O Grande Sistema Demoníaco

Volume 2 - Capítulo 165

O Grande Sistema Demoníaco

5 da tarde, depois da escola… 

Mesmo com o esforço combinado de todos os membros do grupo de Moby, eles não foram capazes de localizar Ray. Eles vasculharam cada canto dessa merda de escola durante o tempo do almoço, e mais um pouco depois. Abby até usou múltiplos fios e Jayden usou seus poderes de clones para procurar, mesmo assim não tiveram resultados. Ray não estava em lugar nenhum. 

O único lugar que não foi possível Moby procurar foi o andar de cima, onde fica todos os segundanistas. Tirando isso, todo o resto foi vasculhado. 

Eles não queriam sair perguntando para os outros estudantes e professores, para não terem o perigo de alertar as pessoas que possivelmente estariam com ele, e assim revelando que alguém está procurando por ele. O que só levaria eles o esconderem ainda melhor. 

O único lugar que Moby pensou que Ray poderia estar é em alguma área escondida na floresta, em uma sala que não havia olhado ou em algum outro quarto. 

Durante sua procura, Moby foi perguntado por outras gangues se queriam juntar-se a elas, o que, com certeza, rejeitou e forçou sua saída se continuavam insistindo ou tentavam forçá-lo. Contudo, ele só foi aproximado por gangues pequenas e insignificantes. Achava que seria perguntado por pelo menos dez gangues ou grupos, o que acabou diferente do que esperava. 

A única explicação possível que Moby conseguiu pensar era que a notícia dele rejeitar a gangue Zexis havia se espalhado pela escola toda, e que qualquer outra gangue que conseguisse Moby, só iria virar inimiga com a Zexis. Se esse for o caso, então a Zexis era mais forte e possuía mais influência do que pensava. Ele precisa manter sua guarda alta ao redor deles, e era por isso que precisava de Travis no jogo. 

Obviamente, Travis havia aceitado a oferta de pagar ele para ser espião. Moby sabia que no final, o garoto iria escolher a opção que lhe traria mais dinheiro. Era da natureza dele, ele faria qualquer coisa pela mãe, algo que Moby poderia usar para manipulá-lo. 

Além de aceitar a proposta, Moby fez várias perguntas sobre a gangue, mas ele não sabia responder à maioria das perguntas, pois ocupava uma posição muito baixa dentro dela. Perguntas como: quem era o líder, quantos membros estão na gangue, quão influenciadores são, qual é o proposito deles. Para todas elas, Moby recebeu uma resposta vaga ou nenhuma. 

Isso confirmou para Moby que na situação atual de Travis, ele não seria de ajuda nenhuma e mesmo se Zexis estivesse com Ray, Travis não teria acesso sobre essa informação. 

E sobre a informação sobre o líder, Travis disse que ninguém abaixo dos Tops 3 sabe a identidade dele. Esse fato intrigou muito Moby. Se o líder era tão grande coisa assim, então por que querem fazê-lo como terceiro lugar no comando logo do começo? Por que querem que Moby encontre o líder antes mesmo de provar sua lealdade e subir nos ranks? Por que ele? Qual é o objetivo deles? 

‘Acho que devia ter aceitado o convide deles só para poder espionar e depois dar o fora… Sem chances! Isso teria sido muito arriscado!’ Moby pensou, questionando suas ações antes de decidir seguir seus instintos. 

No final, Moby se separou de Travis para continuar sua busca, mas não antes de pagá-lo pelos serviços e dar a ele algumas informações falsas que poderia dizer ter tirado de Moby, assim Travis ganharia a confiança dos membros e poderia ter acesso a mais informações no futuro. 

Depois de muito tempo de procura, os portões da escola se fecharam e eles foram obrigados a irem embora do prédio, significando que Ray nem estava mais lá. 

Ray não respondia às ligações e a única maneira que funcionaria 100% seria voltar para o dormitório, onde Ray seria obrigado a voltar antes do horário de recolher ou se não estaria encrencado. Se isso não funcionasse, eles só teriam que ficar plantados fora da sala de aula de Ray até ele sair. 

Até receberem mais informações, Moby ordenou a todos os seus servos para pararem com a busca e voltarem para casa, já que não estavam tendo nenhum resultado. 

Jayden voltou para sua casa na limousine, escoltada por alguns empregados. Quando Moby foi se despedir, percebeu que o mordomo que sempre era o primeiro a cumprimentar Jayden, não estava presente, o que de primeira achou bem estranho, porém deixou seu pensamento de lado, acreditando que não deveria ser nada de mais e que o mordomo deveria estar dentro do carro ou teve alguma coisa importante para cuidar na mansão. 

E Abby, insistia que poderia continuar procurando, mas acabou seguindo as ordens de Moby e foi embora para casa. 

No caminho para o dormitório, Moby e Alex não trocaram uma palavra. Suas expressões de preocupações e insuficiência já diziam tudo que sentiam. 

