
Volume 2 - Capítulo 166
O Grande Sistema Demoníaco
Ouvindo as palavras de Ray com atenção, Moby percebeu uma contradição enorme, e contando com o sorriso forçado, ele começou a duvidar das palavras do amigo. Ele não estava agindo de forma natural, não do jeito que Moby lembrava como era Ray.
Logo depois de dizer que ficou o dia inteiro jogando, Ray disse que ficou inspirado e começou a se esforçar ainda mais. Essas duas falas não se complementam.
Moby sentiu como se Ray estive trancado, gritando internamente por ajuda e, por algum motivo, tentando mostrar dicas sem deixar muito óbvio. Ele estava quase convencido de que algo estava acontecendo, mas não tinha nenhuma evidência clara para confirmar, sem contar que seria um ato muito irresponsável vindo dele.
Com Ray subindo nos rank de uma hora pra outra, seria muito estranho se nenhuma gangue ficasse interessado nele. Normalmente, gangues só convidam alunos talentosos enquanto os fracos imploravam para se juntar em busca de proteção.
Por telepatia, Moby compartilhou todas as suas informações com Alex e ambos concluíram que dependeria de como o amigo deles se saiu na prova e o que ele fez. No momento, por causa da situação delicada, Moby decidiu não focar muito nisso e continuou fazendo suas perguntas para ver onde levaria.
“Nossa! Que legal ouvir isso! Que tipo de prova foi?” Alex perguntou com um sorriso.
“Nós tínhamos que criar algo em um certo limite de tempo.” Ray disse, levantando a cabeça lentamente, revelando algumas gotas de suor escorrendo da sua testa com o mesmo sorriso natural de antes.
“E o que você inventou para conseguir ficar tão alto no rank?” Moby perguntou.
“É segredo, as regras da escola não permitem que eu revele isso.” Ray respondeu, dizendo a verdade e ao mesmo tempo mentindo entre os dentes.
“Ah, qual é, cara! Nós somos amigos, você pode dizer tudo pra gente! Nós não vamos contar pra ninguém!” Alex falou, sorrindo.
“Não posso arriscar, vai saber se a escola está espionando a gente pelo relógio… Eu só não posso… Sinto muito, garotos…” Ray disse, com um pesar na voz, seu sorriso ficando um pouco mais relaxado.
“Ah… Ok… A gente entende, desculpa por insistir nisso.” Moby disse, soltando uma risada e passando a mão na nuca.
“Estava pensando, alguma gangue veio falar com você durante o almoço? Acho difícil que nenhuma delas não iriam pegar a chance de recrutar alguém útil como você.” Moby perguntou, claramente preocupado.
“Oh, não se preocupe, nenhuma gangue veio falar comigo ainda, eles não parecem que estão interessados em mim. Como disse pra você, minha falta de presença passa geralmente despercebida, e a maioria dos valentões nem repara em mim.” Ray disse, com um sorriso natural, mas ao mesmo tempo sem jeito, rindo e se levantando da cama para ir até a geladeira.
Com duas perguntas respondidas, Moby estava quase certeza de que algo estava acontecendo. Era como se Ray estivesse com uma arma apontada na cabeça, monitorando cada passo que fazia, vendo que tudo parecia forçado e rígido de uma certa forma. Porém, Moby não tinha nenhuma prova solida para confirmar, e sem contar que pode ser só Ray nervoso de vê-los depois de muito tempo. Então Moby decidiu que iria continuar agindo como se não tivesse percebido nada até mais alguma informação aparecer, quem sabe o que poderia acontecer caso mostrasse suas suspeitas agora.
Ray lentamente se aproximou da geladeira. Ele abriu a porta e olhou por um tempo, pegando um prato com o que parecia ser nuggets antes de colocá-los no micro-ondas, que tinha logo ao lado.
“Então… como foi a prova de vocês? Ouvi que acabou em um desastre e que estavam pensando em atacar ou até colocar o general Ryker na cadeia.” Ray disse, apertando nos botões do micro-ondas para esquentar sua comida.
*Beep* *Beep* *Beep*
“É… Muitos alunos morreram em vão, ouvi que a escola ainda está procurando por um substituído adequado, e até acharem, ele vai ficar por aqui.” Alex respondeu.
*BEEEEEP*
“Também ouvi que vocês dois conseguiram notas altas na prova e que Moby conseguiu um novo Talento extremamente forte e com um tempo de crescimento muito rápido! Deve ser muito bom, parabéns!” Ray disse, escondendo seu rosto que ainda olhava na direção do micro-ondas enquanto continuava a apertar os botões.
