A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 430

A Virtude do Demônio

Eiro finalmente descobriu todas as palavras que precisava para isso, e até vasculhou suas memórias para encontrar descrições do Rei e Rainha dos Espíritos da Gravidade, para que tivesse uma imagem adequada durante a conjuração do feitiço, quando clamava pelo poder deles para conjurar o feitiço.

Assim que Eiro recebeu as pedras mágicas de gravidade processadas que foram encontradas nas minas da vila, continuou tentando decifrar os testes.

Levou cerca de meia hora para ele encontrar palavras que parecessem ser perfeitas para o feitiço que tentava criar.

Voltou àquele campo vazio mais uma vez, e começou a construir o feitiço alterado em sua mente. Eiro segurou a pedra mágica em suas mãos enquanto se preparava para desenhar o círculo mágico no ar. Ao mesmo tempo, tentava encontrar um modo de testar o feitiço.

— Gondos, crie pedregulhos a cerca de vinte metros de mim, e os dispare contra mim quando eu pedir — disse o Demônio, olhando para o Golem.

Gondos fez exatamente o que Eiro pediu a ele e, logo depois, o Diabrete começou a desenhar o círculo mágico e a recitar o feitiço. Traduzido, diria, ‘Ó, meu Rei e Rainha que governam a gravidade, cubram o espaço ao meu redor com a força do seu peso’.

Eiro ativou o feitiço e nutriu o círculo mágico que foi criado ao inserir sua mana através da pedra mágica de gravidade, já que ainda não havia despertado a habilidade.

Gondos disparou os pedregulhos contra Eiro logo antes do feitiço se ativar completamente e, assim que atravessaram cerca de metade do caminho que precisavam para alcançar o Demônio, uma força descomunal os empurrou para o chão, enterrando-os profundamente.

A grama foi achatada e o chão afundou um pouco, como se tivesse sido pisoteado.

— Isso é perfeito — disse Eiro com um grande sorriso no rosto. — Gondos, mesma coisa de novo.

— Você quer testar com maior velocidade ou com projéteis mais pesados? — questionou Gondos, e Eiro meneou a cabeça.

— Não, está tudo bem. Quero tentar outra coisa, então pode configurar tudo exatamente como antes. Obrigado — respondeu o Demônio, enquanto reconstruía o círculo mágico em sua mente, mudando alguns detalhes. O cântico continuava igual, no entanto.

Começou a desenhar o círculo mágico enquanto proferia o cântico e, ao ativá-lo, Gondos disparou os pedregulhos contra ele. O feitiço se ativou e, mais uma vez, absorveu a magia gravitacional, mas em vez de serem pressionadas para baixo, os pedregulhos começaram a desacelerar. E, assim que pararam por um breve instante, começaram a acelerar na direção contrária. Foram lançados ao redor de Eiro e se cravaram nas árvores ou no chão.

Ele havia criado uma magia em área usando o elemento gravidade que podia ser usada para se defender perfeitamente contra projéteis, usando a si mesmo como ponto central e fazendo com que a gravidade os afastasse. Consumia muito mais mana do que a versão básica de antes, mas definitivamente essa também era uma boa maneira de usar esse feitiço.

No geral, foi uma boa criação. Não apenas isso, mas agora que havia feito isso, criado esse feitiço usando seu novo conhecimento da Linguagem Antiga, o Demônio logo viu uma notificação na frente dos seus olhos.

[<Entendimento da Linguagem Antiga (Iniciante)> subiu de nível!]

Comparado ao que era antes, o esforço relativo e o tempo que gastou para subir de nível dessa forma eram extremamente baixos. Parecia que estava no caminho correto. A Linguagem Antiga não era apenas uma simples linguagem, mas, em si, algo que deveria ser usada para magia. Pelo menos, essa foi a única forma que conseguiu explicar isso. após chegar a essa conclusão, tudo ficou claro. Eiro seria capaz de aumentar sem Entendimento da Linguagem Antiga ao criar novos feitiços para seu arsenal. Essa era, de fato, a situação perfeita para ele.

—

Eiro caminhava pela vila mais uma vez. Observou com mais atenção alguns indivíduos que podiam ser integrados lentamente à vila principal graças às coleiras de madeira que foram feitas para suprimir sua monstruosidade enquanto as usava.

O Demônio ficou feliz de ver que tudo estava indo bem. Agora, voltou seu olhar para longe dos monstros e olhou para o grupo que estava alinhado na sua frente.

— Parece que estão todos aqui, hein? — perguntou Eiro, e Boju o respondeu.

— Sim, Mestre! Eu escrevi um símbolo nas costas das mãos deles para mostrar suas profissões, como você me pediu. Mas aqui está a lista com seus conjuntos de habilidades individuais de qualquer forma.

