
Volume 2 - Capítulo 220
O Grande Sistema Demoníaco
Jayden estava usando o site do mercado negro com uma lista de habilidades em mente. No entanto, havia uma em especial que Moby havia pedido para ela procurar a qualquer custo, o restante seriam apenas extras ou alternativas.
Ela sabia que Moby, no fundo, preferiria encontrar uma habilidade realmente única. Mas, no mundo em que viviam, todas as habilidades únicas já estavam sendo monopolizadas e guardadas a sete chaves pelas grandes famílias, como a habilidade das sombras dela mesma, a eletricidade de Alex e o fogo da Abby. Por ora, a única opção do Moby era comprar no mercado negro, o que fosse ser mais útil entre as que haviam lá, já que havia muitas opções boas, também havia algumas muito mais difíceis de dominar do que outras.
E justamente a habilidade que ele pediu para ela buscar era assim: extremamente rara, difícil de encontrar, e ainda mais difícil de usar e dominar. Era talvez a habilidade mais “única” que ele poderia conseguir, porque, mesmo que alguém a possuísse, provavelmente não seria capaz de utilizá-la corretamente. Muitos desses casos vinham de pais arrogantes que compravam acreditando que seus filhos poderiam dominá-la, o que quase nunca acontecia. Por isso, a habilidade ocupava um lugar estranho: desejada pelo potencial e raridade, mas evitada pela complexidade e dificuldade, o que fazia com que tivesse um preço “justo” em comparação a outras habilidades raras e poderosas, porém bem mais simples de usar.
Afinal, qual seria o sentido de ter um dispositivo que você não consegue operar? Ou uma espada pesada demais para empunhar? Essa era a mentalidade das pessoas que preferiam não comprá-la, tudo por causa da sua má fama.
Os olhos da Jayden já estavam cansados e avermelhados de tanto tempo na frente da tela, rolando e atualizando a página sem parar na esperança de encontrar aquela habilidade. Era a mesma que o Moby tinha visto listada no dia em que comprou sua habilidade de gelo. Naquele momento, ela até sugeriu que ele escolhesse essa habilidade rara em vez do gelo, mas ele havia preferido a segunda opção, que ela achou menos versátil e até inferior à energia demoníaca pura dele.
Ainda assim, ao ver o quanto o Moby havia desenvolvido técnicas de manipulação temporal com o gelo, ela não conseguia negar o quão impressionada estava. Ele havia levado aquela habilidade muito além do que qualquer um imaginaria, e se ele conseguia isso com o gelo, o que poderia fazer com outras habilidades… talvez até com a dela. Só de pensar nisso, um sorriso suave escapou em meio ao tédio e ao cansaço, e ela logo após fechou os olhos de cansaço.
BAM!
“AHHHHH!”
Os olhos de Jayden se arregalaram, tomados por pura empolgação. Ela gritou alto, batendo as mãos na mesa.
Alguém havia acabado de anunciar três cópias daquela habilidade de uma única vez, cada uma por 150 milhões, cinquenta milhões a menos do que no dia anterior. Ela mal podia acreditar no que estava vendo.
Sem pensar duas vezes, pegou o relógio e ligou apressada para o dispositivo pessoal do pai.
*Brrrrr*
*Brrrrr*
*Brrrrr*
“Alô, você ligou para o—” uma voz desconhecida atendeu, provavelmente a secretária.
“Oi! Aqui é a Jayden! Preciso falar com o meu pai agora mesmo!”
Sua urgência era clara como a luz do dia, sua respiração ofegante chegava nítida do outro lado. E só aumentou quando viu, que uma das habilidades já tinha sido comprada.
Então, olhando para o relógio, ela sentiu o estômago gelar. Havia usado o relógio escolar para ligar, em vez do celular, e nunca havia feito isso antes. O número estava registrado como desconhecido.
“Hum… isso é uma pegadinha? Estamos em uma situação séria e eu não reconheço esse número, você é mesmo a Jay—” a secretária dizia, até ser interrompida de repente por um estrondo gigantesco, barulho de coisas caindo, gritos e o som de algo devastador, como se um furacão tivesse atingido o lugar. Jayden ficou paralisada de choque, segurando a respiração.
“Jayden! Minha princesinha! É você!? Você tá bem!?” A voz de Mason ecoou do outro lado, carregada de desespero e preocupação.
