
Volume 2 - Capítulo 169
O Grande Sistema Demoníaco
A pessoa que estava encarregada de espionar Ray e pressionar o botão para capturá-lo como refém a qualquer momento que ele agisse de forma suspeita, estava sentando na frente da tela de monitoramento, sua mão direita estava tremendo com o dedão sob o botão e seus olhos quase pularam do lugar com uma mistura de medo, choque e raiva enquanto assistia seus colegas de gangue serem massacrados bem na sua frente.
“T-Traidor! Como caralhos conseguiu fazer isso bem de baixo dos nossos narizes! Você vai pagar por isso!” O espião disse, saindo do choque com a voz cheia de emoções e apertando imediatamente o botão vermelho para parar a cena à sua frente.
*Click*
Assim que apertou o botão, olhou para a figura de Ray em seu monitor e esperou ansiosamente para o corpo do garoto ser teleportado. Mas, depois de alguns segundos, nada aconteceu, o que fez sentir um pressentimento estranho percorrer suas costas enquanto suas mãos começaram a suar muito.
‘Hah… Só deve ter sido algum erro…’ Pensou para si mesmo, tentando se acalmar e apertando o botão novamente.
*Click*
‘Nada… Merda! De novo!’
*Click*
*Click* *Click*
*Click* *Click* *Click* *Click* *Click* *Click*
*Click* *Click* *Click* *Click* *Click* *Click*
‘POR QUE ISSO NÃO ESTÁ FUNCIONANDO!?!?’ O garoto pensou, hiperventilando, chorando lágrimas de pânico, horror e desespero escorrendo pelo rosto, enquanto continuava apertando o botão sem parar.
Eles haviam testado o mecanismo do botão antes de colocá-lo em Ray e havia funcionado perfeitamente, então por que parou de funcionar logo na hora que precisavam mais? Isso e como Ray havia conseguido montar essa armadilha com ele assistindo cada movimento dele, nada fazia sentido, era como se estivesse presenciando um dos seus piores pesadelos.
Seu corpo, que estava inclinado na direção da mesa, agora se encostou na cadeira, seus olhos, sem vida alguma, derramavam ainda mais lágrimas. Seu aperto no botão inútil se afrouxou, deixando o cair no chão com um barulho alto que foi abafado pelo tumor em sua cabeça. “O q-que está acontecendo… Eu assisti cada movimento dele como uma águia… C-Como isso foi acontecer? E-Estou ferrado… A gangue vai me matar…” Ele murmurou para si mesmo, com sua mente se transformando em um caos.
O plano era simples, Ray iria atrair Moby sozinho para floresta e o daria os óculos de visão noturna como uma desculpa. Assim que chegassem na área escolhida, ele iria apertar um botão para desligar a visão noturna e, ao mesmo tempo, acionar um barulho alto para distrair Moby, o deixando sem 2 de seus sensos mais importantes: a visão e audição, fazendo dele um alvo fácil.
E, se Ray mostrasse sequer alguma indicação de traição ou se Moby tivesse descoberto sobre o que estava acontecendo, então o espião iria apertar o botão, capturando Ray como refém.
O plano parecia impecável, nada poderia dar errado. Ou pensavam que não poderia.
A gague não esperava por duas coisas. A primeira sendo que eles não faziam ideia da conexão mental de Moby. E, a segunda e mais importante, eles subestimaram a inteligência de Ray, já que ele nunca havia sido notado até o último exame.
Ray já havia antecipado o plano inteiro da gangue antes mesmo deles oferecem a proposta, e como seu papel, Ray havia se preparado para isso. Havia aturado todas essas semanas de dor, humilhação e sofrimento apenas para esse momento, para ajudar seus únicos amigos e fazer sua vingança.
Antes do recrutamento da gangue, Ray já havia feito algumas capsulas de inventários para uso próprio. Afinal de contas, ele tinha criado essa capsula de inventários especialmente para criar armadilhas com seu Talento e luvas em mente. O limite de dez gramas era tão baixo, porque sua intenção só era guardar suas linhas que não pesavam quase nada.
Depois da gangue liberá-lo e colocar o aparelho de espionagem na sua camisa, Ray simplesmente voltou para seu dormitório. No entanto, no seu caminho, ele tropeçou e caiu na lama, sujando muito sua calça.
Então perguntou para a pessoa o espionando se tinha permissão para trocar de calça, assim seus amigos iriam acreditar ainda mais na sua história de ter ficado o dia inteiro no quarto.
O espião obviamente concordou usando o microfone do aparelho. Não pensando nada de mais sobre isso, vendo que o pedido fazia sentindo.
Porém, sem o garoto fazer ideia, Ray estava usando a calça que guardava as capsulas com suas linhas de vibrações fortes.
