A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 358

A Virtude do Demônio

Eiro caminhou até a lateral de novo, parando ao lado do perplexo James.

— O que há de errado? — O Demônio questionou com um leve sorriso e o Elfo da Luz o encarou com um sorriso irônico.

— O que você acha?

— Haha, você já sabia quão forte a minha magia era e essa armadura é um presente de Armodeus, feita com algo que nos foi dado por um novo amigo. — Eiro explicou, olhando para a grande janela que a realeza utilizava para ver tudo, e, em particular, olhou para Lognir por um instante.

Mas, quando fez isso, a Rainha também continuou o encarando, com o mesmo sorriso suave de antes. Por ora, Eiro tinha que ignorar tudo isso. Só respirou fundo e aguardou que o locutor anunciasse o término do evento. As pessoas estavam saindo da arena e até James e Eiro retornaram à entrada.

Claro, todos os estudantes reunidos ali estavam mais do que interessados na pessoa capaz de exibir uma magia tão poderosa dentro de instantes.

— Qual classe você lecionará?

— Qual a sua idade?

— Como você consegue manipular tantos tipos de magia?

Os alunos correram até Eiro e o questionaram sem hesitar. O Demônio os encarou de volta com um sorriso irônico e tentou organizar seus pensamentos, tentando respondê-los pouco a pouco. Claro, ele mentiu para a maioria das perguntas feitas, pelo menos quando eram relacionadas a detalhes de Eiro ou suas habilidades. Não se importava de responder perguntas que estavam relacionadas à escola em si.

Em algum momento conseguiu se livrar da multidão de estudantes e se aproximou das duas crianças que esperava perto da parede dos fundos. Sem hesitação, Eiro puxou ambos, Arc e Clementine, para um abraço.

— Senti saudade de vocês. Como tem sido desde que vieram para cá?

Clementine olhou para Eiro com um sorriso grande no rosto.

— Foi superdivertido! Há muitas pessoas legais por aqui! Uma vez, outra garota se machucou batente, mas eu consegui me conter! — Ela disse com uma expressão presunçosa e Eiro acariciou a cabeça dela.

— Estou orgulhoso de você, Clementine.

— Hehe! — Com um sorriso amplo que mostrava seus dentes brancos perolados, Clementine pressionou ainda mais sua cabeça contra a mão de Eiro. Enquanto isso, ele olhou para Arc.

— Quero conversar com você mais tarde. Vamos encontrar os outros primeiro e depois podemos ir para algum lugar em que ninguém nos incomodará, tudo bem?

Arc olhou para Eiro, um pouco surpreso, mas deu de ombros em resposta.

— Claro, eu acho…

Parecia que Arc não estava pensando muito nisso. ‘Preocupação’ e ‘Ansiedade’ também eram emoções suprimidas pelas habilidades únicas de Arc, afinal.

Os outros estudantes ao redor ficaram um pouco surpresos com o relacionamento entre seu novo professor e os dois alunos prodígios que apareceram este ano, mas Eiro não estava tentando esconder nada.

Lenta, Arc, Clementine, Eiro e James saíram da área. O Diabrete tentava ao máximo suprimir sua presença para que não fosse abordado por muitas pessoas que observaram sua performance e rapidamente se dirigiu para onde os outros estavam.

Assim que chegaram, Eiro se abaixou atrás de Leon e Avalin, que olhavam ao redor tentando encontrar o pai.

— Olá, vocês dois. Estão procurando por alguém? — Ele perguntou a eles, que se viraram e olharam para Eiro, surpresos e um pouco assustados. Eles deram um passo para trás e se aproximaram de Sammy, Rudy e Felix. Claro, estes três perceberam que esse era Eiro, mas Leon e Avalin não.

Mas este era um péssimo lugar para fazer Bavet remover a transformação em sua cabeça.

— Não se preocupem! Sou eu, o papai! Só estou usando um disfarce agora!

Leon e Avalin olharam para seus irmãos, confusos, e, assim que receberam uma confirmação, perceberam que esse era Eiro.

— Papai! — Avalin e Leon exclamaram ao mesmo tempo e Demônio os levantou com um grande sorriso no rosto.

— Vocês dois se comportaram quando ficaram com o tio Solomon? — Eiro perguntou e os dois acenaram com a cabeça, começando a contar as histórias a Eiro sobre as coisas divertidas que fizeram enquanto ficavam no castelo.

O Diabrete escutou com curiosidade e atenção, carregando os dois em direção à área nobre para que pudesse se encontrar com Solomon.

Eiro foi recepcionado pelos guardas, assim como suas crianças e então subiram as escadas que levavam à área de observação dos nobres. Lá, os olhos de todos se voltaram para o Demônio.

Com um pequeno sorriso, Eiro colocou Avalin e Leon no chão e foi até o centro da sala.

— Agora que perceberam que não sou uma criança do interior, permitam-me apresentar para todos vocês. Meu nome é Eiro, como vocês ouviram antes. Sei que muitos podem pensar nesse nome como um tabu, mas, para mim, é uma honra carregar o mesmo nome do Grande Heróis do passado. — Eiro explicou para os nobres. — Em alguns meses, participarei do torneio para poder acompanhar o mais novo Herói em sua jornada. Pessoalmente, acredito ser um dos candidatos favoritos.

