
Volume 2 - Capítulo 154
O Grande Sistema Demoníaco
Desde que se entendia por gente, essa foi a primeira vez que ele sentiu uma verdadeira dúvida em seu coração, fazendo-o se questionar sobre as coisas que nunca tinha se preocupado em perguntar antes…
‘Eles realmente querem ser meus amigos?’
‘Eles estão tirando uma com a minha cara?’
‘Aquilo foi realmente um acidente?’
Pensamentos como esses começaram a surgir em sua mente, causando com que seus dois lados lutassem entre si… O seu verdadeiro eu e seu falso eu…
Ele não conseguia distinguir qual era real ou qual era falso, todos pareciam validos para Moby, como se a realidade e o sonho tivessem se emergido.
Com uma dor de cabeça mais forte do que todas que já sentiu, Moby caiu no chão com os olhos arregalados, parecendo que iriam saltar de seu rosto. Tendo a sensação de que havia corrido uma maratona inteira, o coração de Moby começou a acelerar mais do que o normal, era como se fosse explodir a qualquer momento. Sentindo a dor imensurável em seu corpo e coração, Moby rolou no chão em pura agonia.
Quando tentou empurrar aqueles pensamentos para o fundo da mente mais uma vez, como fizera da última vez em que isso aconteceu, ele foi apenas parcialmente bem-sucedido, pois muitos daqueles pensamentos e dúvidas ainda pairavam na frente da sua mente, como uma barata que se recusava a morrer e desaparecer.
‘Quando isso vai parar?’
‘O que é real?’
‘O que é falso?’
‘Tenho certeza de que eles são meus amigos! Não tem como não ser!’
…
‘Né?’
Moby pensou com uma dúvida enorme no coração, esforçando-se ao máximo para dar aos seus futuros ‘amigos’ o benefício da dúvida, enquanto suas suspeitas eram lentamente sugadas por algum meio desconhecido que ele não conseguia ver ou sequer compreender.
Moby olhou para o chão sujo à sua frente, seu uniforme todo encharcado pela chuva que havia acabado de começar.
Ele balançou a cabeça, retomando o controle do corpo antes de olhar para os três garotos em pé, que olhava para ele com sorrisos diabólicos nos rostos. Moby não conseguiu distinguir se eram sorrisos com boas ou más intenções, enquanto olhava para os garotos com um sorriso gentil nos lábios antes de se levantar e limpar a sujeira da roupa.
Durante o tempo que Moby ainda estava inconsciente, rolando no chão em angústia. Eric conseguiu dizer para seus amigos sobre a mudança de planos que teve, que não pensaram duas vezes antes de concordar. Vendo o limite da máscara de bonzinho e inocente de Moby chegando perto, os três ficaram ainda mais motivados para quebrar essa máscara de vez. Quebrando junto a mentalidade e o corpo de Moby. Se conseguirem quebrar o tão famoso inquebrável Moby, sem sombras de dúvidas que os três vão se tornar famosos e vão começar a ser temidos por toda a escola por terem feito algo que ninguém nunca conseguiu.
“Me desculpe por preocuparem vocês… Foi só a exaustão batendo de novo… Não se preocupe… Prometo que não acontece várias vezes.” Moby disse com um sorriso hesitante, olhando para as expressões nada inocentes dos três garotos.
“Que isso! Estou grato que ainda esteja conosco! Permita-me que me apresente! Sou Raymond Klee. Meu Talento é Manipulação de Gás Tóxico, nós dois estamos no mesmo ano, então espero que nos demos bem!” disse um menino baixo, de cabelos alaranjados e com um nariz um pouco maior do que o normal. Como a mão direita de Moby estava machucada, o garoto estendeu a mão esquerda com um sorriso estranho nos lábios.
“Um prazer conhecê-lo também…” Moby respondeu nervoso, aceitando a mão dele e desejando que nada aconteça novamente.
Ambos se cumprimentaram com sorrisos nos rostos, nada de mais aconteceu quando soltaram, o que fez Moby soltar um suspiro de puro alívio.
‘Sabia! Só deve ter sido um acidente o que aconteceu antes! No que estava pensando em duvidar das intenções deles! Eu deveria aprender a confiar mais nas pessoas… Humanos são mesmo criaturas gentis…” Moby pensou. Mas não demorou muito para que suas expectativas fossem viradas de cabeça para baixo.
