
Volume 2 - Capítulo 151
O Grande Sistema Demoníaco
Quando Leo terminou seu anúncio, ele fez um gesto para que a turma se aproximasse dele com um aceno de mão antes de dizer “Sigam-me”, saindo confiantemente da sala de aula.
A turma o seguiu imediatamente, sem hesitar, fazendo o possível para se manterem longe de Moby e Abby, que caminhavam à frente deles e atrás do Professor Leo, mantendo uma distância de pelo menos 5 metros em todos os momentos, como se estivessem evitando covid. Ninguém ousava falar com eles, se aproximar ou sequer respirar em sua direção com tamanho o medo e a pressão de estar em sua presença, especialmente no caso de Moby, que foi a pessoa que mais menosprezaram durante todo esse tempo.
Quando o Professor Leo se virou para observar sua turma, percebeu que todos os alunos estavam se encolhendo de medo de dois de seus alunos em específico, um dos quais havia subido nas classificações tão rápido que era quase inacreditável, agora se posicionando no rank médio-alto de todos os estudantes do primeiro ano, ele não pôde deixar de rir internamente diante daquela cena familiar. Para ele, a visão não era nem um pouco estranha ou irrealista; já havia presenciado isso diversas vezes. Quando alguém de rank inferior aumentava rapidamente a um rank mais elevado e começava a agir de forma arrogante, vingando-se de todos aqueles que o haviam prejudicado no passado.
No entanto, na maioria das vezes essas pessoas eram humilhadas por outros estudantes de rank mais alto, forçando-as a submeter e entrar nas gangues mais fortes. Ou em outros casos, os alunos tentavam criar suas próprias gangues, o que acabava não dando certo. Leo havia visto essas duas opções acontecer diversas vezes e podia contar nos dedos a quantidade de pessoas realmente tiveram sucesso.
Se fosse para ser honesto, mesmo quando o menino era fraco, Leo realmente gostava do caráter e da personalidade de Moby. O garoto era esperto e trabalhava duro para conseguir alcançar seus objetivos, bem diferentes dos alunos filhinhos de papai que sempre tiveram poder e dinheiro em suas vidas. Ele podia dizer que Moby conseguiu tudo o que tem hoje, por pura determinação e garra.
E em questão a Abby, mesmo sabendo que ela fazia parte da família Reid, uma das famílias mais ricas e poderosas do país inteiro, Leo sentia que ela era diferente. Ela se esforçava mais do que qualquer outro aluno que ele havia visto em muitos anos e, em vez de se gabar sobre sua família como a sua irmã, Abby era bastante reservada e quieta, o que fazia Leo admirá-la também.
Os dois eram os diamantes da sala, os mais fortes e habilidosos de todos os seus estudantes. Só pelas poucas semanas que havia ensinado eles, Leo tinha certeza de que alcançariam grandes conquistas no futuro. Então desejava muito que a mesma história não se repetisse, especialmente para Moby, já que o menino não fazia parte de nenhuma família poderosa e isso o tornava em um alvo fácil.
Depois de alguns minutos da classe andando atrás de Leo como se fossem um rebanho de ovelhas com medo dos dois lobos que estavam na frente, eles finalmente chegaram na Arena 27, que era uma arena simples e uma das poucas que não estava ocupada por outra classe.
Leo disse para todos se enfileirarem um do lado do outro, fazendo uma fila bem longa. Moby e Abby ficaram um em cada ponta da fila e com Abby sendo a última, um aluno azarado foi forçado a ficar ao lado de Moby. Tal aluno estava suando igual uma cachoeira e xingando a própria sorte, rezando e desejando que esse momento passasse logo.
Notando o garoto inquieto e aterrorizado ao seu lado, Moby decidiu mostrar a ele o quão gentil era e que não desejava causar nenhum dano. Porém, isso só acabou assustando ainda mais o menino, que viu o sorriso caloroso de Moby como se fosse um predador pronto para comer seu café da manhã, fazendo o fechar os olhos e ficar com a postura mais reta do que uma flecha, dando seu máximo para pensar em coisas boas e ignorar Moby ao seu lado.
