
Volume 2 - Capítulo 194
O Grande Sistema Demoníaco
Ray estava sentando embaixo de uma árvore, encarando a lua com olhos trêmulos. Seu cabelo azul curto dançava com o vento.
Ele estava positivo que o time de resgate chegaria a qualquer minuto e o prenderia. Mas, ao mesmo tempo, ele podia estar errado, mas o que era para ser apenas 40 minutos está parecendo uma eternidade.
Já faz um bom tempo desde que a barreira amarela foi quebrada, mas Ray não se moveu do lugar, pois não achava que nenhuma razão para isso… Sabia que não importasse o quanto corria, no final, ele não teria escapatória. Seu destino já tinha sido selado, então decidiu apenas aceitar.
No início, Ray ficou animado quando a barreira se quebrou, achando que isso representava a vitória milagrosa de Moby. Mas agora, com tanto tempo passando sem notícias de nenhum dos lados, ele foi obrigado a repensar suas suposições. Seus pensamentos sobre a vitória se tornavam cada vez mais pessimistas.
Agora, achava que a falta de notícias sem dúvida representava a perda de Moby, e já que a gangue ganhou, eles desativaram a barreira e foram embora.
E, agora que tinha o seu alvo verdadeiro, Moby, eles não se deram ao trabalho de voltar para buscá-lo, já que ele não lhes servia mais, era apenas uma isca e nada mais.
‘Talvez teria sido melhor se tivesse concordado em ser refém…, talvez teria sido melhor se tivesse me matado… isso pelo menos o teria salvado… Agora, nós dois vamos morrer…’ Ray pensou, um olhar doentio em seus olhos.
Nessas últimas duas horas, ele passou por uma montanha-russa de emoções maior do que tudo que teve na sua vida. Ao ver momentos de sua vida passado diante de seus olhos múltiplas vezes, Ray sentiu o ar de morte rodeando para tudo que olhava. Apenas quando olhava para a lua que sentia seu coração em paz, mas mesmo nesses momentos não consiga afugentar as emoções de desespero e loucura impregnadas no fundo da alma.
Ray desistiu de todas as esperanças… Ele não apenas falhou em proteger um de seus amigos depois de anos, mas como também seria morto por suas ações. Era ele que deveria pagar o preço, não Moby…
Antes, Moby era apenas um Rank F sem Talento que passou por muitas mais dores e sofrimentos do que podia imaginar, porém, agora ele era forte, bondoso e uma pessoa talentosa que tem ambas, força e motivação, para fazer grandes coisas. Por outro lado, Ray era apenas um garoto fraco, quebrado, sem motivação nenhuma e que não era forte o suficiente para proteger a si mesmo ou alcançar suas inspirações.
A vida de Moby era realmente uma inspiração para ele… Diferente de muitas pessoas, ele não o via como uma pessoa salva pela vida de tortura devido à sorte, mas por sua perseverança e trabalho duro que não se comparava a ninguém.
Na sua opinião, a vida de Moby era sem dúvida mais importante que a dele…
‘Não é surpresa ninguém querer ter amizade comigo… Eu trago má sorte para qualquer lugar que eu vá…’ Ele pensou, rindo de si mesmo.
*Crack*
De repente, um barulho veio da floresta… O som de um graveto de folha quebrando vindo da sua direita.
Tirando os choros dos animais estranhos, esse foi o primeiro barulho que Ray ouviu pelas últimas horas. Então, chamou sua atenção, assumindo que era hora e o time de resgate finalmente chegou.
Com olhos cansados, ele moveu sal visão, que antes estava focada na lua, para a área onde ouviu o barulho vindo.
Graças a seus Óculos de Visão Noturna que ainda funcionavam, foi capaz de avistar tudo a sua frente claro como um dia.
Diante de si, estava um homem largo, seus músculos enormes eram facilmente vistos através da armadura azul escura que usava. A bandana preta que usava na testa destacava ainda mais seus cabelos ruivos espetados.
Ao contrário do que pensava, não era o time de resgate… Não, muito pelo contrário…
Ray foi capaz de reconhecer esse cara apenas com um olhar… Como não conseguiria sendo que foi obrigado a aturá-lo e sofrer com ele pelas últimas semanas?
Não era ninguém menos do que Jason… Com um sorriso louco, predador e tremulo em seu rosto que parecia mais estranho do que o normal, andando até ele de uma forma rígida.
Ao vê-lo se aproximando, pronto para devorá-lo, sem nenhum ferimento e como se não tivesse preocupações no mundo, ele confirmou as suas suspeitas de que Moby de fato havia perdido, assim como ele temia.
Contudo, essa revelação não o surpreendeu nem um pouco, pois ele já tinha se conformado com o resultado há muito tempo. Ele foi estupido de pensar o contrário, sem chances que o Moby conseguiria derrotar dois Rank A, ambos com níveis de poderes equivalentes. Ainda que não fosse os dois de uma vez, ele teria ficado exausto da primeira luta para ter qualquer chance na segunda.
“Então você voltou?! A última vez já não foi o suficiente? Que caralhos você quer de mim agora, hein? Quer que eu vire um escravo em tempo integral?!” Ray gritou com movimentos de mão exagerados e loucos, enquanto a insanidade em seu sorriso distorcido e olhos estranhos crescia, tornando-se mais intensa à medida que ele falava.
‘Há… Talvez trabalhar para eles mais um tempo não seja uma má ideia, eles talvez consigam me livrar da fúria da escola… Além disso, agora posso me reencontrar e unir forças com o Moby de novo. E talvez possamos acabar com eles juntos, por dentro… Talvez os céus não tenham nos esquecidos, afinal de contas!” Ray pensou, e seu sorriso instável, que irradiava loucura, aumentou enquanto ele começava a rir histericamente, como se a loucura viesse do nada.
Porém, por algum motivo, ele não consiga parar de sentir que algo estava errado…
Mesmo com a provocação clara de Ray, Jason não reagiu, o que o deixou confuso.
O Jason que ele conhecia teria surtado, em ambos os sentidos, zombando e o menosprezando com uma risada divertida. Então, por que ele estava quieto logo agora? Isso não fazia o menor sentido. Era como se ele fosse uma pessoa completamente diferente.
Mas a confusão não durou muito, pois Jason o respondeu rapidamente, levantando a mão direita com o indicador e o polegar juntos, pronto para estalar os dedos. Ray, rindo, percebeu que o outro provavelmente estava sem tempo e só queria bater nele antes de gritar com ele quando saíssem da floresta. Isso fez com que sua risada, já perturbadora, se tornasse ainda mais alta e grave.