“Olha o que você fez! Você sujou minha mão toda! Que nojento! Até as minhas mangas estão sujas de lama agora! Como você ousa! Minha mãe trabalha duro para deixar minhas roupas limpas todo dia, aí vem você e aumenta o trabalho dela!” Raymond gritou, furioso.
Naquele momento, toda a dúvida de Moby voltou átona para sua cabeça, como se fossem meteoros atrás de meteoros…
‘Merda… É minha culpa… Eu deveria ter limpado minhas mãos antes de cumprimentá-lo… Coitada da mãe dele…’
‘Mas está chovendo… as roupas deles iriam precisar ser lavadas do mesmo jeito…’
‘Mas a mãe dele…’
‘Mas como algo tão simples como lavar roupa precisa de tanto trabalho, ainda mais com a tecnologia de agora, até eu faço sozinho e é bem fácil…’
“Vou ter que te ensinar uma lição!” Raymond gritou, claramente empolgado. Ignorando a expressão de transe de Moby, o alaranjado deu um soco em cheio no estomago de Moby, fazendo cair com tudo de joelhos enquanto segurava o lugar onde foi acertado.
“É! Existe consequências para suas ações, sabia?!” Simon gritou, socando Moby nas costas com as mãos fortalecidas. Moby gritou em angústia ao sentir seu corpo todo tremer por causa do golpe.
“S-Sinto muito… Prometo que vou fazer meu melhor para compensá-los…” Moby disse, encolhendo-se em uma bola para proteger seu corpo, enquanto lutava para segurar as lágrimas.
“Pedidos de desculpas não são o suficiente!” Eric gritou, chutando na lateral do corpo de Moby, que grunhiu de dor, mas não parou de se desculpar.
“Eu sinto muito… Foi minha culpa! Eu limpo a roupa eu mesmo…” Moby murmurou, ainda encolhido como uma bola.
“Que saco! Você é muito otário! Ainda não sacou?! Nós nunca fomos seus amigos! Você não passa de um saco de pancadas! Uma boneca! O capacho da escola e nada mais! Só queríamos algo para descartar nossa raiva! Ninguém gosta de você! E ninguém vai gostar! Você não passa de um boneco para ser usado pelos outros! Enfia isso na sua cabeça!” Eric exclamou, com um grande sorriso maléfico no rosto enquanto chutava mais uma vez as costas de Moby, o que fez o menino parar com os seus pedidos de desculpas.
“Haha! Olha só, caras, está funcionando! Mais forte! Mais forte!” Eric falava repetidamente enquanto chutava Moby sem parar. Moby ainda estava encolhido no chão, protegendo seus órgãos vitais, enquanto era rodeado por três garotos que o batiam em uma mistura de golpes fracos e fortes, não mostrando nenhuma piedade.
‘Porra… por que isso está acontecendo… O que fiz de errado…? Eles me odeiam? Eles me odiaram por todo esse tempo…’ Moby pensou, sua mente correndo em círculos, sem conseguir acreditar o que estava acontecendo com ele, pois contradizia tudo que pensava sobre sua vida… Não era mais tudo arco-íris e alegria, agora era tudo cinza e sem vida.
Em um momento em que ele não precisava mais de nenhuma dor ou dúvida, as imagens e sons desconhecidos que havia experenciado antes voltaram com tudo em sua mente… No final das contas, foram eles que o fizeram se sentir assim…
De repente… uma menina familiar, linda de cabelos azuis, com um sorriso gentil e carinhoso nos lábios e olhos cheio de lágrimas apareceu em sua mente… Foi uma das meninas mais bonitas que Moby já havia visto, o que fez ele pensar que deve ter a visto em algum lugar antes…
‘Meu bem! Onde está aquele cara forte e inquebrável que eu amo tanto!? Dá uma surra neles!’ a garota disse, em um tom brincalhão, mas triste ao mesmo tempo antes de imediatamente desaparecer devido a um chute forte de Raymond em seu ombro, fazendo Moby grunhir de dor.
