O Grande Sistema Demoníaco

Volume 2 - Capítulo 168

O Grande Sistema Demoníaco

‘Ei, Jayden. Tenho boas notícias! Ray está bem, mas preciso da sua ajuda. Ele está sendo forçado em uma situação em que precisamos lutar contra a gangue Zexis para pegá-lo de volta. Abby e Alex já estão aqui prontos para lutar. Você pode, por favor, vir o mais rápido que conseguir? Sua ajuda seria muito apreciada.’ Moby disse, usando sua conexão mental.   

‘Puta merda! Vai acontecer algum tipo de porradaria? Tô dentro!’ Jayden disse, animada, aceitando o pedido de Moby enquanto ele ouviu um barulho alto vindo do lado da conexão dela, por causa das facas e garfos que caíram da mão dela. 

‘Ah, você também poderia trazer seu mordomo? Só para o caso de acontecer algo ruim, e ele precisar entrar para salvar o dia? Sabe?’ Moby perguntou, com um sorriso, pois tinha acabado de pensar na sua arma secreta. 

Essa ideia acabou de surgir na cabeça dele. Moby não queria que o mordomo viesse e derrotasse todos logo de começo, já que assim não ganharia nenhum XP dessa forma. Mas, se o mordomo fosse usado como último caso, não haveria problemas. Sem contar que, desse jeito, Moby teria menos uma coisa para se preocupar. E não seria forçado a revelar suas duas últimas cartas na manga, algo que deseja manter em segredo o máximo possível, especialmente sua Forma do Pecado. 

‘Hmmm… Sobre isso… não vai ser possível…’ Jayden respondeu, soltando uma risada nervosa. 

‘Que?! Por quê?!’ Moby perguntou, exaltado, não esperando por isso. 

‘Tem 2 motivos. O primeiro é que ninguém, sem ser os alunos e funcionários da escola, são permitidos a entrada sem uma permissão explicita, e isso também inclui a floresta. A escola automaticamente escaneia e detecta nossos ID toda vez que saímos e entramos na área da escola, e se uma pessoa não identificada entrar, isso seria visto como um crime e a pessoa seria caçada como intruso. É por isso que meu mordomo e empregados me esperam no portão da escola e nunca entram. Sem mencionar que, quem daria permissão para uma pessoa que quer entrar na escola por causa de uma luta? Até mesmo com o poder da minha família isso não seria possível, a escola tem regras bem rígidas sobre a entrada.’ Jayden explicou. 

Moby xingou sua estupidez e burrice. Obviamente, ele já sabia dessa regra, apenas se esqueceu por causa dos seus pensamentos ansiosos e apressados. A gangue já devia ter levado isso em consideração, por isso que manteve a luta dentro da área da escola. 

Moby até considerou reportar o problema para a escola, mas sem nenhuma evidência concreta, ele não teria nenhuma forma de pedir um teste de mentira contra eles. Além disso, a influência da gangue já deve estar entre muitos professores, como foi provado quando Travis passou pelo teste de mentira com a ajuda de um professor corrupto que fez um acordo com a Zexis. Denunciar o problema para a escola, só pioraria a situação. 

Ele percebeu que a gravidade da situação se elevou a níveis extremos, enquanto cerrava os dentes e se preparava para massacre que aconteceria 

‘Você disse dois motivos, não é? Qual é o segundo?’ 

‘Bem, durante o ano, meu mordomo escolhe aleatoriamente alguns dias para tirar férias. E foi isso que é. Ele normalmente pega uma ou duas semanas de férias. O trabalho dele é bem estressante, então não posso culpá-lo. Meu ponto é, que mesmo sem a regra, meu mordomo não estaria aqui de qualquer forma.’ Jayden explicou, fazendo Moby concordar com a cabeça, lembrando que o mordomo dela não estava hoje para buscá-la, enquanto respirava fundo para se acalmar. 

Ele sabia exatamente no que estava se metendo quando fez uma declaração de guerra e só tinha pensado em trazer o mordomo de Jayden junto depois da conversa que teve com Abby. Tudo que precisava fazer agora era voltar para sua mentalidade de antes. Como líder, Moby não podia se permitir mostrar nenhuma fraqueza ou hesitação em suas ações. 

