
Volume 4 - Capítulo 444
A Virtude do Demônio
Eiro olhou para o homem de armadura montado no cavalo que acabou de chegar no portão de sua mansão. Ele tinha sigilos da família real em sua armadura, então era um guarda real.
— O que é isso? — per guntou Eiro, e o cavalo logo parou na sua frente. O homem desceu do cavalo e o saudou por um momento.
— Trago uma mensagem de sua Majestade, Solomon Sigurd Skyhart! — exclamou o guarda, entregando a carta selada. Eiro removeu a cera e retirou a carta em si do envelope. As únicas palavras que estavam escritas no papel eram, ‘Os ingredientes chegaram’.
Isso definitivamente foi escrito à mão por Solomon, e não parecia que a carta tivesse sido adulterada de alguma forma, então parecia que Eiro e Bavet teriam que trabalhar em breve.
— Obrigado. Pode sair agora — disse ao guarda, que acenou a cabeça e montou no cavalo novamente, cavalgando de volta para o castelo real.
— Os ingredientes chegaram? Isso significa o que estou pensando? — perguntou Bavet, e Eiro assentiu.
— Sim. Ou pelo menos deveria. Não sei a que outros ingredientes Solomon possa estar se referindo — disse Eiro. — Você já planejou tudo? Quanto tempo vai levar para fazer tudo o que precisamos para retirar o selo das memórias?
— Bem, não deve demorar muito. Vou te instruir direito e você pode começar imediatamente. Com suas mãos, devemos conseguir terminar tudo bem rápido. Eu só serei aquele usando mana durante o processo, já que é bem mais fácil do que eu te ensinar todo o processo da mana e todas essas merdas.
É um incômodo, portanto, será muito mais rápido e mais efetivo se eu o fizer — explicou Bavet, e Eiro sorriu lentamente ao se virar.
Usando uma rajada de vento para se impulsionar, Eiro voou de volta até a janela da qual havia saído. Uma vez dentro, voltou para o quarto de Avalin e Leon, e olhou para Armodeus.
— Terei que ir para o castelo real por um tempo. Consegue cuidar deles mais um pouco? Tudo deve ficar bem com Leon por enquanto, mas se algo der errado, você sabe onde me encontrar.
— Sim. Não se preocupe e não precisa se apressar, rapaz — respondeu Armodeus. Eiro sorriu para ele.
— Coma mais um pouco de bolo. Devo estar de volta em algumas horas — disse o Demônio, saindo do quarto. Mas ele não saiu da mansão de imediato, em vez disso, passou por algumas passagens secretas para chegar a um dos depósitos da mansão.
Lá, pegou os materiais que ele próprio já havia reunido para o processo e os colocou em sua bolsa.
— Bavet, temos tudo, certo? — perguntou o Diabrete. Ele sabia a resposta, mas queria confirmar com o especialista de novo, só para garantir. O Slime criou um olho na palma de Eiro, usando-o par olhar ao redor da sala mais uma vez.
— Uhum, parece que pegamos tudo. Mas, por precaução, vamos levar algumas ferramentas que sabemos que poderemos usar — sugeriu Bavet. Eiro acenou a cabeça, pegando mais algumas garrafas de vidro e tubos que precisavam para criar a mistura.
— Então vamos — disse Eiro, saindo da mansão e saltando no ar para voar rapidamente até o castelo. Pousou em um beco perto dos portões, onde ninguém seria capaz de vê-lo, e foi em direção ao portão.
Cumprimentou os guardas, que o deixaram entrar sem hesitação, já o conhecendo muito bem.
Então, Eiro só teve que entrar no castelo em si. Uma vez dentro, foi em direção ao escritório de Solomon e bateu na porta com um sorriso no rosto.
— Solomon, sou eu — disse o Demônio, e o Rei rapidamente levantou-se de seu assento no outro lado do cômodo.
— Oh! Entre! — exclamou, e Eiro abriu a porta.
— É sempre bom ver quão rápido você responde. O mensageiro nem voltou ainda — riu Solomon, aproximando-se do amigo, que já olhava para as caixas de madeira empilhadas no canto da sala.
— Bem, voar é sempre um pouco mais rápido do que cavalgar. Caso contrário, eu também teria trazido Lugo — apontou Eiro, e o Rei sorriu.
— Entendo. Bem, parece que você já quer começar. Os materiais estão todos aqui. Devemos desfazer os selos agora? — perguntou Solomon, embora fosse evidente que estivesse bastante nervoso com o que poderia descobrir.
