O Grande Sistema Demoníaco

Volume 2 - Capítulo 152

O Grande Sistema Demoníaco

Moby lutou para abrir suas pálpebras cansadas, piscando algumas vezes sua visão embaçada. Apenas para olhar uma mesa de madeira muito familiar e suas mãos que estavam descansando sob ela, onde estava também estava descansando sua cabeça. Moby esfregou os olhos, tentando despertar e desembaçar sua visão antes de soltar um longo bocejo que ecoou pelo cômodo inteiro, o que fez vários sons de risadas entrarem em seus ouvidos. 

Ele não conseguia lembrar o que estava fazendo e onde estava, já que sua mente e corpo ainda estavam extremamente confusos… Tudo que conseguia lembrar era que estava em um sono reconfortante e profundo, que parecia sério, mas ao mesmo tempo quase celestial. 

“Parece que você finalmente está de volta conosco, senhor Kane. Você não apenas perdeu metade da aula dormindo, mas também bocejou tão alto que distraiu a sala inteira! Tire sua cabeça das nuvens e concentre-se! Crianças como você me deixam louco!” A voz de um homem velho entrou em seus ouvidos. Quando Moby levantou sua cabeça para olhar quem era o individuo, uma caneta foi lançada em cheio no meio das suas sobrancelhas. O impacto foi tão forte, que fez sua cabeça tombar para trás e deixou uma marca vermelha no local onde foi acertado antes da caneta cair no chão. A dor foi o suficiente para acordá-lo de vez. 

Quando olhou em volta com sua visão, agora clara, vendo todos os alunos sentados em sua frente e percebendo exatamente quem havia lançado a caneta, o que fez Moby sentir-se mal pelo que havia feito. 

Não era ninguém menos do que seu professor de classe, Rolf Hemmingwood. Um homem de estatura mediana, impondo-se sobre todas as crianças sentadas abaixo, com uma careta feia em seu rosto pálido, velho e enrugado. Seus olhos verdes eram como lâmina afiadas apontadas diretamente para o rosto de Moby. Seu cabelo parecia um pouco mais grisalho, mas ao mesmo tempo arrumado, preso em um coque baixo que o fazia parecer como uma pessoa de vovó. Para a roupa, ele usava uma camisa branca comum de botões com as mangas dobradas, revelando seus braços finos, como gravetos, junto com um relógio dourado de aparência cara em seu pulso. A parte de baixo do seu corpo, que estava sendo tampado pelo pódio de metal, onde estava seus itens, usava um par de calças denim preta suave que eram apertadas, mas não apertadas o suficiente para marcar nada, e sapatos pretos combinando. 

Com um movimento rápido das mãos, a caneta que havia acertado Moby e agora estava no chão, começou a flutuar e voltou rapidamente para as mãos do homem que usou sua habilidade de telecinese. 

De repente, Moby se levantou em um pulo, ficando com a postura reta e com as mãos ao lado do quadril, o que não havia surpreendido ninguém, já que todos da sala sabiam que aconteceria. 

“Eu sinto muito pelo desrespeito, senhor! Eu prometo que não quis ofendê-lo! Suas aulas são realmente boas e aprendo muito com elas! Sem contar passar tempo com meus amigos, assistir a aula do senhor é o que me motiva para vir todo dia para escola! É só que tive um treinamento longo na noite passada e estou bastante cansado… Eu devo ter caído no sono durante sua aula por acidente, por causa do meu cansaço… mais uma vez, não quis desrespeitá-lo, senhor! Eu imploro pelo sem perdão…” Moby disse em um tom sério e apologético, se curvando para seu professor. O que fez toda sala cochichar e rir mais uma vez. 

“Ok, ok, tanto faz, apenas que não se repita, menino!” O professor disse com um tom claramente irritado, se virando para escrever na lousa virtual com a caneta, continuando onde havia parado a aula. 

“S-Sim, senhor! Muito obrigado pelo seu perdão e gentis palavras! Eu prometo que não irá se repetir!” Moby disse, sua expressão completamente mudada, sentando-se em sua cadeira com um sorriso mais brilhante que o sol. Muitos dos alunos fizeram seu melhor para segurar suas risadas, que Moby simplesmente via como se eles tivessem se divertindo durante a classe, o que não era muito longe da verdade. 

“Esse garoto está me irritando cada vez mais, já não basta que meu trabalho é difícil o suficiente sem ele…” Rolf resmungou baixinho enquanto continuava escrevendo sua aula de matemática no quadro. 

