
Volume 2 - Capítulo 212
O Grande Sistema Demoníaco
Jayden suspirou internamente, sentia como se estivesse andando a séculos por esses corredores, ainda seguindo os outros serventes. Na real, ela não fazia a mínima ideia em que direção que tinha que ir, então ficou aliviada de que não estava na frente do grupo.
De jeito nenhum que ela iria diminuir ou apertar o passo, porque dava para ver que a forma organizada que todos estavam e ela não queria quebrar a formação. Isso arriscaria alguém reclamar dela e ser demitida, então sabia que não tinha outra saída além de ficar calma e ganhar tempo.
Quando tentou novamente entrar em contato com Abby, pensando que iria funcionar por causa da proximidade, ainda ficou sem resposta. O único som que escutava era esse barulho estranho.
Então, para passar o tempo, começou a observar as paredes enormes e bonitas em vermelho da mansão Reid. As paredes eram decoradas em ouro e adornavam incontáveis decoração únicas, variando entre pinturas luxuosas para artefatos mágicos e normais. Nas paredes e tetos, tinham lanternas e lustres mágicos que brilhavam com um vermelho intenso da marca registrada dos Reids, deixando o cômodo ainda mais vermelho. Embaixo de seus pés, um longo tapete cobria o meio do corredor, a textura e sensação em seus pés eram algo que nunca tinha visto antes, ao mesmo tempo que parecia um tapete ao mesmo tempo não.
Mesmo andando por inúmeros corredores, nenhum deles tinha a mesma decoração. Cada um tinha seu próprio estilo que os diferenciava.
Enquanto continuava observando as paredes e decorações, ela não conseguiu deixar de comparar com a própria mansão da sua família, pois era difícil considerando a rivalidade existente. Essa era sua primeira vez vendo a mansão Reid, além de fotos do exterior, e estaria mentindo se disse que não está impressionada.
Ignorando o fato de que era estranho essa distância toda entre a cozinha e a sala de jantar, a mansão parecia ser maior por dentro do que vendo por fora e as decorações e a apresentação pareciam ser ainda melhores que as da sua própria casa.
Ainda caminhando, Jayden deixou seus pensamentos flutuarem enquanto olhava para as paredes, clareando a mente e se preparando mentalmente para finalmente ver Abby novamente. E ainda ignorando os olhares constantes dos seus colegas.
E, antes que se desse conta, o grupo fez mais uma curva antes de uma grande e majestosa porta em tons de rubi e ouro entrar em seu campo de visão. Jayden reconheceu que essa era a porta que levava para a sala de jantar, provavelmente a que os serventes usavam já que não encontrou nenhum convidado pelo caminho.
Enquanto se aproximavam da porta, ainda em sincronia, Jayden notou que as expressões confiantes dos serventes começaram a cair e suor começou a escorrer em seus rostos enquanto tentavam se acalmar.
Jayden tinha a mesma sensação e o mesmo semblante, mas não pela mesma razão que os colegas. Eles estavam nervosos e estressados, porque tinham a obrigação de se manterem firmes para não falhar e destruir toda a sua trajetória profissional.
Por outro lado, o estresse e nervosismo de Jayden era por finalmente poder ver a Abby. Por algum motivo estranho, que não conseguia explicar, Jayden sentia em seu coração que Abby estava do outro lado dessa porta. Tantas possibilidades do estado que ela poderia estar passaram por sua cabeça, que sua respiração começou a ficar ofegante quando teve dificuldade para controlar suas emoções, a fazendo cerrar os punhos da mão vazia. Jayden chegou até aqui e nem a pau que ela iria desistir agora.
No entanto, assim que começou a pensar desse jeito, ela afastou esses pensamentos emotivos. Não era hora de melancolia, Jayden tinha que pensar racionalmente.
Sabia que se tivesse no lugar de Abby, sua amiga iria até o inferno para salva-la e estava disposta a fazer o mesmo, mas Jayden precisava estar no estado certo de mentalidade para isso acontecer.
De forma profunda, respirou três vezes para acalmar os nervos. E quando finalmente chegaram diante da porta gigante, sua mente estava completamente calma e preparada para tudo. O líder do grupo, de maneira lenta e descontraída, abriu a porta pesada usando sua força super-humana.
Com as portas se abrindo, revelou-se a luz ofuscante que vinha de uma imensa bola de fogo flutuante no teto. Era uma visão impressionante, e foi a primeira coisa que Jayden notou.
