
Volume 2 - Capítulo 196
O Grande Sistema Demoníaco
Os olhos de Jason arregalaram, uma expressão de puro terror apareceu em seu rosto. Seu corpo começou a tremer enquanto sentia uma dor aguda no coração. E suas pernas ficaram bambas enquanto tremia mais rápido que um vibrado, fazendo ele curvar-se instintivamente com a chegada de seu novo mestre.
“M-Meu Lorde! E-Eu juro que isso não é o que você pensa… A-Aconteceu do nada… F-Foi ele próprio que fez! E-Eu só estava tentando pará-lo antes que fizesse algo do tipo de novo! E-Eu nunca iria contra suas ordens!” Jason gritou de joelhos, com a voz tremula, porém, sincera. Sua respiração estava irregular e gotas de suor pingavam da testa para o chão, onde seus olhos estavam direcionados, já que não ousava a olhar nos olhos de Moby novamente.
Jason amaldiçoou mentalmente, não importa o que, ele não quer experienciar aquela dor novamente. Uma dor que sabia que nunca se acostumaria, mesmo se passasse por uma eternidade…
Para ele, a troca parecia justa: preferia mil vezes viver como um servo com algumas liberdades do que reviver, eternamente, seus piores pesadelos – que pareciam tão dolorosos e reais quanto a vida. Algo que, tinha certeza, Moby era capaz de fazer sem sombra de dúvida.
Sem ele perceber, sua devoção pela gangue começou a diminuir muito. Sua lealdade e orgulho, antes inabaláveis, agora não existiam mais, tendo sido levadas emboras junto com a mente de seu antigo eu.
“Se calme! Eu sei que não foi você! Se eu tivesse suspeito que tivesse feito algo, você não estaria nem respirando agora! Agora, levante-se! Estamos sem tempo e precisamos nos apressar!” Moby gritou, por cima de Jason, com uma voz intimidadora e assustadora, fazendo suas costas arrepiar por inteiro, mesmo nem sendo capaz de ver a expressão dele.
Porém, por alguma razão, quando Moby disse que sabia que não foi ele e que não seria punido, Jason sentiu satisfação em seu fraco distorcido coração. Abrindo uma expressão de gratidão por ter escapado de uma bala fatal.
Com uma expressão serena de gratidão, Jason obedeceu à ordem e se levantou, apenas para ficar fascinado ao ver que o campo de batalha, antes imundo, agora estava completamente limpo, quase como se a luta nunca tivesse ocorrido.
Usando sua mão direita, Moby abriu um vórtice estranho que nunca tinha visto antes, e com isso, limpou as pequenas gotas de suor que tinham caído no chão, fazendo um pequeno sorriso se abrir no rosto de Jason ao ver seu mestre zelando por ele. Mesmo sabendo que Moby apenas não queria deixar nenhuma evidência para trás, pois tinha outros planos para ele, que não incluíam ele ser questionado ou colocado na cadeia por um crime que não cometeu.
Num piscar de olhos, Moby desapareceu do lugar e reapareceu diante de Ray, o colocando em seu ombro de uma forma que não agravaria seus ferimentos fatais, antes de correr para dentro da floresta, pulando de árvore em árvore, e fazendo certeza de não deixas rastros.
Jason, que agora o seguia enquanto manobravam através da escuridão da noite, apenas usava sua habilidade quando sabia que não iria trombar com nenhuma árvore.
A explosão emocional de Moby que apenas serviu para irritar, obscurecer seu julgamento e fazê-lo cometer erros estúpidos. Ele ainda não percebeu, mas isso era exatamente o que aconteceu durante o teste com a Natalia. Ele precisa de alguma forma consertar isso, em manter suas emoções sob controle. Só ainda não sabia como.
Moby tentou clarear a mente, respirando fundo. Se não tivesse ouvido as palavras de Ray depois que chegou ou se sua crença de ter controle absoluto sobre seus servos fosse fraca, ele talvez teria perdido seu controle e matado Jason ali. Uma ação completamente idiota, já que apenas o empurraria para um beco sem saída. Se quisesse livrar-se de Jason, a melhor forma era culpá-lo pela morte dos estudantes mortos, não o matar diretamente.
Ele ainda estava na beira do controle, sua raiva tinha quase chegado no limite quando viu Jason segurando Ray contra a parede com um sorriso perturbador, que agora sabia que estava apenas nervoso e aterrorizado. Todavia, como das outras vezes, Moby conseguiu suprimir suas emoções intensas enquanto observava o corpo de Jason, que tremia de medo, e se esforçava para manter a calma, o autocontrole e a compostura. Felizmente para ele, Jason nem olhou para cima ou se não o ruivo teria presenciado uma visão desagradável de Moby tentando controlar suas emoções.
Seu coração ficava cada vez mais inquieto depois que ele viu o estado em que Ray se encontrava; até aquele momento, ele não fazia a menor ideia do que Ray estava fazendo ou do que se passava na sua mente. Ele tentou entrar em contato com o amigo para atualizar a situação, mas por alguma razão, não conseguiu entrar em contato. De acordo com Jason, que esteve de olho nele, Ray estava completamente bem, apenas observando a lua com uma expressão nervosa no rosto, então Moby não pensou muito e nem se importou em ir à localização do amigo, porque tinha decidido deixar aquele lugar por último, pois era o mais simples de limpar.