Moby, sendo o único da sala que não usava aparelhos eletrônicos, pegou seu caderno velho e sua caneta e começou a anotar tudo que seu professor dizia, escrevendo com capricho e com interesse puro nos olhos. 

Então, quando terminou sua primeira anotação, Moby olhou a sala em volta, admirando-a com uma expressão calma, mas feliz, e com um suspiro profundo, sentiu o ar fresco entrando pela janela ao seu lado e bagunçando seus cabelos pretos puros, que chegavam até seus olhos. Ele desejava que momentos assim durassem uma eternidade… 

A mesa de Moby ficava no canto esquerdo da sala, logo atrás da janela que dava vista para o campo da escola e as nuvens acinzentadas do céu. Nas paredes de metal da sala, vários desenhos, diagramas e frases de motivação estavam pendurados junto com outras decorações e uma estante de livros.  

A classe era composta por 28 adolescentes, com 12 e 13 anos de idade, 16 meninos e 12 meninas. 

Os alunos vestiam o uniforme habitual da Escola Primária de Kroy, com as cores sendo branco e azul. A vestimenta era uma camisa de botão simples, com a parte de baixo sendo calças para os meninos e para as meninas saia. 

Os alunos prendados, mas quietos, sentavam-se na frente da sala, fazendo anotações e fazendo perguntas; dando o seu máximo para tirar notas boas enquanto os alunos mais barulhentos, livres e menos inteligentes se sentavam na parte de trás, a maioria mexia em celulares ou conversava entre eles, não dando a mínima importância para o fundamental, pois o que apenas contava para seu futuro era a escola militar. Certamente havia algumas exceções como Moby, que também se sentava com os delinquentes da turma na parte de trás. 

Depois de 30 minutos, o sinal tocou, marcando o final do dia escolar, que muitos alunos comemoraram e ficaram animados enquanto guardavam seus materiais antes de saírem correndo da sala de aula. Não sem motivo, já que agora começou a tão esperadas férias de primavera. 

“Ei, todos voltem para seus lugares! O sinal não os libera, quem faz isso sou eu!” Rolf gritou irritado, usando sua habilidade de telecinese para trazer de volta todos os alunos que já haviam saído da sala. O que fez os alunos suspirarem irritados enquanto se sentavam de volta em seus devidos lugares sem paciência, querendo serem logo dispensados. 

“Muito bem, turma. Agora que tenho a atenção de todos, tenham certeza de estudarem durante as férias, porque depois estarei passando uma prova sobre a teoria de Pitágoras e as propriedades triangulares quando voltarem. Também quero pronto um pequeno trabalhinho, uma redação de 1000 palavras sobre os benefícios de ser um habitante do continente Z, é apenas para não deixarem vocês sem nada para fazer e manter suas mentes aguçadas. E antes que perguntem, sim, vai valer nota. Agora estão dispensados, tenham uma ótima férias de primavera.” Rolf disse com um sorriso diabólico e sério, fazendo a sala toda resmungar em irritação, completamente cortando a vibe animada de antes, mas ninguém ousou reclamar, todos sabiam que poderia acabar sendo pior. 

Era como se professor achasse felicidade em ver eles sofrerem. 

A única pessoa que não parecia perturbada era Moby, que pensou que o professor realmente se preocupava com o futuro deles, dando uma tarefa extra para prepare-los para a escola militar no futuro. 

Enquanto Moby guardava suas coisas, colocando tudo em sua mochila, uma pessoa familiar se aproximou e bateu as mãos na mesa com um sorriso de lado no rosto. 

Um menino de pele levemente bronzeada, magro, altura mediana, com cabelos azuis, olhos pretos e alguns traços bonitos. 

E, obviamente, não era ninguém menos do que seu melhor e querido amigo, Eric Quinn. 

“E aí, cara! Aquele foi um espetáculo e tanto para se fazer na aula, foi muito hilario! Você nunca decepciona!” Eric disse dando risada, lembrando do que aconteceu com Moby e Rolf há 30 minutos atrás. 

“Obrigado… mas eu só estava sendo honesto e fazendo meu melhor para me desculpar pelo desrespeito.” Moby respondeu nervoso, não olhando nos olhos de Eric enquanto ainda guardava seus materiais. 

“Eh, o que você disse, amigo, mas não deixa de ser superengraçado da mesma forma. Mas esse não foi o motivo por ter vindo aqui. Eu estava pensando, já que vou ir viajar com a minha família durante as férias, por que não fazemos mais uma sessão de treinamento? Vai ser um ótimo jeito de passarmos tempo juntos antes das férias! Até trouxe alguns amigos comigo! Depois que contei de você para eles, eles não viam a hora de te encontrar para virar amigos. Confie em mim, vai ser mais legal com mais gente! Sabe como dizem, quanto mais, melhor! Então, topa?” Eric disse com um sorriso amigável para Moby. 