‘Meu deus… isso vai ser mais difícil do que pensava…’ Moby pensou, suspirando fundo.
“Muito bem, classe! A partir de agora vamos começar nosso treinamento de Talento! Além de aprimorar os fundamentos, é para isso que todo o treinamento do último mês foi voltado. Como vocês sabem, refinar o núcleo do Talento e fortalecer o vínculo com seu espírito interior exige que vocês alcancem um certo nível de força física antes de tentar. Se tivéssemos começado o treinamento de habilidades logo no primeiro dia, como muitos de vocês sugeriram anteriormente, as coisas não teriam terminado muito bem, por assim dizer… Muitos de vocês teriam fracassado miseravelmente em melhorar seus núcleos e vínculos, e provavelmente até se machucariam no processo.”
“Esse é o padrão de treinamento para qualquer pessoa: uma combinação de exercícios físicos até atingir força suficiente para fortalecer seus núcleos e vínculos, e então repetir o ciclo. Quanto mais você avança, mais difícil fica, e cada pessoa terá um nível de aumento de força diferente, dependendo de vários fatores, principalmente o tipo de Talento e espírito, seu talento e, claro, sorte.”
“Os muitos alunos de rank A no seu ano definitivamente começaram o treinamento de Talento desde jovens, provavelmente usando alguma técnica secreta de família ou algo do tipo para impulsionar sua força. Então, não desanimem ou pensem que nunca irão alcançá-los! Eles apenas tiveram uma pequena vantagem inicial! Com trabalho duro e determinação, vocês poderão alcançá-los e até superá-los!” Leo anunciou, fazendo a sala toda olhá-lo com sorrisos nervosos e animados, e olhos cheios de esperanças.
Olhando ao seu redor, Moby percebeu as expressões animadas e empolgadas dos seus colegas. Mas quando olhou para a sua direita, em direção a Abby, a expressão dela falava uma história completamente diferente. Uma expressão que Moby nunca havia visto no rosto dela desde a primeira vez que a conheceu… desespero… que ele confirmou usando sua Sensação de Emoções, pensando que estava vendo coisas.
‘Ei… Abby, você está bem?’ Moby perguntou, tentando entender o que havia de errado com sua amiga e subordinada e por que ela estava sentindo aquilo.
‘A-Ah, meu Lorde… Eu só… Só estou um pouco nervosa sobre isso… Eu não fiz nenhum treinamento de Talento desde antes de me tornar um demônio… antes, toda vez que tentava, sempre quebrava todos os ossos do meu corpo e era forçada a repousar… eu tentei, tentei e tentei, sempre quebrando meu corpo só pela mínima chance de funcionar. Mas, no final, nunca tive nenhum resultado. Então isso me levou a procurar outras formas de ganhar força… o que me levou a treinar meu condicionamento físico, o que causou eu experenciar muitas coisas até conhecer você… E-Eu só estou com medo de acontecer a mesma coisa de novo… não é sobre a dor… longe disso! Eu só tenho medo de fracassar e decepcionar… Não quero ser deixada para trás…’ Abby explicou em um tom triste, mas ao mesmo tempo sincero, surpreendendo Moby, que se sentiu mal por ela.
Ele nunca pensou que Abby se abriria o coração dela para ele e expressasse seus verdadeiros sentimentos; ele achava que ela negaria suas alegações, pois se considerava insignificante demais para incomodar Moby com seus problemas egoístas, o que faria insistir até que ela finalmente admitisse tudo. Contudo, não foi isso que aconteceu e isso deixou Moby muito feliz ao ver a confiança dela aumentando. Mas, ele ainda estava triste por ver sua querida amiga nesse estado.
