A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 364

A Virtude do Demônio

O executivo desceu os degraus enquanto Eiro o seguia. Não demorou muito para que convencesse o executivo a liderar o caminho; com uma adaga pressionada contra sua garganta, o problema foi resolvido.

Eles atravessaram o complexo subterrâneo e, logo, se depararam com uma porta grossa de madeira inscrita com runas.

— Coloque sua eti- — O executivo começou a falar, mas o Demônio já havia pressionado a etiqueta, que atuava como sua ‘identificação’ para a organização, na porta de madeira. As runas se acenderam com uma luz baixa e Eiro conseguiu empurrar a porta. Isso era algum tipo de fechadura mágica, nada especial.

— Continue — Eiro disse com um tom brusco e o executivo assentiu.

— C-Claro…

Neste ponto, não aprecia que Eiro ainda precisaria desse homem, então poderia matá-lo se quisesse, mas, no caso de estar errado, ele o manteve por perto. A área em que entraram parecia ser o começo da área acessível pelas Letras. Eles desceram algumas escadas até uma grande sala.

Não passava de um bar, um lugar para as letras se reunirem, comerem comidas deliciosas e beberem. Aqui parecia haver mais alguns servos na área para cuidar de ‘todos os desejos’ das Letras, assim o executivo explicou.

Eiro não se importava com isso, então não prestou atenção.

Entretanto, havia algo ainda mais importante aqui. Havia 10 quadros grandes pendurados nas paredes, com uma missão de alto nível em cada um. A recompensa por cada missão foi colocada em uma caixa de vidro logo abaixo desses quadros.

Parecia que essas caixas eram feitas do mesmo material que Aegis… O que significava que Eiro conseguiria quebrá-las e pegar os artefatos artificiais colocados como recompensas. Ele ficou muito tentado, mas ainda não tentaria algo do tipo, no caso de haver algum tipo de sistema de segurança com o qual teria dificuldade de lidar conectado às caixas. Ele tentaria mais tarde.

— Este é o ‘hub’ central para todas as Letras… Se for chamado para o quartel-general, é esperado que espere neste lugar, exceto ou até que seja informado do contrário. Você é livre para vir aqui sempre que desejar e aproveitar nossos serviços para aqueles com privilégios como você — o executivo explicou. Eiro não se importava com nada disso. Não era como se de fato fosse ser chamado, já que assumiria a organização muito em breve.

— Mostre o local onde os artefatos são feitos e aprimorados — Eiro disse com um tom severo, mas o executivo se virou devagar.

— Eu… receio que você ainda não tenha conquistado o privilégio para isso. Como a letra Z, você é algo como um substituto. Sua posição pode mudar a qualquer momento, desde que é você quem o N° 1 deve desafiar para avançar. Assim que sua posição aumentar para a letra Y, poderá usar tais serviços — o executivo explicou, nervoso ao contar isso.

Mas o Diabrete não se importou. Ele segurou o executivo pela garganta e começou a apertá-la, sufocando-o enquanto seu rosto ficava azul.

— Tem certeza disso?

O homem segurou as mãos de Eiro e tentou afastá-las de sua garganta, e Eiro o deixou cair. Enquanto tentava recuperar o fôlego, o executivo olhou para Eiro, levantou-se do chão e assentiu.

— Eu… não acho que você seja permitido entrar lá, desculpa… Porém, como uma letra, há novas formas de aumentar o seu rank dentro da organização… Existe uma outra avaliação e, dependendo da sua habilidade aparente, seu rank pode ser reatribuído… você pode chegar ao rank J assim.

— Então, vamos começar essa avaliação agora. Não quero demorar muito com isso — Eiro disse, irritado. O executivo acenou a cabeça e atravessou a sala, em direção à porta nos fundos.

Ele mostrou sua própria etiqueta e a porta se abriu. Este local parecia semelhante a uma pequena arena. No centro, havia um pilar com runas inscritas. Pelo que Eiro conseguia dizer, este deveria ser o alvo dos seus ataques.

— Espera… então ninguém irá avaliar minha técnica? — Eiro questionou com um sorriso e o executivo assentiu.

— Não… se comparado ao poder real, a técnica não é importante, certo? Você tem um minuto para causar o máximo de dano a esse pilar. Não se preocupe, ele não vai quebrar, não importa o que faça… mas, de qualquer forma, ao término, o dano total será calculado e você será distribuído para o seu novo rank — o executivo explicou e Eiro levantou as sobrancelhas enquanto olhava para o pilar.

— Interessante. O dano é calculado da mesma forma que o dano pessoal quando você ataca outros? — o Demônio perguntou. O executivo confirmou:

— Correto. Então, ataque normalmente como faria com qualquer inimigo.

— Certo — o Diabrete murmurou, caminhou até o pilar e olhou para o executivo. — Posso usar artefatos? — Eiro questionou.

