
Volume 2 - Capítulo 153
O Grande Sistema Demoníaco
Moby limpou imediatamente a sujeira da sua calça azul-marinho, tentando seu melhor para esquecer o que havia acabado de acontecer, apenas com um sorriso polido nos lábios. Se levantando como se nada tivesse acontecido, Moby viu as expressões de preocupação no rosto de seus colegas e soltou uma risadinha enquanto passava a mão na nuca.
“Desculpe por preocupar vocês, galera. Não foi nada de mais… Foi só a exaustão fazendo efeito… Estou bem, vejam!” Moby disse com uma risada, passando a mão pelo corpo todo, fazendo seus colegas suspirarem antes de irem embora.
“Não deve ter sido nada, fiquei tão empolgado por nada…”
“Né… Eu realmente pensei que ele havia quebrado ou algo do tipo… mas fazer o que…”
“Talvez ele esteja doente ou algo assim. Vamos sair daqui, não quero pegar os germes dele e também quero voltar para casa antes que chova. Não quero vou pegar um resfriado, logo na véspera das férias, sem chances.”
Seus colegas comentaram, saindo da sala e ainda falando insultos para Moby.
“Ótimas férias, pessoal!” Moby acenou para eles com um sorriso, apenas para ser cuspido por vários alunos. Ainda assim, ele não deixou que isso apagasse sua expressão alegre. Calmamente, puxou um lenço do bolso e limpou o rosto, arrancando risadas de todos antes de sair da sala. O gesto encheu Moby de alegria, pois sabia que os tinha entretido uma última vez antes do intervalo.
“Ei, Eric… está tudo bem?” Moby disse com evidente preocupação na voz, ainda olhando para o rosto de Eric, que estava imóvel há alguns segundos enquanto ele continuava perdido em pensamentos sobre o que havia acontecido.
Em sua mente, o que havia acabado de acontecer não foi mera sorte; foi um sinal… Um sinal de que era possível quebrar o garoto inquebrável. Mesmo depois dos alunos mais fortes e cruéis terem dado o melhor de si para fazê-lo desmoronar como parte de uma aposta entre amigos, eles estiveram longe de fazê-lo sentir qualquer tipo emoção negativa. Isso fez Moby ficar muito conhecido por toda a escola. Desde então, ele se transformou no capacho e saco de pancadas da escola, usado por todos como uma ferramenta para seu próprio entretenimento… Como se ele não fosse humano, quase como um robô ou um objeto.
Se ele, dentre todas as pessoas, conseguisse finalmente quebrar Moby Kane e gravá-lo em câmera. Eric se tornaria famoso e conhecido por toda a escola, já que teria feito algo que ninguém mais conseguiu.
E, pelo sinal que acabou de receber, ele sentiu que havia esperança de que isso realmente acontecesse, fazendo-o ficar ansioso pelo que estava prestes a ocorrer…
A princípio, ele só queria convidar alguns de seus amigos próximos para mostrar o quão bom Moby era como saco de pancadas, descarregando nele toda a raiva imensa que sentiam devido a todo o bullying que também sofreram por serem alguns dos alunos mais fracos, espancando-o sem piedade, enquanto ele não fazia nada além de implorar por perdão, como uma boneca quebrada e tola.
“Claro, não se preocupe comigo. Estava apenas preocupado por você, só isso! Enfim, meus amigos provavelmente já estão nos esperando nos fundos da escola e odiaria fazê-los esperar! Vamos lá!” Eric disse com um sorriso nada inocente, saindo correndo da sala de aula.
“C-Claro! Vamos!” Moby respondeu, correndo atrás dele, sem hesitação nenhuma.
“Aí Deus… Aquela criança é mesmo idiota…” O professor Rolf, que ainda estava guardando seus pertences na mesa, murmurou com um suspiro ao ver o pequeno Moby correndo, provavelmente em direção a um grande infortúnio e problemas.
Moby correu atrás de Eric pelos corredores quase vazios, já que todos queriam voltar para casa o mais rápido possível para o intervalo, lutando para acompanhar devido à sua falta de habilidade e ao físico fortalecido de Eric. Quando, de repente, uma dor imensa devastou sua mente mais uma vez, fazendo com que o rosto borrado de uma linda garota de cabelos vermelhos aparecesse em seu subconsciente. Tentando afastar a imagem de sua cabeça enquanto ainda seguia Eric, Moby começou a suar e respirar mais rápido, se esforçando para esquecer que aquilo havia acontecido.
‘O que você está fazendo, meu Lorde! Isso não é você!’ Uma voz muito familiar ecoou por sua mente, fazendo-o segurar a cabeça e o peito enquanto sua visão começava a embaçar, ao mesmo tempo que ainda continuava lutando para seguir Eric. Moby torceu para que seu amigo não percebesse o que acabou de acontecer.
