A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 431

A Virtude do Demônio

Eiro estava deitado nas costas de Lugo, olhando para o céu enquanto o Cervo corria ao lado da carruagem puxada por cavalos. O Demônio estava manipulando casualmente o líquido do Ás de Copas para esconder a presença dos monstros dentro da carruagem à medida que se aproximavam do primeiro portão da cidade, o mais próximo à mansão de Eiro.

Aqui, as coisas ficariam mais difíceis, mas deveria ser possível para deixar os monstros passassem sorrateiramente enquanto Eiro distraía os guardas.

Basicamente, ele se certificou de fortalecer sua aura de uma forma muito específica para atrair a atenção dos dois guardas o máximo possível, fazendo o oposto que o Ás de Copas fazia. Controlando esse poder para esconder os monstros e, ao mesmo tempo, essa manipulação de aura era um pouco mais difícil do que imaginava, mas descobriu como fazer isso de forma estável bem rádio.

— Dia tranquilo, hein? — perguntou Eiro com um sorriso no rosto, e os guardas se endireitaram enquanto olhavam para ele.

— Sim, Barão Daemonherz! — respondeu um deles, o mais jovem.

— Teve um dia bom até agora, Barão? — perguntou o outro, e Eiro olhou para o guarda obviamente mais experiente e relaxado.

— Eu tive. Acabei de fazer uma breve viajem até minha nova terra. É um lugar muito bom, pelo menos não precisamos nos preocupar com os monstros de lá.

— Tenho certeza de que sim — riu o guarda. — Pode entrar.

— Muito obrigado — sorriu Eiro, passando rapidamente, seguido pela carruagem invisível. A partir de então, não precisava se preocupar com mais nada. Todos os monstros estavam contidos adequadamente dentro da carruagem, e não parecia que se encontrariam com alguém até que chegassem à mansão.

Embora, para sua surpresa, Eiro encontrou duas pessoas: James e Arc. O primeira havia voltado a correr recentemente para aumentar sua estamina, e como o último também gostava de correr, ele se voluntariou para acompanhar James até que pudessem ter certeza de que o Elfo da Luz conseguisse percorrer toda a rota sem problemas.

— Pai! — exclamou Arc, desviando levemente do seu caminho para se aproximar do Demônio. Mas por algum motivo, ele desviou em vez de continuar correndo no meio da rua, muito mais do que pretendia, para se encontrar com Eiro diretamente. Arc reagiu ao Ás de Copas subconscientemente. Não foi isso que surpreendeu Eiro: o que surpreendeu foi a expressão surpresa de James, misturada com sua exaustão evidente e respiração ofegante.

— Como vocês dois estão? — perguntou Eiro, ainda olhando para a forma como James estava reagindo. Arc se virou para James com uma careta.

— Ele é lerdo para caramba, o que mais?

— Você quer tentar correr com esse tipo de dor, idiota? — questionou James com uma carranca irritada, segurando a lateral do torso. — Além disso, por que você se mexeu de um jeito tão estranho?

— Hm? — perguntou Arc. — O que você quer dizer?

— Eu sei o que ele quer dizer — comentou Eiro. — Ele percebeu que você subconsciente evitou a carruagem que eu envolvi com o Ás de Copas. Como você percebeu isso, aliás?

— Bem, como é que eu vou saber? A magia que fluía ali é meio estranha, não é? — James comentou, e Eiro sorriu em resposta.

— Você tem um ponto. Na verdade, isso me deu algumas novas ideias para o seu treinamento.

— Devo ficar assustado…? — perguntou James com um sorriso irônico, e Eiro exibiu um sorriso irônico.

— E acho que não. Se ter que lutar com inimigos invisíveis te assusta, então sim.

— Vai se foder… —

—

Eiro levou os monstros até a mansão, liderando-os até a área onde ficariam seus aposentos. Claro, os soldados ficariam em um lugar separado dos outros servos, então o Demônio os levaria depois.

— É aqui que vocês ficarão — disse Eiro a eles com um tom severo. — Lembrem-se dos quartos e cuidem bem do que está lá dentro.

Um após o outro, os monstros entraram em seus respectivos quartos, vasculhando o interior. De imediato, transformaram os cômodos em uma bagunça completa, deixando Eiro realmente irritado.

— Certo então… Bavet — grunhiu o Demônio, e o Slime apareceu rapidamente ao seu lado.

— Sim…? — perguntou desconfiado, e Eiro sorriu para ele.

— Você sabe a etiqueta apropriada para um servo. Ensine-os — instruiu Eiro. Nos próximos segundos, o corpo de Bavet que estava pendurado ao redor do braço de Eiro, transformou-se em uma substância parecida com pedra.