Devido a um livro que tinha lido antes, Ray sabia sobre o aparelho de espionagem e suas funções exatas, mesmo sem a gangue tê-lo explicado nada. Ele sabia que o espião não fazia ideia que os itens e roupas que tinha não eram simulados pelo aparelho, o monitor apenas mostrava os sons, vídeos da perspectiva de Ray e o corpo de Ray. Portando, Ray usou isso como sua vantagem.
Após vestir um par de calças novas, Ray decidiu perguntar nervosamente para o espião sobre qual era o local exato na floresta que teria que levar Moby. Isso foi uma coisa que o espião achou um pouco estranho, já que Ray havia acabado de trocar de calça, mas, ao mesmo tempo, achou a pergunta importante e sensata a se fazer na posição dele e que só havia esquecido até esse momento. Sem contar, que era algo que teria que falar eventualmente.
O espião guiou Ray para o local exato aonde a emboscada vai acontecer e Ray decidiu examinar o local, com as mãos no bolso enquanto andava ao redor, circulando a beira da clareira para ver melhor tudo.
Na perspectiva do espião, tudo parecia normal e não percebeu nenhum sinal de Ray fazendo algo suspeito, então o deixou continuar enquanto o monitorava com atenção.
Porém, o que o espião não viu, foi Ray derrubando várias capsulas pequenas no chão a cada alguns metros. A armadilha dele era acioná-las todas de uma vez. Assim que ativadas, todas as linhas iriam automaticamente se conectarem com suas luvas, o permitindo controlá-las com seu Talento, as enrolando nas árvores para uma armadilha fácil.
Apesar disso, o pior erro da gangue foi depender de Ray para criar a desativação dos óculos noturnos, dado que eles não tinham ninguém bom o suficiente para mexer com tecnologia, o que era algo que Ray fez e mostrou para eles como funcionava.
Exceto que, sem eles saberem, o botão tinha outras funções a mais do que apenas deligar os óculos. Também servia para ativar todas as capsulas pessoais que havia deixado no dormitório, criando uma onda eletromagnética que desativaria a função de teletransporte temporariamente.
Ele programou isso para poder decidir quais das funções iria ativar, apenas pressionando o botão por um longo ou curto tempo. Curto tempo, iria ativar todas as funções, e, longo tempo, iria apenas ativar a desativação do capacete.
A demonstração que Ray mostrou foi quando pressionava por um longo tempo, o pensamento de que pressionando por um curto ou longo período faria dois tipos de coisas diferentes nunca passou pela cabeça deles, e nem tiveram a disposição de perguntar ou olhar mais a fundo.
Depois, Ray voltou para o quarto para relaxar e jogar até dar o tempo de Alex e Moby chegarem, o resto seria com eles, se pegariam a mensagem ou se iriam fazer todos seus esforços serem em vão, levando-o a virar refém.
O pensamento de ativar o botão para desativar o teletransporte antes de atrair Moby para a emboscada passou pela sua mente, mas, no final, decidiu que era melhor não. Se o espião perceber o movimento de apertar o botão antes da hora, Ray seria teletransportado e pegado como refém no mesmo instante. Assumindo que a pessoa o espionando era forte e perceptiva, o dando uma reação muito mais rápida, o que levaria Ray a falhar, então como não estava disposto a arriscar, decidiu seguir com seu plano original.
Felizmente, sua aposta valeu a penas e seus amigos não agiram de forma suspeita ou o forçou a dizer algo, tudo foi extremamente tranquilo, quase como se tivessem controle sobre toda a situação.
O que Ray não sabia era que sua aposta foi muito maior do que esperava, pois ele havia conseguido passar despercebido de Abby e Jayden que estavam vasculhando a área de fora da escola e a floresta. O território da escola era enorme e não foi possível buscar por todo lugar de uma vez só, especialmente Jayden que teve que olhar a floresta inteira. Se Ray não tivesse sido sortudo o suficiente, ele teria sido achado por uma das duas e teria sido levado direto para Moby, o que estragaria tudo.
Ray não estava ciente que isso poderia ter acontecido. Tudo deu certo por causa de uma mistura de sorte e planejamento cuidadoso, e estaria mentindo se falasse que não estava satisfeito com o infortúnio da gangue caindo na armadilha direitinho. [Naomi: aqui, queria usar alguma expressão de humilhação, mas nada veio na cabeça, então se você tiver, pode colocar!]
Ray pegou no aparelho de espionagem da sua camisa e o arrancou, jogando-o no chão enquanto encarava os membros da gangue caírem direto na sua teia com uma risada e sorriso maníaco no rosto. As linhas transformando-os em uma montanha de pedaços de carnes em cima um do outro, gritando e esperneando no chão.
Não tinha certeza se alguns deles estavam mortos ou inconscientes, mas não se importava. Eles mereciam por toda dor que o fizeram passar e por tentar machucar seus únicos amigos queridos. Se a escola perguntasse o porquê ele fez o que fez, Ray simplesmente iria responder que foi autodefesa e que estava com temor pela sua vida, o que não era algo falso.
A esse ponto, Ray estava pronto para fazer qualquer coisa…