Quando finalmente chegaram na frente do dormitório, Moby soltou um suspiro alto, escaneando seu cartão antes de pegar na maçaneta e abrir a porta. 

Com a porta aberta, os dois viram que as luzes estavam acesas, algo que definitivamente não esperava, já que fizeram certeza de apagarem as luzes antes de saírem. 

Entrando no dormitório, foram surpreendidos com uma visão, que fizeram ambos arregalarem os olhos em surpresa. 

“Ray?! O que está fazendo aqui?!” Os dois perguntara, sem conseguirem acreditar em seus olhos. 

Lá estava Ray, sentado na cama do beliche de baixo, com seu videogame e fones da cabeça. Ele estava seguro e bem, nem um arranhão ou sujeira em seu rosto e no uniforme normalmente sujo. 

Mesmo com os gritos, Ray nem sequer se assustou ou olhou na direção deles. 

Isso lembrou Moby da cena de quando entrou no dormitório pela primeira vez, todo ensanguentado, mas Ray nem notou sua presença, já que estava muito concentrado no seu jogo. 

Moby e Alex se entreolharam instintivamente, um olhar de alívios em ambos os rostos. Agora sabiam que Ray estava completamente seguro. No entanto, eles ainda precisavam fazer muitas perguntas para realmente se sentirem aliviados. 

Os dois andaram até Ray, tocando no ombro dele para chamar a atenção, percebendo que seus gritos não haviam funcionados. 

“Oh! Vocês chegaram! Desculpa, não vi vocês entrando!” Ray disse, com um tom alegre, uma expressão natural de felicidade que pegou Moby e Alex desprevenidos. 

Tirando aquela vez no parque de diversões, essa foi a primeira vez que viram uma expressão dessa no rosto de Ray. Todas as outras vezes que havia tentado sorrir, a cara dele apenas se contorceu em uma expressão estranha ou sem jeito, porém, agora, parecia muito natural, o que fez ambos ficarem contentes, mas ao mesmo tempo disturbados de como ele havia mudado nessas duas semanas que não viram ele. 

Entretanto, com a visão de soldado de Alex, que superava até mesmo a de Moby, ele conseguiu perceber que o sorriso de Ray tremia levemente e não parecia totalmente natural, o que o levou a acreditar que ou ele estava tentando praticar como sorrir praticamente, ou estava sendo forçado por alguém. 

Alex compartilhou essa informação com Moby pelos seus links e Moby achou que essa observação bem intrigante. Então ambos decidiram fazer suas perguntas para confirmarem o que estava acontecendo e acabar de vez com isso. 

“Ei! Ray! Quanto tempo e que bom ver você! Espero que esteve bem durante essas duas semanas que ficamos separados. Tentamos entrar em contato o dia todo, mas você não respondia… Por quê? Mesmo se ficou jogando jogo durante o almoço e depois da escola, você ainda poderia ter visto as notificações na aula. Ficamos muito preocupados, sabia? Sem brincadeiras, procuramos pela escola inteira e não conseguimos te achar.” Alex disse, com uma expressão de preocupação no rosto. 

“Hmm?” Ray disse, confuso, tirando os fones e olhando para seu relógio, que mostrava 50 notificações não respondidas, fazendo seus olhos se arregalarem. 

“Meu deus! Eu sinto muito! Eu realmente não vi! Estive sentado aqui pelas últimas 10 horas, e honestamente perdi a noção do tempo enquanto estava jogando. E não consegui ouvir nenhumas das notificações por causa do fone…” Ray respondeu com um tom envergonhado. 

“Espera… 10 horas? Então quer dizer que esteve aqui o dia todo? Você não foi pra aula?” Moby perguntou, desacreditado. 

O dormitório deles foi o único lugar que não foram olhar durante a busca, já que seriam obrigados a voltarem para ele no final do dia. Agora Moby e Alex se sentiam muito estúpidos por pensarem assim. Se apenas não tivessem essa mentalidade e tivessem vindo checar no quarto mais cedo, eles teriam sido poupados de ficarem procurando durante horas. 

“Vocês não ficaram sabendo? Aqueles que conseguiram ficar nos Top 10% na Divisão de Pesquisa, ganharam um dia de folga da escola. Então apenas decidi ficar no quarto jogando até vocês voltarem…  Foi realmente tudo que fiz na semana de feriado… Não sabia que estavam tão preocupados comigo…” Ray disse, olhando para o chão para esconder sua expressão triste e desconfortável, mesmo dizendo algo que não era totalmente uma mentira. 

A escola realmente deu a ele e os outros 10% um dia livre, mas Ray usou essa desculpa para esconder o resto da verdade. 

“Espera… Então isso quer dizer que você ficou nos Top 10% de todos?!” Moby e Alex perguntaram em choque. 

“Sim… vocês me motivaram e me inspiraram para me esforçar ainda mais, para eu conseguir o que realmente deveria ser meu desde o começo.” Ray disse, ainda olhando para baixo, sua expressão de desconfortável se transformando em um sorriso suave, pois era a primeira verdade que havia falado hoje.

Comentários