“S-Sério? Eles querem ser meus amigos?! Que legal! Mal posso esperar! Muito obrigado por tudo isso! Eu sempre quis mais amigos! Com prazer, eu aceito seu convite.” Moby disse nervoso, mas animado, retribuindo o sorriso de Eric com lágrimas de felicidade. Eric, riu sem jeito, mesmo sabendo o que deveria se esperar de Moby Kane, o maior anormal da escola inteira. Não importando as circunstâncias, o garoto era sempre feliz e positivo que ninguém conseguia entender o porquê, além dele ser louco ou ter uma doença mental. 

“Você está livre para fazer isso agora? No mesmo lugar de sempre, o campo atrás da escola. Preferira fazer isso antes que começasse a chover, odeia voltar para casa na chuva. Então, o que me diz?” Eric perguntou, já sabendo a resposta antes mesmo de perguntar. 

“Claro! Sem problemas! Você sabe que minha Katana sempre está comigo na minha mochila, então estou pronto!” Moby respondeu nervosamente, mas sem hesitação nenhuma.

“Ótimo.” Eric respondeu, indo até a porta da sala, com Moby o seguindo sem parecer notar todos os olhares de intriga e desgosto que estavam sendo direcionados a ele. 

Quando passava pela porta, logo atrás de Eric, Moby tirou do bolso um colar dourado da sua família, olhando para ele com um sorriso enorme. 

‘Mãe, pai, vocês estão vendo? Estou finalmente fazendo novos amigos! Não estão orgulhosos de mim?!” Moby pensou, tentando segurar suas lágrimas de felicidade. 

Então, de repente, enquanto ele ainda olhava para seu colar. O coração de Moby acelerou, fazendo o sentir uma dor imensa em seu peito, diferente de tudo que já havia sentido em sua vida, era como se seu coração a qualquer hora fosse explodir, criando sangue fervendo em vez do sangue que sempre estava acostumado. No entanto, essa dor imensa em seu peito, agora foi seguida por uma dor de cabeça insuportável, forçando o a joelhar-se enquanto segurava seu peito em angústia. Vozes e imagens familiares, mas ao mesmo tempo não, foram surgindo em sua mente uma atrás da outra, fazendo seu corpo inteiro tremer e suar. 

‘Quem são essas pessoas? Que vozes são essas? Eu os conheço? O que está acontecendo? De onde essa dor está vindo e quando que ela vai parar?!’ Esses eram os únicos pensamentos que vinham na mente de Moby enquanto seu corpo e sua alma estavam sendo infusadas com tamanha dor e sofrimento, não conseguindo distinguir o que era real ou não, ou se era um sonho ou realidade. 

Então… rápido como começou, a dor sumiu do nada, como se nunca tivesse acontecido nada… toda aquela dor… todas aquelas vozes e imagens, tudo aquilo foi embora em um estalo de dedos. 

Quando Moby abriu os olhos, percebeu que estava ajoelhado, encarando o chão de mármore da escola com o colar ainda seguro em sua mão direita. Ele suava litros e estava hiperventilando. 

Quando verificou e sentiu seu corpo, Moby notou que não tinha nenhum ferimento mesmo com toda aquela dor que sentiu. Foi tão surreal… 

Olhando ao redor, ele viu todas as expressões de preocupação dos seus colegas que haviam o rodeado. Incluindo, Eric, que parecia o mais preocupado entre todos, o que fez Moby sorrir ao se levantar, colocando o colar de volta em seu bolso e fazendo seu máximo para esquecer o que acabou de acontecer e olhar para o futuro brilhante que estava o esperando. Ele não iria deixar uma coisa dessa ficar entre ele e fazer novos amigos. 

Contudo, como sempre, Moby entendeu tudo errado. As expressões que achou que eram de preocupação, na verdade eram de choque e surpresa. Foi a primeira vez que eles viram Moby em tamanha dor, angústia e desespero… mesmo com as porradas mais pesadas ele nunca se deixou quebrar. Mas agora, lá estava ele, exibindo todas as emoções que pensaram que era impossível ele sentir, tudo em frente dos seus olhos. O que chocou todos imensamente, e apenas uma frase passava pela cabeça de todos… 

‘O que merdas acabou de acontecer?’ 

Comentários