
Volume 4 - Capítulo 403
A Virtude do Demônio
Eiro suspirou fundo enquanto olhava para o teto. Ficar sentado na classe enquanto os alunos faziam a prova era entediante. Ele não teria nada para fazer na próxima meia hora. Claro, poderia ler um livro se quisesse, mas não tinha nenhum com ele que ainda não tivesse lido. Então, em vez disso, Eiro decidiu manipular seus circuitos de mana para ficar mais proficiente nessa habilidade.
Brincou um pouco, vendo como formatos e padrões aleatórios dos seus circuitos de mana influenciariam o fluxo de sua mana ao sair de diferentes partes do seu corpo. Sua compreensão sobre sua própria mana aumentou um pouco, mas, em sua maioria, isso era apenas uma forma de sentir que não estava desperdiçando seu tempo.
Ao fim da prova, Eiro as recolheu e depois falou com os estudantes.
— Tudo bem, vocês podem fazer uma pequena pausa de dez minutos. Conversem, façam suas atividades ou durmam, eu não me importo.
O Demônio se sentou em sua mesa com as provas respondidas e pegou sua caneta enquanto os estudantes relaxavam um pouco. Alguns recalavam sobre quão difícil foi, mas Eiro não se importava se eles achavam difícil. A esta altura, tudo aquilo já deveria ter sido aprendido por eles. Se não soubessem as respostas, então significava que não estudaram.
Bem, esta prova não era muito importante para as notas dos alunos. Eiro só precisava ter certeza de que todos entendiam essas teorias antes de passar para as próximas, já que os novos conceitos se baseavam nos anteriores.
Quase todos obtiveram notas suficientes para aprovação, apenas alguns falharam. No geral, a maioria das pessoas parecia compreender tudo, mas ainda poderiam usar algumas explicações mais profundas.
Assim que os dez minutos se passaram, Eiro se levantou com as provas em mãos, já tendo as corrigido nesse curto período, e caminhou pela sala para entregar as provas para as crianças. Elas ficaram surpresas por já terem a recebido de volta, pois pensaram que não teriam que lidar com isso por mais alguns dias até a próxima aula, mas Eiro era muito eficiente quando se tratava de tais assuntos. De novo, ele não queria desperdiçar tempo.
— Henry, Lili, Chris, por favor, fiquem por mais alguns minutos depois que a aula acabar, tenho que falar com vocês — disse o Diabrete. Todos os estudantes estavam olhando para os três, já que era óbvio que eles haviam falhado. — Oh e Arc, você também, por favor.
Arc levantou a cabeça, surpreso. Havia gabaritado e todos sabiam que ele era o maior gênio dos novos alunos, então ficaram muito surpresos por esses quatro terem sido chamados para ficar depois da aula.
Isso também significava que, assim que a aula terminasse, alguns alunos ficariam um pouco mais do que o normal, só para ver o que eles conversariam.
— Vão logo para suas próximas aulas, crianças. Parem de ficar aí parados — suspirou Eiro enquanto olhava para os alunos, que se afastaram depois de serem repreendidos assim.
Então, Eiro se virou para os três estudantes que falharam.
— Agora, primeiro de tudo, não se preocupem com sua nota na prova, ela não terá muita influência na sua nota final, mas, como preciso garantir que todos vocês entendam os conteúdos, seria ótimo se fizessem aulas de reforço. Não muito, apenas algumas horas por semana e até que o tutor verifique que vocês compreenderam tudo — explicou Eiro, sem delongas. Os três alunos se entreolharam, nervosos.
— Mas também temos que fazer os trabalhos das outras aulas… não temos tempo para aulas de reforço — disse um deles e Eiro suspirou fundo.
— Sei que vocês têm outros trabalhos, mas, ao mesmo tempo, tenho quase certeza de que nenhum de vocês dedica tanto tempo às suas tarefas. Caso contrário, não teriam falhado na prova. A maioria das questões eram partes das tarefas que passei durante as últimas semanas, mesmo que tenha alterado um pouco.
Os alunos não sabiam como responder, já que sabiam que Eiro estava certo, mas não queriam admitir, então o Demônio olhou para seu filho.
— Arc, você será o tutor deles. Você está muito à frente do conteúdo de qualquer forma e é bem fácil para você. Como você nunca faz suas tarefas de casa em primeiro lugar, vamos considerar isso uma substituição — disse Eiro com um sorriso, mas Arc olhou para seu pai com um sorriso sarcástico.
