A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 432

A Virtude do Demônio

No dia seguinte, era hora de sua aula novamente, e foi a primeira vez que Eiro deixou os monstros na mansão sem sua supervisão. Era um pouco tenso, mas como Korg, Jess e James também estariam ali, eles conseguiram cuidar de tudo se alguma coisa acontecesse. Certamente eram mais fortes do que qualquer um dos monstros servos, afinal.

Assim que chegaram à Academia, Eiro e as crianças saíram da carruagem, entraram e se dividiram logo depois para que todos pudessem ir para suas respectivas aulas. Mas Eiro não tinha nada para fazer por enquanto, já que sua primeira aula não começaria em pelo menos duas horas. O motivo pelo qual veio tão cedo foi para receber uma aula, em vez de lecionar.

O Demônio foi até o escritório de Merlin. Bateu na porta bastante animado. Além da porta, ouviu algum movimento e, no instante seguinte, Merlin respondeu.

— Entre.

Eiro abriu a porta e entrou.

— Bom dia — disse ele, olhando para Merlin e a aluna que estava falando com ele até agora. O velho sorriu para ela.

— Você está dispensada. Podemos continuar esta conversa em outro momento.

A garota acenou a cabeça e saiu correndo da sala. Eiro também a conhecia, já que também era uma das suas alunas. No geral, ela era mediana, mas bastante estudiosa e dedicada. Apenas tinha dificuldade em acompanhar seus colegas mais talentosos.

Mas algo estava estranho. A garota correu para fora do quarto com o coração acelerado. O cheiro que ela exalava indicava um toque de adrenalina, e suas pupilas estavam claramente dilatadas. Ela parecia quase assustada enquanto saía do cômodo, fechando a porta atrás dela sem dizer nada.

— Algo aconteceu? — perguntou Eiro preocupado, e Merlin assentiu.

— Sim, mas é um assunto na vida particular dela. Não posso divulgar tal informação livremente. Mas não se preocupe, estou lidando com isso — explicou o velho. Eiro estava um pouco preocupado com a garota, mas, como Merlin estava falando com sinceridade, ele não se preocupou muito.

Sempre poderia tentar ajudar no futuro.

— Agora, por que você está aqui? Precisa da minha ajuda com seus estudos na Linguagem Antiga? — perguntou Merlin, mas Eiro meneou a cabeça.

— Não diretamente. Eu consegui a habilidade e a levei ao nível 18 do grau Iniciante durante o fim de semana. É uma habilidade realmente difícil de subir de nível, hein? — disse com uma leve risada.

Merlin pulou da cadeira e o encarou.

— O que você acabou de dizer? Você alcançou o nível 18 durante o fim de semana…?

— Ah, sim. Veja, há um tempo, encontrei este tomo escrito na Linguagem Antiga que está bem preservado. Eu simplesmente escolhi analisar a linguagem= para tentar descobrir os verdadeiros significados das palavras aqui. Até comecei a transcrever um dicionário para todas as palavras aqui, como uma forma de praticar. após eu descobrir que era mais rápido subir de nível ao criar meus próprios feitiços e cânticos, minha velocidade de aumento de nível disparou. Pelo menos em comparação às outras linguagens.

Merlin não sabia o que dizer. Eiro havia alcançado tal nível em apenas um final de semana?

— Ha, é por isso que tenho inveja daqueles com talento superior igual a você —suspirou o velho, mas Eiro explicou.

— Na verdade, eu não possuo talento algum. Acho que talvez por eu ser criado artificialmente, mas não recebo qualquer resultado em nenhum teste de talento.

— Nenhum resultado? — perguntou Merlin. — Mas geralmente se obtém pelo menos resultados positivos mínimos nos diferentes líquidos e soluções envolvidos.

— Claro, normalmente. Exceto se você não tiver nenhum talento… Se o ‘talento’ tivesse algum valor, então meu talento seria zero para tudo.

Geralmente, existem algumas reações, já que é quase impossível ter um ‘zero’ natural em tais valores — explicou Eiro, e Merlin estava incerto do que dizer. Ele simplesmente encarou sua mesa.

Isso significava que até Merlin tinha um talento maior para aprender magia e Linguagem Antiga, mas Eiro era capaz de aprender tudo isso tão facilmente de qualquer forma? Isso parecia bastante injusto para ele.

— Agora, por que exatamente você está aqui? — perguntou Merlin, sem deixar transparecer seus pensamentos para o Demônio na sua frente, e Eiro sorriu.

—Bem, eu gostaria de perguntar como posso entender melhor o conceito de Arcana. Se você estiver livre, é claro.

Merlin cruzou os braços, inclinando-se contra sua cadeira.

— Claro. Eu terminei de reunir meus cadernos sobre a teoria Arcana. Você pode lê-los agora. Compreender primeiro a teoria do conceito em si é bastante importante.

