A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 412

A Virtude do Demônio

Eiro permaneceu na frente de Koperia, mostrando sua forma fundida.

— Quando eu me tornei o candidato para <O Mundo>, recebi uma habilidade que me permite fundir-me com magias e elementos com facilidade, e como os Espíritos são ambos, só que com vida… Posso me fundir com eles. Pude sentir que os poderes do Morto-vivo funcionavam de forma similar, então consigo me fundir com ele. Embora pareça que eu não consiga impedi-lo de tentar se fundir fisicamente comigo — explicou Eiro enquanto esfregava o rosto, onde havia arrancado a máscara há instantes.

Koperia cruzou os braços e ponderou.

— Neste ponto, eu já desisti de fazer você meu brinquedo, mas… você se importaria de me deixar… ‘analisar’ essa sua habilidade? Tenho tentado fundir diferentes Mortos-Vivos há muito tempo, então essa habilidade deve me ajudar a entender como prosseguir, mas antes disso… um dos meus brinquedos notou algumas pessoas se aproximando, então é melhor irmos embora — sugeriu a necromante e Eiro acenou a cabeça.

— Claro, são só os guardas da prisão. A luta foi bastante intensa, imaginei que eles notariam o que estava acontecendo.

Eiro envolveu suas asas ao redor do seu corpo e vestiu o capuz conectado à sua armadura, vestindo sua máscara de sempre no rosto. O demônio e a necromante saíram da cela e, assim que chegaram às escadas, alguns guardas armados os bloquearam. Eiro viu alguns deles mais cedo quando os ordenou que saíssem, então também o reconheceram. Entretanto, sabendo o que era a criatura que tinham aprisionada ali, eles ainda estavam preocupados que Eiro e Koperia agora fossem Mortos-Vivos sob o controle do Nobre.

— Ah, não se preocupem, cuidamos disso. <A Morte> Está morta — explicou Eiro, certificando-se de infundir sua voz com o máximo de controle sobre o domínio da verdade, para que os guardas sequer pensassem em duvidar. Ele dizia a verdade de qualquer forma, mas Eiro sabia que as pessoas costumavam desconfiar, e, como não queria lidar com muito incômodo, queria convencê-los logo de cara.

Os guardas se entreolharam e, depois, se viraram para o homem e a mulher na frente deles. Era evidente que estavam desconfiados, o que era compreensível. Havia um motivo pelo qual prenderam <A Morte> em vez de matá-la eles mesmos, afinal. Sequer tinham esperança de matá-la. Agora, essas duas pessoas aleatórias apareceram e resolveram o problema, simples assim?

— Ah… Houve algumas baixas. Como vocês removeram alguns dos selos em preparação à nossa chegada, três dos colegas de vocês foram transformados em Mortos-Vivos. Também os matamos, mas seus corpos estão em segurança ali — apontou Eiro enquanto passava pelos guardas, sem dizer mais nada.

Assim que passou por eles, todos os guardas o saudaram sem hesitar. Mesmo que Eiro não fosse ‘o’ Herói, para eles, era como se fosse. O fato de Eiro estar vestindo uma armadura branca-dourada que irradiava a sensação de ‘verdade e ordem’ também contribuía para isso.

Antes de sair, Eiro também encontrou o chefe dos guardas e explicou a situação. Koperia se certificou de levar consigo todos os vestígios do corpo e até o sistema confirmou que <A Morte> estava morta, então os guardas não corriam muito mais perigo do que correriam em qualquer outra prisão.

O chefe dos guardas também saudou Eiro e Koperia quando eles saíram e a dupla se entreolhou por um instante assim que chegaram do lado de fora, longe do alcance de visão de qualquer um por perto.

— Isso foi um pouco estranho, mas não foi ruim — disse Eiro com um sorriso e Koperia olhou surpresa para ele.

— Olha só, você se importa com os pensamentos das pessoas que sequer conseguem compreender o seu nível de força?

— Bem, não, mas isso não significa que eu não possa me entregar a tal sensação de vez em quando.

— Hum, isso pode ser verdade — respondeu Koperia, depois estalou os dedos. Chamas negras se acenderam atrás dela e ela invocou o mesmo pássaro Morto-Vivo da última vez. — Estou saindo agora. Se precisar de mim, você ainda possui aquele meu brinquedo para entrar em contato comigo — disse ela com um sorriso e uma piscadela, fazendo com que Eiro suspirasse.