“Sim, foi pura sorte… Mas isso me trouxe mais problema do que nada. Várias gangues estão me chamando para me juntar a elas só por causa disso. Não quero fazer parte de nenhuma por motivos óbvios, mas sinto que elas vão planejar alguma coisa para me obrigar a se juntar… E não faço a mínima ideia do porquê elas me querem tanto.” Moby explicou.
*BEEEEEP*
“Que merda em… Espero que tudo acabe bem pra você…” Ray respondeu, tentando segurar suas lagrimas, torcendo que sua mensagem e dica cheguem até seus amigos e que não seja percebido pela pessoa espionando-o.
*Beep* *Beep* *Beep*
‘O que é todo esse beep em? Não precisa apertar tantos botões para fazer o micro-ondas funcionar, ele tá mudando de ideia ou algo assim?’ Moby pensou internamente antes de deixar de lado, achando que está pensando de mais sobre as coisas.
No entanto, quando viu o rosto de Alex, percebeu que estava errado e que seu amigo descobriu algo, visto que os olhos de Alex tremiam sem parar.
‘SOS’ Alex murmurou para Moby usando suas conexões mentais.
‘Huh?’ Moby perguntou, confuso, sem conseguir entender o porquê Alex falou essa palavra aleatoriamente.
‘SOS!’ Alex falou mais uma vez, mas muito mais entusiasmado, confundindo Moby ainda mais do que antes.
‘SOS! Esses barulhos são SOS! Isso é Código Morse! 3 curtos beep, 3 longos beep e 3 curtos beep! É um chamado para ajuda! Ray, você realmente é um gênio! Usando o micro-ondas para sinalizar SOS!’ Alex disse, rindo mentalmente sem agora que entendeu tudo.
Ouvindo a explicação de Alex, Moby teve dificuldades em manter sua expressão neutra, sentindo que seus olhos quase pularam do seu rosto quando também entendeu tudo. Há um tempo, eles haviam aprendido sobre código Morse e o significado de SOS. Embora Moby nunca pensou que isso poderia ser usado de uma maneira dessas, e que Ray foi esperto o suficiente para pensar nisso e usar na sua situação atual.
‘Alex! Você também é um gênio! Como caralhos você conseguiu perceber isso?’ Moby perguntou, ainda em estado de choque.
‘Bem, eu sabia que esses beep eram muito para apenas estar ligando o micro-ondas, então quando pensei mais a fundo e escutei com mais atenção, a resposta veio na hora! Isso agora confirma tudo! Alguma coisa aconteceu com Ray!’ Alex disse, fazendo Moby concordar mentalmente.
Com o descobrimento, muitas perguntas e pensamentos começaram a surgir na cabeça de Moby…
Primeiramente, ele pensou em transformar Ray em um demônio para poder forçá-lo falar a verdade, ou usar sua conexão mental para olhar na cabeça do amigo antes de apagar a memória de tudo que fez. Porém, quanto mais pensava sobre a ideia, mas realizava que era muito arriscado e uma coisa idiota a se fazer.
Ray claramente queria que eles recebessem a mensagem de que ele estava encrencado, mas por que fazer de um jeito tão escondido? Ele poderia muito bem ter só escrito em um papel ou usar algum tipo de línguas de sinais. A única possível resposta era que Ray estava sendo espiado por alguém de fora. Moby não tinha certeza de como, mas possivelmente poderia ter alguma câmera no quarto ou existe alguém que consiga ver através de paredes e que esteja agora do lado de fora do quarto, ou tem algum tipo de câmera ou sensor em Ray. Qualquer uma dessas possibilidades o impediria de transformar Ray em um demônio ou alterar a mente dele, pois revelaria ele mesmo como não humana.
Moby também pensou que já que Ray estava ali com eles, mesmo estando sendo espionado, ele poderia muito bem apenas dizer o que aconteceu e pedir por ajuda. Mas ele claramente não vai fazer isso… Isso quer dizer que as circunstâncias não o permitiam. Uma gangue o mantendo refém é a única explicação que vinha na mente.
Moby compartilhou seus pensamentos com Alex, que disse que estava pensando na mesma coisa. Ambos concordaram que era coisa de alguma gangue e que Ray estava sendo forçado a fazer isso para forçar Moby a se juntar. O único caminho logico e menos arriscado para manter Ray segura, era ir na onda no desejo da gangue e tentar achar alguma forma de contra-atacar ou passar a perna neles.
Ray foi um dos primeiros verdadeiros amigos de Moby e ele preferiria morrer do que deixá-lo morrer ou ser torturado por causa dele.
Alex se sentia da mesma forma, mas, obviamente, por motivos diferentes.
Os dois decidiram agira naturalmente por agora e ver como as coisas iriam progredir, tentando seu máximo para segurarem suas expressões e esconder suas desconfianças e preocupações, enquanto olhavam para Ray que, casualmente, comia seus nuggets.