A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 121

A Virtude do Demônio

— Há algo de errado? — Eiro perguntou com uma carranca profunda, tentando compreender o que Armodeus estava fazendo. Ele estava segurando a sua adaga em sua mão, encarando-a com um sorriso no rosto.

Quando escutou a pergunta do Demônio, Armodeus se virou para Eiro.

— Onde você encontrou essa peça? — O Anão Ancião perguntou, mas o Diabrete não tinha certeza do porquê ele queria saber sobre isso e se aproximou dele, tentando pegar a adaga de volta.

Entretanto, antes que Eiro conseguisse, Armodeus puxou sua mão e encarou o Demônio.

— Responda minha pergunta. — Ele disse, e Eiro o encarou irritado.

— Por que você se importa? — O Diabrete questionou um pouco agitado. Armodeus olhou para ele de novo.

— Porque eu criei isso. Faz um tempo, cerca de duzentos anos, mas me recordo de fazê-la com um amigo meu: Aren Stinehearth. Pelo que eu saiba, ela foi passada de geração em geração na família Stinehearth, e a última pessoa que deveria tê-la tido era… — Armodeus explicou e, quanto mais falava, mais começava a suspeitar do que Eiro havia feito. — Não me diga que você a machucou… — O Anão Ancião questionou, mas Eiro o encarou de volta, enquanto cerrava os dentes.

— Você está me questionando se eu matei Avalin?

Assim que Armodeus escutou Eiro dizer esse nome, ele começou a andar para frente com passos pesados que fizeram todo o quarto tremer.

— Você fez?! — Ele gritou. — Eu juro aos deuses que se você colocou as mãos naquela garotinha, eu-

— Armodeus! Eu não a matei! Ela foi comida por Zaragon. — Eiro interrompeu, e Armodeus o encarou de volta.

— O quê… O que você acabou de falar…? — O Anão interrompeu com uma voz profunda e irritada que se originou do âmago do seu ser. — E essa ira logo se transformou em frustração. — Ela… está real morta? — Armodeus perguntou, sentando-se na cadeira atrás dele. — Você tem certeza?

— Claro que tenho, eu estava lá. Foi durante o ataque do Sol contra a capital do Reino Sagrado. Zaragon foi ferido e comeu Avalin para se curar. — Eiro explicou, mas Armodeus o encarou, confuso.

— Então, como você conseguiu sair? Se Avalin foi morta, você deveria ter morrido também! Zaragon não é alguém que você deveria ser capaz de enfrentar!

— Isso porque eu não o enfrentei, eu bebi o Ás de Copas e fugi com essa adaga em minhas mãos. — Eiro disse com uma carranca, enquanto Armodeus pensava, confuso, o Demônio pegou a adaga dele. Ou pelo menos tentou, pois sem nem Eiro perceber, Armodeus já havia colocado a adaga na mesa atrás dele.

— Me desculpe por pensar que você a machucou… mas não consigo acreditar que ela esteve morta todos esses anos… Claro, James, o antigo companheiro dela, disse o mesmo, mas o pai dela estava convencido de que ele ficou louco após ficar desfigurado durante o ataque. — Armodeus explicou, mas Eiro olhou para ele com um leve olhar, enquanto colocava a máscara de volta em seu rosto.

— Posso pegar essa adaga em vez daquela de Drake que você fez? — Perguntou Eiro enquanto se aproximava da mesa e pegava sua outra adaga, a que era de Avalin, que foi afiada por Armodeus há alguns momentos, e o Anão assentiu enquanto Eiro se dirigia até a porta.

— Oh, e tenho mais uma coisa a dizer. Não sei muito sobre Avalin, mas… sei que ela detestava ser chamada de Stinehearth. — O Diabrete ressaltou, abrindo a porta e voltando para a parte da frente da construção. Com sua nova adaga em mãos e a antiga adaga de Avalin guardada em seu Tesouraria, viu o jovem que tratou sentado na mesa.

