A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 391

A Virtude do Demônio

Eiro olhou para dentro de si mesmo, inspecionando seus Circuitos de Mana. A primeira ação que tentou fazer, assim que compreendeu bem o suficiente o conceito, foi praticar a manipulação deles o mais rápido que conseguiu. Entretanto, quando o fazia de forma imprudente, parecia que parte do seu corpo físico era arrastada junto, causando uma dor aguda, assim como um bom dano no Demônio. Era bastante incômodo, mas era algo com que Eiro tinha que lidar por ora, se quisesse aprimorar. Desse modo, a habilidade Manipulação do Circuito de Mana também subiu para o nível 17 dentro de algumas horas.

Havia uma forma muito simples que Eiro queria usar essa habilidade. Havia o aspecto de usá-la para aumentar suas capacidades de combate ao permitir que ativasse certos feitiços num instante, mas havia outro aspecto nisso.

Acreditava-se que habilidades de ‘Manipulação’ só eram aplicáveis a si mesmas. Isso era verdade na maioria dos casos. Para o grau iniciante, pelo menos, só se poderia afetar coisas em seu corpo, como também costumava acontecer com magia iniciante.

No entanto, como habilidades de ‘Manipulação’ eram bastante raras em primeiro lugar, não era tão conhecido que elas também conseguiam afetar todo o conceito ao qual se aplicavam e não o seu próprio. Isso significava que Eiro seria capaz de manipular os Circuitos de Mana de outras pessoas, se praticasse o suficiente.

Isso gerava muitas possibilidades. Parecia que os Circuitos de Mana tinham a tendência de retornar à sua posição original ao longo do tempo, o que ainda era um processo que levava algumas horas ou até dias. Eiro imaginou que dependia de quão proficiente você era com a magia, quão desenvolvidos os seus Circuitos de Mana eram e quanta mana fluía através deles.

Havia um motivo para os Circuitos de Mana se desenvolverem dessa forma, afinal, e esse desenvolvimento dependia de todos esses aspectos também.

Isso significava que, embora não conseguisse aleijar completamente a capacidade de alguém usar magia, ele seria capaz de enfraquecê-los muito ou impedi-los de usar magia por um tempo. Este último era parecido com o objetivo que tinha treinado esse tipo de habilidade, pelo menos, e algo que levaria algum tempo, mesmo se fosse capaz de manipular os Circuitos de Mana dos outros.

Embora ainda fosse seu objetivo. O Demônio respirou fundo e continuou a formar os Circuitos de Mana em padrões específicos dentro do seu corpo. Alguns para aumentar sua capacidade de espalhar infusões e permitir que o fizesse mais rápido, outros para ajudá-lo a se mover através de qualquer substância com que tivesse se infundido, como o feitiço ‘Passo das Sombras’ que havia descoberto.

Alguns eram mais difíceis do que outros, mas, no geral, Eiro conseguiu descobrir alguns detalhes bem interessantes depois de praticar o controle em alta velocidade dos seus Circuitos de Mana. Demorou algumas horas para alcançar o ponto em que ficou satisfeito com o que havia conquistado até então, então levantou-se do chão e se alongou um pouco.

Seu corpo doía, graças à quando ele acidentalmente moveu partes da sua carne junto com os circuitos, mas ficaria bem depois de dormir um pouco. O Diabrete saiu do seu quarto. Por sorte, era sábado e não teria aulas hoje, então poderia tirar um cochilo de tarde. Já era de manhã, afinal.

Eiro foi até a sala principal e deixou que seu corpo caísse em um dos sofás enquanto respirava fundo. Sussurrou algo, usando magia de vento para manipular para onde o som iria.

— Traga-me um conjunto de chá.

Cerca de um minuto depois, uma das passagens ocultas se abriu e três aranhas especiais saíram rastejando. Uma delas trazia uma caixa com diferentes tipos de chá, outra soltou o bule e a outra trazia uma xícara.

Essas eram algumas das aranhas que foram treinadas no porão. Elas rastejavam por este lugar, protegendo-o de possíveis invasores. Não que alguém ousasse vir aqui, mas, no caso de acontecer, haveria essas arranhas para cuidar deles.

