grande Sistema Demoníaco

*Yawwwnn* 

Em um aposento de proporções colossais, luxuoso e revestido em veludo azul-marinho profundo. Um bocejo alto de mulher ressoou no ambiente. Logo após, ouviu-se o estalo de uma cadeira, vindos de uma silhueta feminina que estava inclinada para trás. 

*Yawwwnnnnn* 

Com outro bocejo alto, a figura alongou os membros dormentes. O cabelo azul-escuro balançou com a força e a rapidez de seus gestos, e os cliques de seus membros ressoaram. Depois de se recostar, ela voltou a olhar para o monitor do computador, demonstrando determinação e um traço de ansiedade, ao mesmo tempo que um suor ligeiro descia por seu rosto atraente. 

O quarto novamente ficou em silêncio, com apenas o som do teclado e do mouse presente. 

Apesar de inúmeras tentativas, ela só tinha conseguido contactar uma certa pessoa por um breve instante. Mesmo assim, sentiu-se aliviada por te dito o que precisava no tempo curto que teve. Agora, enquanto aguardava o resultado de seu plano e dedicação, procurava um item especifico na internet. 

Um arrepio frio a atingiu no ombro esquerdo. Ela se virou de imediato, porém não encontrou nada e as janelas ainda permaneciam trancadas. Em seguida, percorreu o quarto com um olhar nervoso. 

A figura sentiu um mau pressentimento no estômago. O cheiro de morte e desespero tomou o ar do cômodo, fazendo-a estremecer. 

Balançando a cabeça, concluiu que era tudo fruto da sua imaginação. 

Com os olhos fechados, ela respirou profundamente para acalmar sua alma inquieta, mas o resultado não trouxe paz à sua mente… 

No segundo seguinte, a garota sentiu uma dor profunda no coração. Seus olhos se abriram em um susto, e fluxos de lágrimas vermelhas escorreram de suas pupilas, agora tingidas de um vermelho-sangue intenso, devido à dor que devastou seu corpo inteiro. 

Levando o braço direito ao coração que palpitava em dor, apertou o peito ao redor do seio, enquanto sua mão esquerda segurava a borda da cadeira. 

Lutando para acalmar a respiração forte e rápida, que lhe dava a sensação de que o coração ia sair pela boca, seu corpo inteiro estremeceu e cambaleou mais uma vez. 

Lembranças carregadas de dor, miséria e desespero invadiram sua mente em turbilhão: a dor que lhe foi infligida, mas que ela não experimentou; o peso da traição da melhor amiga e a dura realidade que a confrontou. Sua lenta e agonizante morte, que encarou sem medo enquanto era lentamente consumida por uma chama vermelha, com dois monstros rindo da sua angústia em chamas. A vida passando diante dos olhos quando soube que o fim havia chegado e que sua função estava completa. 

Ela estava presa num limbo infinito em sua mente, vendo memorias que se pareciam mais com pesadelos…  

Em sequência veloz, essas lembranças se repetiam na sua alma, tornando-se cada vez mais reais à medida que as vias até ficarem gravadas em sua mente. Como se estivessem ocorridos de fato, e ela estivesse apenas revivendo suas próprias lembranças. 

Contudo, no fundo da alma, uma parte dela sabia o que estava acontecendo, que nada do que viu era real. Essa voz interior estava em combate para dominar, com intuito de aliviar o tormento de toda a dor em sua mente. 

Repetia para si mesma que o que viu era de se esperar e tinha sido o que esperava, que era real, mas não da forma que presumia. Sua mente estava partida ao meio, sendo rasgada em um jogo cruel de cabo de guerra. 

Rangendo os dentes cobertos de sangue e segurando o coração com mais força enquanto tentava se recompor, a garota tentou entender exatamente o que havia acontecido em meio ao mar de dor e emoções, até que finalmente compreendeu tudo… 

Depois do que se sentiu como dias ou até semanas, ela abriu devagar os olhos ainda um pouco ensanguentados, apenas para encontrar uma confusão embaçada de um lugar que lhe parecia família, e, ao olhar ao redor, viu o veludo azulado que tanto conhecia. Quando olhou para baixo, deu-se conta de que estava na mesma cadeira em que se sentara anteriormente, porém agora com rachaduras em toda parte, especialmente no apoio do braço esquerdo, onde sua mão descansava. Não havia ferimentos em seu corpo, mesmo com a dor absurda que imaginou sentir na mente. 

A camiseta branca que cobria seu corpo estava agora despedaçada, principalmente na altura do coração, onde sua mão se mantinha agarrada, revelando seu peito volumoso e decote, com os mamilos agora expostos. 

