
Volume 4 - Capítulo 372
A Virtude do Demônio
— Ei — Arc cumprimentou outro pequeno grupo de estudantes com seu sorriso regular. Este grupo também incluía os gêmeos Melachine.
Richard olhou para Arc como se estivesse enojado com o que via e não tentou esconder esse fato.
— O que você quer?
— Haha, é muito simples. Só queria fazer uma pergunta para vocês — Arc comentou e Richard suspirou fundo.
— Claro, é parte dos deveres de um nobre ajudar um plebeu, mas se apresse, não tenho todo o tempo do mundo.
— Não se preocupe, não demorará muito. Então, quem diabos vocês, bastardos, pensam que são? — o jovem questionou, tão diretamente como sempre fazia. Eiro pôde ouvir seu filho falando, notando que ele estava um tanto… furioso.
— O q- o que você acabou de dizer? — Richard encarou e fixou o olhar em Arc.
— Oh, desculpa, não percebi que você era surdo, além de ser um babaca de merda. Deve ser um combo difícil de se lidar, hein?
— Quem voc-
— Eu perguntei primeiro, não é questão de boas maneiras responder minha pergunta antes de fazer a sua? Mas bem, ao considerar que você está rindo do homem que perdeu a mão para salvar crianças da morte, ou pior, de demônios, você não parece ter boas maneiras de qualquer maneira, não é? — Arc perguntou, sua voz ficando cada vez mais alto à medida que falava. — Agora, cale a porra da boca, seu pedaço de lixo idiota, antes que eu faça você se arrepender de ter mexido-
— Arc — Eiro caminhou até atrás do seu filho e colocou a mão no ombro dele. O garoto virou a cabeça e o Demônio pôde ver uma notificação azul nos olhos dele, dizendo que sua habilidade Resistência a Emoções Negativas havia subido de nível de novo. — Acalme-se. Sabe que isso não é bom para você.
— Mas-
— Sem mais. Pare — Eiro disse e o jovem acenou a cabeça.
— Tudo bem, mas não vou me desculpar.
— Se acha que eles merecem isso, então não precisa — o Diabrete comentou. Avelina o encarou em choque com o que acabou de escutar.
— Que tipo de professor você é? Primeiro, você nos insulta, depois diz que esse pirralho plebeu não precisa se desculpar. Não possui nenhum orgulho como um nobre?
— Vocês não estavam aqui durante o festival escolar, estavam? — Eiro perguntou. Surpresos, os dois gêmeos se entreolharam, depois voltaram a atenção para Eiro.
— Claro que não. Retornamos há alguns dias.
— Então está explicado. Só para que saibam, meu nome é Eiro. Só Eiro. Sem sobrenome. Sou um plebeu e Arc é meu filho — Eiro explicou. — Mas, antes que digam algo sobre não querer um plebeu te ensinando, quero deixar claro que sou o candidato pessoal de sua Majestade para o torneio para escolher o Companheiro do Herói.
Nem Richard ou Avelina sabiam o que dizer, mas Eiro não se importava. Virou-se e virou e levou Arc com ele.
— Sei que disse que você não precisa se desculpar, mas você não pode fazer esse tipo de coisa de novo. Esses dois podem não ser nobres de verdade ainda e sim os filhos de um, mas se insultar um nobre de verdade dessa forma, eles poderiam te executar.
— Mas eles te insultaram! — Arc respondeu com uma carranca e Eiro parou de caminhar e olhou em seus olhos.
— Eu sei, mas isso é algo com que eu tenho que lidar, certo? Eu sou seu pai, você não precisa me defender. Agora, acalme-se, volte para seus amigos e tente se divertir um pouco. Certo?
Arc assentiu hesitante enquanto Eiro se virava e voltava até Kristoph, que não ficou nada impressionado com o comportamento do colega.
— Mais uma vez, como um educador, você deve fazer seu melhor para tratar todas as crianças de forma igual. Dar ao seu filho um passe livre para insultar os outros não é bom.
— Kristoph, melhor do que tentar me repreender por algo que estou ciente, que tal começar a lutar? — o Demônio questionou. O olhar de Kristoph não se afastou de Eiro nem por um instante.
— Sabe, estava planejando permitir que isso fosse uma luta de treino casual, mas que tal transformarmos isso em um duelo? Sem mortes, mas criamos uma área da qual não podemos sair. Se um de nós desistir ou sair dessa área de alguma forma, o outro vence.
— Claro, não que isso faça muita diferença. Então, o que deseja apostar? Duvido que queira um duelo sem motivo.
— Você está certo. Se eu vencer, quero que comece a agir como um professor adequado. Se você vencer, pode continuar agindo como faria, pelo menos por ora, e não o incomodarei mais sobre isso. — Kristoph sugeriu e Eiro deu de ombros.
— Certo. Alguma regra?
— Sem regras. Use tudo o que quiser — Kristoph respondeu e Eiro assentiu. Ele estalou os dedos e fez rochas e pedregulhos aparecerem no ar, reunindo-se em um local para formar Gondos.