A atmosfera animada, porém, ainda calma e nobre e os sons do salão invadiram seus ouvidos assim que uma porta segunda porta fina se abriu. Isso significava que o salão era à prova de som.
No momento que a porta abriu com um leve estrondo, tudo ficou visível.
Para uma sala de jantar, era gigante, até mais do que esperava e que poderia rivalizar com a da sua família. Era de fato uma visão grandiosa: o teto se estendia por mais de 15 metros de altura, e a bola de fogo parecia ser a única fonte de luz do ambiente.
Diferentes das outras paredes da mansão, as daqui não tinham quase nenhuma decoração para assim destacar o design da arquitetura e a fênix magnifica pintada no fundo do salão. Os olhos da fênix brilhavam com um brilho intenso vermelho, fazendo parecer que a pintura estava viva.
O salão tinha mais de cem metros de comprimento e largura, e era decorada por cinco grandes mesas brancas. Estas mesas, incrivelmente largas, iam de uma extremidade à outra e estavam repletas de todo tipo de comida deliciosa, com fartura para sustentar uma aldeia inteira por vários dias.
O caminho largo, demarcado no chão por um fogo gélido, abria-se bem à frente, uma área destinada, muito provável, à circulação dos serventes. Logo depois, atrás de todas aquelas mesas, estendia-se um vasto e plano piso de mármore, completamente vazio, que devia ser usado para danças. Jayden considerou tudo muito peculiar, afinal, ela não tinha certeza se misturar um banquete com uma pista de dança era uma combinação muito boa.
Todas as mesas estavam completamente lotadas de convidados de todas as idades, que se sentavam, comiam e conversavam entre si com expressões alegres, mas arrogantes. Todos eles, sem dúvida, possuíam grande importância na sociedade, algo evidente apenas por suas roupas, e pareciam bastante intimidantes aos olhos de muitos. No entanto, para Jayden, eles não passavam de pavões emplumados que achavam que poderiam voar longas distancias. Ela os via como inofensivos, pessoas que ela costumava devorar no café da manhã, mesmo quando era jovem e forçada a socializar com muitos deles o dia todo. Ela conhecia muito bem esse tipo de gente, por dentro e por fora, e podia facilmente manipulá-los e prever movimentos com um único pensamento.
Mas, no final, Jayden só se importava com uma única coisa, e continuou a inspecionar o salão até que, por fim, parou. Seu olhar arregalado e tremulo agora se fixava em uma única área, enquanto se esforçava o máximo para suprimir suas emoções sob sua poker face, apesar de todo o tempo gasto para se acalmar. Por mais que tentasse raciocinar, era uma cena que ela jamais esperou e para qual nunca poderia ter se preparado. Jayden cerrou o punho esquerdo com tanta força que sangue começou a escorrer lentamente, misturando-se ao uniforme vermelho. Sua boca, trêmula, abriu-se instintivamente em descrença, enquanto semicerrava seus olhos arregalados e instáveis para ter certeza de que não estava vendo coisas, de que o que via de fato, não era um fruto da sua imaginação.
No fundo do salão, e posicionada atrás da imagem resplandecente da fênix, estava uma mesinha de centro, pequena, porém sofisticada, separada das outras cinco grandes. Suas cores, vermelho e dourado, contrastavam completamente com o branco das demais mesas do recinto.
A mesa exibia pratos ornamentados em ouro, lírios-de-fogo de outro mundo, e muitos outros itens que estavam ausentes em todas as demais mesas. Cada um desses objetos parecia ser, por si só, mais caro do que um salário mensal, ou até anual, de uma pessoa comum.
Sentados diretamente atrás dessa mesa, estavam os anfitriões da festa, ninguém menos que os quatro membros da Família Reid, O que surpreendeu Jayden, além de suas expectativas mais loucas, foi que Abby era um deles, rindo e sorrindo como se estivesse tendo o melhor momento da sua vida. O brilho ardente e habitual em seus olhos tinha desaparecido por completo, transformando-se em algo muito mais suave, enquanto conversava de forma descontraída e divertida com seus pais e sua irmã, que estavam sentados ao seu lado. Eles pareciam retribuir o sentimento, e o semblante de Abby, aos olhos de Jaynde, parecia absolutamente genuíno.
‘A-Abby… é v-você?! O que eles fizeram com você?!’