
Volume 4 - Capítulo 360
A Virtude do Demônio
Eiro entrou em sua mansão com um pequeno sorriso no rosto. Não fazia tanto tempo desde que esteve aqui, mas ainda sentia falta deste lugar. Mesmo assim, não conseguia se demorar muito nesses pensamentos, desde que havia negócios a resolver.
O Demônio entrou em seu escritório pessoal e se sentou na frente da mesa. Tinha que escrever alguns documentos para um plano seu. Mais especificamente, estes “documentos” eram cartas, escritas da perspectiva de pessoas que podiam ou não existir.
Essas cartas seriam, em sua maioria, sobre a vida da pessoa em questão, perguntando à outra algumas coisas aleatórias, mas a parte mais importante era uma informação sutil entrelaçada na carta. A informação sobre um necromante poderoso na capital.
Claro, o ‘Necromante’ de que Eiro estava falando era <A Morte> que estava aprisionada dentro da cidade, mas Eiro não era burro o suficiente para revelar qualquer coisa importante que poderia fazer um nobre pensar que outro deles estava aprisionado. Isso seria algo bem idiota, para dizer o mínimo.
Seria como convidar um exército para invadir este lugar. Tudo o que Eiro insinuou foi que um necromante poderoso estava ressuscitando criaturas aleatórias ao redor da cidade. Isso não estava errado; era o que <A Morte> estava fazendo, afinal. Eiro escutou vários relatos sobre isso quando pediu para Solomon receber informações ocultas sobre o que estava acontecendo com esse nobre.
Coisas aleatórias, como ratos, gatos ou cães mortos sendo ressuscitados após suas mortes. Ocasionalmente, até cadáveres de pessoas começaram a caminhar de novo, mas nenhum deles se transformou em um morto-vivo apropriado, apenas foram manipulados para se mover de forma aleatória.
Essa era toda a informação que Eiro forneceu em suas cartas. Que ‘mortos-vivos’ aleatórios estavam caminhando pela cidade. Isso deveria ser suficiente para atrair Koperia, ‘Rainha dos Mortos-Vivos’, para a cidade, se Eiro abordasse essa informação de uma forma intrigante o suficiente.
Ele colocou tudo em envelopes e decidiu o destino delas. As pessoas para quem Eiro estava as enviando também não existiam, mas, mesmo se existissem, as cartas não chegariam ao destinatário.
Afinal, ele as enviaria por meio de fontes bastante inconfiáveis. O tipo em que qualquer carta de certos lugares acabaria sendo aberta e lida por pessoas aleatórias. Essas pessoas então leriam a informação e perceberiam sobre os mortos-vivos, espalhando-a por Eiro.
Claro, Eiro ainda tinha mais algumas formas de espalhar a informação; essa era apenas uma delas.
Um dos outros meios de Eiro estava conectado a outro de seus objetivos, um que colocaria em prática muito em breve. E “em breve” significava “hoje”. Pelo menos começaria com isso.
O Demônio se levantou e saiu do escritório com as cartas em sua bolsa. Caminhou pela mansão e passou mais um tempo com Avalin e Leon antes de sair para a cidade. Embora não da maneira mais discreta. Eiro não trouxe Bavet com ele e, em vez disso, utilizou sua máscara e capa regulares. Estava mais acostumado com isso, afinal.
Eiro tentou se esconder um pouco enquanto sobrevoava em direção às favelas e pousou no centro da base da ‘Organização’. Agora que sabia que esse era um ramo de um grupo maior, esse nome parecia uma escolha muito preguiçosa.
O Demônio apareceu do nada no centro da base e todos ficaram mais do que surpresos em vê-lo. Em especial os executivos da organização que estavam cientes do fato de que Eiro matou uma das ‘Letras’ e outro executivo logo após.
Parecia que eles possuíam formas especiais de reconhecer a pessoa, dependendo da etiqueta que carregavam com eles. Eiro não deixaria sua valiosa etiqueta em casa, ou não conseguiria ascender dentro da organização.
Com um sorriso suave, Eiro olhou ao redor enquanto o foco de todos já estava na pessoa que literal caiu do céu.
— Olá! Não tenho certeza se algum de vocês sabe quem eu sou, mas é melhor que saibam. Assumirei essa organização de agora em diante. — Eiro exclamou alto e todos começaram a gargalhar.
Claro, isso era algo que muitas pessoas disseram quando vieram aqui pela primeira vez. Todos riram porque normalmente era o mais fraco que dizia esse tipo de coisa. Devido a esse fato, havia algumas pessoas que queriam ensinar uma lição a Eiro, para mostrar a ele como as coisas funcionavam.
— Escute aqui, garoto, você não vai — um homem aleatório disse. Ele parecia orgulhoso do seu corpo. Então, Eiro deu a ele a chance de olhar apropriadamente para ele de uma nova perspectiva. Assim, enquanto o corpo bem treinado caía no chão e Eiro segurava a cabeça do homem na sua frente, ele olhou para os outros e sorriu suave sob sua máscara.
Eiro levantou a mão direita e utilizou o espaço para a pedra mágica que foi adicionada à manopla que utilizava. Ela estava no modo ‘garra’ e a pedra mágica dentro dela era de Luz.
