
Volume 2 - Capítulo 195
O Grande Sistema Demoníaco
Ray fechou os olhos e abriu os braços, provocando seu oponente para avançar com um sorriso nada natural no rosto.
Tudo que estava fazendo era se preparando para ser nocauteado, aceitando novamente seu destino.
Não tinha nenhum motivo de resistir, com o seu nível de poder e sem nenhuma carta na manga, Ray já está praticamente morto. Lutar só iria adiar o inevitável e o causar mais dor do que ir apenas com as ondas do destino, onde seria levado de qualquer forma.
*Snap*
Um estalo fez os ouvidos de Ray zumbirem e o sacudiu até a alma. O sorriso em seu rosto não sumiu, mas ficou mais nervoso enquanto ele se preparava para sentir uma dor imensa — provavelmente o soco característico de Jason no estômago. Por isso, ele abriu os braços, deixando essa área exposta, pois se tivesse defendido, Jason teria quebrado seus braços e atingido seus órgãos vitais ao mesmo tempo, causando mais dor no fim.
*Whoosh*
Uma rajada de vento passou por ele com tanta velocidade que mal conseguiu se manter em pé. No entanto, por alguma razão, ele não sentiu nenhuma dor. Optou por não abrir os olhos ainda e esperar mais, já que sabia que a dor chegaria.
….
……
……..
‘Ué?’ Ele pensou, com uma mistura de dor, alivio e confusão no coração.
Pelos últimos cinco segundos, tudo que foi capaz de ouvir era barulhos de vários passos correndo tudo ao seu arredor. O som vindo de todas as direções.
Cinco segundos era muito tempo e com a velocidade de Jason, o ruivo só precisava de meio segundo para alcançá-lo… Então por que ele ainda estava aqui parado ileso? Nada fazia sentindo… Tudo estava muito confuso…
Eventualmente, ele desistiu e sucumbiu a sua curiosidade.
Quando finalmente abriu os olhos, o que viu não era nada que sequer poderia imaginar em todas as suas vidas.
Jason, o idiota grande, arrogante e musculoso, estava correndo freneticamente por todo o campo de batalha como um viciado em drogas com um pico de açúcar, com o que parecia ser pânico em seus olhos.
O ruivo parecia estar juntando várias partes de corpos que pertencia aos estudantes que foram explodidos pelo impacto daquela bola de energia roxa de antes, que provavelmente fez alguns dos membros não serem vaporizados e apenas mandados para longe.
‘Mas o que droga está aconteceu?!” Ray pensou, atordoado. Sua cabeça começando a girar sem parar.
Nada parecia ser real.
Talvez ele só perdeu a cabeça e agora está alucinando e vendo coisas…
Parecia que estava criando tudo na sua cabeça… Que tudo isso era da sua cabeça… Que estava apenas sonhando… Isso! Ele estava sonhando! Tinha que ser isso! Mesmo ainda conseguindo sentir dor, um sonho era a única explicação para o que estava acontecendo diante de seus olhos!
Nesse momento, sua maior prioridade é achar uma forma de escapar desse sonho e descobrir o que seu corpo verdadeiro está fazendo. Contudo, ele não tinha a mínima ideia de como faria isso, então teria que tentar várias coisas.
Com um brilho insano nos olhos, Ray ergueu o braço e, cerrando o punho, o abaixou com uma velocidade incrível em direção ao próprio corpo, usando toda a força que conseguiu reunir, sem se preocupar com a sua própria segurança.
*Crack*
O som de vários ossos da sua caixa torácica se quebrando encheu seus ouvidos, e uma dor inimaginável se espalhou pelo seu corpo todo…
Ray soltou um grito alto cheio de dor que ecoou por toda a floresta, fazendo diversos pássaros voarem assustados pelo grito agudo repentino que entrou em seus ouvidos.
