A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 352

A Virtude do Demônio

Eiro cavalgou nas costas de Lugo para voltar à montanha em que a caverna de Lognir poderia ser encontrada. Ele já conseguia ver o pico à distância, então era provável que não demorasse muito no ritmo em que estava, considerando que Eiro tornou o caminho à frente deles mais fácil de percorrer com magia.

Demorou mais algumas horas para chegar à montanha. Eles já estavam viajando por cerca de um a dois dias a toda velocidade.

— Você está bem, Lugo? Ainda não precisa fazer uma pausa? — O Demônio perguntou, acariciando a cabeça do cervo e Lugo soltou um berro alto.

— Obrigado, amigo. Sério, quem imaginaria que o cervo preguiçoso de alguns anos atrás se transformaria em um ser tão capaz?

Com o que parecia um sorriso presunçoso, Lugo continuou o caminho que Eiro estava criando para ele. Aparentemente ele estava tentando ir ainda mais rápido que antes. Enquanto fazia isso, Eiro utilizava magia para ajudar o fluxo de sangue, oxigenação e recuperação de Lugo após correr esse tanto e, claro, até tentava garantir que ele estivesse utilizando o mínimo de estamina possível.

Essa era a única forma de terem conseguido viajar tanto durante os últimos dias; caso contrário, essa viagem teria demorado muito mais, além disso, parecia que Lugo estava melhorando constantemente. Seus atributos estavam aumentando pouco a pouco quanto mais se movia. Sua Agilidade e Resistência já haviam aumentado cerca de 10 pontos cada.

Parecia similar a como Eiro conseguia ganhar atributos por meio de certas ações no começo de sua vida, o que era o motivo pelo qual conseguiu se libertar do controle que havia sobre ele naquela época.

— Continue assim, Lugo. Prometo que, algum dia, descobriremos o que você é. Chegamos mais perto de descobrir o que eu sou por enquanto… Então, agora é a sua vez. — Eiro sorriu, passando a mão nos pelos de Lugo.

Pelas próximas horas, continuaram fazendo o que fizeram esse tempo todo: tentar chegar o mais longe possível até que Lugo ficasse exausto. Por sorte, desta vez, isso ocorreu só quando chegaram ao seu destino.

Agora estavam no pé da montanha e tudo o que tinham que fazer era escalá-la. Para isso, Eiro escolheu ajudar Lugo. Em vez de fazer o Cervo escalar este lugar depois e correr por tanto tempo, Eiro manipulou as rochas para puxá-los até o cume sem terem que se mover muito.

Para quem estivesse observando, isso poderia parecer muito suspeito, mas como Eiro estava ocultando suas ações com o Ás de Copas, não importava. Alguém com uma percepção divina ou olhos que poderiam ver por meio de mentiras conseguiria descobrir o que estava ocorrendo.

Logo Eiro, Lugo, Bavet e os três Espíritos elementais chegaram à caverna dos Dragões de novo.

E, de dentro, o Demônio conseguia escutar algumas risadas. Risadas que vinham não só de Lognir, como de Armodeus. Durante os últimos dias, esses dois conseguiram se aproximar um pouco enquanto Eiro estava fora.

Ele ficou feliz por isso. Ficou um pouco surpreso em descobrir a personalidade excessivamente assustada de Armodeus quando esses dois se conheceram, mas parecia que ele, na verdade, só temia o desconhecido. Ele costumava temer Eiro, mas agora não mais, era o mesmo caso com Lognir, Krista e os dragões recém-nascidos.

Depois de conhecê-los e perceber que eram de bom coração, o medo de Armodeus por eles desapareceu sem deixar vestígios.

Assim que Eiro entrou na caverna a risada de uma das vozes parou, em vez de contar aos outros que ele havia retornado.

O Demônio se aprofundou na caverna e logo viu as pessoas que esperava aqui.

— Fico feliz de ver que estão se divertindo — Eiro sorriu e Armodeus se levantou, caminhando até ele e cumprimentando-o.

— De fato. Terminei todos os itens que queria fazer ontem à noite, então passamos o dia inteiro conversando. Foi bastante divertido, na verdade. — O Anão Ancião riu baixinho. — E você? Conseguiu resolver tudo o que queria?

— Sim, visitei minha antiga casa e peguei todas as sementes que poderia encontrar lá. Falei um pouco com Jura… Oh, peguei toda a madeira da cabana e alimentei um pouco minha própria árvore. A fiz parecer mais discreta ao nutri-la com um pouco do líquido do Ás de Copas. Também encontrei um velho amigo e depois voltei para cá — Eiro explicou. Ele não fez muito, mas pelo menos fez tudo o que era importante.

— Hm, entendo. Então acho que está na hora de voltarmos para casa, não é? — Armodeus comentou. Eiro olhou ao redor. Parecia que o Anão já havia desfeito sua oficina temporária e se preparou para partir no instante em que terminou de trabalhar nos itens.

