
Volume 4 - Capítulo 353
A Virtude do Demônio
Eiro olhou para as duas adagas sobre a mesa na sua frente. A adaga com a pedra mágica de fogo em seu cabo, a lembrança de Avalin, foi aprimorada em coisas simples. Havia alguns pequenos entalhes ao longo de sua superfície que foram preenchidos com o metal especial que Armodeus criou usando as cascas do ovo do Dragão do Fogo.
Devido a isso, ela seria capaz de se tornar muito mais quente do que antes. Primeiro, o fluxo de magia da pedra mágica era muito maior e a própria lâmina era capaz de aguentar altas temperaturas sem que o metal enfraquecesse.
Era uma melhoria simples, mas poderosa, uma que Eiro gostou muito. Ele colocou a adaga em bainha e a armazenou em sua tesouraria antes de olhar para a adaga oca. O que Armodeus adicionou nesta era bem simples: cobriu o espaço oco dentro da adaga com uma camada incrivelmente fina do metal feito com as cascas do ovo do Dragão do Veneno.
Então, quando Eiro utilizasse veneno com essa adaga, como sempre fazia, ela aumentaria o poder dele só por ficar ali por um tempo. Para que conseguisse controlar melhor e fosse capaz de manipular um pouco mais sua temperatura, Eiro misturaria a toxina que queria usar com um pouco de água.
Talvez agora conseguisse tentar com a substância; isso certamente aumentaria seu poder.
Se Eiro esfaqueasse alguém usando essa adaga quando ela estivesse preenchida com um veneno poderoso, então isso acabaria matando o oponente muito rápido. O problema era que esse tipo de substância se degradava rápido em temperaturas extremas. Ele esperava que isso não acontecesse mais.
Mas, além de cobrir o espaço oco dentro da adaga com esse metal, Armodeus criou mais alguns furos para que as toxinas pudessem fluir quando Eiro permitisse que as toxinas saíssem do núcleo da lâmina.
Enquanto Eiro olhava para essas duas lâminas, Armodeus trouxe outros itens que preparou. Neste instante, estavam cobertos com um tipo de pano branco que o artesão usou tanto para protegê-los como para escondê-los de Eiro.
— Aqui está, rapaz. Este é o prato principal da refeição! — o Anão Ancião explicou com um sorriso grande e presunçoso. Devagar, Eiro esticou a mão para o pano branco e o removeu.
E o que viu era incrível: um conjunto de armadura completa para Eiro. Parecia que algumas partes eram semelhantes a metal enquanto outras pareciam com couro, mas, no geral, era mais do que impressionante.
Eiro experimentou os itens com um sorriso grande e animado. As manoplas que faziam parte desse conjunto eram bastante especiais para começar, ainda mais a que cobria o seu braço direito.
Parecia que a manopla também foi feita com uma mistura de couro e metal, embora ambos os materiais, na verdade, tenham sido criados da mesma base: escamas de dragão.
Embora Eiro não tivesse ideia de como Armodeus fez isso, parecia ser possível que as Escamas de Dragão mudassem de uma forma tão extrema dependendo de como fossem tratadas. A base das manoplas foi feita de ‘escamas de couro’, envolvendo o antebraço e punho de Eiro, mas ainda permitindo uma grande quantidade de movimento devido à forma como o couro foi cortado ao redor do pulso.
E, nas costas das mãos de Eiro, assim como na parte de cima do antebraço, Armodeus colocou as ‘escamas de metal’ de uma forma que ainda pareciam pequenas escamas.
No geral, parecia possuir uma defesa incrível e o branco-dourado suave também era agradável.
Mas isso não era tudo, desde que cada manopla também possuía algo especial. Primeiro, a manopla esquerda tinha uma luva de couro conectada a ela para que a pele de Eiro não ficasse exposta, mas, ao mesmo tempo, tinha uma espécie de pequeno ‘interruptor’ dentro dela. Era algo feito com as sobras da madeira especial de Eiro que Armodeus colocou em lugares específicos dentro da manopla.
Se Eiro permitisse que sua mana fluísse pelo interruptor para as poucas pedras mágicas conectadas a ele, as escamas na manopla se moveriam. Em vez de se sobreporem ligeira, como seria de se esperar de escamas, elas se conectariam nas bordas, criando um pequeno escudo no antebraço de Eiro que poderia ser usado para se defender com mais facilidade de ataques. Como isso foi feito com as escamas de dragão endurecidas, não havia como qualquer tipo de ataque normal ser capaz sequer de arranhar esse pequeno escudo.
Quanto à manopla direita de Eiro, ela possuía algo que se tornaria útil. Também possuía um tipo de ‘interruptor’ dentro dela, embora um que causasse um resultado muito diferente, pois, em vez de criar um escudo, as pequenas escamas branco-douradas se deslocariam até os dedos de Eiro, fazendo com que uma pequena lâmina aparecesse na frente deles. Ele não seria capaz de causar muitos danos por conta própria, mas se Eiro utilizasse o Três de Espadas e combinasse com a pequena lâmina da manopla, elas assumiriam o formato de garras que ele poderia estender e retrair à vontade.
Quando Eiro fizesse isso, alguns espaços para pedras mágicas eram revelados para que ele conseguisse conjurar diferentes tipos de magia.