‘Hahaha! Não se preocupe! Aquela era você do passado! Agora, você é diferente! Você melhorou muito desde daquele tempo! Seu corpo demoníaco novo e aprimorado não é nem de longe o que costumava ser! Não é mais frágil e fraco como antes! Então, agora a história vai ser diferente quando você tentar! Eu acredito completamente em você!’ Moby disse com um sorriso, sendo completamente honesto e fazendo seu melhor para aumentar o ânimo dela.
‘S-Sim, meu Lorde! Muito obrigado por suas palavras de confiança! Prometo que não vou desapontá-lo!’ Abby disse, sua expressão mudando drasticamente para algo mais positivo e sério do que antes, tomando sua mente e resolução enquanto as palavras de seu senhor e salvador reacendiam a chama em seu coração ardente, jurando tentar novamente o método que havia lhe causado tanta dor e sofrimento, não apenas fisicamente, mas também mentalmente.
Moby apenas olhou para o rosto de Abby, que estava cheio de determinação, com um sorriso e assentiu, reafirmando suas palavras anteriores antes de voltar a olhar para o professor Leo, que estava preste a dar instruções sobre o que fazer.
“Ok, turma, vamos fazer o método de treinamento mais amplamente usado e padrão. Existem outros, mas este é o que vamos usar principalmente em aula, já que quase todos podem se beneficiar dele. Não se preocupem, mais tarde, ao longo do ano, trabalharemos com outros métodos. Então, por enquanto, todos nós faremos meditação. Vocês podem ser forçados a ver algumas imagens, talvez alguns testes ou tribulações. O que a pessoa vê e a dificuldade de tudo isso dependem do espírito, personalidade, estado mental, tipo de Talento da pessoa, e mais alguns outros fatores que não tenho tempo para entrar em detalhes, mas que não mudarão o resultado de nada.” Leo explicou, o que fez com que todos os alunos lhe dessem assentimento sério em resposta.
“Todos se sentam em posição de índio.” Leo mandou, que logo todos obedeceram, sem hesitação.
“Ótimo! Agora! Fechem os olhos, acalmam e limpam suas mentes…” Leo mandou novamente, o que todos obedeceram novamente, incluindo Moby que olhou para Abby com um sorriso antes de fechar os olhos.
“Concentre-se profundamente no fluxo de mana em suas veias… Agora… Quando encontrá-lo, siga o fluxo e rastreie-o até o seu núcleo azul de Talento, que deve estar por volta do centro da sua massa corporal… uma vez localizado, … tente se comunicar com o que está dentro… olhe profundamente para ele e deixe sua mente vagar…” Leo disse, o que Moby escutou atentamente e seguiu as instruções, palavra por palavra, mudando apenas um pouco para se adequar melhor a sua circunstância.
No seu núcleo de Habilidade, ele percebeu que, em vez da cor azul que Leo descrevera, era uma esfera quase perfeita, colorida por uma mistura de azul, preto, vermelho e roxo, com todas as cores colidindo dentro dela como uma tempestade furiosa, quase como se todas as cores estivessem lutando pela supremacia, fazendo-a parecer quase instável… Era uma visão muito estranha, para dizer o mínimo.
Moby decidiu ignorar a natureza obscura de seu núcleo de Talento e fez o que o Professor Leo sugeriu, negligenciando a parte sobre se comunicar com seu espírito interior por motivos óbvios, optando em vez disso por seguir a outra sugestão dele: olhar profundamente para seu núcleo de Talento esporádico, limpando sua mente e deixando-a vagar.
Após 30 segundos de nada além de olhar, Moby sentiu que não estava funcionando… O que o deixou levemente desapontado. Mas, ele perseverou e continuou fazendo isso por um pouco mais de tempo…
…
Então, nem mesmo um segundo depois, ele sentiu sua visão ficar extremamente embaçada enquanto o orbe se tornava maior, menor, mais alto, mais largo, se transformando em diferentes formas como se estivesse extremamente enjoado, antes de sentir sua consciência escapar… eventualmente fazendo sua visão ficar completamente em branco…