Enquanto isso não acontecia, elas também eram empregadas bastante habilidosas. Neste ponto, elas escutavam qualquer comando que Eiro dava, conseguiam se livrar dos roedores ao redor da mansão e as poucas que eram capazes de usar magia conseguiam até limpar este lugar quando Eiro não estava com vontade.

Ele se sentou no sofá e segurou o bule, enquanto as aranhas se afastavam. Começou a aquecê-lo com magia enquanto procurava na caixa por algo que gostaria de beber agora. Pegou um pouco e colocou no bule. Usando magia básica de Natureza para manipular as folhas de chá, assim como magia de água, não precisou deixar o chá em infusão e pôde se servir imediatamente.

Assim, Eiro continuou sentado enquanto retirava um livro de sua Tesouraria, lendo-o à medida que bebia o chá. Fez isso por cerca de uma hora, até que outra pessoa entrou no cômodo. James.

— Bom dia. Vai sair para correr agora? — Eiro perguntou, curioso, e James assentiu.

— Vou. Tem algum problema com isso…? — o Elfo da Luz questionou com um grande resmungo e Eiro o encarou de volta, rindo.

— Pare de ser tão mal-humorado o tempo todo. Este treinamento vai te ajudar. Você já fez muito progresso. Assim como Jess e Krog, mas seu progresso ainda é muito impressionante.

– Hum. Obrigado — James respondeu e abriu uma das portas para os jardins para fazer alguns exercícios de aquecimento antes de começar a correr, para não se machucar. Eiro ficou um pouco magoado por James não estar falando com ele, mas pensou que era porque ele mal conseguia respirar neste momento. Ele devia estar se concentrando bastante, algo que Eiro sabia ser um pouco difícil para James.

Com isso, não queria dizer que James era burro, ele só não possuía o mesmo tipo de inteligência que Jess, por exemplo. Ele era um esperto das ruas, não um esperto dos livros. Então, por ora, Eiro decidiu que deveria esperar os outros acordarem. Especificamente as crianças e Ariella, para que pudesse apresentá-los.

Parecia que Ariella viveria aqui por um tempo para se esconder dos Caçadores de Mortos-Vivos que continuavam vindo para a capital, então, para evitar qualquer acidente, seria melhor se a apresentasse logo.

Não demorou muito para que o primeiro do grupo acordasse, embora não fosse um dos filhos de Eiro, pelo menos não diretamente. Foi Felix que saiu do seu quarto. Bastante cansado, mas com uma tela, sua tinta e pinceis debaixo do braço. Já havia um cavalete do outro lado da sala, que ele havia montado ontem, para não ter que fazer isso tão cedo pela manhã.

{Bom dia.} Eiro sinalizou enquanto olhava para Felix.

— Bom dia — Felix respondeu com uma voz baixa e incerta. Ele não estava mais acostumado a falar sem usar sinais, então a situação lhe parecia estranha. De qualquer modo, o Demônio observou enquanto Felix colocava a tela no cavalete e preparava a tinta em seguida.

Parecia que Felix havia acordado para pintar o nascer do sol, o que parecia uma prática bem básica para o Demônio naquele momento. Assim, Eiro escolheu observar o jovem pintar por um tempo. Ele ainda segurava seu livro para que fingisse não prestar atenção em Felix, que se virava de vez em quando, já que isso o deixaria bastante nervoso, mas sempre que Felix não estava olhando, Eiro o observaria trabalhar.

Ele estava indo muito bem. Seus traços eram suaves e concisos e estava fazendo o que queria sem nenhum problema. Felix não parecia muito preocupado com nada do que estava fazendo. Na verdade… ele tinha um talento incrível, isso ficava evidente com um olhar.

Se Enka não fosse um babaca e permitisse que Felix explorasse seus talentos, era provável que ele já fosse um artista famoso, mas Felix ainda era jovem e Eiro faria o seu melhor para apoiá-lo, para que ele pudesse seguir seus sonhos daqui em diante.

Durante as próximas horas, as outras crianças acordaram aos poucos uma após a outra e se sentaram na sala de estar ao lado de Eiro. Depois, outra pessoa apareceu na entrada da sala, com a jovem Hannah à sua direita.

Eiro se levantou de imediato, colocando Avalin e Leon no chão, já que estavam no seu colo, e caminhou até Ariella.

— Agora, todos vocês. Tenho alguém para apresentar — o Demônio disse, apontando para a figura angelical ao seu lado.

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