O Diabrete olhou para a lista e acenou a cabeça, satisfeito.

— Entendo. Obrigado, Boju. Só tenho uma pergunta rápida e simples.

— Sim? — perguntou o Orc das Terras Altas, e Eiro olhou para um indivíduo entre o grupo dos guardas. Ele era um Orc, que claramente não queria estar ali e esfregava agressivamente o símbolo nas costas de sua mão, já que parecia incomodado com ele.

— Por que você escolheu alguém tão rebelde para a posição central de chefe dos guardas? — Eiro questionou com um leve resmungo, e Boju imediatamente ficou nervoso.

— E-Erm, e-eu posso explicar isso! Es-Esse é Khareghubitaryu… O único adulto em nossa vila que não conseguiu descobrir uma tarefa…

O Demônio suspirou fundo, balançando a cabeça.

— O que você quer dizer? Ele obviamente descobriu sua tarefa. Só está negando.

— Uhm? Não, Khareghubitaryu não… Oh, você quer dizer por causa da foice? Eu sei que é uma escolha estranha para guerreiros, mas, por algum motivo, ele insistiu que um de nossos ferreiros fizesse uma foice de batalha para ele, e na verdade é muito bom com ela! Ele possui um temperamento forte, mas era um amigo próximo de meu pai, e você definitivamente pode confiar nele! — disse Boju de forma tranquilizadora, e Eiro ergueu as sobrancelhas. Ficou surpreso que Boju não percebeu, afinal, era um jovem Orc muito inteligente.

Eiro caminhou até o orc, que encarava o Demônio.

— Que quer?

— É ‘o que você quer’. Mas bem, o que eu quero saber é simples… — Eiro encarou o Orc e pensou em uma frase em orcês que pudesse sussurrar para ele, certificando-se de que apenas ele o ouvisse.

— Krah breg hyjuuh? Tryu jjorughi orghiasyuu — perguntou Eiro, falando claramente com um sotaque forte, mas, ao considerar que recebeu a habilidade há não muito tempo, sentiu que estava tudo bem. Alguns dos sons necessários para falar orcês de verdade eram completamente desconhecidos para Eiro e, por ora, ele não se importava com isso o suficiente para praticar os músculos em sua boca.

O Orc o encarou, claramente confuso.

— Jkhyass, juiokjia! — respondeu em voz alta, irritado. Afinal, Eiro perguntou por que ele estava escondendo o fato de já ter encontrado sua tarefa.

Sem esperar que fosse descoberto.

E era verdade. A tarefa que este Orc recebeu não estava relacionado a ser um guerreiro, mas sim a ser um fazendeiro. Por isso que o “item” que lhe foi atribuído era uma foice, uma ferramenta agrícola. No entanto, isso mostrou a Eiro uma nova perspectiva.

Embora geralmente o talento siga a paixão, havia casos em que, mesmo entre pessoas criadas para dedicar suas vidas ao seu talento de forma extrema, era possível que talento e paixão se opusessem. Isso mostrou algo para ele: que esse Orc era especialmente capaz por resistir a seguir sua tarefa como todos os outros

Era interessante, claro. Mas, por outro lado, Eiro não ficou feliz que aquele que lideraria os guardas de sua mansão fosse um Orc que passou praticamente a vida inteira desafiando tudo aquilo que deveria ser sua existência.

Novamente, Eiro disse em orcês que apenas Khareghubitaryu pôde ouvir, o que disse podia ser traduzido para, ‘Você pode ser o chefe dos meus guardas, mas apenas se responder minhas perguntas.’

Era evidente que o Orc estava preocupado, mas assim que concordou, Eiro ficou muito feliz. Ele gostava de criaturas interessantes como este Orc.

Certamente, ele era poderoso e poderia até ensinar a Eiro algumas coisas sobre como usar as ferramentas disponíveis de maneiras únicas e criativas.

Claro, havia pessoas que usavam foices para combate, mas a musculatura deste Orc foi construída para a agricultura, e não para o combate. Isso significava que a forma como ele usava a foice era a mesma que um fazendeiro a utilizaria, dada a habilidade necessária para tal, apenas ligeiramente adaptada para o combate. Normalmente foices eram usadas de maneiras bem estranhas, que muitas vezes não lembrava em nada a agricultura, embora essa fosse, obviamente, sua função original.

O Orc acenou lentamente com a cabeça, concordando com os termos de Eiro, embora bastante irritado. Parecia que ele não queria que se segredo fosse descoberto, e Eiro estava praticamente o chantageando, o que estava tudo bem para o Demônio. Contanto que funcionasse, ele não se importava.

…

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