
Volume 4 - Capítulo 354
A Virtude do Demônio
Eiro pressionou a mão no peito e inseriu um pouco de magia de fogo, misturando as energias do caos que fluíam ao redor dele devido à armadura.
Assim, o poder da ‘Ordem’ teve efeito e direcionou o caos em uma direção específica. Aos poucos, em vez do preto que era antes, a armadura agora se tornou vermelha-escura e começou a emitir um pouco de calor.
— Então isso real funciona? — Eiro perguntou com um sorriso grande e Armodeus assentiu. — Sim, é assim que planejei, pelo menos. Como existe um tipo de dragão para basica todos os elementos que há, você pode fazer temporaria com que as escamas que foram usadas como base sejam as escamas desse tipo de dragão. Claro, ainda há algumas raras exceções. você deve alimentar o ‘Caos’ com alguma magia para que ele saiba exata o que fazer.
Com um sorriso, Eiro usou outro tipo de magia em sua Armadura do Caos. A cor desapareceu da armadura e se transformou em um azul-esbranquiçado. Uma névoa leve começou a ser expelida do corpo de Eiro devido à mudança de temperatura, pois agora sua armadura possuía o elemento Gelo.
Então, Eiro teve mais uma ideia: abriu uma das janelas da carruagem. Por sorte, estavam voando alto o suficiente para isso. O Demônio utilizou a umidade natural do ar, já Lognir estava tentando se esconder dentro das nuvens e a puxou para si.
Eiro a puxou para sua mão e infundiu seu corpo com essa água, antes de congelá-la de imediato.
Não apenas sua armadura, mas todo seu corpo agora era feito de gelo. Devido ao fato de a ativação bem-sucedida ter aumentado dentro da Carta <O Mundo>, sua capacidade de se infundir com elementos aumentou muito.
Neste ponto, era muito incrível… todo o corpo de Eiro era feito de gelo e translúcido. Claro, isso significava que ele receberia danos extremos de qualquer ataque de fogo ou contundente, mas Eiro não utilizaria esse tipo de forma de qualquer jeito.
De qualquer maneira, junto a própria transformação de Eiro, algo também mudou na armadura. A própria armadura parecia ter se transformado em gelo e Eiro parecia uma estátua esculpida a partir de um bloco enorme de gelo.
Era interessante, para dizer o mínimo. Então, quando Eiro fez uso do próximo passo da infusão, seu corpo não era mais translúcido, desde que se infundiu com a ‘essência’ do elemento em vez do elemento em si.
Ele ainda emitia um ar extremamente frio e seu corpo ainda estava bastante rígido e fraco se comparado ao normal, mas a armadura, mais uma vez, se adaptou e ficou opaca, como Eiro queria.
— Armodeus, você realmente se superou. O que eu te devo?
O Anão Ancião levantou as sobrancelhas, surpreso.
— Não está falando de dinheiro, está, rapaz?
— Claro que sim! Tipo, não seria um desperdício do seu tempo fazer algo assim e não ser pago por isso?
— Hah! Eu não fiz esses itens por dinheiro, rapaz. Eu os fiz porque eu queria trabalhar com esses materiais, então nem pense em me pagar, escutou? — Armodeus exclamou com os braços cruzados e Eiro sorriu levemente. Ele interrompeu a infusão com o gelo e o expeliu de volta pela janela, transformando-o em uma névoa de novo para que pudesse se juntar às nuvens mais uma vez.
— Obrigado. Ainda te devo uma, então. Se precisar da minha ajuda com qualquer coisa, eu ajudo, sem questionar. Embora eu faria isso de qualquer maneira, eu suponho — Eiro comentou. Mais uma vez, Armodeus pareceu surpreso.
— Você me ajudaria com qualquer coisa que eu queira, sem questionar? Mesmo sem me dever uma?
— … É claro, não somos amigos? É assim que as coisas deveriam ser, certo? Você veio todo o caminho de Argberg até a capital sem hesitar quando soube que algo poderia ter acontecido conosco.
Armodeus riu para si com um aceno.
— Sim, você tem um ponto, rapaz. Tudo bem, verei se posso encontrar algo com que possa me ajudar, mas por ora pegue esses itens e não se preocupe com isso ainda.
Eiro assentiu e decidiu que deveria tentar algo que seria muito importante para ele no futuro. Fechou as janelas e apagou as velas que estavam acesas dentro da carruagem.
Eiro infundiu seu corpo com magia de sombra. Mais uma vez, em vez de afetar sua pele, todo o corpo de Eiro se tornou uma massa sólida de sombras. Isso também afetou sua armadura. Ela se tornou um preto profundo e emitia uma névoa da mesma cor, que se movia com cada movimento do corpo do Demônio.
— Isso é muito… interessante. Sério, esta armadura quase age como uma parte do meu corpo. — Eiro comentou, sua voz parecendo vir de todas as partes da carruagem que estavam cobertas pela escuridão: cada parte dela.
