
Volume 4 - Capítulo 413
A Virtude do Demônio
— Nobre? Algo assim não vem com… responsabilidades e coisas do tipo? Mais importante, terras? Eu não quero me incomodar com isso — apontou Eiro com um sorriso e Solomon sorriu levemente para seu amigo.
— Sim, vem com responsabilidades, mas não mais do que as que você já tem. Já é professor na academia e, depois, presumo que você vencerá o torneio e se tornará o companheiro do herói. Isso cobre todas suas responsabilidades.
— … E quanto à parte das terras? — perguntou Eiro com os braços cruzados, feliz por não receber nenhuma responsabilidade em particular e Solomon fez uma careta.
— Já pensei sobre isso. O título que você receberá é de ‘Barão’ e tenho muita certeza de que você gostará da baronia que escolhi para você. Além disso, não se preocupe, mas o condado onde a baronia está pertence, por sorte, a um amigo de confiança. Ele é um bom homem e sua família é uma das poucas que sabe sobre a habilidade de linhagem dos Skyhart.
— Então, qual é a terra?
— Escolhi um local específico para você, um sem vilas. Pode haver algumas pessoas lá de vez em quando, mas, na maioria das vezes, elas apenas passam por ali — explicou Solomon. — É a cordilheira onde fica sua pequena ‘vila de monstros’. Você pode fazer o que quiser ali, mudar as rotas acessíveis para garantir que as pessoas não possam encontrar aquele lugar e para que possa aumentar o tamanho dela à vontade. Também há alguns campos de caça interessantes. Alguns aventureiros tentarão ir até lá por causa disso, então você pode ter que lidar com eles, mas, fora isso, parece o lugar perfeito para você, não é?
— É, sim, com certeza — disse Eiro com um sorriso, embora Solomon ainda tivesse algo a dizer.
— No entanto… Neste ponto, você não pode mais evitar contratar alguns servos, sabe? Isso será bastante problemático, considerando o estado atual de sua mansão — explicou o Rei. — Podemos encontrar algumas pessoas confiáveis que não revelarão seus segredos a ninguém.
— Não — respondeu Eiro sem pestanejar. — Não teremos pessoas como servos. Consegui adquiri um método para criar artefatos artificiais, assim como um artefato que não é uma Carta que pode disfarçar monstros de pessoas. E tenho um lugar cheio de monstros que já me servem. Só preciso escolher alguns com os melhores atributos e conjunto de habilidades para serem servos.
— Você entende que “servos” também significa alguns cavaleiros e outros tipos de soldados? Você pode se safar fazendo com que eles sejam seus seguidores diretos, em vez de ter que dar terras próprias a eles.
Eiro suspirou.
— É mesmo? Bem, faz sentido. Acho que vou pedir para Armodeus fazer algumas armaduras e armaduras para eles, então?
— Você também precisará de alguém para desenhar um brasão para você.
— … Há mais alguma coisa?
— Claro que sim. Podemos esperar um pouco para isso, mas não devemos demorar muito para decidir um sobrenome para você. Sendo um barão, você também precisa de um nome do meio, embora possamos poupar suas crianças disso. Se elas quiserem ter um nome do meio, não há nada que impeça — disse Solomon, enquanto começava a caminhar pela sala. — Mas há mais uma coisa… Precisamos anunciar ao público em breve. Podemos evitar se você quiser, mas anunciar publicamente que você matou <A Morte> também ajudará sua promoção na guilda dos aventureiros.
— Parece um bom plano, mas não ficaria um pouco estranho se um nobre ainda trabalhasse ativamente como um aventureiro?
— Claro que não! Há muitos nobres menores trabalhando como aventureiros. Especialmente se eles se tornaram nobres por meio de suas aventuras. Os nobres vão murmurar entre si, mas fariam isso de qualquer maneira — comentou Solomon. — Há poucos motivos para não lhe nomear um nobre, Eiro. Só vejo vantagens. Para nós dois.
Eiro levantou-se do sofá e balançou a cabeça.
— Tudo bem, mas me dê algum tempo para voar até minha casa e pegar Bavet. Afinal, não posso mostrar meu rosto agora.
— Prepararei tudo o que precisamos! Uma hora ou duas são suficientes para que você fique pronto? — perguntou Solomon e Eiro acenou com a cabeça enquanto caminhava até a porta para sair.
— Deve ser suficiente. Devo estar de volta até lá — o Demônio colocou a máscara em seu rosto e atravessou os corredores do castelo, passando pelos nobres e seus criados, eventualmente saindo. Em um lugar onde ninguém conseguia vê-lo, Eiro abriu as asas e voou até sua mansão.