Essas manoplas eram algo mais do que perfeito, pelo qual as pessoas pagariam centenas – não, milhares de ouro para ter a chance de usá-las uma vez. Isso sem levar em consideração que o maior artesão deste continente foi quem as criou. Esses itens eram muito incríveis nesse nível.
Eiro respirou fundo e vestiu o resto da armadura, começando com as botas, a pedido de Armodeus. Ele havia escolhido uma ordem particular em que o Demônio deveria vestir, embora Eiro não se importasse. Eles tinham todo o tempo que precisavam para isso.
Quando vestiu as botas, ficou surpreso. Elas eram grossas e pesadas e lhe davam bastante estabilidade quando ficava parado, mas, quando levantou seu pé do chão, era como se as botas estivessem empurrando Eiro para fora do chão por conta própria enquanto perdiam a maioria do seu peso, mas, sempre que Eiro queria empurrar seu pé de volta para baixo, elas ganhavam peso e pareciam puxá-lo para o chão. Isso era algo com que Eiro teria que se acostumar, mas assim que conseguisse, ajudaria bastante os seus movimentos.
Mais aderência quando precisava e maior poder de salto quando necessário. Desta vez, não parecia haver nenhum outro tipo de acessório conectado às boras, então Eiro prosseguiu para os protetores, que vestiu em sua perna. Estas eram como de uma armadura normal, sem nada mais. Claro, amenizariam o impacto quando Eiro caísse de locais altos, mas era isso: uma armadura de couro com algumas partes de metais em locais específicos na parte superior. Esta armadura, no entanto, se conectava muito bem à parte destinada à cauda de Eiro.
Esta parte era algo que deveria complementar o item que Armodeus já havia feito para a cauda do Demônio, mas, quando combinado com as calças, ele conseguia envolver sua cauda ao redor da cintura com facilidade e fazer parecer com que fosse outra parte de sua armadura.
Então, chegou o peitoral. Esta era uma das partes mais fortes, pois deveria cobrir a maioria dos pontos vitais de Eiro. Provavelmente era o item em que Armodeus passou a maior parte do tempo, considerando que teve que ajustar tudo, afinal, a base do item era couro para que Eiro não fosse restringido enquanto suas áreas vitais eram cobertas por pequenas placas de metal.
Até certo ponto, esta armadura parecia bastante ornamentada, embora cada uma de suas partes tivesse alguma utilidade. Nem Eiro nem Armodeus eram grandes apreciadores de muita decoração desnecessária, pelo menos quando se tratava de armas e armaduras.
Em seguida, Armodeus ajudou Eiro a colocar algo em suas asas. Quando ele colocou, era uma pequena haste no ‘osso’ central de casa asa, mas Armodeus puxou algo de cada uma dessas hastes, colocando outras hastes menores em cada parte onde os ossos de Eiro percorriam suas asas, com algumas folhas de couro metálico muito finas no restante. Havia uma armadura até para suas asas.
Assim como sua cauda, quando Eiro guardava suas asas nas costas, elas pareciam outra parte de sua armadura. Isso significava que agora ele possuía mais opções ao tentar se disfarçar em público.
Por último, havia o elmo. Não era nada tão especial, na verdade. Em vez de um ‘elo’, era mais como um capuz feito de pequenas escamas metálicas que Eiro poderia conectar à parte da armadura que se conectava ao seu pescoço. isso era perfeito quando ele quisesse vestir uma máscara, desde que ajudava a cobrir sua cabeça.
No geral, essa armadura cobria cada parte do corpo de Eiro, mas, de alguma forma, não fazia parecer que ele vestia uma armadura completa. A única coisa estranha era o fato de Eiro ser um adulto crescido que andava com uma cor dourada da cabeça aos pés.
Entretanto… Armodeus também tinha uma solução para isso.
— Agora, rapaz, espero que goste dessa armadura — Armodeus disse, presunçoso e Eiro acenou com a cabeça.
— Claro que sim, mas tenho certeza de que você está ciente dos poucos problemas que tenho com ela… certo?
— Sim, claro que estou. Veja, tive algumas conversas com Lognir e Krista enquanto você estava fora e estou ciente da sua nova habilidade de interagir com o ‘Caos’. Use essa habilidade e olhe para si mesmo — Armodeus sugeriu. Um pouco surpreso, o Diabrete fez como pedido.
Respirando fundo, concentrou-se naquela sensação e olhou para seu corpo. Agora, todo seu corpo estava mudando, como se a luz ao seu redor estivesse sendo fragmentada pelo calor extremo. Era bastante surpreendente ao considerar que essa armadura foi feita utilizando as escamas do Dragão da Verdade, mas, neste momento, Eiro percebeu o que estava acontecendo.
Lentamente ele colocou a mão no peito e sentiu essas distorções com as mãos. Muito devagar, tentou concentrar seus pensamentos nessas distorções. Assim que fez isso, sua armadura mudou. Do branco brilhante para uma cor muito mais escura, uma cor mais parecida com o que Eiro costumava vestir. Essa armadura era muito menos chamativa dessa forma.
Mas, ao mesmo tempo… Eiro percebeu as possibilidades que esta armadura do ‘Caos e Ordem’ lhe proporcionava.