Porque neste exato momento, um dos executivos utilizou o anel de ‘Parar o tempo’ e casualmente se aproximou de Eiro.
— Outro desses, hein? — Ele murmurou, incomodado, mas ele não poderia esperar que a consciência de Eiro funcionasse na mesma velocidade que esse tempo ‘parado’. Na verdade, o tempo estava desacelerado.
Mas havia algo que era mais rápido do que qualquer coisa e que não poderia ser evitado por ninguém: ‘Luz’. Eiro inseriu sua mana na Pedra Mágica de Luz e fez o raio concentrado de luz cegar o executivo.
Eiro conseguiu fazer experimentos sobre isso há um tempo… Uma luz imensa como essa poderia fazer a de qualquer um parar de funcionar por um momento. Devido a isso, a utilização de mana se tornaria instável e artefatos se tornariam inutilizáveis durante esse instante. O que significava que o anel pararia de funcionar. Portanto, nesse instante, Eiro decepou o dedo do executivo para retirar o anel esfaqueá-lo na garganta para deixá-lo morrer de forma bastante dolorosa na frente de todos.
Havia uma coisa que quase todos aqui sabiam: não mexer com os executivos. Claro, Eiro derrotou um deles antes, mas isso porque esse executivo não conseguiu utilizar artefatos artificiais como esse. Esse aqui conseguia usá-los e, ainda assim, Eiro conseguiu matá-lo com facilidade.
— Agora… — O Demônio sorriu e acenou com a mão, criando chamas que envolveram seu corpo. Elas estavam quase brilhando em branco, mostrando quão quentes estavam. Ninguém ousava se aproximar do homem na frente deles.
— Oh? Ninguém ousa me desafiar? Há alguém de um dígito por aqui? Ou talvez até uma letra para que eu possa resolver isso rápido? — Eiro perguntou, em uma voz deliberada para irritar os outros.
Mas, infelizmente ninguém mordeu a isca.
— Então, que tal isso? Irei ficar perto do pequeno lago nos arredores da cidade até amanhã, o dia todo. Se alguém quiser me desafiar, então vá até lá. Podem levar quantas pessoas quiserem, quaisquer armas e até executivos são livres para ir, se quiserem. Claro que, se for mais fraco que um executivo, nem deveria sonhar em me derrotar. — Eiro exclamou de forma presunçosa.
Como parecia que tinha conseguido agitar todos aqui, Eiro finalizou o executivo ao esmagar o crânio sob seu pé para se certificar de que ele não pudesse ser curado e depois pegou o anel, pulando no ar e usando magia para se impulsionar para longe.
Assim que ficou fora de vista, fundiu sua aura com o ar para que desaparecesse e começou a voar usando suas asas de novo.
Desse modo, Eiro chegou ao lago, onde anunciou que ficaria. Ele estava congelado e havia uma pequena ilha no centro, na qual Eiro esperaria por algum desafiante. Embora, na maior parte do dia, ninguém tenha aparecido. Logo, começou a anoitecer e Eiro ainda não notou ninguém na área.
Até que o fez.
Um grupo de cinco pessoas começou a caminhar sobre o gelo do lado em direção ao local em que Eiro estava sentado. Ele fingia estar dormindo para fazer as pessoas tentarem se aproximar e conseguirem um ataque furtivo, mas claro que não estava dormindo.
Assim que se aproximaram o suficiente, tudo o que Eiro teve que fazer foi manipular o gelo sob os pés das pessoas se aproximando, fazendo com que o lago congelado os engolisse por completo. Eiro escutou algumas pancadas de baixo do gelo, mas as pessoas se afogaram e congelaram sob a água. Entretanto, parecia que esse era o primeiro grupo de muitos.
Era provável que a organização tivesse emitido uma ‘Missão’ para matar Eiro. Bem, isso funcionou a favor dele. Ele conseguiria subir alguns níveis relaxando aqui e afogando os fracos que se aproximavam. Houve alguns mais fortes entre eles, contra os quais Eiro teve que utilizar uma magia mais forte, mas, no fim, todos ainda eram muito fracos para ele.
E, como isso era uma ‘missão’, os executivos não poderiam se envolver mais, então Eiro pôde relaxar. Pelo menos, até que uma certa pessoa apareceu.
— O que você acha que está fazendo aqui? — Evelyn, a Feiticeira da Pedra de Sangue e a uma ‘Letra’ da organização, questionou o Demônio. Ela olhou e viu inúmeros corpos sob o chão
— Coletando materiais. Entre outras coisas. Aumentar o meu nível dessa forma é honestamente muito divertido. — Eiro comentou, presunçoso.
Evelyn o encarou e levantou a mão. Sangue foi disparado das pontas dos seus dedos, mais do que seu corpo deveria possuir e formaram lanças de gelo.
— Hah, você acha que isso vai me deixar preocupado? Deveria conhecer quais habilidades eu tenho. Pelo menos um pouco, se não for uma completa idiota. — Eiro disse à pessoa na sua frente, uma das poucas que desprezava.
Mas, sem hesitação, Evelyn disparou uma das lanças de gelo em Eiro. Elas perfuraram a capa dele… mas foi isso. O próprio Diabrete havia desaparecido. Até que saiu de baixo de Evelyn, saindo de sua sombra.