‘Então, querido, acho que vou chegar daqui uns 20 minutos se me transformar em uma linha. Segura as garras até lá e se eu chegar antes da luta começar, vou te avisar e esperar pelo seu sinal para atacar.’ Jayden disse, sorrindo, checando o tempo para ver se não iria chover. 

‘Ótimo! Vou fazer meu máximo para ganhar tempo. Apenas esteja preparada, eles pelo menos têm 50 pessoas esperando pela emboscada e não temos nenhuma forma de calcular a força de todos.’  Moby falou com um tom rígido, pois parecia que Jayden não estava levando a situação a sério. 

‘Não se preocupe, sei muito bem no que estou me metendo. Apenas saiba que faria qualquer coisa para te ajudar, da mesma forma que você faria comigo. Além do mais, ao menos se eles forem psicopatas, duvido muito que iriam ter coragem de colocar um dedo em mim, por causa do meus status.’ Jayden soltou uma risada, fazendo Moby sorrir internamente e desejando muito que pudesse abraçá-la, mas isso, com certeza, não era possível. 

‘Obrigada por isso, conto com você!’ 

‘Mas é claro que está! Como você sobreviveria sem mim? Chegarei em 20 minutos, boa sorte com até lá.’ Jayden respondeu, brincalhona. 

Ao fechar sua conexão mental, Moby logo abriu outra para rapidamente informar Alex sobre a situação. A conversa que teve com Jayden foi bem comovente e perspicaz, fermentando ainda mais sua força de vontade e prometendo a si mesmo que não iria desapontá-la. No entanto, durou mais tempo do que esperava, o que era algo que estava em falta. 

Depois de informar tudo para Alex, o amigo não estava contra a ideia de lutar. A voz dele estava extremamente séria e sinistra quando prometeu que iria fazer de tudo para salvar Ray e que iria fazer todos que encostassem um dedo nele pagarem. Se fosse o Alex antes da prova, ele com certeza não agiria assim. Isso só provou que Alex é um bom garoto, embora sua personalidade tenha se distorcido devido a sua natureza demoníaca. 

Assim que Moby terminou de avisar o que seus companheiros teriam que fazer, fechou sua mão firmemente em um punho e respirou fundo, tentando seu melhor para relaxar sua expressão ainda um pouco rígida. 

“Ray, falta muito para chegarmos?” 

“Não deve faltar mais de cinco minutos.” Ray respondeu, com uma mistura de rigidez e serenidade na voz. 

“Eu realmente preciso ir ao banheiro, vou ali no arbusto rapidinho. Só um segundo.”  

Como prometido, Moby tentou ganhar tempo de várias formas possíveis. Até mesmo ir caçar uma besta fraca na floresta que parecia que queria atacar. Ele fez tudo que não parecesse algo fora do comum, aumentando o tempo de caminhada de 5 para 10 minutos, o que não era tão ruim. 

“Chegamos.” Ray falou, apontando para uma clareira mais à frente. Era uma área de mil metros quadrados, quase como um campo de futebol e duas vezes mais que uma quadra de basquete, a direita deles, um rio e uma pequena cachoeira podiam ser vista.

Enquanto andavam casualmente até a clareira, Moby tentou olhar em volta para ver se achava alguém escondido, mas não encontrou nada. No entanto, ele tinha certeza de que havia pessoa escondidas. Embora não consiga usar sua habilidade de inspeção quando não tem um alvo específico, ele ainda possuía outras habilidades. Então usou a oportunidade para ativar seu Sensor de Energia que não dava nenhuma prova visual de estar sendo ativada, sabendo muito bem que não iria alertar seus inimigos. 

‘Caralho… 50… não… 60 pessoas.’ Moby xingou internamente, contando todas as pessoas que estavam escondidas atrás das árvores. 

Ele realmente desejava que seu Sensor de Energia pudesse determinar a força de seus inimigos, mas, infelizmente, isso era algo impossível no seu nível atual. Tudo que podia fazer era se preparar para o pior e esperar que Ray tinha algum tipo de plano em mente. 