Eiro pressionou a mão contra a superfície rochosa e retirou Bavet dele. Ele caiu no chão e se partiu ao meio.

— Pare de fingir. Só faça isso logo — resmungou o Demônio e, dentro de alguns instantes, Bavet já estava em sua forma humanoide, esfregando a nuca, irritado.

— Você não pode, tipo… Contratar outra pessoa?

— Por que eu faria isso? Eu tenho você, certo? — comentou iro, e Bavet virou a cabeça, irritado.

— Tudo bem, acho que sim. Só me dê alguns dias para ensiná-los adequadamente, tudo bem?

— Claro, leve quanto tempo precisar. Eles já se comportam muito bem, de qualquer maneira — adicionou Eiro. — Apenas certifique-se de ensiná-los bem e mostre a casa para eles para que saibam exatamente onde fazer suas tarefas. Eu os chamarei quando foi a hora de entregar os artefatos artificiais.

— Certo, certo — respondeu Bavet, enquanto Eiro se virava e deixava a área, com os guardas atrás dele.

Claro, tecnicamente, eles estavam ali mais para enfeitar, mas também ajudavam a afastar qualquer possível invasor. As aranhas espalhadas pela área cuidariam da segurança básica, enquanto o Demônio estivesse fora. Porém, de qualquer modo, os Orcs fariam Eiro se sentir mais relaxado. No momento, tinha apenas quatro deles, mas mais viriam em breve.

Eiro tinha dado alguns retoques no quartel. Ainda não estava em perfeitas condições, mas pelo menos era utilizável.

— Vocês quatro ficarão aqui. É um pouco afastado do prédio principal, mas isso significa que vocês terão muito tempo para si mesmos. Ainda estarão sob minha completa vigilância e não têm permissão para sair da propriedade sem minha permissão. Entendido? — perguntou Eiro, e assim que recebeu uma confirmação dos quatro monstro, Eiro mostrou o quartel para garantir que pudessem viver aqui confortavelmente.

— Serei eu quem terá que ensinar a vocês a etiqueta de um guarda, e não sou a pessoa mais paciente quando se trata desse tipo de coisa, então tentem aprender rápido. Depois, nos encontraremos com Armodeus para que tenham seus corpos medidos. Ele então fará algumas roupas, armaduras e armas para vocês. E o mais importante, vocês receberão um item específico que precisarão ativar constantemente enquanto estiverem trabalhando — explicou Eiro. — Pode parecer desconfortável no início, mas vocês certamente se acostumarão. Especialmente se evoluírem à medida que se acostumam. No mínimo, isso terá algum impacto.

Os monstros ficaram um pouco confusos, mas iro não se incomodou em explicar mais. Não tinha certeza se realmente entenderiam em primeiro lugar.

Então, em vez disso, continuou a mostrar a área para eles, dizendo os locais onde precisavam prestar mais atenção. Eles deveriam cuidar principalmente do perímetro externo, já que o interior da mansão era bem protegido.

— Então, vocês precisam prestar atenção nessa área e, se virem alguém se aproximando deste lugar, afastem-nos imediatamente. Não os matem e só lutem se eles foram agressivos com vocês. Obviamente, defendam-se, mas sem exagerar — explicou Eiro aos monstros. Tudo isso demorou um pouco mais do que ele gostaria, já que precisava traduzir algumas partes para as linguagens dos Kobolds, Orcs e Goblins, dependendo se os monstros entendiam ou não o que dizia.

Logo, terminou se encontrou com Armodeus de novo. O Anão Ancião estava um pouco nervoso por ficar sozinho com todos aqueles monstros, mas como Eiro intercedeu por eles e garantiu que Armodeus ficaria seguro, ele ficou mais tranquilo.

Ele tirou as medidas deles, um por um, e depois entregou os artefatos, e Eiro mostrou a eles como os utilizar. Um grupo de monstros entrou na sala, e saíram várias pessoas. A maioria parecia humanos comuns, embora, se soubesse suas verdadeiras identidades, seria possível notar semelhanças com Orcs, Goblins e Kobolds.

Eles também pareciam bastante desconfortáveis com as mudanças em seu corpo, mas Eiro os tranquilizou dizendo que estava tudo bem e logo pararam de reclamar. O Diabrete demonstrou isso pessoalmente, usando um artefato de teste feito por Armodeus. Afinal, o Mestre deles não usaria esse item se fosse perigoso.

Assim, Eiro conseguiu seus primeiros servos. Agora, só precisava dizer a Solomon sobre eles e garantir que aprendessem a etiqueta adequada, então poderia começar a trazer outros monstros para aumentar o número de seus servos de forma lenta, mas segura.

…

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