A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 406

A Virtude do Demônio

Eiro envolveu os braços ao redor da figura na sua frente e a puxou para o chão, para ter certeza de que seguraria o boneco como queria.

Ao fazer isso, o boneco apareceu na frente dele. Os dois se entreolharam enquanto Eiro estendia sua percepção mais uma vez, depois olhou para o peito do boneco. O fantoche pressionou a mão contra uma nova área, retirando outra ficha em branco e entregando-a para Eiro. isso significava que agora desbloqueou a possibilidade de utilizar três fichas diferentes.

Ao todo, dessa forma, Eiro desbloqueou quatro modos diferentes. Ainda tinha algumas horas até o anoitecer, então talvez devesse tentar um dos novos modos.

‘Mas qual deles…’

— Eiro? — o Demônio ouviu à distância. — Onde diabos você está?

Eiro se virou e olhou na direção do som. Era James e ele parecia irritado. A julgar pelo tom de sua voz… Ele já havia chamado Eiro algumas vezes, mas ele não notou por conta de sua percepção limitada para que conseguisse perseguir o boneco.

— Desculpa, algo errado? — perguntou Eiro ao se aproximar do Elfo da Luz, mas James só suspirou fundo, seguido por um ataque de tosse por ter esquecido que não deveria desperdiçar seu fôlego dessa forma.

— Poderíamos treinar um pouco? — ele sugeriu. Eiro levantou as sobrancelhas, surpreso, olhando para ele.

— Tem certeza de que já consegue fazer isso?

— Claro que consigo, não sou um covarde — comentou James, enquanto Eiro cruzou os braços.

— Hum, quer saber? Claro, vamos tentar, mas paramos assim que eu perceber que você está sofrendo.

— Não me trate assim, cara. Só vamos, vamos começar antes que fique escuro — James se virou e começou a se dirigir para a área de treinamento, agarrando suas adagas. Claro que o braço de madeira de James ainda não era muito ágil, como era apenas madeira mágica comum, em vez do tipo especial ao qual alimentava todos os dias, mas ainda deveria ser capaz de ajudá-lo.

— Então, vamos começar com o básico. Antes que diga qualquer coisa, vamos encarar isso como um tipo de aquecimento — sugeriu Eiro, acenando com a mão e puxando a neve que estava há alguns metros. Essa neve formou pequenas esferas que o Demônio fez flutuarem na frente de James. — Tente quebrá-las o mais rápido possível. Começaremos a ‘calcular’ assim que você fizer o primeiro movimento com a intenção de quebrar uma delas.

— Urgh… — resmungou James. — Isso de novo?

— Sim, isso de novo — respondeu Eiro sem pestanejar. — Isso te ajuda a analisar padrões com mais facilidade e é uma boa forma para garantir que você se mova com precisão.

— Certo… — disse James. Ele respirou fundo, inspirando lenta e firmemente. Os músculos do peito ao redor dos pulmões se contraíram bastante, mas, por ora, James não parecia ter problemas para respirar. Parecia que seu corpo se adaptou ao seu novo ‘estado’ com muita facilidade.

James balançou o braço enquanto pressionava um dos pés para frente, movendo-se para cortar uma das esferas de neve. Eiro começou a contar quanto tempo ele levava e, após alguns segundos, James só tinha algumas bolas de neve restando. Alinhadas perfeitamente, então ele conseguia cortá-las de uma só vez.

O Elfo da Luz balançou sua adaga para baixo e as cortou. Assim que James retornou à sua postura normal, Eiro parou de contar o tempo.

— Huh, mais ou menos metade da sua velocidade normal — disse Eiro e James estalou a cabeça para encará-lo.

— O quê? O que você quer dizer?

— Oh, não me entenda errado, isso é algo bom. Se você é capaz de se mover da forma como faz com esses tipos de restrições, você não precisaria desse treinamento especial em primeiro lugar. Eu esperava que você fosse apenas um quarto ou um terço tão bom quanto era antes, mas o fato de você já ser metade tão bom significa que seu corpo está mudando rápido em resposta ao que eu fiz com você — explicou Eiro, olhando James de cima a baixo. — Por outro lado…

James pareceu um pouco surpreso, pois entendeu o que Eiro estava dizendo, no entanto, ainda estava meio nervoso com o que viria a seguir.

— O que foi? — perguntou com respirações ofegantes.

