A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 392

A Virtude do Demônio

Eiro parou na frente das crianças com Ariella ao seu lado.

— Essa aqui é Ariella, ela é uma Nefilim. Ela vai ficar conosco por um tempo, espero que não se importem — o Demônio disse.

Todas as crianças olharam para Ariella, confusos, com exceção de Arc.

— Você conheceu um Anjo e nem nos contou sobre isso? — Sammy perguntou com um sorriso.

— Bem, ela não é um anjo, é uma nefilim. Eles são monstros, certo? — Arc comentou e Sammy virou a cabeça na direção do irmão.

— Huh, sério? Legal, nunca conhecemos um monstro que possa controlar sua monstruosidade além do pai, Gobo e Bavet.

— Não, não, isso não é verdade, também há Lognir — Arc adicionou, mas Eiro meneou a cabeça.

— Dragões não são monstros, eles são Bestas Divinas. Eles não possuem monstruosidade.

— Oooh, certo, certo, é verdade. Espera, então por que Wyverns são monstros? Eles não são como um tipo de dragão?

Eiro cruzou os braços e pensou a respeito por um instante.

— Essa é uma boa pergunta. Provavelmente devido a um histórico de cruzamento entre Dragões e alguns outros monstros, eles foram atraídos em direção ao lado dos monstros em vez do de uma Besta Divina.

Arc arregalou os olhos.

— Podemos ir falar com Lognir sobre isso?

Eiro estava tão intrigado quanto Arc, embora soubesse que os outros no cômodo estavam concentrados em outra coisa. Bem, exceto por Leon, ele só estava cochilando e-

— Ah… — Eiro virou a cabeça na direção de Ariella e Hannah, ambas paradas como se estivessem petrificadas. O coração de Ariella batia rápido e suas pupilas dilatavam de medo. O Demônio correu até o sofá e levantou seu filho mais novo, acordando-o.

— Leon, vamos lá, tome cuidado, tudo bem? Você não pode deixar que seus poderes se manifestem assim — Eiro disse ao garoto, que olhou nos olhos do pai.

— Oh…? Desculpa, papai… Só estou cansado…

— Cansado, entendo? Bem, você cresceu bastante, talvez seja por isso que você esteja cansado. Pode tirar um cochilo mais tarde, mas agora, venha e diga oi para Ariella e peça desculpas enquanto isso, tudo bem? — Eiro sugeriu. Devagar, colocou Leon no chão e o jovem caminhou até a Nefilim e a Morta-Viva.

— Oi… eu sou Leon. Sinto muito por assustar você.

Leon estendeu a mão para Ariella, que ainda olhava nervosa para o garoto. Eiro suspirou fundo e colocou a mão na cabeça do filho.

— Respire fundo. Controle sua habilidade de novo.

O menino acenou com a cabeça e fez como pedido. Em seguida, Ariella conseguiu respirar normalmente.

— O q-o que acabou de acontecer? — ela questionou, muito confusa.

Eiro olhou nos olhos dela e sorriu.

— Ah, essa é a habilidade dele. Veja, Hannah não é a única neste prédio com uma habilidade única.

— Você quer dizer que este garoto tem… — Ariella murmurou, encarando o garoto que tinha no máximo 9, talvez 10 anos.

Arc sorriu muito.

— Não Leon. Todos nós. Bem, com exceção de Felix e Avalin. Embora Felix tenha uma habilidade de Linhagem e Avalin seja do jeito que ela é, sabe?

Sammy, Clementine e Rudy encaram Arc.

— O que você está fazendo, seu idiota? — Rudy perguntou com a voz baixa. — Por que está contando a ela que Avalin é especial?

— A? Ela já sabe — Arc comentou. — Pense dessa forma. Eu a encontrei no primeiro dia em que ela veio aqui e todos nós vimos que pai levou Avalin chorando para a cama nessa mesma noite. Ele parecia bastante assustado, então eu diria que algo aconteceu. Agora, ele está trazendo aqui e revelando que temos Habilidades Únicas. Ele não é o tipo de pessoa que diz isso a alguém em quem não confia.

Clementine olhou para Arc por alguns instantes e virou a cabeça.

— C-Certo, era isso que eu também estava pensando. Ela já sabe…

Ariella olhou para Eiro, que estava sorrindo para ela.

— Arc é um pouco único, mas eles são crianças normais, não são?

— Não era isso que eu ia dizer, mas pode ser — A Nefilim respondeu e Eiro continuou a falar.

— De qualquer modo, Arc está certo. Ela já sabe sobre Avalin, então não precisam esconder isso, mas, por ora, deixo a critério de cada um de vocês se querem revelar quais são suas habilidades. Vocês devem fazer suas próprias decisões sobre em quem confiar e em quem não confiar — O Diabrete comentou e as crianças olharam para ele por alguns instantes.

— Eu não consigo sentir dor nem emoções negativas.

— Eu consigo fazer qualquer um acreditar em qualquer coisa que eu digo.

— Bem, eu consigo ‘comer’ os ferimentos de qualquer um que eu encontre e tomá-los para mim!

— E eu não posso ser ferido por nada, mas também não consigo machucar ninguém.

De imediato, as quatro crianças revelaram os efeitos brutos de suas habilidades únicas para Ariella e Eiro esfregou a ponte do nariz.

— Não era isso que eu quis dizer, mas tá.