Eiro balançou a cabeça em resposta.
— Não podemos desfazer os selos, mas podemos preparar tudo para que o processo seja rápido. Seria melhor se você ficasse por perto, para que possamos usar o selo em sua mente como referência direta. Para os ajustes finais, sabe?
— Ah, entendo. Então, por favor, comecem — respondeu Solomon, e Eiro olhou para ele um pouco surpreso.
— Aqui? Você não tem um lugar que seja melhor para esse tipo de coisa? — questionou Eiro, e o Rei cruzou os braços em contemplação.
— Bem, claro, podemos ir lá também. Eu realmente não pensei sobre isso, mas você está certo, um espaço maior deve ser melhor.
— Sim, exatamente — comentou Eiro, enquanto levantava algumas caixas, caminhando até a porta do escritório. Ele conhecia o castelo melhor do que a maioria dos guardas, provavelmente, então se dirigiu para a sala em que estava pensando.
Era um laboratório que um mago real, falecido recentemente, vinha utilizando. Estava praticamente vazio, então havia muito espaço para Eiro e Bavet aqui. Mais importante, só tinha pequenas janelas que eram quase impossíveis de alcançar do lado de fora, então Eiro não precisava permanecer fundido com Bavet e poderia deixar o Slime fazer suas coisas de forma adequada.
— Certo, todos vocês, por favor, saiam. Este é um processo que vocês não podem observar — disse Solomon aos guardas, percebendo que o Demônio queria se separar de Bavet, e os guardas fizeram como ordenado. Neste ponto, eles sabiam que Eiro era alguém de confiança, então nenhum deles hesitou em sair e deixá-lo sozinho com o Rei.
Ao mesmo tempo, também sabiam que mesmo se Eiro tentasse algo, eles perderiam a luta em um instante, e que Eiro era o melhor guarda costas contra outros intrusos que Solomon poderia ter. Não havia necessidade de vigiá-lo de perto.
Assim que os guardas saíram, uma massa semelhante à carne se reuniu na mão esquerda de Eiro, enquanto sua pele voltava à sua cor vermelha e azul regulares. Bavet desceu da mão do Diabrete e sentou-se em uma das mesas.
— Certo! Vamos começar então — disse o Slime, fazendo outra coisa. Ele separou parte do seu corpo, que ainda estava sob seu controle, e a fez cobrir a mão direta de Eiro, como um tipo de luva, para que ele pudesse se concentrar no aspecto de selamento do que fariam.
Eiro já se recordava do aspecto físico de tudo, através das instruções de Bavet, e, portanto, pôde começar rapidamente.
— Primeiro, extraia a seiva das raízes — murmurou o Demônio. Por sorte, por meio da Magia de Natureza, conseguiu manipular as próprias raízes para extrair com facilidade a seiva de todas elas. Em seguida, colocou as raízes ao lado depois de extrair toda a água. Não eram necessárias agora, mas seriam úteis para outras coisas.
Lenta, mas certamente, Eiro misturou algumas das diferentes seivas. Enquanto fazia isso, também trabalhava em outra coisa: misturar o veneno das diferentes cobras e aranhas com partes moídas de ervas e flores específicas.
No geral, embora Eiro só tivesse duas mãos, certamente parecia que ele tinha mais. Em especial para Solomon, que observava tudo acontecer em uma velocidade impressionante.
— Um pouco menos de flor-de-sangue, um pouco mais de peçonha de cobra-coelho — instruiu Bavet enquanto mantinha sua atenção no selo na mente de Solomon. Enquanto isso, a água dentro das duas misturas diferentes evaporava e se misturando dentro do mesmo tubo, antes de pingar em uma garrafa separada.
— Bom, agora faça um furo com cuidado no saco de tinta — disse Bavet, e Eiro revirou os olhos em resposta, antes que o Slime adicionasse um detalhe. — O de luminas, não a lágrima vermelha.
— O quê? — questionou Eiro confuso. — Por que o de luminas primeiro? Pensei que a base fosse uma mistura de lágrima vermelha e tinta de opiópode?
— Sim, mas eu mudei de ideia… Só faça isso! Ainda usaremos ambos, só a ordem que mudou. E aumente a temperatura para 79o em vez de 84o para compensar a mudança.
— Certo, claro — respondeu Eiro com um suspiro, continuando a trabalhar na mistura que era necessária para liberar, não apenas o selo na mente de Solomon, mas nas mentes de todos os outros que foram afetados.
…