A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 399

A Virtude do Demônio

Eiro saiu da mansão junto com Koperia e os outros, para se assegurar de que a Rainha dos Mortos-Vivos não vagasse pelo prédio sem ele ou algo do tipo. Tinha certeza de que ela tentou conjurar alguns feitiços de qualquer modo, mas o Demônio conseguiu impedi-la na maioria das vezes. Sempre que ela tentava, Eiro conseguia perceber imediatamente, afinal.

— Bem, acho que ficarei por aqui por um tempinho. Conhece alguma criatura interessante que eu possa adicionar à minha coleção? — Koperia perguntou, curiosa. Eiro pensou por um instante.

— Há os corpos que eu escondi no lago em que nos conhecemos há algumas horas, se quiser brincar um pouco com eles, mas além disso, acho que a maioria das coisas é jogo livre. Só não tente matar pessoas aleatórias da cidade. Oh, há uma montanha perto daqui, com uma vila de monstros estabelecida lá. É lá onde os dois Fogos-Fátuos que eu criei estão, então você deve reconhecer o lugar. De qualquer modo, esses caras são parte da minha própria ‘coleção’, se assim desejar, então por favor não faça nada com eles também.

Koperia levantou as sobrancelhas.

— Você se importaria se eu os visitasse por um momento, pelo menos? Eu continuo ficando cada vez mais curiosa com os seus negócios nesta área… — a mulher disse com um leve sorriso no rosto. Eiro revirou os olhos.

— Claro, mas mantenha a distância. Eles ainda são monstros e a maioria deles são idiotas. Então, irão te atacar se você aparecer e eu não quero que você os extermine porque eles te irritaram — suspirou Eiro, mas Koperia sorriu.

— Não se preocupe, se eu consegui passar pela sua percepção, então conseguirei passar pela deles — disse Koperia e Eiro se recordou de algo.

— Falando nisso… como você conseguiu isso? Você possui tanto controle assim sobre sua aura?

— Aura? Oh, sim, acho que sim. É algo que você aprende se você vive tanto quanto eu vivi, em especial já que minha especialidade não é bem aceita na maioria dos lugares. E necromancia não é a única magia que eu conheço — Koperia disse com uma piscada e Eiro soube de imediato que ela não contaria mais detalhes sobre suas habilidades.

Koperia estalou os dedos e uma pequena criatura de chamas negras apareceu. Era um grande globo ocular com suas asas de morcego. Flutuando ao redor de Eiro muito rapidamente.

— O que deveria ser isso? — Eiro perguntou com uma leve carranca e Koperia explicou.

— Homúnculo, familiar, brinquedo, chame-o da forma que quiser. A única coisa que precisa saber é que, por meio dele, podemos nos comunicar. Se precisar da minha ajuda, só segure o em sua mão e diga ‘acorde’. Ele acordará e sua contraparte, se quiser chamar assim, responderá no meu lado. Funciona de forma similar para mim. Apenas um método rápido de comunicação, já que farei minhas próprias coisas — explicou Koperia. Em seguida, o olho-morcego dobrou suas asas, cobrindo todo seu corpo, que era composto por apenas aquele único olho enorme. Toda a coisa tinha quase o tamanho do punho de Eiro, então era fácil segurá-lo assim.

— Interessante. Suponho que esse tipo de coisa seja difícil de se criar — comentou Eiro e Koperia pensou a respeito por um instante.

— Não é tão difícil… é mais como… um privilégio que você recebe assim que se adquire habilidade suficiente em uma magia. É como um feitiço tomar forma por um curto período. Semelhante aos Espíritos em conceito, mas é muito diferente em execução. Isso é tudo o que posso explicar, de qualquer forma — explicou a Rainha dos Mortos-Vivos. Eiro sabia que ela foi verdadeira ao dizer a última parte, então não tentou convencê-la a continuar o ensinando. Ele poderia tentar analisar esse olho-morcego depois, de qualquer maneira.

Após isso, Koperia se virou e, mais uma vez, estalou os dedos. Chamas negras apareceram de novo, só que desta vez não invocaram este tipo de olho-morcego, mas sim um de seus Mortos-Vivos. Era um pássaro gigante, muito provável que um tipo especial de Roc. Era quase esquelético, só tinha algum tipo de magia cobrindo a maior parte de sua forma, então não parecia esquelético para a maioria. Koperia montou no Roc Morto-Vivo sem hesitar e olhou para Eiro com um sorriso.

— Assim que tiver seus planos em ordem, me avise e podermos cuidar de <A Morte> juntos.

— Pode deixar — Eiro respondeu e a Rainha dos Mortos-Vivos desapareceu instantes depois nas costas do seu Roc Morto-Vivo. Então, ele se virou e olhou para as três pessoas paradas ali. Armodeus já estava pronto para voltar para a mansão, um pouco irritado que Koperia nem se incomodou em se despedir dele, enquanto Ariella e Hannah estavam paradas, bastante nervosas.

— Eiro, quem era ela? — a Nefilim questionou de imediato. Se Hannah tivesse carne, as unhas de Ariella estariam cravadas nela, já que a Nefilim estava atrás da garota Morta-Viva.

Eiro a olhou.

— Oh, eu pensei que você já tivesse adivinhado pelo contexto… essa era Koperia, a Rainha dos Mortos-Vivos. Ela é uma conhecida de Armodeus e do meu falecido mestre e eu precisava da ajuda dela — explicou o Demônio. Ariella suspirou fundo enquanto o encarava.

