A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 407

A Virtude do Demônio

Eiro e Koperia caminham até a prisão e, assim que se aproximaram, os guardas bloquearam a entrada. Eles eram três figuras muito suspeitas, incluindo o morto-vivo que seguia Koperia o tempo todo, afinal, mas Eiro levantou o broche que Solomon lhe entregou.

— Temos permissão para estar aqui.

Os dois guardas se entreolharam, nervosos.

— Sinto muito, vou verificar com meu supervisor. Sabemos que estamos esperando convidados, mas só precisamos confirmar.

— É claro, seria estranho se você nos deixasse entrar sem pensar duas vezes — Eiro disse, dando um passo para trás e virando-se para Koperia, convidando-a a ir junto.

Enquanto o guarda entrava no prédio, Eiro olhou para a Necromante ao seu lado, que já estava irritada.

— Não podemos ignorá-los e entrar? Podemos matá-los com facilidade se eles nos incomodarem.

— Sim, mas como já lhe disse algumas vezes durante o caminho, não iremos matá-los. Esses guardas são inocentes, eles não fizeram nada que mereça a morte — comentou Eiro, enquanto Koperia levantava as sobrancelhas.

— O quê, você se importa com essas coisas? Que surpresa!

 — Bem, não posso ser alguém que mata pessoas indiscriminadamente se quero viver entre elas. Então, sim, eu me importo. No geral, acredito que se não há razão para matá-las, então não devo fazê-lo — explicou o Demônio e Koperia olhou para ele com uma expressão surpresa antes de se virar.

— Você soou como Jura por um segundo.

— Hum? Eu fiz isso? — perguntou Eiro, mas, antes que Koperia pudesse dizer algo, a entrada da prisão foi aberta e o guarda que entrou há alguns minutos saiu acompanhado de quem parecia seu supervisor.

Ele se aproximou de Eiro e Koperia.

— Boa noite. Posso ver o broche que você acabou de mostrar a este guarda?

Sem mais palavras, Eiro fez como pedido e o chefe guarda o examinou antes de assentir e devolvê-lo.

— Sim, é de fato real. Na carta de sua Majestade, sua aparência foi descrita para nós, mas devido à natureza do que você está vestindo…

— Você nunca pode ter certeza se sou eu, eu sei, mas não deve ser um problema entrar agora, certo? E ir ao porão?

— Ah sim, claro, claro. Já preparamos tudo para você — disse o guarda com um sorriso e se virou para liderar Eiro, Koperia e o Morto-Vivo para dentro da prisão. Logo, o Demônio notou que algumas coisas haviam mudado desde sua última visita. Havia mais guardas reais, provavelmente para garantir que não houvesse mais ninguém entre os guardas originais que ainda fosse leal ao antigo Diretor.

Eiro, Koperia e o Morto-Vivo desceram para a área especial do porão, juntos do guarda que os liderava. Koperia logo sentiu o que os aguardava.

— Oh, é realmente muito poderosa. Como esperado de tal criatura — disse ela com um grande sorriso e Eiro revirou os olhos.

— Fale mais baixo — suspirou ele.

O guarda parecia um pouco surpreso que Koperia soubesse o que era guardado ali, mas Eiro virou para ele para mudar de tópico.

— Seria possível evacuar aqui embaixo? Seria bom se não houvesse nenhuma chance de alguém se machucar por acidente.

— Huh? Oh, sim, claro. E você tem certeza de que consegue lidar com isso sem problemas? — perguntou o guarda. Eiro virou a cabeça para Koperia, que já sorria de excitação.

— Sim, acho que seremos capazes de lidar muito bem — comentou Eiro, com um sorriso irônico sob a máscara.

Logo, desceram todas as escadas, mas Eiro notou algo estranho. Quando percebeu o que era, agachou-se no chão, irritado.

— Quais são as chances…? — resmungou ele, depois se virou para o guarda. — O que vocês fizeram para se preparar para nossa chegada?

O guarda pareceu um pouco surpreso.

— Bem, nos certificamos de que preparar a ‘gaiola’ para facilitar o acesso.

— E como fizeram isso?

— … Ao remover alguns dos objetos de selamento que estavam ao redor? — como se fosse óbvio, o guarda encarou Eiro, sem entender o que ele estava dizendo.

— Porra, isso é ótimo — Eiro disse, acenando a mão para o lado e fazendo um pequeno recipiente de vidro aparecer em sua mão.

— Espera, você já possui o filactério dela? — questionou Koperia, surpresa e Eiro acenou a cabeça.

— Sim. Bem, o filactério deste corpo. <A Morte> em não parece precisar de um.