Com um pouco de pressa, Eiro foi até ele para ter certeza de que nada estivesse errado, encarando o jovem.

— Está tudo bem? — Eiro perguntou, e ele acenou a cabeça em resposta.

— Dói e queima um pouco, mas estou bem…

— Certo, isso é bom. Agora, olhe nos olhos do seu pai e tensione todo o seu corpo por um instante, mas me deixe movê-lo um pouco. — Disse Eiro, e o jovem olhou para ele um pouco confuso e se virou para a esquerda para olhar para o seu pai, tensionando o seu corpo como Eiro pediu.

Eiro segurou a parte superior do braço direito dele e começou a movê-la um pouco, assentindo satisfeito. Após tentar mover a perna do jovem perto da coxa, ele suspirou em alívio.

— Okay, tudo parece funcionar. — Ele apontou, e ambos, pai e filho, olharam para Eiro, confusos.

— Como você sabe? — Questionou Solomon, surpreso, e Eiro apontou para o braço do jovem.

— O membro dele está tenso. Normalmente, ele ficaria pendurado se não tivesse funcionado. — O Demônio explicou e apontou sua mão de madeira para frente, retirando a maioria da força vital que tinha em sua palma, fazendo com que todos os dedos ficassem pendurados.

— Se ele não se concentrar neles, eles ainda ficarão um pouco caídos, por conta de quanto tempo ele ficou sem o braço e a perna, mas com o tempo se tornarão tão naturais quanto seus membros originais. — Eiro explicou, seus membros tensionando de volta ao mesmo tempo que os estendia para o jovem. — Segure-se em mim por um segundo. Vamos tentar ficar de pé. — Ele sugeriu, e o jovem olhou para ele com uma expressão nervosa.

— V-Você tem certeza de que isso é uma boa ideia?

— Não tenho, mas não há motivos para esperar. Vamos lá. Quero que você seja capaz de me mostrar a sua cidade quando eu visitar daqui a um ano. — O Diabrete disse e, com um sorriso gentil, o jovem assentiu e segurou na mão de Eiro para fazer com que seu pé de verdade encostasse no solo, ficando de pé sobre uma perna e deixando que sua nova perna de madeira transferisse um pouco do peso para ela.

— Isso… não dói…?

— Claro que não. Por que machucaria? Você pode caminhar por conta própria, mas deve ter um problema de equilíbrio agora, então eu não sugeriria. — Eiro comentou, e então se virou para Solomon, que se ajoelhou na frente do Demônio.

— Obrigado! Obrigado! Não sei como te retribuir por isso! — Solomon exclamou, aparente aliviado por seu filho ser capaz de ficar de pé novamente . E, com um leve sorriso, Eiro cruzou os braços.

— Bem, eu tenho uma ideia para isso. — Ele falou, mas, assim que fez isso, um dos guardas do Rei pareceu ficar ofendido. E, como Eiro pensou, foi o mesmo guarda de antes.

— Como você ousa! Já deveria ser uma honra ajudar um rei! Uma recompensa é desnecessária! — Ele exclamou, mas Eiro o encarou com um olhar penetrante.

— Oh, sério? Me desculpe, mas acontece que… ele não é o meu rei. Ele é ‘um’ rei, mas por que isso deveria importar? Não o ajudei porque ele é um rei, e sim porque ele é um pai preocupado com sua criança. E se isso pode ajudar as minhas crianças, aceitarei a recompensa.

— Já chega! Você está pres- — O guarda real exclamou, mas, antes de terminar o que falava, foi interrompido.

— Silêncio! — O Rei gritou. — Como eu disse antes, não estou aqui como um rei, e sim como um pai, como Eiro disse! Ele merece qualquer recompensa que desejar, entendeu?! — Exclamou Solomon, fazendo com que o guarda estremecesse e acenasse a cabeça.

— Sim! Perdoe-me pelo meu comportamento, meu Rei!