No entanto, por algum motivo estranho, mesmo conhecendo Alex ao mesmo tempo que Ray, ele sentiu que suas emoções teriam saído mais do controle se fosse o arroxeado naquela situação. Para ser sincero, qualquer outro membro de sua família teria causado uma reação muito pior do que a que ele demonstrou. Ele não sabia se isso se devia ao fato de não gostar ou se importar tanto com Ray em comparação aos outros, ou se era porque suas ligações e os momentos que viveu com o restante do grupo foram muito mais marcantes e impactantes em sua vida. Ou, quem sabe, algo mais estava influenciando seu modo de pensar, conforme Avilia tinha sugerido anteriormente, mas ele não tinha total certeza e não ficou remoendo a ideia por muito tempo.
Apesar de Moby saber que seu poder sob ambos, Jason e Nags, era absoluto, ele ainda nem considerou deixar os dois tocarem seus amigos.
Ele jamais se consideraria superprotetor; afinal, dava a todos a liberdade que precisavam e confiava que eles fariam seu trabalho e cuidariam de si mesmos. Ainda assim, ao mesmo tempo, ele simplesmente não conseguia suportar aquilo, pois sabia que muitos pensamentos, a maioria falsos, se espalhariam em sua mente. Ele queria que sua alma, ainda nebulosa e ferida, ficasse em paz, então decidiu fazer as coisas por conta própria, especialmente considerando a situação.
Moby poderia ter simplesmente salvado tempo e esforço se tivesse pedido para Nags e Jason pegar seus amigos e transportá-los em segurança para fora da floresta e de volta para os dormitórios, mas por causa desses motivos pessoais, ele não se permitiu dar essa ordem.
Especialmente quando cenas deles tentando tocar Jayden em lugares inapropriados surgiam em sua cabeça. E, mesmo se os ordenassem a não fazerem isso, eles ainda podiam pegar algum tipo de prazer apenas tocando ela, dado que Jayden é uma das garotas mais desejadas da escola, se não, do país.
Moby estava tão perdido em seus pensamentos que nem se deu conta de que havia chegado no destino, com os corpos de Jayden e Alex ficando visíveis.
Assim que se aproximou do local, ouviu barulho das árvores se mexendo antes de avistar a silhueta pequena de uma pessoa pulando. Moby nem se importou ou ficou surpreso, já que sabia exatamente quem e o que era.
Moby saltou da árvore mais próxima e, num movimento rápido, bateu os pés no chão, pegando os corpos leves e quase sem peso de Alex e Jayden, e os colocou gentilmente em suas costas antes de pular novamente.
Ele tinha apenas dez minutos restantes, e com todos em suas costas e tudo verificado, era finalmente hora de voltar para o dormitório onde iria interrogar Nags e Jason; e onde Alex, Ray e Jayden poderiam descansar antes de se juntarem na conversa pela busca de Abby e derrotar a gangue pelo desaparecimento dela.
A pegada grande e profunda que ele havia deixado na grama com a pisada não o incomodou nem um pouco. Ele não se importou em perder tempo para limpá-la e estragar seu ritmo.
As botas que ele usava não eram como as outras que ele já havia usado; portanto, ele não poderia ser identificado ou seguido por elas. Não havia muita evidência para a escola seguir, então eles teriam que interrogar absolutamente todos com um detector de mentiras, a não ser que ele tivesse perdido algum detalhe importante na limpeza, algo que ele realmente duvidava depois de ter analisado tudo com seus Olhos do Pecado.
Além disso, usando seu Menu de Criação, ele conseguia facilmente moldar e transformar sua armadura no que quisesse, então, depois de alterá-la, não teria nenhuma evidência da pegada sequer existir na escola.
Com seus três amigos em suas costas, sem nem atrapalhar sua velocidade, Moby finalmente chegou na beira da floresta. Usando seus Olhos do Pecado para fazer certeza de que ninguém estava na área de treinamento na frente dos dormitórios, Moby sorrateiramente saiu da floresta, com Jason o seguindo e tentando bloquear a visão de Moby para todos.
Aproveitando as áreas escuras e sem iluminação, Moby entrou pela porta do dormitório. Ele notou vários outros alunos ajudando seus amigos, ou “amigos”, que estavam feridos ou inconscientes. Afinal, a violência e corrupção eram tão comuns na escola que as regras raramente eram aplicadas, a menos que fossem forçados a isso, ou quando a situação exigia.
Com rapidez e discrição, Moby e Jason finalmente alcançaram a porta do quarto, checando cuidadosamente se não havia ninguém por perto. Em seguida, Moby passou o cartão de estudante, abriu a porta do quarto iluminado e entrou antes de ser notado, fechando a porta com cuidado, mas rapidamente, atrás deles.
E como esperava, a primeira coisa que viu quando entrou era a figura de Nags usando o uniforme, seus olhos estavam fechados e sua expressão estava calma. Sua atitude parecia similar com a de quando o viu pela primeira vez e não aquela besta louca e descontrolada. Ambos, braços e pernas, estavam cruzados enquanto se sentava na pequena mesa parecendo um rato, tanto pela sua baixa estatura quanto pela sua personalidade silenciosa.