— Hum, meu palpite é que a Linguagem Antiga tem uma importância extremamente alta para isso, considerando também que a avaliação de “afinidade” a mostrou como um orbe feito de Runas Antigas. Digamos que… funciona usando magia sem um elemento como intermediário, confiando apenas na Linguagem Antiga, que por si só parece ter propriedades mágicas, muito mais fortes do que os elementos? — questionou Eiro, e Merlin encarou o Demônio em silêncio, sem saber o que dizer.

— Exatamente. Parece que você tem bastante facilidade em descobrir os detalhes — suspirou Merlin, um tanto irritado, levantando-se e caminhando até a prateleira de livros perto dele. Pegou alguns dos livros e os entregou para Eiro, que rapidamente os folheou. O Diabrete olhou para as páginas e absorveu as informações brutas, sem pensar nelas de fato. Os cinco livros foram devorados por Eiro em um instante.

— Volte até mim quando tiver lido todos ele, então podemos começar — explicou Merlin, e Eiro colocou o último livro na pequena pilha a frente dele, acenando a cabeça.

— Eu presumo que você tenha tempo depois que as aulas terminarem hoje, certo?

— É claro, todos os dias eu reservo algum tempo para falar com meus estudantes — respondeu o Velho, e Eiro sorriu.

— Perfeito. Então, eu volto depois de analisar tudo — Ele virou-se e caminhou até a porta. — Isso também deve me dar algum tempo para ler mais alguns livros na biblioteca.

— Falando nos livros… — suspirou Merlin. — Você esqueceu meus cadernos.

— Hum? Oh, não, eu já me recordo de tudo sobre eles, não se preocupe. Eu só não tive a chance de pensar sobre o conteúdo eles ainda — explicou o Demônio com uma voz presunçosa, deixando Merlin perplexo no escritório. Sem dizer mais nada, Eiro caminhou até a biblioteca. Ainda tinha mais algumas horas antes que suas aulas começassem, então, até lá, aproveitaria para ler mais algumas coisas relacionadas ao Arcano que conseguisse encontrar.

A coleção de livros dentro da biblioteca era mais do que impressionante, e foi suficiente até mesmo para que descobrisse sobre magia de manipulação de memória enquanto todas suas memórias desapareciam pouco a pouco.

— Na verdade, já não existe magia que é só mana? Magia como essas coisas de manipulação? — perguntou Sarius quando o Demônio falou sobre esse fato com os Espíritos, e Eiro pensou a respeito por um instante.

— Bem, parece ser um pouco diferente com a magia arcana. Com coisas como manipulação de memória, você ainda infunde sua mana com algo, e isto é a intenção bruta com a qual você carrega a mana. Não é mais a ‘mana pura’. Com a magia arcana, parece que você realmente está usando a mana em seu estado mais puro e a molda em algo mais usando a Linguagem Antiga, sem infundir sua intenção nela. É fundamentalmente diferente.

— Bem, em primeiro lugar, usar magia sem um elemento é estranho para caralho — comentou Sarius, virando-se para Gondos e Nelli. — Certo?

O Golem foi o primeiro a responder.

— Certamente parece incomum, mas não é como se fossemos capazes disso em primeiro lugar.

— Sim, nós temos ‘mana’, só temos magia elemental pura fluindo dentro de nós. Então não conseguiríamos fazer isso mesmo se tentássemos — adicionou Nelli, e Eiro parou por um instante enquanto olhava para a biblioteca.

— Me pergunto, se ‘Arcana’ é tecnicamente um elemento, até mesmo capaz de ser detectado por medições de afinidade, não significa que existem Espíritos Arcanos que possem mana pura fluindo dentro deles?

— Talvez, mas que forma teriam? Não é como se a mana tivesse uma forma… — respondeu Nelli, e Eiro ponderou sobre isso.

— Isso é verdade… Talvez faça mais sentido quando descobrimos como a Magia Arcana realmente se parece — sugeriu o Demônio. — Sabe, acho que vi alguns livros sobre magia não elemental por aqui, falando sobre ela em teoria, talvez isso ajudasse com isso. Também havia alguns livros sobre Espíritos por aqui…

—He, você seriamente quer ler livros em vez de ouvir os Espíritos nesses livros? — questionou Sarius com um sorriso, e Eiro olhou para ele com um sorriso irônico.

— Bem, sim. Principalmente não quero ouvir de um Espírito que passou a vida toda no plano primordial do fogo até recentemente. Mas, de qualquer modo, não é como se algum de vocês soubesse muito sobre outros Espíritos além de si mesmos.

— Ele tem um ponto — concordou Nelli enquanto olhava para Sarius, que simplesmente cruzou os braços irritado.

— Certo, certo.

Com um pequeno sorriso no rosto, ouvindo os Espíritos argumentarem, Eiro começou a ler mais alguns livros.

…

Comentários