— Você está perdoado, mas que isso não se repita. — Solomon disse com um olhar furioso, então olhou para Eiro com um sorriso caloroso.

— O que você deseja como recompensa? — Ele perguntou ao Diabrete, que sorriu leve e olhou para as crianças atrás dele.

— Minhas crianças ainda não têm suas classes. E temos que partir assim que possível amanhã de manhã, então você poderia permitir que eles usem o seu Cristal de Mudança de Classe? — Eiro perguntou e, sem hesitação, Solomon concordou.

— Claro que sim! Não há problema algum! Por favor, traga aqui! — Solomon exclamou enquanto olhava para seus dois guardas que saíram e foram até o lugar em que o cristal parecia estar.

Alguns minutos depois, eles retornaram carregando uma caixa de madeira grande. Colocaram-na no chão e abriram sua parte de cima, dobrando-a para o lado, revelando a parte de cima de um cristal com um formato irregular e um tanto áspero, como se fosse um fragmento de algo muito maior.

— Por favor, prossigam. Coloquem a mão sobre ele, uma pessoa por vez, e escolham com cuidado. — Rei Solomon explicou, e Eiro olhou para suas crianças e assentiu.

— Arc, você primeiro. — O Demônio disse. O garoto nem hesitou, pressionando a palma da mão no cristal.

Eiro viu uma notificação amarela aparecer na frente dos olhos de Arc. Claro, não a viu de verdade, em vez disso, viu o seu reflexo.

[Escolha uma classe para configuração inicial]

[Compatibilidade Baixa]

– Cocheiro

– Mago de Fogo

[Compatibilidade Média]

– Estrategista

– Cuidador de Animais

[Compatibilidade Alta]

– Espadachim

– Bárbaro

[Compatibilidade Única]

– Samurai Insensível

Após ler todas elas, Eiro encarou os olhos de Arc, tentando descobrir em qual parte da notificação ele estava focando sua atenção.

— Arc, eu juro que se você escolher Bárbaro, você nunca mais verá a luz do sol.

— Mas ela tem compatibilidade alta! — Arc reclamou, e Eiro o encarou.

— Eu preferiria que você escolhesse Cocheiro do que Bárbaro. — O demônio disse com um olhar penetrante e, com um leve beicinho, Arc cruzou os braços.

— Está bem, então eu escolherei o Samurai alguma coisa. — Ele disse, e Eiro assentiu em satisfação.

— Perfeito. Obrigado. — O Diabrete disse, percebendo que Solomon estava o encarando.

— Espere, o que foi essa conversa? Você já havia conseguido ler as classes possíveis em outro lugar? — O Rei perguntou, mas Eiro balançou a cabeça.

— Não, eu li o reflexo da notificação nos olhos dele. — O Eiro explicou, olhando de volta para as crianças. — Sammy, sua vez. — Ele disse, percebendo que a notificação que apareceu na frente de Arc foi atualizada, e então voltou seu olhar para Solomon, que estava completamente confuso.

— O que isso significa?! Como você consegue fazer isso?! — Ele questionou, e Eiro deu de ombros.

— Segredo comercial. — Ele disse e olhou para Sammy para ver o que ela escolheria como sua classe, e ficou feliz ao ver que ela escolheu a classe com compatibilidade única que foi oferecida, ‘Arqueira Sereia’.

Depois disso, Rudy escolheu a classe ‘Castelo’, embora tanto ele quanto Eiro tenham ficado confusos com isso. E, por último, Clementine escolheu a classe ‘Curandeira Devoradora’. Eiro ficou feliz de que todas as classes deles foram criadas a partir de suas habilidades únicas, pois isso poderia ajudá-los a controlar melhor suas habilidades. Esperava isso principalmente de Sammy.

Eiro não ficou feliz que levaria mais oito anos para que Leon conseguisse uma classe que poderia ajudá-lo, mas talvez Leon conseguisse controlá-la mesmo assim.

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