“PARA! Saia da minha cabeça! Eu sou eu, e eu vou fazer novos amigos! Quem quer que esteja fazendo isso, por favor pare!” Moby grunhiu internamente, um pouco de emoções negativas entrando nas brechas da sua alma trincada.
Por sorte, ele não passou pela mesma experiencia novamente durante sua corrida com Eric. Os dois desceram as escadas e saíram pela porta suja dos fundos, ao lado de onde a escola joga os lixos. O cheiro de queijo estragado e de fezes era tanto, que ambos tiveram que tampar seus narizes com o uniforme da escola.
Depois de correrem por mais um minuto, eles chegaram em uma área onde já não dava mais para sentir o cheiro. Moby viu dois meninos que nunca havia visto na escola antes e isso o fez ficar nervoso, tenso e animado, tudo ao mesmo tempo, enquanto se aproximava deles.
Assim que se aproximaram, ambos os grupos se cumprimentaram sorrindo e acenando, não demorou muito para Eric começar a apresentar Moby para seus dois amigos.
“Desculpa pelo atraso, houve um imprevisto no caminho.” Eric se desculpou para ambos os amigos.
“Não se preocupe, só faz uns 2 minutos que chegamos, de boa. Enfim, é esse o garoto que você não parava de falar sobre?” O mais magro dos dois meninos perguntou com um olhar de interesse.
“Sim! O próprio! Estou surpreso de que vocês nunca ouviram falar dele, ele é bem famoso na escola! Esse é Moby Kane. Ele não possui um Talento, mas é um dos meus amigos mais queridos! Ele foi de grande ajuda em pagar os custos do hospital da minha irmã. Moby é uma pessoa muito gentil!” Eric disse, batendo nas costas de Moby com mais força do que preciso, fazendo Moby quase cair e que deixou um sentimento estranho dentro dele.
“Hehe… você está exagerando demais… Não sou tão famoso assim.” Moby disse, envergonhado, coçando a nuca.
“Hahaha! Você ficaria surpreso com o quão famoso realmente é!” Eris exclamou com uma risada.
“Esse cara aqui é meu companheiro das antigas, Simon. O Talento dele é Punho de Ferro, que fortalece a mão dele, permitindo que seus socos e ataques aumentem drasticamente.” Eric disse, colocando a mão no ombro do menino gordo de cabelos morenos e olhos amarelos, com estatura alta de 1,60, o que era acima da média para uma criança de 12 anos.
“Prazer em conhecê-lo! Espero que nós possamos nos tornar amigos.” O menino disse, estendendo a mão para Moby, que sorria com os seus apenas 1,42 metros de altura e que parecia uma formiga perto do menino.
“P-Prazer em conhecê-lo também! S-Simon! Espero que nos demos bem…” Moby respondeu nervosamente, aceitando o aperto de mão com um sorriso suave até que…
*Crack*
“Oh! Opss! Sinto muito, eu sempre esqueço sobre a força das minhas mãos!” Simon disse com um riso.
“Ah… Não se preocupe…. Está tudo bem… Foi apenas um acidente…. Eu entendo…” Moby disse, segurando a mão doendo com um brilhante sorriso no rosto. Isso fez com que as três crianças ao redor dele caíssem na gargalhada, já que não importava quando, as palavras de Moby nunca deixavam de surpreender.
“Aí meu deus! Eric, cara! Você não estava brincando! Quando você me disse sobre ele, pensei que estava tirando uma com a minha cara, mas ele é mesmo assim! Ai eu vou morrer! Me desculpe por duvidar de você!” Simon disse, segurando a barriga de tanto rir, enquanto Moby apenas ria com eles, contente que os outros estavam se divertindo na presença dele e sentindo a amizade deles crescendo.
‘O que caralhos você está fazendo!? Se toca! Você é idiota!? Eles estão apenas tirando uma com a sua cara! Eu sei que você é mais que isso! Abra os olhos e dê uma surra nesses filhos da puta!’ uma voz suave, mas masculina ecoou em sua cabeça. Uma imagem de um garoto de cabelos azuis arroxeados apareceu com uma memória que ele não lembrava que tinha, porém, de alguma forma, lembrava ter experienciado… Memórias dele e outros 3 desconhecidos sorrindo e rindo, se divertindo enquanto comiam em uma mesa longa e luxuosa.
‘O que é essa dor… que memorias são essas… quem são essas pessoas… aquele sou eu? Aquilo é que uma amizade verdadeira se parece?’ Moby pensou, seu coração começou acelerar novamente e suor começou a escorrer pelo seu rosto. Acordando para a realidade, Moby olhou para Eric e seus futuros ‘amigos’, com uma expressão confusa e um sorriso hesitante.