Ray caiu sobre um joelho, segurando com força o local do soco que ele mesmo tinha dado, com uma expressão confusa e mal suportando o impacto do próprio golpe. Sangue começou a escorrer pelo braço, que apertava o local da dor. O sangue pingava como uma torneira, manchando suas luvas de corda. Sua respiração ficou muito mais irregular e desigual, e a falta de oxigênio afetava seu corpo. Isso confirmava que uma de suas costelas havia perfurado seu pulmão. A dor no peito só cresceu, e ele ainda sentiu o sangue indo e voltando pela garganta até que começou a tossir, de forma frenética, uma grande quantidade de sangue, que respingou em suas roupas, agora manchadas da cabeça aos pés.
Ele já havia levado socos semelhantes no passado, mas este doeu muito mais. A tensão mental e física de ter causado o próprio ferimento foi, sem dúvida, a razão disso.
Mas mesmo com essa dor, ele ainda continuava consciente… O soco não o despertou do sonho…
“Puta que pariuuuuuu!” Ray xingou mentalmente, rangendo seus dentes ensanguentados com uma expressão de pura determinação, fazendo seu máximo para manter seus olhos cansados abertos.
Se isso não funcionou, então teria que ir para sua última opção. Ele precisava de um jeito para sair do sonho e voltar à realidade e ver o que estava acontecendo. E Ray estava disposto a fazer o que fosse preciso para conseguir.
Se houvesse a possibilidade de que, fora desse pesadelo bizarro, a realidade fosse um lugar onde ele ainda tivesse a chance de ajudar, Ray estava mais do que disposto a arriscar. Mesmo se essa realidade for real, ele ainda assim seria executado, pois Jason não parecia ter voltado para buscá-lo, então Ray não sentiu nenhum medo ou hesitação em suas ações. Já que de qualquer jeito acabaria da mesma forma…
Ray usou toda a energia que lhe restava para levantar os braços outra vez, liberando os fios ensanguentados das luvas e os posicionando ao lado do pescoço, pronto para tirar a própria vida, completamente convencido de que tudo aquilo era um sonho.
Assim que ouviu o grito estrondoso vindo de Ray, Jason instintivamente olhou para ele. No mesmo instante, seus olhos quase saltaram para fora, pois ele mal podia acreditar no que via. Com o coração disparado, ele começou a ver a sua vida passar diante dos seus olhos e sua respiração se tornou cada vez mais ofegante.
Sem um momento de hesitação, Jason estalou os dedos e apareceu na frente de Ray, segurando as mãos do garoto que estava prestes a cortar o próprio pescoço.
“Sai de perto de mim, porra! Até mesmo dentro de um sonho, não consigo ter minha paz! Me solta ou só me mata caramba! Você está me ouvindo? Fala alguma coisa, seu pedaço de bosta! Fala! AHHH! Foda-se esse mundo!” Ray gritou, a loucura em seus olhos crescia à medida que ele falava. Ele se debatia para se soltar do aperto de Jason, mas o ruivo não reagia. Do ponto de vista de Ray, o olhar de preocupação e alivio de Jason parecia o de um predador sarcástico.
De repente, ele sentiu um leve toque no pescoço. Seus olhos, já cansados, escureceram e o mundo começou a girar. As mãos se soltaram, e seu corpo caiu suavemente na grama macia.
“Se acalme, Ray! O que caralhos você estava pensando em fazer! Isso não é um sonho! É real! Eu entendo que passou por muita coisa, meu amigo… Mas não se preocupe… Tudo será explicado depois… Agora, apenas durma… Você precisa e merece um descanso… Já sofreu demais por agora…” Uma voz extremamente rígida, porem, calma e familiar entrou em seus ouvidos.
Ele olhou para cima, com a visão embaçada, que já estava quase escura, e conseguiu ver o olhar roxo, brilhante e amigável de uma pessoa olhando para ele. Depois, a pessoa se virou e sugou todos os restos de corpos, que estavam no meio do campo de batalha, para um vórtex que saía das palmas das mãos, sem deixar nenhum vestígio. Ele não teve tempo para pensar no que tinha acabado de acontecer, pois sua visão escureceu, e um sorriso de paz surgiu em seu rosto. Pela primeira vez em semanas, ele finalmente conseguia descansar de verdade…