Quanto mais era espancado, mais imagens e cenas surgiam em sua cabeça… eventos que ele podia lembrar, mas ao mesmo tempo não… Cenas de uma voz feminina leve em sua cabeça e uma interface semelhante a um jogo… Cenas de um Eric mais velho, sem braços e pernas, sendo decapitado por uma espada familiar… De um garoto cagando no chão e agindo como um macaco… De um garoto loiro engasgando-se em seu próprio pau antes de comer as próprias fezes… De uma garota de cabelos brancos se declarando para ele, só para explodir no segundo seguinte… De um corpo de um garoto alto e de cabelos pretos morto no chão, com uma faca do lado… Uma demônia linda, alada, de cabelos arroxeados e olhos brilhantes que aparecia no céu como uma deusa, como um sorriso de lado em seu rosto… uma mesa de jantar com três pessoas: duas meninas lindas e um menino brincalhão… Um beijo com uma menina de cabelos azuis sob a noite estrelar e com lágrimas escorrendo em ambos os rostos, junto com árvores queimando e uma música leve de fundo…
E, finalmente… Seu próprio rosto… Mechas vermelhas no meio de cabelos pretos, chifres pretos crescendo da cabeça… Olhos arroxeados perfurantes que olhava para sua alma… linhas pretas, brilhantes e misteriosas embaixo dos olhos que se conectavam com o resto do corpo… Uma expressão seria que não parecia nada satisfeita.
‘Acorda das suas ilusões toscas e faz esses filhos da puta pagarem!’ A versão demoníaca dele gritou, arrepiando todo o corpo e núcleo de Moby. Seu núcleo branco gradualmente estava se tornando cada vez mais escuro e sinistro, e como um flash de mágica, Moby finalmente se lembrou quem ele era…
“Ei! Eric! Olha o que achei! Por que não fazemos ele comer?! Vai ser hilario! Esse moleque deve fazer qualquer coisa que pedimos a ele!” Raymond disse, rindo e apontando para uma bosta de cachorro no chão.
“Hahahaha! Ótima ideia! Ouviu isso, moleque? É hora da janta!” Simon disse, rindo com deboche, pegando Moby como se ele fosse uma pena e o jogando na direção do coco do cachorro.
Naquele momento, Moby despertou para realidade, sua mente mais clara do que nunca. Abrindo os olhos, ele encarou o coco de cachorro com um ódio enorme no coração… Seus olhos, antes aterrorizados e cheio de medo, se transformaram em duas fendas finas que conseguiu esconder olhando para o chão, esperando o exato momento para contra-atacar…
Aproveitando o momento, Moby fez algo que sabia que precisava fazer para poder ganhar dos três de uma vez… Era seu item mais precioso e valioso que seus pais falecido haviam deixado para ele, mas Moby tinha certeza que essa a intenção real de seus pais desde o começo, então não iria afetar muito quando quebrar o colar.
Sorrateiramente Moby colocou a mão no bolso, fazendo certeza de que ninguém perceberia, ele pegou o colar com força e o quebrou em vários pedaços. O som da chuva pesada sendo uma ótima forma de ocultar o som de algo se quebrando.
Depois de tudo que aconteceu com ele, toda a dor que sentiu com aquelas memorias, Moby não tinha dúvidas de que isso funcionaria…
E como havia esperado, sua pergunta foi respondida com um som e uma tela azul de notificação familiar aparecer em seu campo de visão, exatamente igual ao que havia aparecido nas memorias… Moby sorriu enquanto esperava pacientemente a tela terminar de carregar…
[ Sistema Demoníaco Ativando ]
1%
14%
23%
“Ei, moleque! Hora de comer! Comer bosta! Literalmente! Hahaha!” Simon riu com animação, enquanto segurava Moby pelos cabelos, o puxando na direção do coco à sua frente. Moby xingou baixo enquanto se preparava para contra-atacar, mesmo sabendo que não era forte o suficiente para escapar ou causar algum dano real.
44%
“PARA! Quero fazer uma coisa antes dele comer! Para deixar ainda mais saboroso, se é que me entende… Além do mais, estava precisando ir mesmo!” disse Eric com um sorriso de lado, enquanto intervia, o que fez Simon ficar bastante irritado antes de entender o que Eric estava dizendo e sendo completamente a favor disso.
“Haha! Ótima ideia! Pena que não estou a fim de fazer.” Raymond comentou com um riso de deboche, também entendendo o que Eric queria fazer.
“Te entendo… Que pena, se não poderíamos ter dobrado ou até triplicado o gosto!” Simon gritou, soltando os cabelos de Moby e o jogando de cabeça no chão, que fez um som bem alto. Com esforço, Moby reteve seu balanço e se colocou de joelhos…
No momento seguinte, ele viu Eric, que estava de pé, todo orgulho enquanto abria o zíper da calça antes de mijar na bosta de cachorro, com uma expressão de alívio que foi banhado pela chuva. O ódio de Moby se intensificou a cada segundo que passava olhando para a cara de deboche nojenta de Eric, enquanto esperava pela tela carregar com o coração na mão.