Armodeus ficou um pouco surpreso de ver e ouvir isso, pois, até então, não sabia como era estar infundido com sombras.
Devagar, Eiro respirou fundo e fez algo que só havia tentado um pouco. Parecia que a armadura estava quase fortalecendo o efeito da infusão até certo ponto, deixando o Demônio mais confiante de que isso funcionaria.
Eiro se empurrou para dentro da superfície sombria do assento em que estava sentado, entrando no domínio da escuridão além dela. Era como uma espécie de espaço infinito e profundo pelo qual Eiro conseguia se mover, como se mergulhasse na água.
A única coisa que conseguia ver era o espaço de onde veio. O espaço dentro da carruagem na sua frente. Devagar, Eiro nadou pela escuridão até o outro lado da carruagem e passou a cabeça por uma parte das sombras reunidas ali, aparecendo ao lado de Armodeus.
— Isso é uma experiência única, para dizer o mínimo.
— Santa Mãe dos… rapaz, como… como você chegou aqui? Você estava sentado ali! — Armodeus exclamou. Parecia que até Nelli, Gondos e Sarius ficaram bastante surpresos. Eles ainda estavam flutuando no mesmo espaço em que estavam antes, sem serem capazes de entrar neste ‘domínio da escuridão’ junto de Eiro.
O Diabrete saiu do espaço escuro. Era uma sensação única, como se as áreas em que nenhuma luz fosse feitas de água na qual Eiro poderia mergulhar à vontade.
Mas, agora, parou de se infundir com as sombras e se sentou de volta em seu assento.
— Essa realmente é uma ótima armadura. — Eiro apontou. — Vou ter que testar algumas coisas com ela. Também terei que me acostumar com o escudo. — O Demônio comentou ao levantar o braço esquerdo, ativando o pequeno escudo que havia ali, o qual deveria ajudá-lo a se defender de ataques pequenos e fracos.
Pelas próximas horas Eiro e Armodeus conversaram sobre a armadura, para que Eiro conhecesse tudo sobre a estrutura dela.
Logo chegaram ao seu destino. Como Lognir ainda era capaz de esconder seu corpo surpreendente bem, conseguiu pousar nos jardins da mansão sem que ninguém conseguisse ver nada. Claro, como a mansão estava no meio do nada para começar, não havia ninguém por perto para ver Lognir pousar em primeiro lugar, apesar de que alguns guardas à distância poderiam ter ficado um pouco nervosos ao ver algo como Lognir pousou.
De qualquer modo, Eiro percebeu Lognir colocando a carruagem no chão enquanto soltava Lugo e os dois cavalos. Lugo correu para longe, tremendo nervosamente após essa viagem única enquanto os cavalos ainda estavam adormecidos, deitados no local em que Lognir os colocou.
Claro, Eiro saiu da carruagem e ajudou os cavalos a acordarem, manipulando o sangue deles para remover os traços dos anestésicos que havia ali para acordá-los mais cedo. Depois de levar os cavalos em segurança para os estábulos e retirar tudo da carruagem com Armodeus, todos entraram na mansão.
A casa estava muito vazia; os púnicos que pareciam estar aqui eram Krog e Jess. Ambos no quarto de Krog. Deitados na cama dele.
Com um resmungo profundo, Eiro foi até o quarto do guerreiro e bateu na porta.
— Vocês dois, estou de volta e como eu consigo ouvir seus batimentos quando estão dormindo, tentem ficar um pouco mais quietos. — Eiro exclamou e todos os movimentos no quarto, além da porta, pararam por um instante. Passos pesados puderam ser escutados se aproximando da porta.
Krog abriu a porta e encarou Eiro, com um cobertor na frente da sua virilha, enquanto Jess ainda estava deitada na cama de Krog, coberta por uma coberta fina.
— Ei, Eiro… você não poderia ter… sabe… nos contado de uma forma diferente?
— Provável, mas assim foi muito mais divertido — Eiro comentou. — De qualquer forma, terminem aqui e desçam, temos um convidado.
Krog resmungou ao fechar a porta e Eiro desceu as escadas até o cômodo em que Lognir, em sua forma humana e Armodeus já estavam sentados. Lugo também estava no canto do quarto, tentando dormir apesar de quão nervoso estava.
Alguns minutos depois Krog e Jess desceram as escadas; ela estava um pouco mais irritada do que Krog. Embora parecesse que Jess estivesse com dificuldades para andar por alguma razão. Não que Eiro se importasse.
— Então, apresentarei James a ele mais tarde se eu tiver a chance, mas este aqui é Lognir, o Dragão da Verdade e familiar de Solomon. Ele me ajudou a recuperar todas as minhas memórias e me ensinou muitas coisas novas.
— … Como é amigo?! — Krog disse com um sorriso irônico, olhando para aquele homem repugnantemente bonito parado ao lado de Eiro. Rapidamente o Dragão se apresentou, embora ambos os aventureiros ainda estivessem incrédulos com o que estava ocorrendo.