
Volume 2 - Capítulo 167
O Grande Sistema Demoníaco
Assim que a comida estava pronta, Ray pegou do micro-ondas e se sentou na cama, ligando a TV enquanto mordia um nuggets.
“Vocês querem?” Ray perguntou, estendendo o prato com os nuggets de micro-ondas.
As próximas duas horas que seguiram, foram as horas mais desconfortáveis que Moby e Alex já passaram sentados e assistindo TV, com uma conversa cá e lá de vez em quando, enquanto esperavam Ray fazer algum movimento. Parecia como se ele estivesse gastando tempo de um modo que parecesse normal.
Os três estavam atuando, tendo que enganar a pessoa que estava os espionando, então fizeram o que tinham que fazer para parecer o mais natural possível, mesmo sabendo em que seus corações era tudo falso.
Moby tinha certeza de que Ray sabia que ele e Alex entenderam a mensagem, mas Moby não tinha nenhuma forma de confirmar além de ir pegando as dicas no meio das conversas.
Em momentos assim, ele realmente desejava ter transformado Ray em um demônio, assim poderia se comunicar com ele mentalmente e que teria resolvido o problema atual que tinham. Mas, infelizmente, mesmo se quisesse transformá-lo em segredo, Moby não tinha nenhuma vaga aberta no momento, então não seria capaz de fazer isso.
No segundo seguinte, Ray desligou a TV antes de olhar para ele, casualmente.
“Ei, Moby, queria conversar com você a sós, podemos? Percebi um problema no meu Talento, parece que não consigo aprimorá-la mais, você consegue me ajudar?” Ray perguntou, nervoso.
“Hm? Por que eu? Eu acabei de ganhar meu Talento e não tenho nenhuma experiencia em usá-lo, não seria melhor o Alex te ajudar?” Moby respondeu, confuso.
“Bem, você é o aluno com a porcentagem mais alta de desenvolvimento que já vi, indo do Rank F para A em apenas poucas semanas. Você com certeza deve ter algum tipo de segredo, não é? Queria saber se poderia compartilhar comigo?” Ray disse, fazendo uma reverência.
“Bom, eu acho que só é a natureza do meu Talento o motivo do aprimoramento logo de início, não porque de algo especial que fiz. Mas, consigo te dar algumas dicas se quiser, já que somos amigos.” Moby disse com um sorriso.
Moby sabia que o que Ray havia dito era uma armadilha, mas teria que ir na onda, para o bem do amigo.
“Sério!? Que bom! Você é o melhor!” Ray disse animado.
Se Moby não tivesse se aproximado de Ray durante esse tempo, teria pensado nele como um traidor e simplesmente o abandonaria. Mas por conhecer ele por todo esse tempo, Moby sabia que seu amigo estava sendo forçado a fazer isso, sem opção além de obedecer.
E sabia que Ray era o tipo de pessoa que tinha um plano em situações assim, da mesma forma que teve com o código Morse. Portanto, Moby decidiu confiar no amigo por agora, até que precise de interferência.
“Podemos fazer isso na floresta em vez do espaço aberto do dormitório? Lá tem mais coisas para usarmos como alvos e o ambiente é mais calmo. Eu sei que tem iluminação no jardim, mas também queria aproveitar a oportunidade para testar os novos óculos de visão noturna que inventei. Dois coelhos numa cajadada só! Que tal?” Ray perguntou.
Agora Moby entendeu tudo, vai acontecer algum tipo de emboscada na floresta. Se ele não soubesse da verdade e se Ray não tivesse mostrado os sinais e dicas, Moby teria pensado que nisso como um simples pedido de um amigo. Mas, agora, Moby estava em alerta total.
E mesmo que esteja com 100% de certeza, ainda precisava confirmar com seus próprios olhos as forças e números dos inimigos.
‘Abby! Consegue me ouvir?” Moby perguntou, abrindo sua conexão mental.
‘Sim, meu lorde! Consigo lhe ouvir alto e claro!’ Abby respondeu, parando de mexer sua foice e limpando o suor da testa.
‘Tenho atualizações da situação, meu amigo está seguro, mas parece que está sendo manipulado para me levar em uma emboscada na floresta. Preciso que você mande uma ou duas linhas para vigiar a área ao redor da floresta e me reportar o que achar o mais rápido possível.’ Moby disse, sério.
‘O QUÊ?! Levando meu lorde para uma armadilha?! Inadmissível! Isso é uma afronta! Não! Mais que isso! Se você me permitir expressar minha opinião, acho que ele deveria ser abandonado ou executado por tais ações! No lugar dele, teria me sacrificado de bom grado para não o prejudicar, pois minha vida pertence ao senhor, meu lorde.’ Abby respondeu, com um tom rígido na voz.