69%
83%
“Ahhhh… Que alívio! Isso deve ter adicionado um gosto maravilhoso! Agora, aproveite a comida e aprenda quem é o chefe aqui! Aprenda que ninguém nunca gostou de você e ninguém irá gostar! Agora, quebre-se! Sua boneca inútil!” Eric gritou, rindo enlouquecido enquanto Simon pegava nos cabelos de Moby novamente, direcionando-o para o chão. Moby estava tendo um pouco de dificuldades em resistir a força das mãos do menino, até que…
100%
[ Sistema Ativado ]
[ O Hospedeiro foi reconhecido ]
‘Muito prazer, Moby Kane. Eu sou seu novo Sistema Demoníaco, eu vou lhe ajudar a…” Uma voz feminina familiar apareceu em sua mente antes de interrompida.
‘Avilia! Rápido! Me dê um pouco do seu poder! É tudo que preciso para mostrar para esses filhos da puta o verdadeiro sentindo de inferno!’ Moby gritou internamente, fazendo seu máximo para puxar contra a força de Simon. Avilia ficou surpresa, ela não esperava que o novo hospedeiro saberia o nome dela…
No entanto, depois de ler a mente dele, ela finalmente entendeu tudo. Até o ponto de entender a natureza do verdadeiro eu dela. Analisando bem, Avilia podia enxergar que o mundo ao redor dela não era real, fazendo a gargalhar sem parar.
‘Haha! Muito bem! Pegue um pouco do meu poder! Se você não conseguir derrotar esses garotos fracotes de doze anos, eu e meu verdadeiro eu ficaremos bem desapontados com você! Isso deve ser poder suficiente para seu corpo conseguir aguentar, mais que isso e seu sistema iria se quebrar. O pior dos cenários seria você explodir! Distribui automaticamente para os status que você usa! Também desliguei as notificações para não atrapalhar na sua luta! Divirta-se!’ Avilia disse com um sorriso.
‘Minha nossa! Então esse é o garoto que apostei toda a minha esperança… Nunca teria imaginado! Espero que tenha feito a escolha certa…’ Avilia pensou, assistindo tudo da mente de Moby.
Sem demora, Moby sentiu uma quantidade de poder enorme entrar em seu corpo, o que fez um largo sorriso diabólico aparecer em seus lábios…
‘Finalmente… eles vão pagar por isso…’ Moby pensou, enquanto imaginava tudo que iria fazer com os três garotos o rodeando, com sorrisos de deboches e expressões animadas…
Mesmo com o corpo machucado, Moby conseguiu se livrar das garras de Simon com a sua força e velocidade fortalecidas. O gordo do Simon arregalou os olhos quando percebeu que Moby havia sumido da sua visão, o que deixou ele confuso e pensando para onde o garoto deve ter ido…
Moby usou seu Flash Demoníaco para aparecer em cima de Simon, enquanto o mesmo era cegado por seus braços grossos e flácidos que estava usando para empurrar a cabeça de Moby.
“Idiota! Ele está em cima de você!” Raymond alertou Simon, que olhou para na direção do céu chuvoso.
No momento que olhou para cima, Simon não viu nada além de sentir uma dor imensa e uma ardência nos olhos. Moby havia pegado a cabeça do menino rapidamente e empurrou com tudo direto na bosta de cachorro, causando um estrondo enorme junto com uma cratera no chão. O coco de cachorro entrou pelos olhos, nariz e boca de Simon.
“Cuidado com o que deseja… Existem consequências para suas ações, não é verdade?” disse Moby, rindo cinicamente para o corpo imóvel de Simon.
Na mesma hora… Eric e Raymond sentiram um mal pressentimento, seus corpos começaram a suar frio e a tremer, era como se eles tivessem feito o pior erro da vida deles. Foram o que pensaram quando olharam para um Moby psicopata rindo e que tinha acabado de soltar a cabeça de Simon, que não estava nada agradável de se ver, tornando sua atenção para Eric e Raymond, que não estavam muito longe dele…
Ele jogou a mochila para longe e pegou a katana desgastada dele, com um olhar mortal em seus olhos. Ele andava lentamente na direção dos dois meninos, ainda em choques, já que ambos não conseguiam acreditar no que tinha acabado de acontecer…
“Vocês são os próximos!” Moby falou com ódio puro na voz e raiva em seus olhos, apontando a lâmina na direção de Raymond e Eric, que xingaram internamente e se prepararam para lutar.