— Pai, você confia nela, então é óbvio que também confiamos nela — Rudy comentou com um sorriso. — E será mais fácil se ela souber de qualquer forma, se for ficar aqui por um tempo. Não quero que ela entre em pânico quando me vir cozinhando… ou quando eu pedir para Arc matar insetos para mim porque eu literalmente não consigo…

Eiro suspirou fundo, seguido por um sorriso.

— Tudo bem. Obrigado por confiarem em mim, crianças. De qualquer modo… é a sua vez — o Diabrete olhou para Ariella, e ela o encarou de volta por alguns segundos.

— Oh, certo, você está falando comigo… sinto muito. Ariella se desculpou.

Ela estava tentando compreender tudo o que estava acontecendo. Ela pigarreou por um instante e depois olhou para as crianças.

— Como Eiro já disse, meu nome é Ariella e sou uma Nefilim. Preciso da ajuda do seu pai para capturar um homem que – mais do que ele – também quero encontrar. O motivo pelo qual ficarei aqui é a garota ao meu lado… mesmo que ela seja uma Morta-Viva, ela é uma criança normal como todos vocês, então espero que a tratem bem. Algumas outras pessoas ruins que poderiam machucá-la apareceram de repente nesta cidade e eu preciso protegê-la — Ariella explicou e todas as crianças se entreolharam por um momento.

— Pai, quem você está tentando matar desta vez? — Clementine perguntou e Eiro respondeu sem rodeios.

— <O Diabo>, como sempre.

—… Então, por que ela disse isso dessa forma? — Arc suspirou. — Só diga que você quer acabar com aquele arromb- Desculpa, ‘aquele cara’.

— Mas isso faz sentido… foi sobre isso que Arc mencionou mais cedo, certo? Ela queria usar Avalin para isso? — Sammy questionou. Eiro assentiu.

— Sim, mas já conversamos sobre isso. Ela não fará algo assim — o Demônio encarou Ariella rapidamente.

Durante tudo isso, Avalin ficou sentada no sofá, encarando a linda mulher que de repente entrou na sala.

— Você precisa da Avalin? — ela perguntou com a cabeça inclinada para o lado e Eiro olhou para ela.

— Não, está tudo bem, não se preocupe. Você pode continuar brincando com Leon, pode ser? — Eiro olhou para Ariella. — Como você não parece querer me entender, irei te apresentar para essa garotinha. A garotinha que você quer usar em sua própria guerra pessoal — o Demônio sussurrou e caminhou até Avalin, com Ariella logo atrás dele.

Avalin ainda encarava Ariella e se levantou com um sorriso brilhando, quando a Nefilim parou na frente dela. Talvez Avalin fosse atraída pela parte sagrada dela, já que Ariella ainda era Meio-Anjo no fim das contas.

— Você é tão bonita! — Avalin exclamou e Ariella sorriu enquanto se agachava na frente da menina.

— Obrigada. Você também é muito bonita, Avalin.

— Hehe, eu sei! — a garota respondeu de forma presunçosa. — Papai me diz isso o tempo todo! E o papai sempre está certo!

— É mesmo? — Ariella perguntou com um sorriso enquanto se virava para Eiro. — Oh, você sempre está certo?

— É, no que diz respeito à Avalin, só estou certo quando isso a beneficia, mas quando falamos da hora de dormir, não poderia estar mais longe disso — Eiro respondeu com um sorriso. — Avalin, por que você não mostra para Ariella alguns dos brinquedos que Solomon comprou para você?

— Sim! — ela exclamou e, sem um momento de hesitação, segurou a mão de Ariella e a puxou em direção ao outro lado da sala, onde alguns dos seus brinquedos estavam guardados em uma caixa de madeira.

— O que é isso? Você está tentando aproximá-las porque ambas são do tipo sagrado? — Rudy perguntou e Eiro virou a cabeça para olhar para Ariella no outro lado da sala.

— Estou tentando fazer Ariella perceber que Avalin é uma garota normal. Para que ela pare de insistir em usá-la para matar <O Diabo>.

— É só isso mesmo? Normalmente, você a teria matado só por sugerir isso… e não tente esconder, todos nós sabemos que você é assim, pai — Sammy comentou. Hannah, que estava parada atrás de Eiro, estremeceu e olhou para o rosto do Diabrete, com medo.

Eiro suspirou e colocou a mão em cima da cabeça da Morta-Viva para acalmá-la um pouco.

— Não irei matar Ariella, claro que não, mas se ela não se tornar mais razoável a respeito da situação de Avalin, vou expulsá-la, violentamente se necessário.

— Hm… — Clementine olhou para Eiro com um olhar profundo. — Pai, você… gosta da Ariella?

— Se eu não gostasse dela, ela não estaria mais aqui.

— Não, quero dizer… tipo, você… você sabe… — Clementine respondeu e Eiro logo entendeu.

— Ah… sobre isso, eu não sei, mas isso não é algo que eu devo falar com vocês, preciso descobrir isso sozinho — o Demônio respondeu. — Mas, mais importante, essa aqui é Hannah. Ela também tem uma habilidade única e é por isso que ela não é uma Morta-Viva comum. Esqueçam tudo o que eu disse a vocês sobre Mortos-Vivos até agora e pensem nela como uma garota normal que, por ora, parece como uma Morta-Viva e é um monstro.

— Legal — Arc respondeu. — Mas ela deveria estar aqui? Com Avalin e tudo mais?

— Ah, certo, estou usando alguns materiais profanos para criar uma barreira para ela. Armodeus e eu a integraremos nas próteses que estamos criando para que Hannah não tenha que se preocupar com nada disso.

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