‘Acalme-se, Abby. Deve ter algum tipo de explicação, por isso decidi seguir a onda dessa armadilha e enfrentá-los cara-a-cara. Ray é uma pessoa muito importante para mim e sei que as habilidades e talento dele me serviram muito bem no futuro, então, por favor, leve isso em consideração também. Por enquanto, apenas verifique a floresta e me reporte sobre o que achou para poder organizar meus pensamentos.’ Moby respondeu, fazendo o seu melhor para acalmá-la e se surpreendendo com o quão fanática ela cresceu, decidindo deixar isso de lado e focar na situação em que estavam.
‘Entendido, assim será feito. E só estava expressando minha opinião e sugestão como o senho havia me pedido, meu lorde. Obviamente vou confiar no julgamento do senhor, que é mais sábio que eu.’ Abby disse, fazendo uma reverência do outro lado da comunicação antes de mandar seus fios para espionar.
Moby a agradeceu por compartilhar a opinião dela e por ter ouvido o seu pedido, antes de fechar a conexão.
Ele disse para Alex tudo que havia conversado com Abby. No momento, Moby teria que ganhar tempo e conseguir mais informações de Ray, enquanto tentavam enganar o espião em pensar que ainda não descobriram sobre o plano. Vendo que nada havia acontecido ainda, viu que estavam um ótimo trabalho e apenas tinham que continuar com a atuação.
A pessoa espionando em Ray estava ao lado do computador, a mão sobre o botão de sequestro com uma expressão de tédio, embora com atenção nos olhos, vendo que nada estava fora do normal. Moby e Alex não falavam seus verdadeiros sentimentos ou cochichavam entre si, e não estavam pressionando ou discordando com Ray em nada para fazê-lo pressionar o botão.
Sem mencionar, que o sensor colado em Ray não era completamente perfeito. Era possível pegar todos os movimentos do corpo, mas expressões complexas não eram replicadas perfeitamente. O que significa, que o sorriso tremulo de Ray não passava mais do que um sorriso normal na sua visão e ele não havia achado nenhuma evidência de Moby e Alex reagir negativamente ou suspeitamente, então não pensou muito afundo. Se os dois suspeitavam, teriam falado ou comentado algo sobre como pessoas normais fariam; no entanto, o problema era que eles não eram pessoas normais.
Ele estava completamente enganado em pensar que tudo estava do jeito que devia ser. Na visão dele, parecia que tudo estava indo de acordo com o plano, já que não sabia sobre a existência da conexão mental entre Moby e Alex.
Durante o tempo que Moby estava esperando a resposta de Abby, o grupo de amigos ficaram tendo uma conversa casual.
De acordo com o plano, antes da conversa progredir muito, Alex voluntariamente saiu da sala, dizendo que iria dar uma caminhada e treinar um pouco no jardim. Isso era só para o caso de ter alguma câmera no quarto, assim não apareceria que ele saiu logo depois de Moby e Ray, levantando suspeita dele estar seguindo-os, o que causaria mais problema. E, já que ele saiu antes de Ray dizer para Moby o lugar exato do lugar que iriam, daria a ilusão de Alex não fazer a mínima ideia de onde seria e não seria capaz de segui-los, mesmo se quisesse.
Depois de passar mais alguns minutos, Ray e Moby decidiram sair do dormitório, indo direto para a floresta atrás do prédio.
Era por volta das seis da tarde, longe de dar o toque de recolher, porém, o céu já estava escuro, com o sol quase completamente escondido por ser inverno, o que fazia o maior sentindo para fazer uma emboscada.
Saindo do quarto, Ray pegou dois óculos de visão noturna com lentes verdes da mochila. Obviamente, por ser um demônio, Moby não precisava dos óculos, por já ter a habilidade natural de ver no escuro, mas aceitou do mesmo jeito.
Quando colocou os óculos, eles se prenderam direitinho em seu rosto. E não estava vendo tudo verde, como pensou que seria o caso. Invés disso, parecia exatamente como uma visão normal, mas apenas um pouco borrada pelo fato de estar vendo através de lentes.
Ambos desceram as escadas do prédio e foram em direção à floresta escura que, agora, não estava mais escuro. Caminharam lentamente por uma trilha lamacenta e irregular, enquanto o vento firo do inverno os atingia no rosto. Ray estremeceu lentamente, enquanto Moby parecia completamente de boa, provavelmente graças à sua nova habilidade passiva de resistência ao frio.
“Onde exatamente estamos indo? Tem algum lugar em mente?”
“Não se preocupe, sei uma área ótima que podemos treinar. Por falar nisso, os óculos estão funcionando?”
“Sim, estão funcionando perfeitamente, estou vendo como se estivesse claro, adorei a experiência.”
