
Volume 4 - Capítulo 365
A Virtude do Demônio
Eiro segurou o executivo por meio da parte subterrânea do quartel-general da organização. Mais uma vez, chegaram a uma porta inscrita com runas. A julgar pelo comportamento do executivo, Eiro precisaria abri-la usando sua etiqueta, que agora exibia a letra J.
O Demônio fez isso e a porta se abriu. E, dali, Eiro já conseguia ver o local em que queria estar. Era aqui onde a pesquisa para aprimorar diferentes artefatos era feita.
Era uma grande sala com várias paredes alinhadas para criar alguns cômodos artificiais. Com uma análise rápida, não aprecia que criavam os artefatos aqui. O que fazia sentido, Eiro já havia imaginado que eles pertenciam à organização maior em primeiro lugar.
Ainda era um pouco desapontador, mas pelo menos essa organização tinha os recursos para aprimorar artefatos já existentes, o que significava que tinham o conhecimento para isso.
Eiro olhou ao redor e, do outro lado, viu uma grande estante com inúmeros livros de alta qualidade alinhados. Os títulos não estavam escritos nas lombadas, mas parecia que seriam úteis para o Demônio.
Sem hesitação, correu até lá e retirou um dos livros da estante: “A teoria avançada dos artefatos”. Eiro leu alto:
— Interessante.
Abriu o livro e começou a lê-lo, ali mesmo. Foi muito rápido. O que ele estava fazendo era absorver a informação bruta para que acabasse em sua biblioteca mental. Ali poderia ler várias vezes e analisar com mais atenção se precisasse.
Após cerca de um minuto, Eiro terminou de ‘ler’ o primeiro livro e o colocou ao lado, pegar o próximo. Por bons vinte minutos, continuou fazendo isso até que um dos pesquisadores se aproximou.
— Com licença? Mas esses livros não são acessíveis para os membros… apenas executivos, pesquisadores e líderes têm permissão para lê-los. Podemos ter muitos problemas por causa disso, sabia?
Eiro virou a cabeça para o pesquisador e revirou os olhos sob a máscara. Levantou sua mão para frente. Atualmente estava coberta pela manopla que Armodeus fez e isso significava que o Três de Espadas também estava ativo em sua forma de garras.
O Demônio retirou as lâminas da manopla e as fez flutuar ao redor do rosto do pesquisador.
— Como você as aprimoraria?
O pesquisador arregalou os olhos em choque.
— O Três de Espadas?! Penei que essa carta estivesse perdida! Um civil a roubou de um dos nossos membros e não a vimos depois! — o pesquisador exclamou.
O Demônio olhou para o homem parado à sua frente, um pouco surpreso. Ele deve estar falando sobre o cara de quem pegou a carta em primeiro lugar. Ele de fato não parecia capaz de lidar com ela… o que ficou evidente após ele ter sido dominado pelas lâminas quase imediatamente.
— Bem… agora, o que eu faria com elas…? — o pesquisador murmurou — Primeiro, aprimoraria o formato. Elas são muito pequenas, portanto, embora sejam boas para atacar, não são ótimas para defender, então sempre será necessário algo como um escudo para bloquear os ataques. Reforjar artefatos só é possível em teoria… ou melhor, ainda não tivemos a chance de testar, mas deve ser possível… Talvez combiná-las em uma única e mais poderosa lâmina seja uma boa ideia.
Eiro encarou o pesquisador com um rugido alto.
— Essa é a ideia mais idiota que eu já ouvi. Olhe para isso — O Diabrete pegou sua adaga e fez uma das lâminas enrolar uma adaga e se combinarem. A lâmina da adaga agora flutuava.
Não só isso como Eiro também pegou uma folha quadrada de metal bem grossa em cima de uma estação de trabalho próxima dele e a combinou com outra das lâminas, transformando-a efetivamente em uma lâmina-escudo.
— Reforjar é desnecessário e você eliminaria uma grande parte do que torna estas lâminas o que são: você as estaria piorando — Eiro explicou. — Eu não quero uma piora. Quero uma melhoria.
O pesquisador encarou os itens que foram combinados sem esforços com as lâminas do Três de Espadas, tentando tocá-los. Eiro pôde ver que ele estava curioso e, ao considerar que estava movendo as lâminas próximo ao rosto dele, Eiro não ficou preocupado que cara esse tentasse atacá-lo de repente.
— Então… a única restrição é esses fios, não é? Seria possível desconectá-los um dos outros? — o pesquisador sugeriu mais ou menos o que Eiro esperava ouvir.
O problema com essas lâminas era que, embora a princípio parecesse que o fio controlava as lâminas, esse não era o caso. As lâminas flutuavam por conta própria e os fios estavam soltos ali. Eram a conexão entre Eiro e as lâminas. Claro, levaria um tempo até que fosse possível controlar as lâminas da mesma forma que era possível com os fios conectados, mas isso abriria muitas possibilidades.