Agora tinha certeza, não estava mais naquele pesadelo, mas sim no seu quarto… 

Ela tirou a mão do peito, cobrindo o decote sem se importar com quem pudesse estar olhando, e começou a tocar o corpo para cima e para baixo, notando o quanto aquilo era real, certificando-se de que não era um sonho. Então, começou a rir baixinho de si mesma com um sorriso diabólico de orelha a orelha: ela estava viva… 

A aflição que ela sentiu e foi forçada a suportar era tão cruelmente severa que só perdia para sua evolução, que em termos de dor, superava o imaginável para um humano. Ela sentiu a sensação de morte iminente, a dor, o desespero absoluto, sabendo perfeitamente que era incapaz de deter o inevitável; seu destino estava selado. 

Ela riu baixinho de si mesma, com um traço de loucura no rosto, já que não conseguia mais conter as emoções. 

A garota teve seu primeiro contato com a morte, e a experiência não foi nada agradável, sem contar que ela só vivenciou as memórias da morte de um fantoche que sabia que seu proposito na vida era morrer e que, no final, tudo ficaria bem. 

Caso tivesse contato ao clone a verdade de sua natureza, provavelmente a dor que acabou de sentir teria sido ainda pior, o que a fazia sentir-se extremamente aliviada por ter conseguido contatá-lo antes que fosse tarde demais. Sem mencionar que suas palavras, sem dúvida, fez com que ele servisse como uma fonte de inteligência ainda melhor, em vez de mergulhar em uma loucura e desespero. 

Ela só podia imaginar como teria de reagir em uma situação similar, onde apenas a morte lhe esperava. 

O único momento que lhe vinha à mente era quando estava prestes a morrer, após ser derrotada por Natalia, caída no chão toda ensanguentada e com a perda de muitos membros. No entanto, mesmo naquela altura, ela tinha esperanças, uma esperança brilhante em seu coração de que Moby voltaria e a salvaria, o que de fato aconteceu. Por isso, as duas situações não podiam sequer ser comparáveis. 

Isto a levou a refletir sobre o que Natalia sentiu ao ser torturada por ela e Abby na masmorra, e como elas aniquilaram toda e qualquer ponta de esperança de sua alma, deixando-a sem nada. Martelando em sua mente a ideia de que Moby a odiava com todas as forças de seu ser e que os dois nunca estariam juntos, pois ele já amava outra pessoa, e essa pessoa estava bem na frente dela… Pensou em como elas fizeram sentir as formas mais dolorosas de tortura por dias, fazendo-a arrepiar por dentro ao se imaginar na pele dela e analisar a situação de seu ponto de vista, algo que jamais teria considerado ou pensado até então. A dor dela, sem dúvida, era centenas, se não milhares, de vezes mais excruciante e esmagadora do que a que ela própria acabara de sentir. 

Afastando esses pensamentos, ela voltou a se concentrar na tarefa em questão. Natalia estava morta há muito tempo e merecia o que recebeu. Ela não se conformava de ter sentido pena de alguém que não era digno de tal coisa, principalmente depois do que a fez passar. Rapidamente, afastou a piedade e as reflexões, e deu total prioridade às novas informações que tinha em mãos. 

O riso enlouquecido de alívio e satisfação era audível para qualquer um que passasse, enquanto ela continuava a processar toda a informação que invadiu sua mente. Mas estaria mentindo se dissesse que teria preferido de outra forma… menos agoniante. Ainda assim, no final, valeu o esforço, pois muitos dos fatos antes ignorados estavam agora perfeitamente nítidos. 

As memórias das palavras impiedosas e do rosto de demônio de Abby foram as que mais a marcaram, pois nunca imaginou que a amiga fosse chegar a tal ponto. Ela interpretou os pensamentos e as lembranças do seu clone especial de modo diferente e mais objetivo, absorvendo os acontecimentos para formar um raciocínio coerente sobre tudo. No entanto, a despeito de seus esforços, as memórias de Abby enlouquecendo, triturando o pé em sua ferida e tratando-a com desprezo não podiam ser varridas de sua mente. Ela estremecia a cada vez que a cena se repetia, sentindo a raiva borbulhar e subir como a lava no coração de um vulcão.  

Rangendo os dentes com força e fechando as mãos ensanguentadas em punhos, que ainda tinham pedaços de madeira presos nelas.  

“Emilia Reid… você vai me pagar… a se vai.” Ela murmurou, seu sorriso alargando de orelha a orelha com um brilho de morte em seus olhos azuis intensos.  

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