“Entendi… Fico feliz em ouvir isso… Eu estava querendo te falar isso já faz um tempo, mas nunca tive a oportunidade. Por favor, confie em mim, sei exatamente o que estou fazendo… Os monstros na floresta não serão um grande problema.” Ray disse com um sorriso verdadeiro e que Moby sabia que não era falso, o primeiro sorriso genuíno desde o começo disso tudo.
“Relaxa, é claro que confio em você… Não estaria aqui se não confiasse.” Moby respondeu, com um sorriso genuíno, pois provavelmente entendeu a mensagem subliminar que Ray estava querendo transmitir, sem contar que Moby realmente sente o que falou.
Então, de repente, ele ouviu uma voz feminina suave e familiar, algo que estava esperando pacientemente.
‘Meu lorde! Abby reportando! Pelo que vi, a situação é bem ruim… Avistei pelo menos umas 50 pessoas numa clareira na floresta um pouco mais à sua frente. No entanto, isso só é uma estimativa… As árvores bloquearam a maioria da minha linha de visão e não quis tentar me aproximar no caso de ser descoberta, então posso garantir que deva ter mais estudantes esperando pela emboscada. Eles estão bem sérios sobre capturar o senhor, meu lorde… Quais são suas ordens?’
‘Mais de 50?!… Se eles tiverem Rank B ou A misturado, então isso com certeza será mais problemático do que pensei que seria…’ Moby considerou, com pensamentos de recuar em sua mente, pois agora não estava mais tão confiante sobre seu sucesso.
Era ou a vida de Ray, ou a dele, e Moby preferiria mil vezes salvar a própria vida… Ele realmente queria abandoná-lo, porém, uma parte de sua mente doía toda hora que pensava em fugir, mesmo sabendo que era a coisa mais lógica a se fazer.
As palavras de Ray ecoaram novamente em sua cabeça e as palavras que disse que confiava no companheiro. Ele estava realmente prestes a se tornar em um mentiroso e ir atrás de sua palavra tão rápido?
Moby balançou a cabeça para afastar os pensamentos. Ele reforçou sua determinação, sabendo que não era o tipo de pessoa que iria atrás das próprias palavras tão fácil assim, enquanto tentava pensar sobre o lado positivo de enfrentá-los.
Já era certo que uma hora ele iria lutar contra a gangue Zexis, e preferiria fazer isso no meio da floresta de noite, sem nenhum espectador e onde teria total vantagem do que qualquer outro lugar. Além de que, Moby os pegaria de surpresa, já que a gangue pensa que ele não fazia ideia sobre a emboscada. Quanto mais pensava sobre isso, mais fazia sentindo e começou a acreditar que esse seria o momento perfeito para atacar. Sem mencionar, que Moby queria salvar Ray, visto que o amigo talvez tenha alguma carta na manga ainda. Então era agora ou nunca.
‘Muito bem! Me decidi! Vamos todos na ofensiva e derrotá-los em ataque total! Talvez seja difícil, mas esse é o melhor momento para atacar, quando eles não estão esperando por nada e temos a vantagem! Se fugirmos agora, vamos ter que lutar com ele do mesmo jeito nos próximos dias, quando a situação de Ray estiver ruim e estiverem preparados para nós e terem a vantagem. O que quero evitar. Então é agora ou nunca!’ Moby anunciou para Abby.
‘Entendido, meu lorde!’ Abby respondeu com uma reverência, claramente animada pelo tom de voz.
‘Isso é guerra! Eles decidiram mexer com os demônios errados! Vamos mostrá-los o erro que cometeram! Vamos mostrá-los o que um clã de demônio é realmente capaz de fazer!’ Moby disse, com um tom sério na voz.
‘Sim, meu lorde! Seu desejo é uma ordem! Todos os seus inimigos irão perecer!’ Abby respondeu, com a animação crescendo a cada segundo, sabendo que vai poder lutar ao lado de seu lorde pela primeira vez e provar-se novamente para compensar seus fracassos anteriores.
‘Vou informar Alex e Jayden sobre tudo. No caso de Jayden, ela vai demorar um pouco para chegar, então vou fazer meu melhor para ganhar algum tempo pra ela. Enquanto isso, fique de prontidão em um local de onde possa correr rapidamente para o campo de batalha e aguarde por novas ordens. Me avise caso achar algo de suspeito durante isso.’ Moby ordenou, com uma voz gentil, mas rígida.
‘Seu desejo é minhas ordens, meu lorde! Desejo-lhe a maior sorte em seus esforços! A gangue Zexis irá pagar por tudo isso!’ Abby disse com um ódio e animosidade clara na voz.
‘Sem dúvida.’ Moby respondeu, sorrindo de lado internamente e fechando a conexão mental com Abby.
Moby olhou para Ray, que estava com uma expressão séria no rosto enquanto andavam lentamente pela floresta, percebendo como o amigo estava; Moby abriu sua conexão mental com Jayden para poder explicar sobre tudo que aconteceu e pedir ajuda.