A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 411

A Virtude do Demônio

Eiro olhou para <A Morte> com um sorriso amplo no rosto, enquanto a criança infantil na sua frente o encarava confusa.

— Ma-mas como isso é possível?

— Bem… — murmurou Eiro, esfregando o queixo. — Por você ter me subestimado, sabe… — com um sorriso no rosto, Eiro estendeu a mão e fez o gesto de tirar algo de uma mesa, antes que a Carta de <O Mundo> aparecesse em sua mão. — Você não é o primeiro nobre que enfrentei.

<A Morte> Encarou a grande carta dourada que Eiro segurava e estava perplexo.

— M-Mas ele estava selado! Como você…

— Isso importa? — respondeu Eiro, guardando a carta. <A Morte> Ficava cada vez mais irritada. Afinal, mesmo que tivesse as memórias de todas as vidas que roubou, neste instante tinha o corpo e cérebro de uma criança, o que afetava seu comportamento.

Eiro assumiu sua postura padrão, com a adaga em uma mão e a outra mão livre e olhou fundo nos olhos de <A Morte>.

— Agora, vamos ver se você ainda consegue se adaptar — sorriu o Diabrete e se impulsionou no chão. Por meio dos poderes do Morto-Vivo com que estava fundido, apareceu quase instantaneamente na frente do seu inimigo e agarrou a gola dele. Thomas nunca usaria algo assim, então <A Morte> não tinha como se defender de algo do tipo. Claro que ainda não era tão fácil como Eiro gostaria, já que o corpo <A Morte> ainda era bastante forte e ágil.

Eiro puxou o corpo dela em sua direção e a esfaqueou em um ponto específico no seu pescoço. Sua cabeça estava bem protegida, já que Thomas costumava mirar nela com frequência, em especial com golpes com o escudo, então ele não podia acertá-la com tanta facilidade, mas isso não significava que Eiro não conseguia ferir a cabeça de <A Morte>. Afinal, ela não tinha proteções contra ataques de dentro, já que Thomas não era capaz de fazer isso.

Mas Eiro era capaz de injetar um certo líquido no corpo de <A Morte>, forçando-o através de suas veias vazias. Ela ainda era uma Morta-Viva e, de alguma forma, havia se livrado de todo seu sangue. Eiro percebeu isso logo cedo depois de começarem a lutar. Porém, isso era apenas uma preparação para o que aconteceria depois.

Continuou a lutar contra <A Morte>. Ela não parecia mais capaz de se adaptar tanto aos seus ataques, mas ainda conseguia adaptar mentalmente até certo ponto. Como possuía muitas memórias de combate, seu senso de luta era incrível, e essa não era de forma alguma uma luta fácil para Eiro. Devido à imensa desvantagem que <A Morte> recebeu por meio de sua adaptação suprema a um inimigo que não era o próprio Eiro, assim como à vantagem que o Diabrete obteve com essa ação, além de o Morto-Vivo com que estava fundido estar aumentando muito sua força, eles estavam em pé de igualdade.

 Isso demonstrava a Eiro o quão impotente era em comparação aos nobres.

Este inimigo tinha tantas desvantagens, além de ter um corpo inadequado para combate, ao mesmo tempo que não era capaz de usar sua verdadeira especialidade, necromancia, e Eiro mal conseguia se igualar depois de ter sido tão fortalecido?

Isso o deixou aterrorizado com a ideia de ter que lutar com <O Diabo>, um nobre que usaria todo seu poder para garantir vantagem durante todo o confronto, mas, ao mesmo tempo, isso o deixou em êxtase com o nível de poder que alcançaria ao evoluir para um Monstro Lendário, antes mesmo de se tornar um Nobre.

O coração do Demônio continuava palpitando, forte o suficiente para Eiro sentir a pressão reverberar por todo seu corpo. Esfaqueou <A Morte>, a qual cravou seus dedos na carne de Eiro. Os dois continuaram lutando dessa maneira por mais uma hora, até que Eiro teve certeza de que a vida de <A Morte>, ou sua ‘durabilidade’ devido à sua natureza como uma Morta-Viva, estivesse baixa o suficiente para isto funcionar. Pegou mais uma vez o frasco cheio das chamas sagradas e retirou uma pequena faísca. Aumentou o tamanho das chamas e as disparou contra <A Morte>, assim como contra os respingos do líquido que havia injetado nela e que cobriam o chão.

Quando as chamas fizeram contato com esse líquido, elas se intensificaram por um instante.

— Você é <A Morte>, mas não consegue nem manipular o sangue de outra pessoa colocado em seu corpo? — questionou Eiro com um sorriso e o Nobre grunhiu alto enquanto as chamas cobriam seu corpo. O sangue do Demônio que preenchia <A Morte> se incendiou e destruía o corpo dela. Sua durabilidade diminuía cada vez mais, até que seu corpo desmoronou, transformando-se em poeira. Entretanto, o corpo ainda se mantinha unido, de alguma forma, e Eiro sabia o porquê. Virou-se e gritou:

— Koperia, agora!

