
Volume 4 - Capítulo 362
A Virtude do Demônio
Eiro olhou de volta para o homem parado na sua frente e cruzou os braços.
— Hmm… Deixe-me pensar… em que isso me ajudaria? Ter alguém como você, alguém que se importa apenas consigo mesmo e nada mais, ao meu lado, ou… matá-lo agora mesmo e aumentar meu rank dentro da organização?
A letra parada na frente de Eiro olhou para ele, surpreso.
— O que você quer dizer? Acha que consegue me matar? — Com uma gargalhada alta, M levantou as mãos na frente da barriga, como se estivesse se divertindo muito.
— Claro, é o que estou dizendo. Se eu não fosse mais forte que você, então por que precisaria da minha ajuda? — Eiro perguntou. M estreitou os olhos.
— Porque você possui habilidades únicas que te permitem derrotar os executivos. Por que mais? Se eu quero conquistar a organização, preciso ser capaz de lidar com as pessoas com artefatos de mais alto nível que nós. Você parece capaz disso.
— Então, quer que eu vire seu subordinado? — Eiro perguntou sem rodeios. O homem inclinou a cabeça para o lado, um pouco confuso.
— Pensei que isso fosse óbvio?!
— Então que tal isso? Nós lutamos aqui e, se eu vencer, você morre. Se você vencer, eu me torno seu subordinado e te ajudo a dominar a organização — O Demônio sugeriu com um grande sorriso sob sua máscara, com os dedos coçando para dominar o homem na sua frente.
Parecia que o homem também ficou bastante animado com isso. O sorriso em seu rosto se transformou em um sorriso vil e animado. A razão para isso era óbvia: ele era um membro de uma organização construída com base na força. Não havia ninguém aqui que não gostasse de lutar contra outras pessoas, muitas vezes ainda mais se a luta pudesse terminar em morte.
— Parece um plano para o tipo de homem que sou! — M sorriu enquanto avançava contra Eiro. Com cada passo que dava, o gelo sob seus pés rachava um pouco, mas não completamente. Parecia que as botas dele começaram a ficar mais pesadas, muito mais do que antes.
Ele balançou o corpo para frente e deslizou pelo gelo, antes de levantar a perna alto no ar. Como se seu corpo fosse puxado para o corpo de Eiro e, a julgar pela sua forma, causaria um estrago considerável. Se conseguisse acertar um golpe direto, pelo menos.
Mas, em vez disso, Eiro levantou a mão esquerda, utilizando a habilidade Pele de Pedra. Concentrou-a ali o máximo que pôde e criou múltiplas camadas, até que seu punho se tornasse uma rocha espessa, com os dedos nem mais sendo visíveis.
Assim, Eiro conseguiu se defender com relativa facilidade. Com um pouco da água do lago sob seus pés, o Diabrete fundiu seu corpo com água com o segundo estágio da infusão. Muito do dano da bota pesada foi impedido pela mão grossa de Eiro e o resto pôde ser desviado pelo corpo dele. Ele desviou as ondas para as pernas e permitiu que fluísse para o gelo, rachando-o.
Essas rachaduras foram usadas por Eiro. Ele pegou alguns fragmentos de gelo criados e os disparou em M com um aceno.
Entretanto, parecia que M era mais habilidoso do que o Demônio pensou a princípio. Depois que seu primeiro golpe foi bloqueado, M torceu seu corpo e chutou Eiro mais uma vez, embora dessa vez em um local diferente e com seu outro pé.
Porém, Eiro moveu sua Pele de Pedra para o local exato em que estava para ser atingido. Como sua mão agora estava livre, o Diabrete conseguiu empurrar as ondas em direção à sua palma esquerda.
Tudo se reuniu ali e o Demônio disparou um jato de mana que acendeu com suas próprias chamas. Elas foram comprimidas e, devido ao fato de que Eiro torceu seu corpo, braço e mão, ele conseguiu acertar M bem no centro do seu peito. No entanto… Não o acertou. Ou melhor, foi bloqueado, revelando mais uma das cartas que a organização parecia ter acesso.
— Eles realmente também possuem ‘Aegis’? Está brincando comigo? — Eiro resmungou alto.
‘Quantas cartas a organização têm? E é mesmo uma sub organização, ou é a organização maior que parecia controlar essa e muitos mais grupos das sombras?’
Quanto mais artefatos diferentes Eiro via os membros possuírem, mais pendia para o último caso.
Isso frustraria um dos planos de Eiro, já que seria incapaz de obter mais Cartas, mas, no fim, estava tudo bem. Provavelmente. Como ele próprio tinha 4 cartas, já podia ser considerado o indivíduo com mais cartas.
Era meio irritante, mas ele sobreviveria. Isso só significa que ele tinha que mudar algumas pequenas partes dos seus planos, mas tudo bem.
Na maior parte, se Eiro assumisse o controle da organização, ainda conseguiria obter muitos artefatos artificiais da organização principal de qualquer madeira, o que pelo menos compensaria, mesmo que não 100%.