— Oh? Uma criatura do tipo lich que não precisa de um filactério… Intrigante — murmurou Koperia.

— Sim, claro. Bem, é mais seguro com você do que comigo, então certifique-se de não o perder. Vou procurar por qualquer coisa que ela possa ter bagunçado por aqui.

— E-Espera! — exclamou o guarda e Eiro se virou para o homem. — O quê?

— O que está acontecendo?

— O que você acha? Vocês removeram de forma prematura os selos que mantinham <A Morte> e seus poderes dentro daquele cubo enorme. Merda, ela era capaz de criar Mortos-Vivos por aqui ainda antes disso, o que você acha que ela está tentando fazer agora? — comentou Eiro, bastante irritado com as ações dos guardas. — Agora, sumam daqui antes que eu mesmo os faça sumir. Vou mandar todos os guardas que encontrar lá para cima.

Nervoso com o que Eiro acabou de dizer, o guarda se virou e subiu as escadas, enquanto Koperia, cujos olhos não se afastaram do filactério, falou.

— Por que você está tão preocupado? Iremos tirá-la de lá mais cedo ou mais tarde.

— Eu sei, mas teríamos feito isso sem que o miasma dela escapasse e criasse Mortos-Vivos. Você sabe, <A Morte> não é a única criatura mantida aqui. Há alguns outros prisioneiros de alta segurança. Quatro deles, eu acho. Eles estão bem longe da cela onde <A Morte> está, então não precisaríamos nos preocupar com isso antes, mas agora precisamos.

— E daí? Se eles causarem problemas, podemos matá-los — apontou Koperia. — Esses caras não são ‘inocentes’, certo? Duvido que você se importe se matarmos pessoas más — disse ela com um sorriso.

— … Certo. Se nos atacarem, nós os mataremos, mas ainda seria melhor se não precisássemos. O que eu estava tentando dizer é que, se não tomarmos cuidado, <A Morte> tentará se apoderar de um dos corpos deles.

— Então por que-

— Eu entendi, você não liga. Só vamos lá — resmungou o Diabrete e começou a percorrer o porão, tentando encontrar algum guarda. A maioria deles estava bem, embora um pouco confusos, então Eiro os enviou para o andar de cima. Havia um trio tentando arrombar a porta da cela com o bloco de metal suspendo onde <A Morte> era mantida.

— Sério? Ela pegou três de vocês? — Eiro suspirou fundo, enquanto puxava um dos guardas agora Mortos-Vivos para longe da porta. O miasma havia os infectado e morreram de ataque cardíaco, seguido pela transformação de seus corpos em Mortos-Vivos antes mesmo de ficarem inertes.

Entretanto, agora, Eiro só tinha uma coisa a fazer. Colocou a mão na sua bolsa e retirou um frasco pequeno com uma chama branca-dourada dentro.

— Isto veio de uma das minhas primeiras tentativas, mas estou bastante orgulhoso com o resultado — disse o Demônio, controlando as chamas sagradas ao deixá-las consumir sua mana. As chamas sagradas acertaram os Mortos-Vivos, explorando duas de suas fraquezas em uma, e, assim que o miasma de <A Morte> foi dissipada, eles caíram mortos no chão. Eiro puxou os corpos para ao lado para garantir que não fossem muito danificados, antes de devolver as chamas para o frasco.

— Oh? Um Demônio usando magia sagrada? — perguntou Koperia ao se aproximar do Diabrete. — Eu senti a energia, então fiquei um pouco preocupada com você, mas pensar que foi você quem a usou… Interessante.

— Sim, certo — respondeu Eiro baixinho e depois olhou para a porta que nem sequer se moveu quando os três guardas Mortos-Vivos tentaram arrombá-la. Com um chute rápido do Demônio, ela se abriu como se a fechadura fosse de papel.

— Agora, o que devemos fazer? Não parece que nenhuma das outras celas foi aberta — comentou Eiro, enquanto descia as escadas em direção à cela enorme. Koperia o seguia, encarando com curiosidade o cubo enorme flutuando no centro da sala.

— Certo, eu tenho uma ideia. Cercarei o cubo com chamas sagradas para garantir que ela não possa escapar de alguma forma, enquanto você quebra as correntes — sugeriu o Demônio. Koperia deu de ombros e estalou os dedos, invocando um de seus Mortos-Vivos. Coincidentemente, o mesmo que usou para atacar Eiro há não muito tempo. Ele brandiu sua arma algumas vezes contra as correntes que sustentavam o cubo e até cortou alguns dos outros componentes que mantinham o cubo sustentado, fazendo com que ele desmoronasse.

Dessa forma, começaram sua batalha contra um Nobre.

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