O Demônio voltou seus olhos para uma certa mulher sentada no canto da sala, a Feiticeira da Pedra de Sangue, Evelyn James, encontrando o olhar dela. Ela também percebeu quem era esse homem, embora não tivesse certeza de como ele mudou sua forma para parecer tão humano.

Todos ficaram em silêncio por um tempo, até que um certo homem saiu de sua área pessoal e especial. Ele se aproximou de Eiro, colocando a mão em seu ombro com um sorriso no rosto e acenou com a cabeça antes de permanecer ao lado dele.

Com um sorriso grande, Solomon exclamou:

— Vocês o escutaram! Para que todos saibam, fui eu quem solicitou pessoalmente que Eiro participasse do torneio. Então, não acho que haverá reclamações sobre isso, certo?

Os nobres, percebendo que se dissessem algo contra Eiro seria como desafiar a coroa, começaram a agir como se todas as suas preocupações tivessem desaparecido. Assim como Eiro pensou, tudo correria bem, sem nenhum incidente.

 —

Eiro e Arc logo chegaram ao local em que o Demônio queria falar com o filho. Era uma sala aleatória que Eiro estava protegendo com magia para garantir que ninguém conseguisse escutar a conversa deles. Após suspirar fundo, Eiro estendeu o braço para o lado. Devagar, sua transformação desapareceu e, em vez disso, uma cobra negra apareceu ao redor do seu braço.

— Obrigado pela ajuda, Bavet — o Diabrete disse com um gemido bastante profundo. O processo de transformação era bastante desconfortável às vezes, mas não era tão ruim.

Eiro colocou a mão em cima da cabeça, sentindo os chifres para garantir que não era o cabeço arco-íris, então encarou direta Arc com alívio.

— Bavet, poderia sair e assegurar que ninguém se aproxime?

Devagar, a cobra desceu do braço de Eiro e se transformou em um homem crescido.

— Claro, eu suponho — o Slime respondeu e saiu da sala sem muita hesitação. Parecia que Bavet estava um pouco exausto. Ele precisaria deixá-lo descansar um pouco mais ou descobrir uma forma de Bavet manter a transformação enquanto dormia para que pudesse descansar adequadamente.

De qualquer modo, não era com isso que Eiro estava preocupado agora. Em vez disso, olhou para Arc com um olhar profundo. Arc sorriu em sarcasmo e perguntou:

— Está tudo bem? Eu… eu fiz alguma coisa? Se for o caso, então-

— Qual era o mundo em que você viveu pela primeira vez? — Eiro perguntou, interrompendo Arc para chegar ao assunto principal. Os batimentos do garoto aceleraram imediatamente e começou a entrar em pânico. Era um ataque de pânico real, algo que Eiro nunca viu nele antes.

Claro, o Demônio abraçou seu filho e se certificou de acalmá-lo.

— Não se preocupe. Não importa quem você foi antes, agora você é meu filho, mas isso ainda é algo que precisamos discutir e sinto que precisava confirmar com você se essa suspeita era verdade. Ao que parece, sim.

Arc segurou as roupas de Eiro enquanto sua respiração acelerada se acalmava e enxugava as lágrimas em seus olhos.

— Eu… você está certo… Por 19 anos, eu vivi em outro mundo… era um muito diferente deste… Então, em algum ponto, eu morri e-

— Arc, acalme-se. Não precisa me explicar tudo agora, apenas o que se sentir confortável — O Demônio disse sem rodeios. Devagar, Arc olhou para Eiro e acenou a cabeça.

— Tudo… bem.

Arc deu um passo para trás e tentou se acalmar, antes de olhar diretamente para os olhos de Eiro com uma expressão dedicada.

— Vou te contar tudo. Primeiro de tudo, o mundo em que nasci era muito mais avançado do que este. Nós não tínhamos tantas doenças com que nos preocupar e era, no geral, pacífico. Você poderia conversar com qualquer pessoa no mundo instantaneamente se desejasse.

— Parece que havia alguns magos bastante poderosos por lá — Eiro disse, mas Arc balançou a cabeça.

— Não, não havia magia lá. Não havia nenhum sistema lá, nem monstros. Humanos eram as únicas pessoas lá. Ainda tínhamos animais, é claro, mas, fora isso… Aquele mundo era diferente deste. Em vez disso, confiávamos na ‘Ciência’.

Eiro levantou as sobrancelhas, confuso, em completa descrença.

— Sem magia? Sem sistema? Sem monstros? Então como- — Eiro se interrompeu enquanto tentava organizar seus pensamentos. — E sobre os outros seres? Bestas Mágicas? Espíritos da Natureza? Coisas como essas? — Eiro questionou, mas Arc riu.

— Não, também não havia essas criaturas. Bem… eu acho. Algumas pessoas acreditavam que a magia existia, assim como as bestas mágicas e Espíritos da Natureza, mas publicamente não havia nenhum.

— Então como você chegou aqui? Não usou algum tipo de feitiço para se transportar para esse mundo?

Arc o encarou de volta com uma expressão amarga.

— Não… Eu morri de câncer no meu aniversário de 19 anos… Então, quando eu morri, fui trazido aqui.

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