De qualquer modo, enquanto Eiro tinha esses pensamentos, sua luta com M continuou. Apesar do que ele pensava, em vez de desacelerar, M simples ficou mais rápido. Seja porque estava se aquecendo, seja porque simples se tornou mais confiante agora que viu que os ataques de Eiro não conseguiam penetrar Aegis.
O Aegis era o maior escudo que existia: o Sete de Espadas. Eiro não sabia que forma ele assumia. A julgar pelas histórias que leu, era no formato de um escudo normal de bronze, mas era resistente além do que um escudo de bronze normal permitia e conseguia envolver o usuário com uma magia protetora.
Era esse aspecto que Eiro estava vendo agora. A magia protetora brilhava com uma luz âmbar, cobrindo M a alguns centímetros de sua pele. Entretanto, havia uma fraqueza clara, assim como a maioria das cartas.
Com o Ás de Copas, se você morresse utilizando-o, sua o usuário seria varrido da existência. Era difícil que isso acontecesse, mas, se o portador sofresse um ferimento fatal e usasse a Carta, não voltaria ao normal e o mundo ainda se esqueceria da sua existência.
Com o Três de Espadas, o portador poderia ficar insano se não tivesse cuidado e com Aegis era a incapacidade de respirar e ouvir enquanto a camada protetora estava ativa. A única coisa que o escudo deixava passar era luz. Sem ar, sem som, nada.
Claro, agora que Eiro conseguia manipular todas as suas habilidades em um novo nível, deveria ser capaz de manipulá-las para que cobrissem as áreas que precisavam ser protegidas. Basicamente uma melhoria da sua pele de pedra. Portanto, não havia nada com que ele precisasse se preocupar.
Porém, com essa versão do Aegis, esse tipo artificial… não possuía essa fraqueza. Não era porque não cobrisse todo o corpo de M, certamente cobria, mas deixava o ar e o som passar. Eiro sabia disso pelo fato de conseguir escutar a respiração e batimentos de M.
Primeiro, os batimentos dele nunca mudaram, ou seja, não havia falta de ar nesse ‘recipiente’ selado. Segundo, o fato de que Eiro conseguia escutá-los mostrava que o som era permitido passar em primeiro lugar.
Assim, Eiro teve outra ideia. Por ora, continuou lutando como antes, embora logo tenha começado a correr um pouco. Com o objetivo de cansar M, para fazer com que sua respiração acelerasse e para distraí-lo enquanto começava seu plano.
Sutilmente reuniu um pouco do veneno dentro do recipiente em sua cauda. Logo, puxou o recipiente para longe da sua cauda e o pressionou na parte oca do cabo da adaga de veneno. O veneno foi retirado e preencheu a parte oca da adaga.
Atuando como se tivesse que usar a adaga neste momento por M ser tão forte, para fazê-lo cometer um erro mais fácil, Eiro balançou sua adaga contra o oponente. Cada vez que a lâmina atingia o escudo de Aegis, Eiro expelia um pouco do veneno e o transformava em uma névoa muito fina que espalhava ao redor do oponente.
Parecia que M estava sendo afetado por isso e seu corpo começou a se mover de forma lenta, pelo menos comparado a antes. À medida que mais veneno se reunia nos pulmões de M, mais rápido ele era afetado, então era uma curva exponencial.
Ele estava sendo envenenado e começou a perceber.
— O que está acontecendo? O que você está fazendo comigo?! Como está fazendo isso?! — M questionou confuso, enquanto Eiro ria.
— O que há de errado? Sentindo-se um pouco exausto, amigo? Quer desistir e morrer pelas minhas mãos?
O Diabrete riu. Ele estava ganhando a vantagem. Embora o corpo de M tivesse sido afetado por algum tipo de magia de peso, assim que Eiro conseguisse empurrá-lo para baixo, ficaria bem. Mesmo que não conseguisse esfaqueá-lo por causa de Aegis, ainda poderia pressioná-lo no chão e pensar em outra coisa. Se necessário, poderia afogá-lo no lago ou talvez envenená-lo. Bem, de qualquer forma, Eiro seria capaz de matá-lo fácil.
Assim que o Demônio pressionou M no chão, fazendo-o tropeçar com uma facilidade surpreendente, controlando o gelo para rachar um pouco sob seu peso, ele pressionou a mão direita no centro do peito de M, focando em Aegis.
Devagar, fez o Três de Espadas deslizar para fora de sua manopla e as cinco lâminas foram pressionadas contra a luz âmbar.
— Acha que conseguirá quebrar este escudo? Hah! Certo! Este é o escudo supremo, seu idiota! — M exclamou, como se fosse imbatível. Entretanto, esqueceu de uma coisa.
— Este não é o Aegis real, seu idiota, enquanto estas sejam as verdadeiras ‘Lâminas da Marionete…’ — o Demônio respondeu.