— Estamina, claro. A forma como você está agora, parece que você tem a estamina de um homem que ficou de coma por seis meses, então você precisa trabalhar um pouco mais nesse aspecto. Eu diria para colocar mais foco em sua estamina por agora, já que, de resto, seu progresso é muito impressionante — explicou Eiro. James grunhiu baixo, ao se virar e assumir sua postura de novo.

— Não quero admitir, mas suas explicações melhoraram muito desde que começou a lecionar…

— O que esperava? É o meu trabalho agora — disse Eiro, com um sorriso provocador, enquanto acenava com a mão e fazia bolas de neve voarem, para que James pudesse continuar com o aquecimento.

Eiro se sentou em um bloco de gelo enquanto assistia tanto James como Krog praticarem. Vendo que James já estava se esforçando para se aprimorar, Krog decidiu que também deveria ‘ser homem’ e se dedicar. Então, enquanto James fazia um treino orientado para melhorar sua postura, já que ela estava um pouco mais desleixada do que o normal, Krog começava a fazer exercícios básicos de musculação, conforme instruído por Eiro.

Na verdade, era divertido vê-los treinar enquanto sentiam tanta dor depois de implorarem para Eiro fazer isso com eles. Seu lado sádico se aflorava nestes momentos.

— Aaargh! — gritou Krog, enquanto Eiro colocava a mão nele e olhava para o guerreiro pesado.

— O quê, algo errado?

Krog estava terminando uma série de abdominais quando sentiu uma cãibra repentina que o fez sentir muita dor. Ele se virou para Eiro e o encarou, incapaz de falar devido à dor, enquanto o Demônio se deleitava com a visão.

Entretanto, aqueles dois não eram os únicos que estavam praticando. Ariella também reservou uma parte da área de treinamento para si e praticava com sua lança. Em combate real, ela aparentava também usar um escudo e armadura, além de usar magia de forma sinérgica com seu estilo de combate.

Ela era bastante poderosa, apesar disso, especialmente depois de vê-la praticar algumas vezes… Ariella não parecia poderosa suficiente para derrotar um Nobre de forma alguma. Mesmo se Eiro tivesse a deixado ter a ajuda de Avalin, elas morreriam antes mesmo de verem <O Diabo>.

Então, talvez ele também devesse encontrar uma forma de fortalecê-la. Poderia acabar descobrindo algumas maneiras de fazer isso assim que matassem Zaragon na capital do Império Sagrado. O Diabrete suspeitou fundo enquanto estava perdido em pensamentos.

Cruzou os braços e olhou para o céu.

— Hm… Talvez eu descubra uma forma…

Durante a noite, alguns dias depois, Eiro estava em cima do telhado de sua mansão. Vestia a armadura que foi feita por Armodeus, assim como sua boa e velha máscara feita por Jura. Fazia um tempo desde que a vestiu e, de alguma forma, ela fez com que se sentisse mais confiante. Era familiar, então, talvez ele conseguisse lutar um pouco melhor. Claro, com o capuz que fazia parte de sua armadura, era possível que ele escondesse sua identidade como um Demônio.

Agora, só tinha que esperar. Ele esperou e esperou, até que os pelos da sua nuca se arrepiaram. Com um sorriso, começou.

— Você poderia ter vindo como uma pessoa normal, sabia? — comentou Eiro e logo sentiu a mão de Koperia em seu ombro.

— Mas eu não sou uma pessoa normal, querido.

— Estou ciente, não se preocupe — respondeu Eiro. — Agora, está preparada, certo?

Eiro se virou e olhou para Koperia, assim como a outra figura parada ao lado dela. Era uma figura baixa, talvez com 1,20 metro, com uma caixa grande em suas costas. Seu rosto era branco, literalmente, pois ela não tinha nenhum tipo de detalhe como olhos, nariz ou até uma boca, além de não se mover. Como se fosse uma estátua.

— E para que serve isso aí? — perguntou Eiro, apontando para o Morto-Vivo e Koperia sorriu.

— Ah, este é apenas um brinquedo especial meu! Eu o uso para colher certas partes dos meus inimigos… e esse inimigo que estamos caçando é bastante único, então não posso desperdiçar a oportunidade.

— Certo. Bem, acho que é bom estar preparada, mas vamos indo por ora, precisamos acabar logo com isso. Tenho certeza de que haverá alguns soldados curiosos na prisão que não evacuaram o lugar como lhes foi ordenado, então também teremos que lidar com isso.

— Oh? Mais alguns para-

— E com ‘lidar com isso’ quero dizer que temos que mandá-los embora com a autoridade do Rei. Não vamos matá-los.

— Ah…

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