— Você não pode utilizar os artefatos que foram dados pela organização. Nem possui permissão para utilizar aqueles que pode ter roubado de outras letras — o executivo explicou e Eiro sorriu um pouco.

— Essas são as duas únicas restrições?

— Exato.

— Eu irei te matar se você causar problemas depois — o Demônio retirou um anel de sua Tesouraria e o segurou em sua mão, pronto para usá-lo.

O executivo não pareceu notar isso e ativou tudo. O pilar se acendeu com uma luz vermelha. Assim que se tornasse branco de novo, Eiro conseguiria atacá-lo. O Diabrete manipulou a Força Vital em seu corpo e arrumou sua postura.

Infundiu seu corpo na segunda etapa com água e utilizou ‘Pele de Pedra’ em alguns lugares particulares do seu punho. Quando o pilar ficou branco de novo, Eiro golpeou o mais rápido que pôde enquanto socava o pilar de forma a liberar o máximo de força possível.

Esse ataque causou mais de cem mil de dano. Com raízes, Eiro continuou atacando o pilar, realizando várias tarefas ao fazer isso. O Demônio criava um círculo mágico focado em liberar o máximo de poder com a mão direita enquanto continuava atacando o pilar com suas lâminas e a mão esquerda.

Não demorou para que o círculo mágico fosse concluído e, quando o ativou, também ativou o anel que parava o tempo.

O motivo para isso era simples: o feitiço que conjurou criaria algo como um ‘catalisador de poder’ em um local por um segundo. Algo para reunir toda a mana e magia que fosse depositada naquele breve período, comprimindo-a e disparando-a no alvo com força imensa.

Claro, como esse tipo de feitiço era instável, em especial quanto mais magia fosse utilizada, havia uma restrição neste feitiço. Eiro só poderia preenchê-lo com magia durante meio segundo. Meio segundo se transformou em um minuto completo ao usar o anel especial.

Isso significava que Eiro tinha um minuto completo para preencher o catalisador com o máximo de magia que conseguisse e aproveitou o máximo do tempo. Pouco antes do tempo acabar, Eiro encostou a ponta de uma das lâminas do Três de Espadas contra o catalisador e tentou fundir os dois.

Assim que a lâmina absorveu a magia comprimida, Eiro a fundiu com sua adaga principal, recentemente aprimorada ainda mais por Armodeus e usou as outras lâminas do Três de Espadas como suporte, envolvendo-as ao redor da base da adaga central.

Então, no último segundo, empurrou a lâmina o máximo que pode, alguns centímetros à frente do pilar e permitiu que o tempo continuasse fluindo normalmente.

[Pilar de Teste de Habilidade – 13.014.290 de Dano]

[Devido ao dano ter sido concentrado em um único ponto, ele será multiplicado por 2]

[Dano Crítico causado ao alvo; o dano será multiplicado por 2]

[Dano letal causado ao alvo]

[Você subiu de nível]

[Você subiu de nível]

[Você subiu de nível]

[Você subiu de nível]

[Você subiu de nível]

[Você possui 120 pontos de atributos disponíveis]

Eiro olhou para as notificações na sua frente e ficou um pouco perplexo com o que acabou de acontecer. Claro, ele concentrou todo o dano no único ponto que parecia ser mais fraco naquele pilar, mas ele parecia bem resistente… Possuía múltiplas camadas de Aegis entrelaçadas em uma, formando a parte mais externa do pilar.

Como Eiro já havia quebrado um desses artefatos falsos de Aegis, teve a chance de analisar como o poder oscilava em diferentes partes, permitindo que escolhesse o local mais fraco.

Mas parecia que esse dano extremo neste ponto do exercício causou uma reação em cadeia e fez o Aegis se despedaçar.

— Hein… — Eiro murmurou, olhando para o executivo do outro lado da sala. — Erm… Eu o matei, eu acho? — O Demônio disse.

O pilar havia explodido em pedaços e, enquanto isso acontecia, Eiro pôde ver que ele era, na verdade, mais uma subespécie de Mímico criada do que um pilar.

Bem, isso permitiu que subisse de nível mais 5 vezes, então ele não se importava.

O executivo permaneceu perplexo com o que ocorreu.

— Como você… Só… — ele murmurou, confuso. O Diabrete olhou para sua etiqueta, percebendo a mudança e ficou feliz de ver que agora exibia a letra J, tornando-o o décimo membro de nível mais alto desta organização.

Claro, havia trapaceado um pouco, mas esse não era o ponto. Eiro tinha certeza de que houve outras pessoas que causaram mais dano bruto que ele, mas, como possuía o Três de Espadas, conseguiu perfurar o Aegis falso e causar todo o dano ao Mímico por trás dele.

Bem, no fim, Eiro ficou feliz por ter causado um dano tão grande de uma só vez.

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