— Oh e antes que eu me esqueça… Acho que deve ficar tudo bem para eu deixar Krista sozinha com as crianças por um dia ou dois. Como seu familiar, tenho a obrigação de ver Solomon de vez em quando. Que tal eu levá-los de volta à capital?

Eiro virou a cabeça para o Dragão, surpreso.

— Se não se importar, isso seria de grande ajuda. Você deve conseguir nos levar até lá em algumas horas, provavelmente — o Diabrete comentou e Lognir sorriu em sua forma humana.

— Exato, eu devo ser capaz de carregar aquela carruagem, mas e os cavalos? Pela minha experiência, eles são bem… resistentes a serem carregados pelas minhas garras gigantes.

— Ah, eu posso colocá-los para dormir por um tempo. Se eu os proteger com um feitiço de fogo para mantê-los aquecidos, deve correr tudo bem até chegarmos à capital — Eiro sugeriu e Lognir deu de ombros.

— Se você diz, então acreditarei em você. Os cavalos são seus, para começo de conversa.

Desse modo, Eiro começou a se preparar. Utilizando um sedativo simples que produziu em sua cauda, colocou os cavalos para dormir. Isso deveria durar até que estivessem na cidade.

— Lugo, você também precisa de sedativo? — Eiro questionou e Lugo encarou Lognir por um tempo, incerto do que seria uma boa ideia, mas, no fim, berrou sua resposta.

— Oh? Bem, se você diz, mas, se em algum momento ficar muito assustado, me conte e eu te sedarei por um tempo também, certo?

Com um berro de afirmação, Lugo caminhou em direção à carruagem enquanto Eiro começava a conjurar feitiços de fogo nos dois cavalos. Claro, era só um feitiço para aquecer um pouco o ar ao redor deles ao mesmo tempo que criava uma barreira que impediria que o vento afastasse o calor durante o voo.

Assim, os cavalos deveriam ficar seguros de quaisquer danos, já que Lognir teria cuidados com eles.

Eiro se certificou de preparar a carruagem para que pudesse ser carregada com segurança. Assim que terminou seus preparativos, Armodeus colocou todos os itens que criou na carruagem. — — — — Explicarei os itens para você durante o caminho. Acho que devemos economizar tempo… Tenho certeza de que você quer voltar para casa o mais rápido possível, certo, rapaz?

— Sim, quero. Obrigado — Eiro respondeu e Armodeus sorriu.

O Demônio passou um tempo se despedindo de todos os recém-nascidos e de Krista.

— Foi uma honra conhecer todos vocês. Espero que possamos nos encontrar de novo no futuro, quando todos vocês forem capazes de utilizar suas formas humanoides. — Eiro sorriu e esfregou o focinho dos jovens Dragões. — E, claro, obrigado por me mostrar o ‘Caos’, Krista. Tenho certeza de que será útil no futuro.

— Provavelmente devemos esperar que não haja necessidade de você utilizar nenhuma de suas habilidades poderosas no futuro. Seria melhor se não houvesse necessidade para o conflito, certo? Entretanto, como o futuro é de fato imprevisível, ter esperança é tudo o que podemos fazer — Krista explicou. — Agora, você deve seguir seu caminho. Meu companheiro e seu amigo estão esperando.

Eiro a encarou de volta com um sorriso.

— Obrigado. Foi um prazer conhecê-la — dessa forma, ele foi até a carruagem e ajudou Lognir a levar tudo até a pequena plataforma na frente da entrada da caverna para que ele conseguisse segurar tudo direito ali.

Eiro conjurou o mesmo feitiço que conjurou nos cavalos em Lugo e na carruagem, para se certificar de que não fossem danificados, então entrou.

— De novo, obrigado pela ajuda, Lognir — o Demônio sorriu e o Dragão se transformou em sua verdadeira forma.

— Não precisa me agradecer, criança. Eu ofereci, não é?

Assim a viagem para casa – que deveria durar algumas horas – começou o mais confortável possível. Sério, as habilidades de voo de Lognir eram impressionantes. Embora Eiro soubesse que estavam no meio do ar, sentiu como se a carruagem estivesse parada.

— Agora, consegue me mostrar os itens que fez? — Eiro perguntou curioso e Armodeus suspirou.

— Eu sabia, também estava curioso sobre isso, não estava?

— Ao considerar que não acontece com frequência eu me concentrar para não perceber algo… Sim, estou muito curioso. Especialmente ao considerar que é um trabalho seu.

— Haha, você vai me fazer corar, rapaz! Certo, primeiro, aqui estão suas adagas. Aprimoradas, mas não alteradas! — O artesão colocou os dois itens na pequena mesa colocada dentro da carruagem e Eiro os observou com atenção… Só por isso, sabia que todos os itens que Armodeus haviam feito ajudariam Eiro a ficar muito mais forte.

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