“Um segundo, deixa eu por minha luva antes de começarmos.” Ray disse, pegando um par de luvas pretas de metais da mochila. 

Moby reconheceu as luvas de quando Ray as mostrou quando foram para o parque de diversão. Se não estiver enganado, as luvas eram uma invenção pessoal de Ray que emitia fios de vibrações que ele controlava com suas habilidades de telecinese para atacar seus alvos. 

Colocando as luvas nas mãos, elas se fecharam com um alto clique. Em seguida, Ray colocou suas mãos nos bolsos e começou a brincar com um botão vermelho que esteve escondendo por todo esse tempo. 

“Então, podemos começar? Quer começar com o quê?” Moby disse, respirando o ar fresco, com um largo sorriso no rosto. 

“Moby… Me… Me desculpa… mas não tive outra escolha… Por favor, me perdoa…” Ray disse, se virando com uma expressão de arrependimento no rosto, apertando o botão vermelho antes de tirar as mãos para fora. 

“Hm? O que quer dizer com isso?” Moby perguntou, fingindo ignorância enquanto se preparava para lutar, apertando seus punhos e seus olhos, que estavam escondidos pelos óculos, se transformaram em fendas. 

De repente, um barulho alto veio de seu capacete antes de uma mensagem aparecer bem na frente de seus olhos. 

[ Falha no Sistema, os óculos irão ser desativados. ] 

O barulho vindo do capacete continuou podendo só ouvir isso e mais nada. 

“Mas que porra está acontecendo! Ray! Não consigo enxergar! Eu não consigo ver!” Moby exclamou em angústia, mentindo entre os dentes, já que sua visão estava completamente clara. 

Ele só queria fazer com que seus oponentes o atacassem, pensando que Moby não iria conseguir ver nada antes de pega-los com a guarda baixa quando eles menos esperarem.

Nem um segundo depois, ele ouviu barulhos de passos, fazendo Moby olhar e ver um exercito de estudantes vindo em sua direção, com conjuntos completos de armadura, óculos no rosto e com sorrisos sinistros em seus rostos. 

Moby teve que se segurar para não entrar em posição de ataque, enquanto mantinha sua atuação de confusão e ignorância para atrair seus inimigos. 

Quando os inimigos avançaram em velocidade máxima, todos foram parados por algum tipo de barreira invisível enquanto começavam a cair um por um no chão. Gritos de agonia inundaram o local, fazendo o queixo de Moby cair e quebrando sua expressão neutra ao ver a cena à sua frente. 

Os corpos que caíram tinham cortes severos e profundos, alguns até perderam os braços e pernas no processo, pintando o grama a baixo deles em vermelho sangue. Até os estudantes que se juntaram por último pelo céu, tiveram que aceitar seus destinos, pois não conseguiam mudar ou esquivar por estarem no ar. 

Eles pareciam um grupo de moscas descuidadas pulando em uma armadilha. 

Em questão de segundos, quase todos os assaltantes estavam no chão, sejam inconscientes ou implorando por ajuda ou cura. O rumo da batalha mudou tão rápido que Moby não fazia ideia do que estava acontecendo, enquanto sua mente girava em confusão. 

E só de olhar para a expressão de Ray ao seu lado, já dizia tudo, pegando Moby desprevenido… o sorriso, antes inocente, havia se tornado em algo feio e demoníaco. Era como se ele estivesse estourado, soltando todas suas emoções de raiva e ódio enquanto assistia os estudantes caírem na armadilha bem na frente de seus olhos com um sorriso, que poderia ser descrito como um que perdeu a cabeça. 

Da sua luva, saía várias pequenas linhas de vibrações, quase invisível, que se expandiam, Moby nem havia percebido o momento que ele as ativou. Seguindo a direção da linha, percebeu que os inimigos não haviam trombado com uma barreira, mas, sim, nas linhas de vibrações de Ray que estavam enroladas em cada árvore ao redor. Sangue pingava das linhas, enquanto Moby finalmente entendia o que havia acontecido, sua única dúvida era: como? 

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