Eiro manipulou o solo, por meio da ajuda de Gondos, para criar de imediato uma plataforma quadrada bem larga para que pudessem lutar enquanto Kristoph dizia às crianças para irem até a área de observação para que não acabassem feridas de algum modo.
— Obrigado pela ajuda — Eiro disse para Gondos com um sorriso e o Espírito desapareceu. Os dois professores estavam na plataforma, olhando um para o outro. Kristoph segurava uma lança. Esta provavelmente era a pior combinação para o estilo de combate de Eiro. Não que ele pensasse que fosse perder.
Eiro empurrou a mão para frente e a puxou um instante depois, fazendo sua adaga principal aparecer em sua mão. A pedra mágica de fogo brilhou sob o sol enquanto o Diabrete assumia sua postura. Por agora, utilizaria um estilo misto de combate corpo a corpo e maestria com adaga que aprendeu com o boneco.
Ainda não teve a oportunidade de testar isso com alguém, não desta forma, pelo menos.
— Jogarei esta moeda no ar e, quando ela cair no chão, começaremos. Tudo bem? — Eiro perguntou e Kristoph assentiu, preparando-se para o duelo. O Demônio jogou a moeda de cobre no ar e a observou cair e acertar o chão.
Kristoph avançou contra Eiro de imediato, tentando derrubá-lo em uma luta curta. A lança se contorcia ao redor do seu próprio eixo enquanto era empurrada na direção de Eiro, como um tipo de broca.
Eiro empurrou sua adaga para frente contra a lança da adaga, torcendo-a na mesma direção da lança, mas, quando a adaga passou pela ponta, ele a torceu na direção oposta para interromper o movimento dela.
Assim que parou de girar, Eiro deslizou pelo chão e forçou seu joelho enquanto ainda mantinha a ponta da adaga no mesmo local. A força repentina empurrou as mãos de Kristoph para cima e Eiro conseguiu acertar o centro do peito dele.
Como seria uma má ideia machucar seu colega, Eiro se certificou de não o atingir no lugar errado. Em vez disso, tentou empurrá-lo o máximo possível enquanto segurava a lança.
Desse modo, dentro de um segundo após o início do duelo, Eiro conseguiu desarmar seu oponente. Arremessou a lança para fora da plataforma e fez sua própria adaga desaparecer.
— Vamos lá, sei que você é um especialista em combate corpo a corpo. Podemos lutar assim? — Eiro sugeriu com um sorriso no rosto e Kristoph levantou-se de onde havia pousado. Ele tirou a poeira de suas costas.
— Tem certeza de que deseja lutar comigo na minha especialidade? Claro, você sabe desarmar alguém, mas sua especialidade não deveria ser magia?
— Onde você ouviu isso? Tudo o que eu faço é minha especialidade, Kristoph — Eiro disse sem pestanejar, assumindo sua postura, agora sem adaga.
Kristoph se aproximou e assumiu sua postura. Enquanto o estilo de Eiro estava relacionado a lutar com as palmas abertas e redirecionar a força, o de Kristoph era muito mais direto. Ele lutaria usando seus punhos e seu estilo parecia ser sobre movimentos rápidos e ataques pesados, pela forma como se movia.
Assim que ambos ficaram prontos, Kristoph socou, de novo e de novo. Numa sequência de socos rápidos, tentando desesperadamente acertar Eiro, mas o Demônio conseguiu desviar com muita facilidade. Até que não mais, e ele permitiu que o punho de Kristoph acertasse seu rosto.
Usou essa energia para girar para trás e colocar seu peso em suas mãos. Como Kristoph conseguiu acertar Eiro, sua mão não se recuou tão rápido e foi essa oportunidade que Eiro utilizou para torcer suas pernas ao redor desse braço e ombro.
Eiro afundou suas mãos no chão e torceu seu corpo, fazendo com que Kristoph caísse de costas no chão. No entanto, para surpresa do Demônio, seu oponente também tinha uma carta na manga, escondida pelo quão frouxa a camisa estava ao redor dos seus ombros. Embora, só por isso, Eiro deveria ter percebido que algo estava estranho.
O braço de Kristoph saltou do lugar e deslizou para fora do aperto do Demônio, flexionasse seu braço e fazendo seus músculos puxarem seu braço de volta para o lugar em um instante.
Ele tinha bastante controle sobre seu corpo, mas Eiro não se permitiria ser superado.
Enquanto Kristoph tentava dar uma cotovelada na perna de Eiro, o Diabrete a puxou para cima e fez uma parada de mão a partir de sua posição deitada. Ele se empurrou do chão com as mãos e se levantou. Desta vez, quando Kristoph o atacou, Eiro não se esquivou, mas empurrou o punho para o lado, quando o Demônio percebeu algo estranho.
Eiro perdia o equilíbrio sempre que Kristoph puxava o punho de volta ao corpo. Levava uma fração de segundo, mas algo estava estranho. Como se, naquele momento minúsculo, para conseguir uma pequena vantagem, Kristoph estivesse utilizando algo que só poderia ser usado em uma única circunstância.
Ele estava parando o tempo por um período tão curto que Eiro mal percebeu.
Mas como ele estava parando o tempo? Era simples.
Ele era um membro da Organização.
E não um qualquer.
Ele estava no topo.