Podia ver que James e Krog estavam treinando lado de fora, então o Diabrete pousou ao lado deles. Eles pararam o que estavam fazendo e olharam para Eiro. Podiam ver que a armadura dele estava danificada e com um pouco de sangue seco.
Então, Eiro retirou sua máscara e revelou um grande sorrio.
— E já são dois Nobres a menos.
— Cacete…! — Krog exclamou. — Porra, você é incrível, cara!
— Obrigado, mas não posso ficar por muito tempo. Preciso limpar um pouco a armadura e depois sair com Bavet de novo — explicou Eiro, dirigindo-se até a mansão. — Explico tudo o que aconteceu amanhã de manhã.
— Ué, por que você precisa sair de novo? Você devia descansar um pouco, certo? Você está ferido! — exclamou James e Eiro riu.
— Não se preocupe, não vou para a batalha. Solomon irá me nomear um Barão esta noite e o fato de eu ter matado <A Morte> será anunciado em alguns dias.
James e Krog se entreolharam perplexos, enquanto Eiro continuava caminhando.
— Então é melhor vocês treinarem muito para ficarem muito mais fortes. Se vamos ser um grupo de Rank S, não posso ser o único com reputação.
Eiro entrou na casa e, na sala de estar, suas crianças já estavam reunidas. Apenas as mais velhas, pois as outras já estavam dormindo. Era um pouco tarde, mas era provável que estivessem esperando Eiro voltar, não importando quanto tempo levasse.
Assim que o pai deles passou pela porta, os cinco, incluindo Felix se levantaram com um pulo e correram até Eiro.
— Pai! Está tudo bem? Você… — perguntou Sammy e Eiro apenas sorriu para as crianças.
— Claro que estou bem. Vocês acharam que eu falharia? — o Demônio abraçou as crianças e soltou um leve suspiro, depois falou com um tom sério. — Só que eu tenho um assunto para resolver e preciso da ajuda de vocês desta vez.
As crianças se entreolharam nervosas e, com uma expressão determinada, voltaram para o seu pai.
— Tudo bem… seja o que for, nós faremos — respondeu Arc sem pestanejar. Eiro ficou um pouco orgulhoso que eles nem hesitaram em responder, mas, por sorte, as crianças não precisavam fazer nada de errado.
— Como foram vocês que escolheram meu nome, preciso que façam o mesmo com meu nome do meio e nosso novo sobrenome, que usaremos quando nos tornarmos uma família nobre, ainda hoje. Podem levar o tempo que quiserem, a cerimônia oficial só acontecerá daqui a alguns dias, mas não podemos demorar muito.
As expressões das crianças ficaram inexpressivas, enquanto Felix tremia, incerto se havia lido corretamente os lábios de Eiro.
— Você acabou e dizer que seremos nobres… uma família nobre? — questionou Rudy, com um sorriso, ficando animado. O mesmo pôde ser visto em Clementine, mas Sammy e Arc, que cresceram em famílias nobres até serem vendidos devido às suas habilidades únicas, ficaram mais nervosos do que animados e Eiro percebeu isso.
— Não se preocupem, nada vai mudar. Só irei me tornar um barão e vocês quatro, Avalin e Leon, receberão títulos honorários. Vocês terão um sobrenome e será mais fácil conseguir qualquer emprego que desejam no futuro, mas fora isso, nada mudará para vocês. Talvez as pessoas falem um pouco mais sobre vocês na escola. De qualquer forma, já estamos vivendo a vida de nobres, só não somos uma família nobre oficial.
Arc suspirou fundo.
— Você está certo. E você não vai mudar só por causa de um título de nobreza. Tecnicamente, você já é um nobre, só que um Monstro Nobre… E em breve você será da realeza… Essa merda é confusa, cara.
— Com certeza… — Clementine assentiu em concordância, depois olhou para Eiro. — Mas isso significa que teremos que ir às festas de outros nobres agora?
Eiro olhou para sua filha e pensou a respeito por um instante. Percebeu que Solomon deixou de fora uma parte importante de ser um nobre.
— Aquele maldito bastar… — Com um resmungo alto, Eiro esfregou a ponte do nariz.
— Provavelmente ficaremos bem se não formos, mas podemos receber vários convites de qualquer maneira. Vocês podem ir se quiserem, só teremos que comprar roupas melhores do que as que têm agora. Algo que mostre que vocês fazer parte de uma família nobre.
— Mas, por enquanto… — disse Sammy. — Devemos pensar em um nome muito legal para a nossa família!