— Bem, seria? Me diga você, você é o pesquisador. Ainda não sou atualizado com essa literatura, como pode ver — o Demônio comentou sem rodeios enquanto colocava o que terminou de ler para pegar o próximo. Neste ponto, havia lido metade dos livros na estante, mas ainda não havia absorvido nenhuma informação. Ele utilizaria seu tempo para isso mais tarde, nem mesmo sabia se alguma dessas informações seria útil.
Parecia que sim, mas isso porque Eiro ainda não sabia nada sobre. Parecia relacionada à artificação, algo que queria aprender de qualquer modo.
Mas, se pudesse, pediria para Armodeus trabalhar nisso. Era provável que ele fizesse um trabalho muito melhor do que Eiro jamais poderia. Se não fosse madeira, Eiro não sabia como manusear artesanalmente, afinal.
O pesquisador pensou por um instante e depois assentiu.
— Estou confiante de que seria. Seria necessário estabelecer algum tipo de conexão entre o indivíduo e a lâmina em si, entretanto. Talvez seja possível coletar esse fio especial para isso… Ele parece capaz de conduzir mana de forma muito impressionante.
— Você tem bons olhos. Quer saber? Gostei de você. Se me trouxer qualquer outro livro que tenha sobre aprimorar artefatos, acho que não irei te matar — o Demônio sorriu sob a máscara, enquanto o pesquisador ficava confuso. — Ah, permita-me explicar — Eiro disse e depois balançou as lâminas do Três de Espadas na garganta do executivo. Ele a cortou imediata e a cabeça do executivo voou e pousou no chão a alguns metros.
— Embora eu seja um membro desta organização, não sou do tipo que segue as regras. Meu objetivo é me tornar a Letra A, então em encontrar com o líder desta organização de merda. Acho que você irá me ajudar bastante com usos, eu diria — o Demônio explicou.
— Falando em ajuda, ainda tenho uma letra insana e canibal na minha casa, trancada… Estive o alimentando, mas quero ter algum uso para ele. Então, rápido, pense em algo para fazê-lo me temer, mesmo quando eu não estiver por perto — o Diabrete comentou. — Mas, primeiro, lide com os livros. Isso é mais importante por ora.
O pesquisador assentiu e se virou. Neste momento, era ele quem estava com medo de Eiro.
— Oh, diga aos seus colegas que, se quiserem viver, devem tentar te ajudar com o seu novo trabalho — ele exclamou com um sorriso e voltou a ler os livros.
Ficou um pouco incomodado que o sangue do executivo respingou em alguns livros, mas era sua própria culpa. Foi Eiro quem escolheu intimidar o pesquisador daquela forma.
Ele revirou os olhos e continuou lendo os livros. Assim que terminou com a estante, o primeiro grupo de pesquisadores se aproximou e lhe entregou mais alguns livros. Não apenas livros, mas artigos de pesquisas e anotações escritas por eles mesmos. Isso forneceu muito mais informações práticas e reais do que Eiro poderia usar.
— Obrigado. Agora, limpem o corpo desse cara — o Demônio ordenou. — Ele está começando a feder.
Os pesquisadores fizeram como ordenado enquanto Eiro continuava lendo tudo o que podia. Com o tempo, foram entregues mais algumas anotações para ele e mais alguns executivos vieram para tentar impedi-lo, mas foram mortos.
Após algumas horas, Eiro terminou. Havia lido tudo o que podia, mas ainda não havia assimilado nada. Ele faria isso mais tarde e depois repassaria essas informações para Armodeus. O Demônio se levantou de onde estava sentado e caminhou pela sala para cuidar de outro assunto.
Havia um grupo de pesquisadores em um sub cômodo, reunidos ao redor de algum tipo besta. Parecia que estavam tentando aprimorá-la para matar Eiro o mais rápido possível.
O Demônio caminhou até lá, pegou a besta e disparou na cabeça de um dos pesquisadores. O virote perfurou sua cabeça e saiu pelo outro lado, ficando preso no crânio do pesquisador atrás dele.
Enquanto gritava em agonia, Eiro acertou outro pesquisador na cabeça com a própria besta.
— Consigo ouvir tudo o que está acontecendo nesta sala, então nem tentem me atacar. Vocês não serão capazes.
O Demônio soltou um resmungo profundo e deixou o subcômodo, começando a procurar por exemplos de como itens diferentes foram aprimorados.
Enquanto fazia isso, outra pessoa entrou na sala. Uma das pessoas que Eiro esteve esperando esse tempo todo.
Uma letra acima do seu rank.