— Certo, aviso se precisar de algo. Oh, também irei te contar o que pretendo fazer com esta nova carta, assim que descobrir como usá-la direito.

— Oh? — ela olhou para Eiro, surpresa. — Você não planejava transformar aquela garotinha Morta-Viva em <A Morte>?

— Estava pensando nisso, mas… Bem, primeiro, ela não estava muito a fim. O que eu consigo entender é que ela não é um monstro há muito tempo e nós dois sabemos que nobres são completos babacas, todo mundo sabe disso. Além disso, agora que conheço mais sobre a natureza desta carta, não tenho certeza se quero entregá-la para ela. A capacidade de ‘adaptação’ pode mudá-la por completo e não quero fazer isso com uma criança — explicou Eiro e Koperia suspirou fundo.

— Eu nunca entendi como um demônio como você acabou se importando com crianças até esse ponto — comentou Koperia, montando nas costas do seu pássaro, que começou a bater suas asas. — Talvez da próxima vez eu consiga te entender um pouco melhor.

— Certo. Talvez — disse Eiro com um sorriso, observando Koperia partir, enquanto alongava seu corpo depois dessa luta intensa. Tinha que informar Solomon sobre como se desenrolou a situação.

Eiro subiu os degraus na frente da entrada do castelo real, observando a porta se abrir na sua frente. Caminhou pelo prédio, surpreso em descobrir que Solomon tinha alguns visitantes. Bem, ouviu dizer que nobres gostavam de dar festas e, para mantê-los sob controle, Solomon tinha que convidá-los de vez em quando. Era um pouco irritante, mas eles deveriam ser capazes de conversar em algum lugar.

O Demônio dirigiu-se ao salão, onde Solomon e os outros nobres estavam reunidos, e entrou. Assim que o fez, os nobres e suas escoltas o encararam confusos, embora a maioria tivesse reconhecido a armadura que ele vestia.

Sem se importar com nada, Eiro atravessou as salas e se aproximou do grupo de pessoas reunido ao redor do Rei. Assim que Solomon viu Eiro se aproximar, o Diabrete percebeu que os batimentos do Rei aumentavam de forma considerável.

Entreolharam-se por um instante e Eiro assentiu com a cabeça, causando um alívio enorme a Solomon. Ele sorriu e caminhou até Eiro.

— Com licença, todos. Devo falar com meu amigo aqui em particular.

Então, Solomon correu para fora da sala o mais rápido que pôde, com Eiro logo atrás, deixando o resto dos nobres confuso. A dupla logo entrou no escritório de Solomon e o rei olhou para Eiro com um olhar nervoso.

— Então? Diga-me o que aconteceu!

Eiro sorriu enquanto retirava sua máscara, deixando-se cair em um dos sofás.

— Bem, ela foi muito chata de se lidar, mas consegui enganar <A Morte> e matá-la — explicou o Demônio, retirando a Carta do Arcano Maior que servia de prova.

Solomon tinha um sorriso animado no rosto.

— Não consigo acreditar! Quero dizer, consigo sim, já que é você, mas isso é incrível! Você se livrou de dois Nobres, isso é fantástico, Eiro!

— Obrigado, e eu tive muita vantagem ambas as vezes — comentou o Demônio. — Mas agora estou a apenas 15 níveis da minha próxima evolução, então depois disso devo receber uma melhoria muito grande.

— Sim, tenho certeza que sim — respondeu Solomon com um sorriso e olhou para Eiro. — Tenho uma sugestão para você. Na verdade, hoje é a oportunidade perfeita para isso.

Eiro o encarou confuso. Tinha algumas ideias do que ele queria dizer, mas não tinha certeza.

— Que tal anunciarmos que você matou <A Morte>? — perguntou Solomon e Eiro levantou as sobrancelhas, surpreso.

— Por que faríamos isso?

— É simples. Pensei sobre por um tempo. Quero te dar algo que o faça ser reconhecido imediatamente entre as pessoas e os outros nobres, um evento em que seja impossível negar que você mereça meu presente.

— … Solomon, você não pode estar…

— Isso mesmo. Eiro, vou te tornar um nobre esta noite.

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