A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 346

A Virtude do Demônio

Restavam alguns livros, memórias com partes faltantes, mas eram aqueles com as maiores partes rasgadas. Eiro estava confiante de que essas lembranças estavam conectadas às ‘emoções’, algo difícil de explicar em palavras. Então, fazia sentido que não conseguisse completá-las pela lógica, escrevendo as coisas nos novos livros que estava transcrevendo.

Eiro leu os livros várias vezes, tentando descobrir como deveria recuperar as emoções daquele momento, mas, não importava o que tentasse, era incapaz de sentir algo. Sentia-se estranha desconectado dessas memórias, mesmo quando fazia sua habilidade se concentrar nessa lembrança específica.

Era… como se Eiro nunca fosse ser capaz de sentir o que sentiu naquele instante.

Mas então, de repente, teve uma ideia. Em vez de se concentrar na memória específica, talvez Eiro conseguisse mudar a biblioteca para incluir livros de certos tópicos.

Como essas memórias que ainda tinham que recuperar eram, em sua maioria, relacionadas às crianças ou outras pessoas importantes em sua vida, tinha que tentar tudo o possível para se recordar delas. Ele não queria voltar sem sentir os mesmos sentimentos de an

Devagar, o Demônio concentrou sua mente e saiu dessa memória específica, em vez disso, a preencheu com qualquer memória que incluísse Clementine. Ele sabia tudo sobre Clementine e Clementine preencheu as lacunas. Era assim que as de pessoas obcecadas pareciam, aquelas que viviam para uma pessoa específica e não se importavam com nada além.

Foi um pouco estranho para Eiro, ao considerar que acabou de fazer essa comparação, mas deveria ser capaz de descobrir as coisas assim. Ele agarrou os livros que ainda continham memórias faltantes e, mais uma vez, os leu, utilizando as memórias que tinha de Clementine para preencher as partes. Atuou com base nessas lembranças e logo um pequeno pedaço de papel caiu do teto enquanto Eiro sentia-se dopado.

Ele sentiu seu amor profundo e carinho por Clementine desde o momento em que sentiu esse amor paternal por ela. Isso se fundiu com todas as outras emoções que sentia por Clementine e o fez perceber que isso funcionou. Ele não precisaria retornar sem essas emoções pelas crianças.

Depois de percorrer e completar todas as partes de memórias que tinha com Clementine, fez o mesmo com Sammy. depois com Rudy, Leon e Avalin. Ele se recordou de todos eles.

Embora tenha escolhido deixar Arc por último, pois sabia que havia algo mais importante ligado a ele que precisava descobrir nesta situação. Então, primeiro se recordou das emoções que sentia pelos outros.

Especialmente essas emoções complexas, que eram uma mistura de profunda confiança e raiva, conectadas a James, abriram muitas memórias diferentes para Eiro. Pela próxima hora, mais ou menos, isso foi tudo o que fez.

Então, havia uma pessoa restando em que precisava se concentrar dessa forma: Arc.

Toda a mente de Eiro estava cheia com esse jovem imprudente e inteligente. O Demônio se tornou capaz de conectar certas informações sobre ele de um modo novo e, logo, completou todas as memórias que faltavam.

Eiro se recordou de tudo de novo. Finalmente, não havia necessidade de se preocupar com nada. Ele nunca esqueceria algo de forma permanente de novo.

Mas não só isso, os pensamentos do Diabrete estavam preenchidos com outra realização. Uma que se tornou ainda mais aparente quando Eiro retornou à biblioteca normal. Um único livro se soltou do teto no centro da sala e caiu no chão com um estrondo, alto demais para um livro daquele tamanho criar.

Era um livro revestido de couro puro branco, com uma pequena fechadura de metal que o mantinha fechado. Nervoso com o que estava acontecendo, Eiro se aproximou do livro e o segurou, notando que era muito mais pesado do que parecia a princípio. Como se fosse feito de chumbo em vez de papel e couro.

O Demônio olhou para a fechadura, incerto do que estava ali dentro, mas tinha um pressentimento.

Essas eram as memórias que Eiro empurrou para o seu subconsciente ao longo do tempo. Aqueles que não queria, de alguma forma, lembrar. Coisas que rejeitava ou coisas que eram tão horríveis que não queria nem olhar.

Conseguiu deduzir quais lembranças estavam ali a partir das outras:

A memória específica de ver Avalin sendo devorada viva.

A memória que viu dentro da sua própria cavidade torácica quando <O Diabo> a abriu usando a Carta-chave.

E a memória do que aconteceu quando Eiro quase morreu durante sua luta contra Edward.

Certamente havia outras memórias menores ali e todas eram coisas importantes e que já soubera em algum momento. Coisas que foram seladas quando Eiro recebeu a chance de esquecer sobre elas.