— O fato de você dizer isso tão casualmente não é nem de longe tão perturbador quanto o fato de que nem estou mais surpresa… — Ariella resmungou. Sua frustração, nervosismo e choque logo desapareceram quando percebeu algo. — Espera… A Rainha dos Mortos-Vivos, Eliza Koperia? A mulher conhecida por ser insana, sem consideração pela vida de ninguém ou nada? — questionou Ariella com um sorriso sarcástico. — E você deixou que ela conhecesse Hannah?

Eiro olhou para as duas.

—  Posso dizer que você está ficando brava, mas não há necessidade disso. Posso ver através de qualquer mentira e ela prometeu que não faria nenhuma loucura como mexer com vocês. E eu não percebi nenhuma mentira.

— Você também não acabou de falar sobre o fato de que ela conseguiu passar pela sua percepção? E se ela usou algum tipo de truque? — questionou Ariella e Eiro a olhou, um pouco reflexivo.

— Você tem um ponto. Então que tal isso… Koperia era uma amiga próxima do meu mestre, um homem que curava qualquer criatura que encontrasse e, se precisassem, ele criaria próteses customizadas na hora. E ela também é uma amiga próxima de Armodeus, que você já deve saber que é um medroso. Se ela fosse tão assustadora quanto dizem os rumores, esses dois nunca se seriam tão próximos dela — Eiro explicou para Ariella. De alguma forma, parecia que isso a ajudou a aceitar as palavras dele com mais facilidade.

— Se você diz… — murmurou Ariella. Com um sorriso, Eiro caminhou até as duas mulheres, se agachando na frente de Hannah. Olhou nos olhos falsos da garota e olhou para o rosto falso. Suas mãos falsas seguravam a Nefilim por trás, muito nervosa.

— Agora, Hannah… que tal você se tornar uma Nobre comigo?

Eiro caminhava pelo castelo real com um sorriso no rosto. Estava sendo escoltado pelos cavaleiros reais, porque visitaria o escritório de Solomon. E para a surpresa agradável de Eiro, parecia que havia outro visitante aqui. Embora os guardas do visitante tenham tentado impedi-lo a princípio, assim que perceberam quem estava tentando entrar na sala, eles deram um passo para o lado.

O Demônio não pôde deixar de sorrir ao bater na porta.

— Solomon, estou entrando — disse Eiro com um sorriso. Do outro lado da porta, o Rei soltou um leve suspiro e acenou a cabeça. Enquanto isso, seu primo, Marcus Melachine, o Duque, se perguntava por que ele não respondeu adequadamente, mas Eiro não precisava escutar as palavras do Rei para saber que recebeu permissão. Não que Eiro se importasse muito. Mesmo se Solomon tivesse dito para ele esperar, ele teria entrado. Havia apenas três indivíduos aqui, afinal. O Duque Melachine, Solomon e Lognir. Ele não poderia interromper nada importante que não soubesse de qualquer modo.

Eiro abriu a porta e entrou. Ali, sorriu para o Duque e acenou para ele. O Duque pulou assim que viu o homem e olhou para ele.

— O quê? O que você está fazendo aqui? Pensei que nosso assunto com Richard já estivesse resolvido…

— Hm? — perguntou Eiro. — Do que está falando? Não estou aqui por sua causa. Já estou de folga — o Demônio suspirou fundo.

— Então, por que está aqui, Eiro? — perguntou Solomon com um pequeno sorriso, embora quisesse continuar a situação com seu primo. Eiro virou a cabeça na direção de Lognir e sorriu. O Dragão estalou os dedos enquanto revirava os olhos.

— Não abuse demais das minhas habilidades, criança.

— Ei, estou tentando preservar minhas próprias habilidades, sabia? — sorriu Eiro. — De qualquer forma, só queria que soubesse, Solomon. Consegui me encontrar com Koperia. Ela é amiga do meu falecido mestre, blá blá blá, mas essa não é a parte importante. O que importa é que ela vai me ajudar com algumas coisas para me tornar mais forte. Não se preocupe, ela não vai mexer com ninguém por aqui, ela me prometeu. Você pode encontrar mais alguns Monstros Mortos-Vivos na vizinhança da cidade por um tempo, mas não precisa se preocupar com isso — explicou Eiro e Solomon levantou as sobrancelhas, surpreso.

— Oh, que coincidência. Era disso que Marcus e eu estávamos falando — o Rei comentou e Eiro assentiu.

— Eu sei, é por isso que eu disse isso primeiro. De qualquer modo, agora que já entendeu, preciso lhe pedir duas coisas. Primeiro, tenha certeza de que Charles não relaxe tanto na hora de infundir sua muda. Segundo, preciso de acesso oficial à parte mais profunda da prisão, Koperia e eu cuidaremos ‘daquilo’ em breve. Será mais fácil se não tivermos que invadir para isso — Eiro comentou. Solomon o encarou por um instante, enquanto o Duque Melachine estava meio sobrecarregado com todas essas informações repentinas.

Solomon suspirou fundo.

— Eu continuo dizendo para Charles fazer isso, mas o garoto não me escuta. Ele é uma pessoa diferente agora, mas nós temos os mesmos problemas. Naquela época, ele não me escutava porque era rebelde e, agora, porque está animado demais para ficar sentado ali por algumas horas seguidas.

O Duque Melachine virou para o primo e o encarou.

— Você está se concentrando apenas nessa parte, Solomon?

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