
Volume 4 - Capítulo 426
A Virtude do Demônio
— O que está acontecendo exatamente? Vocês conseguiram evoluir como monstros comuns? — perguntou Eiro aos dois Mortos-Vivos do tipo espírito.
Eles se entreolharam e depois olharam confusos para o Demônio.
— O que você quer dizer? Não está claro que conseguimos? — respondeu Mikey, e Eiro suspirou fundo.
— Isso significa que vocês dois receberam múltiplas opções para possíveis evoluções e foram capazes de escolher qual seguir?
— Sim, não é assim que deveria acontecer? — Ariella, ou Ari, perguntou. Ela olhava para Eiro um tanto nervosa, já que era evidente que havia algo errado.
— Na verdade não, mas isso não é algo ruim, não me entendam errado. Só estou… confuso — murmurou Eiro.
Essa foi a primeira vez que havia ‘criado’ um monstro na forma de um Morto-Vivo. Poderia ser por causa da sua habilidade Lendária? Ele não tinha ideia, já que não conseguiu aprender nada sobre essa habilidade.
Como não conseguia realmente usá-la, ela estava praticamente selada. Além disso, Eiro não queria fortalecer acidentalmente suas habilidades e causar algum tipo de acidente novamente quando o efeito fosse revertido, mas ele só fez isso pouco depois de criar Mikey e Ari. A habilidade tinha a capacidade de fortalecer coisas, então talvez tenha fortalecido o processo de alguma forma. Essa foi a única explicação que considerou lógica.
Claro, Mortos-Vivos do tipo espírito eram muito diferentes do tipo cadáver, mas isso não mudava o fato de que só deveriam funcionar sob a influência do Necromante deles, que no caso era o próprio Eiro. Isso era confuso.
— Ou talvez tenha sido o fato de eu ter utilizado uma pedra mágica? — murmurou ele. Não tinha certeza, mas definitivamente queria descobrir. Talvez devesse perguntou a Koperia sobre isso, ela poderia saber de algo.
— Precisamos nos preocupar com algo? — perguntou Mikey enquanto flutuava ao redor de Eiro, mas o Diabrete meneou a cabeça.
— Não, vocês não precisam se preocupar. Preciso resolver isso sozinho. Agora, mudando de assunto… — Eiro mudou de assunto, pois não queria que os outros soubessem o quão perplexo ele realmente estava com a situação.
— Ariella, por acaso você conhece alguém com o mesmo nome que você? — perguntou a seguir, e a Morta-Viva branca meneou a cabeça, ou melhor, todo seu corpo.
— Não, acho que não. Nunca conheci outra pessoa com o mesmo nome, pelo menos.
— Bem isso é tecnicamente verdade, mas não exatamente, não é? — comentou Mikey, e Ariella pareceu confusa, antes de perceber o que seu irmão queria dizer.
— Oh, certo! Mamãe e papai me disseram que eles me deram o nome de uma mulher que os salvou enquanto a mamãe estava grávida! Eles disseram que ela era super bonita e que era basicamente um anjo!
— Certo, claro — Eiro esfregou a ponte do nariz. — Sim, isso explicaria, pelo menos. Acho que vou perguntar se ela se lembra…
— Espera, você sabe quem ela é? — perguntou Ari, animada. Eiro levantou a cabeça, apenas para ver o Fogo-Fátuo flutuando a poucos centímetros do seu rosto.
— Sim, eu conheço. Pela descrição, acho que sim. Ariella é um nome incomum em primeiro lugar — comentou Eiro. Era algo que ele precisava resolver, já que estava o atormentando não saber por que ambas tinham o mesmo nome raro. Apesar disso, também era muita coincidência que tivesse encontrado essa jovem, de todas as pessoas…
Mas isso não era importante agora. Em vez disso, deveria se concentrar nos motivos principais pelo qual veio até aqui.
— Gobo, chame Boju e Kitsue aqui. Quero falar com vocês três sobre algo — disse Eiro, e o Hobgoblin assentiu de imediato.
— Claro, Mestre! — com o mesmo nível de entusiasmo que Gobo sempre tinha quando fazia algo que Eiro lhe pedia, Gobo saiu correndo para encontrar o Orc das Terras Altas e a Kitbold.
Enquanto isso, Eiro observava uma estrutura. Era bem grande, como se fosse algum tipo de salão de reuniões, tinha vários andares e se estendia surpreendentemente fundo na montanha. Mais adentro, Eiro até conseguia ver alguns depósitos repletos de materiais reunidos de outros monstros, provisões, assim como todos os metais processados e pedras mágicas escavadas aqui.
Realmente fizeram um bom trabalho, a adição dos Orcs das Terras Altas fez maravilhas nesta vila. Eiro sentou-se em uma das cadeiras no que parecia ser uma sala de reuniões. Havia cerca de uma dúzia de cadeiras ao redor de uma grande mesa de madeira, uma das cadeiras era esculpida de forma bastante impressionante. Obviamente, Eiro se sentou nessa cadeira enquanto aguardava.
Alguns minutos depois, Gobo retornou com Boju e Kitsue logo atrás dele.
— Aqui estão eles!
— Obrigado. Por favor, sentem-se, tenho algo a dizer — comentou Eiro, cumprimentando os outros dois monstros.
