
Volume 4 - Capítulo 434
A Virtude do Demônio
Eiro assistiu aos dois estudantes que duelavam na sua frente. Ele garantiria que ninguém sofresse danos sérios e os curaria imediatamente qualquer dano que acabassem recebendo durante as lutas.
Mas, no fim do dia, as lutas eram mais do que úteis, não só para Eiro, mas para as crianças também. Ele conseguia ver as áreas em que precisava concentrar seus ensinamentos, e os alunos sabiam onde tinham dificuldades. Com o sistema de cinco pontos que Eiro explicou a eles mais cedo, o Demônio concluiu que eles deveriam conseguir se aprimorar com relativa facilidade.
Parecia que sua suposição estava correta. Na área de ‘coragem’, todos deixavam muito a desejar, com exceção de Arc. Eles tinham medo de ferir a pessoa na frente deles. Para aqueles com experiência, e especialmente os com mais compaixão, foi bastante difícil conseguir uma boa pontuação nessa categoria.
Assim, consequentemente, aquele com a maior pontuação era Arc. Não apenas ele era o mais experiente, como não sentia ‘medo’ de ferir seus amigos.
Apesar disso, nessas lutas nem Arc conseguiu 100 pontos, já que era um tanto hesitante algumas vezes. Principalmente quando via seu oponente recuar.
Afinal, ‘compaixão’ era uma emoção positiva, então era algo que Arc ainda sentia, e com muita intensidade.
Mas devido às circunstâncias, Eiro não diminuiu tantos pontos por hesitar em tais situações. Afinal, essas pessoas ainda eram seus amigos, e ele nunca os julgaria injustamente por esse tipo de hesitação, mas ainda tinha que diminuir um pouco.
No geral, os alunos estavam indo muito bem, a média para todas as categorias era acima de 60, e o mínimo em cada uma estava em torno de 35. No fim do semestre, Eiro faria os alunos duelarem novamente dessa forma para verem seu progresso, e ele até falou com outros professores de combate sobre esse conceito. Como muitos deles gostaram da ideia, parecia que seria normal avaliar o progresso dos alunos dessa maneira.
Assim que sugeriu a ideia, Eiro começou a elaborar diretrizes básicas para os outros professores avaliarem seus alunos adequadamente. Isso também o ajudou a definir como queria avaliar as coisas em sua própria aula, então talvez devesse ter feito isso desde o começo.
Ao fim da aula, Eiro deu notas a cada alunos, com suas pontuações em cada uma das categorias, assim como algumas anotações extras com coisas que percebeu nas lutas ou em que ele achava que deveriam se concentrar em cada categoria.
Então, dispensou os alunos, depois de curar os poucos ferimentos que receberam, e dirigiu-se para sua próxima aula. Ensinar era realmente muito divertido.
—
Eiro bateu na porta à sua frente, e logo escutou Merlin chamá-lo de dentro.
— Olá, você está ocupado? — perguntou o Diabrete, já sabendo a resposta, e Merlin meneou a cabeça.
— Não, não estou. Precisa de alguma ajuda para decifrar alguns dos textos? Ou quer dar mais uma olhada neles? — perguntou Merlin, mas Eiro negou.
— Não, já terminei com eles. Queria conversar um pouco mais com você sobre ao assunto, mas também tenho outra pergunta — comentou Eiro, ignorando a expressão surpresa de Merlin. — Aquela garota com quem você estava falando esta manhã não apareceu na aula hoje. Aconteceu alguma coisa? Estou um pouco preocupado.
— Oh! Ah, sim, ela… tinha alguns assuntos particulares para resolver em casa — explicou Merlin. — Novamente, não cabe a mim revelar a situação dela para você, sinto muito.
— Bem, pelo menos ela está bem, certo? Também sou professor dela, se ela tiver algum tipo de problema em casa, quero saber se posso ajudar de alguma forma.
— Não, não, não se preocupe, está tudo controle por enquanto. Simplesmente requer um pouco e esforço da parte dela agora. Deve ser resolvido logo — reassegurou Merlin, e Eiro acenou a cabeça.
— Entendo… Espero que sim. Ela é uma boa aluna, afinal.
— Uhum, exatamente. Agora, sobre o que você queria falar comigo a respeito da pesquisa sobre o Arcano? — perguntou Merlin, e Eiro sentou-se na frene dele.
— Ah, isso. Bem, eu terminei de analisar seus escritos. Você escreveu muito sobre a parte teórica, mas muito pouco sobre o aspecto prático para realmente aprender mais sobre o Arcano. Então, gostaria de pergunta exatamente como funciona e como se contorna a necessidade de um elemento ao usar a Linguagem Antiga.
Merlin suspirou fundo.