Mas, claro, a Rainha dos Mortos-Vivos já estava trabalhando nisso. Segurou o coração em sua mão e, poucos segundos depois, ele apodreceu, restando apenas as partes de metal do relógio do filactério, embora mesmo isso logo tivesse enferrujado e se quebrado, tornando-se inutilizável.

Neste exato momento, o corpo atual <A Morte> também se desfez e tudo o que restou foi uma massa semelhante a osso em forma de ovo que caiu no chão. Esta era a verdadeira forma de <A Morte>. Era provável que ela tivesse criado uma concha protetora ao redor do seu corpo para protegê-lo, mas Eiro não se importava. Koperia voltou para observar melhor essa gosma, encarando-o com curiosidade.

— Posso tentar quebrá-lo, ou você quer dar uma olhada primeiro? — questionou Eiro com um sorriso, ainda animado com o resultado da batalha. Apesar de que Nelli já havia saído para curar seus ferimentos, já que ele estava coberto deles da cabeça aos pés.

Koperia sorriu para o Diabrete e balançou a cabeça.

— Vou inspecionar seu cadáver, então vá em frente e mate-a. Não podemos arriscar que ela infecte outro corpo.

— Parece bom — respondeu Eiro e canalizou sua Força Vital, usando tudo o que podia para aumentar a força de seu chute descendente, chutando com toda velocidade que tinha. Quando seu pé atingiu a concha, ela se abriu, e o monstro dentro foi revelado.

— Você lutou bem, só teve muito azar — comentou o Demônio, e pressionou as chamas sagradas na concha. Ele a danificava cada vez mais, até que uma tempestade de mensagens aparecesse diante dos seus olhos.

[Dano Letal causado em <A Morte>]

[Você matou um Nobre. Experiência multiplicada por 10]

[Você subiu de nível!]

[Você subiu de nível!]

[Você subiu de nível!]

[Você possui 450 Pontos de Atributo disponíveis!]

Eiro subiu de nível 45 vezes de uma só vez. Ainda mais do que quando matou <O Mundo>. Aquela versão de <O Mundo> era muito fraca, quase não tendo forma ou ‘experiência’ a oferecer, mas esta versão <A Morte> era muito forte e antiga, além de nunca ter sido selada como <O Mundo>, apenas aprisionada.

Mesmo assim, isso estava muito além das expectativas de Eiro. Neste momento, estava no nível 85, muito mais próximo da evolução do que esperava.

‘Isso é… incrível.’

— Obrigada pela ajuda, Koperia. Duvido que eu teria conseguido fazer isso sem a ajuda do seu Morto-Vivo. Além disso, você parece ter contido toda a magia de morte para que ela não conseguisse criar nenhum Morto-Vivo, certo?

— É, algo do tipo — a Rainha dos Mortos-Vivos piscou e ordenou que seus lacaios recolhessem os restos do cadáver de <A Morte>, enquanto Eiro pegava a carta que foi deixada. Até certo ponto, podia sentir ela o rejeitando, pois já era o candidato para <O Mundo>, mas pelo menos ela não desapareceu para algum lugar aleatório. Então, Eiro a guardou em sua Tesouraria para mantê-la segura.

— Então, o que você fará agora? — perguntou Eiro, virando-se para Koperia. — Ficará por aqui ou continuará viajando? Só estou a 15 níveis de evoluir, então pode valer a pena ficar por aqui.

— Hm… — Koperia refletiu a respeito por um instante. — Voltarei quando você entrar em contato, já que não gosto de ficar muito tempo em uma área se não tiver nada para fazer. Exceto se você me deixar…

— Ainda não permitirei que você mate as pessoas por aqui, Koperia — respondeu o Demônio com um sorriso sarcástico, depois pressionou a mão na máscara em seu rosto. Precisava tirá-la agora. Interrompeu a fusão com ela, e seu corpo enfraqueceu, mas recobrou uma aparência mais saudável. Parecia que a máscara havia se fundido com sua pele, então Eiro teve que puxá-la. Infundiu-se com vento por um instante antes de conseguir removê-la por completo.

— Ai… — disse Eiro com um sorriso, enquanto Nelli o ajudava a curar seu rosto e Koperia olhou para ele, surpresa.

— Você conseguiu se livrar dela sozinho? Esse Morto-Vivo é muito invasivo, ele não deveria ter sido solto sem o meu comando.

— Oh? — perguntou Eiro. — O que você quer dizer? Eu só me fundi com ele como sempre.

— Como sempre? — questionou Koperia, incerta do que ele queria dizer, e Eiro olhou para Nelli, que entendeu, e os dois se fundiram, olhando para Koperia.

— Assim.

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