— Err… Sério? Mas estou meio ocupado, sabe?
— Em casa, você só fica brincando, fazendo bagunça ou lendo. Você tem tempo, nós dois sabemos disso — disse Eiro, em um tom que fez Arc perceber que o Demônio não estava pedindo, ele estava ordenando.
— Urgh, tudo bem… mas você me deve uma, pai.
— Não, eu não devo. Só ajude os seus colegas, resolvam os horários vocês mesmos. Irei me certificar de que eles aprenderam tudo em algumas semanas — comentou Eiro aos quatro, revirando os olhos.
— Espera, pai… — disse Arc em um tom de súplica enquanto Eiro saía da sala, mas Eiro não prestou atenção nele, já que sabia o que seu filho tentava fazer. Arc precisava ser mais responsável em relação às aulas, então essa era uma forma de ajudar ele e os outros alunos.
Eiro percorreu os corredores da escola para chegar à sua próxima aula. Entretanto, no caminho, encontrou algo bastante… inesperado. Havia traços de um feitiço sendo lançado no corredor e ninguém estava aqui. Bem, nenhum estudante estava aqui, pelo menos. Normalmente, haveria pelo menos alguns alunos por perto, mas Eiro não percebeu nenhum motivo para não estarem aqui.
— Bem, vamos brincar por ora — o Demônio murmurou para si mesmo e continuou pelo corredor. Conforme avançava, logo ativou o feitiço que foi plantado aqui. Algumas velas colocadas nas paredes brilharam mais intensamente e múltiplas bolas de fogo foram disparadas no Diabrete. Eiro suspirou fundo e acenou com a mão para o lado e uma parede de vento as impediu. Para se certificar de que não houvesse danos no corredor e nas decorações, Eiro extinguiu as chamas.
— Agora, quem faria algo do tipo? — Eiro perguntou alto. — Não acho que qualquer um dos alunos que conheço seja capaz de conjurar feitiços assim. Quem é você?
A única outra pessoa que estava por perto caminhou pelo corredor, devagar. Ele vestia vestes de mago e uma máscara branca pura com um rosto sorridente. Ele olhou para Eiro e riu.
— Uau, então você é mais forte do que aparenta. Bem, acho que isso era esperado, já que é professor aqui, mas preciso me desculpar, já que você vai-
— Sim , claro. Você poderia sair do campus, já que é meio estranho ter uma pessoa aleatória aqui? E sim, sei que Richard Melachine te contratou, mas, no fim do dia, você ainda é uma pessoa aleatória. Então, vá embora antes que eu te obrigue — disse Eiro sem rodeios. Ele não queria lidar com nada disso, estava ficando ridículo neste ponto.
— Kikiki! — riu o mago, como se tudo isso fosse algum tipo de piada. — Você é bastante confiante para alguém que mal conseguiu impedir um dos meus feitiços mais fracos.
Eiro o encarou de volta em descrença.
— O que você… “Mal conseguiu”? Você sequer viu o que acontece? Aquilo foi… Quer saber? Não, não irei deixar que me irrite.
— Kikiki! Com medo, não é?
Enquanto revirava os olhos, Eiro levantou sua mão de madeira. Ele fez uma arma com a mão e moldou seus circuitos de mana para ativar de imediato o feitiço bala de vento, usando o resto dos circuitos de mana em seu corpo para ajudar a comprimir e acelerar a bala.
O mago olhou para Eiro e levou a mão à máscara.
— Kikiki, ficando deses-
O discurso do mago foi interrompido pelo fato de que agora havia um buraco em seu braço, pois a bala o atravessou com pouca resistência.
— Ué? Você nem protegeu o seu corpo? Que tipo de novato você é…? — perguntou Eiro com um sorriso irônico, enquanto o mago “inimigo”, que na verdade não era uma ameaça suficiente para ser chamado de inimigo, agarrava o braço de dor.
— O que caralhos você fez, seu maníaco absoluto?!
— O quê, foi você quem tentou me matar, não reclame por ter sido machucado — comentou o Demônio, bastante irritado. — Agora, cale a boca e dê o fora daqui, não tenho tempo para te levar embora. Também não quero te matar, então suma daqui e diga a Richard que ele deve contratar alguém no nível de um Sábio se quiser me matar.