— Eu não deveria ficar surpreso a este ponto. É muito simples. Geralmente, você infunde sua mana com um elemento para conjurar magia, correto?
Bem, agora você precisa fazer o oposto. A mana que você manter dentro do seu corpo não é pura por natureza.
— Certo, contém uma parte de mim e está conectada diretamente ao meu ser. Entendi essa parte da teoria, só estou tentando entender que forma o aspecto extraído tomaria — comentou Eiro, e Merlin logo compreendeu o que ele queria dizer.
— Entendo. A forma que esse aspecto extraído assume é bastante diferente para cada indivíduo. Para mim, é simplesmente uma névoa leve quando a retiro do meu corpo. Muitas vezes, pode ser tóxica para o corpo se permanecer dentro de você por tanto tempo, mas, em si, este aspecto do seu ser pode ser usado para muitas coisas diferentes. De qualquer forma, assim que você extrai esse aspecto da sua mana, recebe a mana pura e verdadeira, ela praticamente carecerá de algo, não podendo permanecer assim por muito tempo. É basicamente isso. Essa mana pura se conectará à sua capacidade de falar a Linguagem Antiga, bem como sua compreensão dela. Desse modo, você terá criado a Magia Arcana dentro de você. Portanto, sua capacidade de conjurar Magia Arcana corresponderá diretamente à sua capacidade de falar a Linguagem Antiga.
— Hum. Você não mencionou esse aspecto. Na verdade, fiquei realmente surpreso, que faltasse a etapa para obter mana pura para obter Magia Arcana.
Mas se é isso, então acho que…
— Oh, mas você precisa estar ciente de mais um detalhe — interrompeu Merlin. — No começo, você terá que deixar essa Magia Arcana fluir por você o máximo possível. Precisa analisá-la, usá-la e se acostumar a ela. Aumentar seu entendimento do arcano e, cedo ou tarde, receberá a ‘afinidade’ com ele.
Até lá, você não poderá movê-lo para fora do seu corpo, pois ela pode se desfazer assim que deixar a forma da sua alma.
— É mesmo…? — perguntou Eiro. — Bem, certo. Não imaginei que seria capaz de conjurá-la de imediato. Obrigado, mesmo assim! Isso em ajuda bastante. O processo de como produzir mana pura é descrito em sua pesquisa, então poso começar em casa. Obrigado, Merlin.
— De nada. Você é… Bem, tecnicamente, meu sobrinho, não é? — perguntou Merlin com uma leve risada, e Eiro sorriu de volta.
— Isso, basicamente. Agora, parece que alguns alunos estão vindo falar com você, então vou deixá-los a sós — Eiro se levantou e foi até a porta, enquanto Merlin permanecia sentado em sua mesa.
O Demônio abriu a porta e saiu, vendo os alunos que queriam falar com Merlin. Ele os cumprimentou e foi em direção à saída.
Enquanto fazia isso, começou a ignorar tudo mais que acontecia ao seu redor. A única coisa que ele queria tentar fazer era extrair seu próprio ‘eu’ da mana para torná-la pura.
— Eiro… — disse Nelli ao lado do Diabrete, que virou a cabeça na direção dela.
— O quê?
— Você realmente confia em Merlin? — perguntou ela, olhando nervosa para o outro lado do corredor. Eiro olhou nos olhos dela e suspirou.
— Bem, ele não mostrou nenhuma hostilidade comigo. Ele parece um pouco incomodado que eu compreendi o Arcano mais rápido do que ele quando a descobriu, mas é só isso. E eu entendo isso, então não vejo motivos para não confiar nele.
— Como você não está vendo que Merlin é estranho para caralho? — questionou Sarius com um olhar profundo, antes que Eiro parasse, olhando para os três Espíritos na sua frente.
— E por que vocês três não estão confiando no meu julgamento? Ele é basicamente o irmão de Jura. Se Jura confiava nele, então eu também confio.
— Sim, mas nós nem sabemos se Jura realmente confiava nele. Ele literalmente nunca falou dele! — exclamou Nelli, e Eiro cerrou os punhos enquanto olhava para ela.
Por favor, pare. Não quero pensar sobre isso agora.
— Então você….
— Só… eu posso ver que ele está agindo estranho, mas muitas pessoas em quem confio são estranhas. Armodeus é um esquisito completo que não consegue desviar o olhar assim que começa a trabalhar em algo. Se esqueceu, um dos meus filhos literalmente veio de outro mundo. E eu sou o ser mais estranho que eu ou qualquer um de vocês já encontrou… Estranho é o nosso normal, certo? Então parem com isso! — disse Eiro, ficando cada vez mais irritado à medida que Nelli sugeria poder haver algo errado com Merlin.
…
Nota da Equipe