Agora, tinha que escolher se queria se recordar delas. O que era fácil. Colocou um pouco de pressão na fechadura que mantinha o livro fechado e a estilhaçou em pedaços. Claro, Eiro não era capaz de usar força aqui, mas não havia como ele permitir que algo permanecesse selado em sua mente sem ser capaz de exercer poder mental sobre ele.

Eiro abriu o livro enquanto várias memórias preenchiam sua cabeça. A maioria delas eram lembranças avassaladoras, como momentos em que sentia estimulação sensorial extrema, mas havia as memórias que pensou que estariam aqui.

E duas delas o fizeram questionar muitas coisas. Ou melhor, as coisas que essas memórias pareciam indicar.

Eiro abriu os olhos e se levantou, olhando imediatamente para Lognir.

— Terminei. Eu recuperei todas as minhas memórias — explicou ao Dragão da Verdade, que o encarou surpreso.

— O quê? Já?

— Sim, já — o Demônio murmurou. Ele estava mais concentrado nos dois fatos que foram revelados depois de revelar todas aquelas memórias. Eiro respirou fundo e olhou para a figura na sua frente. — Consegue me ensinar o resto dos passos para manipular minhas habilidades? Existe mais algo que eu precise saber em particular?

— … Bem, não há muito. Você deve ser capaz de combinar suas habilidades umas com as outras com bastante facilidade. Combinar magia funcionará da mesma forma, só é muito mais difícil e requer muito mais concentração. Claro, consumirá muito mais mana que o normal, fundindo magia dentro de você.

Eiro assentiu. Compreendeu o que Lognir estava dizendo, mas, neste instante, com sua cabeça a mil, queria fazer algo para que isso parasse.

A confusão era demais para Eiro. Claro, ele causou isso a si mesmo, mas não significava que não era permitido lutar com esse novo conhecimento.

Acessou o Portal Espiritual que mantinha dentro de si e retirou magia bruta de lá. Ao mesmo tempo, criou magia de gelo dentro do seu próprio corpo, a qual logo expulsaria.

O Diabrete fez ambos os elementos mágicos se entrelaçarem enquanto os levava às pontas do seu dedo e, devagar, expulsou os dois tipos de magia da sua mão e continuou tentando fundi-las, mas, por ora, tudo o que aconteceu foi a criação de uma nuvem de névoa, devido ao choque do ar frio com o ar quente.

Lenta, mas visivelmente, Eiro os empurrou um contra o outro.

— O qu-… você quer começar a tentar fundir magia? — Lognir questionou com um sorriso irônico. — Claro, vá em frente, mas eu não sei se irá-

No instante seguinte, uma chama se acendeu na frente da mão de Eiro, interrompendo o que Lognir estava para dizer.

Era uma chama azul clara, quase branca, flutuando na frente do dedo de Eiro.

— Aí vamos nós — Eiro murmurou enquanto acenava com sua mão, fazendo a chama crescer. — Então, agora que consigo fazer a etapa mais difícil, também consigo fazer o resto. Há mais alguma coisa que queira me ensinar? — O Demônio perguntou, mas Lognir meneou a cabeça.

— Eu… não acho que haja muito mais o que te ensinar, não. Agora, tudo o que precisa fazer é dominar esses passos e qualquer tipo de habilidade que conseguir descobrir a partir disso é a próxima etapa, mas essa etapa é descobrir qual versão das suas habilidades é a mais adequada para diferentes situações e ser capaz de alternar entre elas instantaneamente. — O Dragão explicou, então Eiro respirou fundo.

— … Entendo. — O Diabrete murmurou, antes de sorrir para Lognir. — Obrigado por sua ajuda. Estou em dívida com você. Se precisar da minha ajuda, em qualquer forma, formato ou modo, farei todo o possível.

Lognir riu baixinho.

— Manterei isso em mente, mas, por ora, estou bem, contanto que fique ao lado de Solomon e o ajude quando puder.

— Claro, era o que eu planejava de qualquer modo — Eiro comentou. Devagar, eles caminham para a próxima sala, onde os outros Dragões estavam sentados ou brincando.

Assim que fez isso, Krista se levantou e se aproximou da dupla.

— Então, você terminou seu treinamento, eu presumo? — Ela perguntou e Lognir assentiu.

— Sim, por que está perguntando?

— É muito simples. Venha aqui, criança — Krista disse, olhando para Eiro. O Demônio se aproximou e sentiu o Dragão do Caos pressionando a palma em sua testa.

Desse modo, por um instante, seus pensamentos ficaram vazios. Inúmeras sensações e memórias a preencheram de forma caótica, vindo até ele de maneira aleatória. As coisas ficavam diferentes a cada instante, mudando cada vez que Eiro se concentrava em algo em particular.

Um instante depois, tudo retomou ao normal. Eiro olhou para Krista, confuso e assustado, e a Dragonesa continuou.

— Aí está… Meu treinamento deve ser um pouco mais simples, mas tenho certeza de que agora você compreenderá o que o ‘Caos’ é, não é mesmo?

Comentários