— Há poucos dias, recebi um título de nobreza do Rei deste país. Junto com esse título de nobreza, vieram algumas responsabilidades e tarefas que devo resolver. Em troca, agora sou o dono dessa cadeia de montanhas. Por ora, preciso levar alguns monstros comigo até a capital para que me sirvam lá — explicou brevemente, ele não queria entrar em muitos detalhes sobre o título de ‘Barão’, já que literalmente nenhum deles sabia o que isso significava.
Apenas Mikey e Ari ficaram surpresos.
— Espera, um título de nobreza? O que você quer dizer? — questionou um deles, e Eiro sorriu.
— Solomon me nomeou Barão outro dia, porque eu consegui matar <A Morte> — explicou, antes de virar a cabeça para Kitsue, Gobo e Boju novamente.
— Para vocês três, <A Morte> é um Monstro Nobre, um dos monstros mais poderoso que ‘serve’ diretamente ao Rei dos Monstros — adicionou, e os três ficaram animados.
— Ooh! Como esperado do nosso mestre! — exclamou Kitsue, seguida por Boju.
— Is-Isso é realmente impressionante! Acho que li sobre os Monstros Nobres em um dos livros que você deixou!
— Sim, um deles falava sobre eles em um capítulo. Se estiver interessado, posso trazer mais alguns da próxima vez — explicou Eiro, antes de mover a mão para o lado como se estivesse retirando um livro de uma prateleira, e um caderno com capa de couro apareceu em sua mão.
Ele o abriu e o deslizou sobre a mesa na direção de Boju, já que era o mais indicado a cuidar dos assuntos administrativos como esse.
— Preciso preencher essas posições, classificadas por prioridades. O primeiro número na frente de cada linha é o número que preciso levar comigo desta vez, e o segundo número ao lado indica a quantidade total necessária, mas levarei apenas a quantidade necessária para o primeiro número comigo.
Se não houver nenhum número na linha, então não levarei ninguém para preencher essa posição — enfatizou Eiro. — Você fez uma lista de todos os monstros nesta vila com suas respectivas habilidades gerais, como pedi?
— Claro! Anotei tudo naquele caderno grosso que você me deu. Reunirei imediatamente o grupo de monstros que irá com você! — exclamou Boju, ponto para ir buscar os monstros neste exato momento, mas Eiro levantou a mão e balançou a cabeça.
— Não, fique. Não era só isso que eu queria conversar — comentou Eiro com um tom sério, deixando os três chefes dos monstros um tanto nervosos.
— Estou realmente feliz com o estado atual da vila. Os monstros parecem todos felizes, e parece bastante pacífico. No entanto, há um problema. Alguns deles ainda são muito agressivos. Eles estão sendo mantidos do outro lado desta ravina, em um lugar que parece basicamente uma favela. Eu não quero isso. Vou repetir, não quero isso a longo prazo— ordenou Eiro para que entendessem, e Gobo imediatamente ficou mais nervoso.
— Mas Mestre, o que mais devemos fazer? Se não os separarmos do resto de nós, eles nos atacarão. Isso deixa os outros monstros nervosos! — argumentou Gobo, e Eiro sorriu levemente.
— Não se preocupe, não estou os julgando por isso. Compreendo por que fizeram isso e, no fim do dia, acho que fizeram o certo, mas agora, não precisam fazer isso — explicou Eiro.
— Na minha carruagem, trouxe alguns itens que Armodeus criou com a ajuda de Bavet. Basicamente, eles são em parte feitos do próprio Bavet, focados em suas habilidades das Artes de Selamento — adicionou Eiro, e o Slime resmungou baixinho enquanto caía na mesa. Com uma voz sibilante, disse.
— Exatamente, então não subestimem isso, hein?! É doloroso para caralho separar partes do meu corpo dessa forma…
— De qualquer modo, eles são Itens Mágicos, inspirados nas ‘Coleiras de Domesticação’, os itens usados para escravizar criaturas como um atalho em vez de domesticá-las — comentou Eiro. Ele ainda tinha a sua guardada em sua Tesouraria, então Armodeus conseguiu copiar partes dela. O corpo de Gobo congelou com menção de tal conceito, lentamente movendo a mão na direção de sua nuca.
— Você quer transformar os monstros agressivos da vila em escravos?
— Isso é meio… — adicionou Kitsue com um sorriso iônico, e Eiro esclareceu de imediato.
— Não quero transformá-los em escravos. No entanto, essas coleiras também têm a habilidade de suprimir a monstruosidade desses monstros.
Temporariamente, os monstros que tiveram monstruosidade muito alta as vestirão — explicou Eiro, tirando uma de sua bolsa.
Era uma gargantilha de madeira, grande o suficiente para caber ao redor do pescoço de alguém.
— Só para deixar claro, isso não fará com que os monstros percam a sanidade, nem os colocará sob o controle de ninguém. Na verdade, é o oposto. Isso os liberta da monstruosidade que nubla suas mentes, para que possam tomar suas próprias decisões. Afinal, não podemos estar aqui para selar e liberar a monstruosidade deles o tempo todo. Em vez disso, vocês colocarão isso neles e, semanalmente, entrarão em uma sala a sós com eles. Vocês tirarão a coleira de madeira, levará cerca de meia hora até que voltem ao ‘normal’, ou seja, até que o efeito da coleira desapareça por completo. Nesse ponto, poderão avaliar se podem permanecer na comunidade principal sem ela. Se perceberem que ainda precisam de mais tempo, coloquem as coleiras de volta e os chamem depois de uma semana — explicou Eiro a eles, especialmente a Gobo.
— Novamente, isso é algo que eles só terão que vestir temporariamente. Não querem ver seu povo se matando, né?
…