“Sim, sou eu, pai. Não se preocupe, estou bem…” respondeu Jayden, sorrindo, sentindo o coração se aquecer só de ouvir a voz dele.
“J-Jayden… é mesmo você… eu tô tão feliz que você esteja segura!” a voz dele tremia, e ela tinha certeza de que ele estava chorando.
“Recebi uma ligação da mansão dizendo que você não respondia de jeito nenhum, não importa quantas vezes chamassem. E depois do que aconteceu na escola… eu achei que algo terrível tivesse acontecido com você… meu coração não ia aguentar…”
“Pai, não precisa se preocupar. Eu tô bem, só saí de fininho de casa para dar uma volta e respirar um pouco, meus amigos foram afetados pelo ataque, e eu precisava de um tempo para mim.” Sua calma era tão clara que Mason também se acalmou.
“Ah, filha… eu odeio ficar repetindo isso porque quero que você tenha liberdade, mas pelo menos avise alguém antes de sair.. Você quase me matou do coração… Se algo acontecesse com você, eu não sei o que faria… E seus amigos? São os mesmos que você trouxe para a mansão ontem?”
“Sim, são eles. Mas não se preocupe, todos estão vivos e bem.” A voz dela suavizou, mas os pensamentos da Abby voltaram à mente.
“Argh! Eu ainda não consigo acreditar.. que tipo de escola iria permitir que 30 alunos morressem em questão de segundos! E milhares em uma simples prova! Isso é absurdo!” A raiva na voz dele era palpável, parecia até que o cômodo inteiro tremia com suas palavras.
“Pai… você ia mobilizar toda família para invadir a escola, me procurar e exigir respostas?” Jayden brincou, mas no fundo sabia que era isso que seu pai teria feito.
“Hmm… claro que não… Por que você pensaria isso? Eu só ia ter uma conversa civilizada, nada de mais …” ele respondeu nervoso, o barulho ao fundo praticamente confirmando a suspeita da filha, antes de tossir e retomar o tom firme.
Ahem
“A escola precisa aprender uma liçãozinha. Isso é inaceitável! É por isso que eu sempre disse para você treinar! O status da família não vai te proteger de tudo, vai chegar a hora em que só poderá contar com a sua própria força.”
“Sim pai, agora eu entendo de verdade… Eu desperdicei suas ofertas de me treinar, mas quero recuperar o tempo perdido. Quero que, da próxima vez que nos virmos, o senhor me treine de novo. Não quero ficar para trás em força, e quero proteger as pessoas que amo.” Jayden sorriu, determinada.
O silêncio caiu. Por um instante, ela achou que havia dito algo errado. Mas então, ouviu o choro baixo do outro lado da linha.
“E-eu tô tão feliz… você tá crescendo tão rápido que é até difícil de acreditar… Há poucos meses você riu na minha cara quando eu sugeri aulas particulares antes de entrar na escola militar, e agora está me pedindo isso por conta própria! Quem diria! Eu tinha medo do que você poderia se tornar no futuro, cheguei até a pensar que teria que dar o título de herdeira para outra pessoa… Mas se isso acontecesse, a culpa seria minha, não sua. Não importa o que aconteça, eu sempre vou amar você, minha pequena Jayden…”
O coração dela se acalmou ainda mais. Ela sabia que era privilegiada por ter alguém como ele, lembrando-se de como outras famílias poderosas tratavam seus filhos.
Com um sorriso radiante, ela olhou para o relógio e respondeu suavemente:
“Obrigada pai, eu sei que o senhor sempre quis o meu melhor, e o problema fui eu, por ser uma filha mimada e arrogante. Deve ter sido um pesadelo lidar comigo esse tempo todo!” Ela riu de si mesma, e ele sorriu do outro lado, sentindo o peito aquecer.
“Tudo bem… mesmo que eu não concorde com tudo que você disse, não é ruim ser elogiado assim pela própria filha.” Mason respondeu, rindo também, acompanhando o tom dela.
“De qualquer forma… acho que você tinha outro motivo para me ligar, não é mesmo, querida?”
A voz dele ecoou nos ouvidos de Jayden enquanto ela olhava para a tela do computador, seus olhos arregalados e um frio subindo pela espinha quando leu as palavras que apareciam:
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